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Jubileu Sul fortalece articulação internacional na 1ª Conferência Antifascista pela Soberania dos Povos

  • 3 de abril de 2026

A 1ª Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos reuniu, entre os dias 26 e 29 de março, em Porto Alegre (RS), movimentos sociais, organizações populares e lideranças de mais de 40 países em um esforço coletivo para enfrentar o avanço da extrema direita e construir alternativas baseadas na soberania dos povos. As redes Jubileu Sul Brasil (JSB) e Jubileu Sul/Américas (JS/A) tiveram participação ativa em toda a programação, reafirmando seu papel estratégico na articulação internacional contra o capitalismo, o imperialismo e suas expressões fascistas.

Representantes das duas redes participaram da abertura da conferência, que contou com nomes como a deputada Sâmia Bomfim (SP/Brasil), o economista belga Éric Toussaint (Comitê para a Abolição das Dívidas Ilegítimas - CADTM), a argentina Jorgelina Matusevicius (Vientos del Pueblo) e a eurodeputada espanhola Estrella Galán, entre outros. 

Na sequência, o debate “A ofensiva da extrema direita no mundo: causas, consequências e desafios” reuniu as vozes dos diferentes países para analisar o cenário global e apontar caminhos de resistência. A diversidade de experiências reforçou um consenso: o fascismo é uma ameaça global e exige respostas também articuladas e internacionais.

Além dos espaços de debate, a delegação do Jubileu Sul  participou da marcha antifascista, fortalecendo a presença popular nas ruas e ecoando o lema de que “diante da barbárie, a resposta é unidade e resistência”.

Manifestantes em marcha urbana segurando cartazes exigindo justiça e reparações contra o FMI e Banco Mundial, com destaque para o banner do Jubileo Sur Americas e do Tribunal dos Povos e da Natureza contra as políticas de dívidas ilegítimas.

Representantes do Jubileu Sul Brasil, do Jubileu Sul/Américas, de entidades membro e parceiros na Marcha Antifascista. Foto: Ruben Penayo.

Água, energia e dívida: alternativas populares no centro do debate

Um dos principais destaques da participação das redes foi a realização da oficina “Antifascismo e lutas populares pela Água, Energia e Soberania Financeira”, que reuniu organizações e movimentos do Sul global, na UFRGS, para discutir a relação entre endividamento público, exploração dos territórios, privatização de recursos e a escalada da extrema direita. A atividade autogestionada foi moderada por Beverly Keene, do Dialogo 2000 (Argentina), e por Rosilene Wansetto, secretária executiva do Jubileu Sul Brasil.

A oficina trouxe relatos e análises de movimentos sociais de diferentes países, mostrando como a financeirização e os megaempreendimentos aprofundam desigualdades e expulsam populações de seus territórios. Ao conectar pautas como justiça climática, soberania energética, direitos territoriais e economia popular, as redes reafirmam que a construção de alternativas passa necessariamente por colocar a vida - e não o lucro - no centro das decisões.

Nahuel Gravano, da Campanha Fora Mekorot (Argentina), denunciou a privatização da água promovida pela empresa israelense Mekorot, que atua em várias províncias argentinas, alertando para o risco de entrega de um bem comum ao capital estrangeiro. Já Mariana Bruno, do Movimiento Socialista de Trabajadores MST-Red Ecosocialista (Argentina), apresentou a luta pela Lei dos Glaciais, que enfrenta forte pressão de setores de mineração que ameaçam as reservas de água doce do país — fundamentais para a soberania hídrica e para os povos originários.

Lideranças indígenas Avá-Guarani denunciaram os impactos históricos da construção da usina de Itaipu, que resultou na expulsão de comunidades e na destruição de territórios ancestrais. A pauta da reparação integral, da restituição territorial e da justiça histórica foi colocada como parte essencial da luta antifascista.

Oficina do Jubileu Sul/Américas fez parte da programação de atividades autogestionadas realizadas durante a conferência internacional. Foto: Francisco Vladimir

Oscar Benites, líder Avá-Guarani da Aldeia Yva Renda, no Paraná, e Oscar Martínez, da Comunidade Tekoha Sauce (Paraguai), relataram como 47 comunidades foram inundadas, 80 mil hectares de território ancestral foram destruídos e famílias inteiras foram expulsas sem qualquer reparação justa. “Não pedimos favores. Exigimos direitos”, afirmaram.

Rubén Penayo, da Campanha Itaipu Causa Nacional (Paraguai), conectou essa luta à necessidade de soberania sobre a água e a energia, denunciando o modelo que privilegia grandes empreendimentos e o endividamento público em detrimento das populações locais.

“Apoiar essa luta é um compromisso com a justiça”

Beverly Keene, integrante do Jubileu Sul/Américas, destacou a importância da solidariedade internacional com os Avá-Guarani: 

“Apoiar a luta do povo Avá-Guarani Paranaense, pela restituição de suas terras e pela reparação do despojo total que seguem sofrendo 50 anos após a construção de Itaipu, é um compromisso com a justiça que assumimos na Jubileu Sul/Américas para o Cone Sul. É também um dever com o presente e o futuro de outros povos, comunidades racializadas e marginalizadas, porque é olhar no espelho retrovisor os impactos dos novos projetos de 'transição energética' promovidos pelo Banco Mundial, BID, FMI e grandes capitais.”

Ela alertou ainda para os riscos de novos despojos disfarçados de “energia limpa”, citando parques eólicos no Ceará (Brasil) e em Jujuy (Argentina) como exemplos de transações que geram dívidas odiosas — sociais, ecológicas e financeiras.

Incidência política e solidariedade internacional

Antes da oficina, representantes do JSB e do JS/A participaram de agenda no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), em Porto Alegre, acompanhando os líderes indígenas em demandas por reparação relacionadas à Itaipu. A ação reforça o compromisso das redes com a justiça socioambiental e os direitos dos povos originários.

A partir dos diálogos e reuniões realizados durante a conferência, a socióloga Rosilene Wansetto explicou os encaminhamentos deliberados pelas redes:

“A proposta em relação aos Avá-Guarani é seguirmos apoiando a luta, as reivindicações, o pedido de reparação territorial - que é ter a terra, mas não só a terra, e sim condições de produção, pesca, saúde, educação como direito. Vamos redobrar o trabalho de comunicação e denúncia sobre a situação dos Guarani, especialmente no Paraguai, onde há dificuldade de diálogo com o governo. Vamos seguir no processo de mobilização, produção de material e ações internacionais.”

Estão sendo pensadas visitas, audiências e até a possibilidade de um tribunal internacional sobre o caso.

Outro destaque foi a atuação das redes em atividades que abordaram a situação do Haiti, denunciando a ingerência estrangeira e resgatando a importância histórica da Revolução Haitiana como referência de luta anticolonial, antirracista e anticapitalista (leia mais clicando aqui).

Organizações e movimentos populares na 1ª Conferência Internacional Antifascista. Foto: Rubén Penayo

Carta final aponta caminhos de articulação global

Ao final dos quatro dias de conferência, foi lançada a Carta de Porto Alegre, documento que sintetiza os debates e propõe a construção de uma articulação internacional permanente contra o fascismo e o imperialismo.

A carta denuncia o agravamento das desigualdades, a intensificação das agressões militares e o avanço de políticas neoliberais, ao mesmo tempo em que aponta a necessidade de unidade entre movimentos sociais, organizações populares e redes internacionais. 

Entre as propostas de ações concretas: a construção de uma mesa de articulação internacional, a realização de conferências regionais (com destaque para uma na Argentina e outra na América do Norte), o apoio à Flotilha da Liberdade para Gaza, a solidariedade a Cuba e à Venezuela, e o apoio ao Fórum Social Mundial no Benin, em agosto de 2026.

Por Flaviana Serafim - Comunicação Jubileu Sul Brasil

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Representantes das duas redes participaram da abertura da conferência, que contou com nomes como a deputada Sâmia Bomfim (SP/Brasil), o economista belga Éric Toussaint (Comitê para a Abolição das Dívidas Ilegítimas - CADTM), a argentina Jorgelina Matusevicius (Vientos del Pueblo) e a eurodeputada espanhola Estrella Galán, entre outros. 

Na sequência, o debate “A ofensiva da extrema direita no mundo: causas, consequências e desafios” reuniu as vozes dos diferentes países para analisar o cenário global e apontar caminhos de resistência. A diversidade de experiências reforçou um consenso: o fascismo é uma ameaça global e exige respostas também articuladas e internacionais.

Além dos espaços de debate, a delegação do Jubileu Sul  participou da marcha antifascista, fortalecendo a presença popular nas ruas e ecoando o lema de que “diante da barbárie, a resposta é unidade e resistência”.

Manifestantes em marcha urbana segurando cartazes exigindo justiça e reparações contra o FMI e Banco Mundial, com destaque para o banner do Jubileo Sur Americas e do Tribunal dos Povos e da Natureza contra as políticas de dívidas ilegítimas.

Representantes do Jubileu Sul Brasil, do Jubileu Sul/Américas, de entidades membro e parceiros na Marcha Antifascista. Foto: Ruben Penayo.

Água, energia e dívida: alternativas populares no centro do debate

Um dos principais destaques da participação das redes foi a realização da oficina “Antifascismo e lutas populares pela Água, Energia e Soberania Financeira”, que reuniu organizações e movimentos do Sul global, na UFRGS, para discutir a relação entre endividamento público, exploração dos territórios, privatização de recursos e a escalada da extrema direita. A atividade autogestionada foi moderada por Beverly Keene, do Dialogo 2000 (Argentina), e por Rosilene Wansetto, secretária executiva do Jubileu Sul Brasil.

A oficina trouxe relatos e análises de movimentos sociais de diferentes países, mostrando como a financeirização e os megaempreendimentos aprofundam desigualdades e expulsam populações de seus territórios. Ao conectar pautas como justiça climática, soberania energética, direitos territoriais e economia popular, as redes reafirmam que a construção de alternativas passa necessariamente por colocar a vida - e não o lucro - no centro das decisões.

Nahuel Gravano, da Campanha Fora Mekorot (Argentina), denunciou a privatização da água promovida pela empresa israelense Mekorot, que atua em várias províncias argentinas, alertando para o risco de entrega de um bem comum ao capital estrangeiro. Já Mariana Bruno, do Movimiento Socialista de Trabajadores MST-Red Ecosocialista (Argentina), apresentou a luta pela Lei dos Glaciais, que enfrenta forte pressão de setores de mineração que ameaçam as reservas de água doce do país — fundamentais para a soberania hídrica e para os povos originários.

Lideranças indígenas Avá-Guarani denunciaram os impactos históricos da construção da usina de Itaipu, que resultou na expulsão de comunidades e na destruição de territórios ancestrais. A pauta da reparação integral, da restituição territorial e da justiça histórica foi colocada como parte essencial da luta antifascista.

Oficina do Jubileu Sul/Américas fez parte da programação de atividades autogestionadas realizadas durante a conferência internacional. Foto: Francisco Vladimir

Oscar Benites, líder Avá-Guarani da Aldeia Yva Renda, no Paraná, e Oscar Martínez, da Comunidade Tekoha Sauce (Paraguai), relataram como 47 comunidades foram inundadas, 80 mil hectares de território ancestral foram destruídos e famílias inteiras foram expulsas sem qualquer reparação justa. “Não pedimos favores. Exigimos direitos”, afirmaram.

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“Apoiar essa luta é um compromisso com a justiça”

Beverly Keene, integrante do Jubileu Sul/Américas, destacou a importância da solidariedade internacional com os Avá-Guarani: 

“Apoiar a luta do povo Avá-Guarani Paranaense, pela restituição de suas terras e pela reparação do despojo total que seguem sofrendo 50 anos após a construção de Itaipu, é um compromisso com a justiça que assumimos na Jubileu Sul/Américas para o Cone Sul. É também um dever com o presente e o futuro de outros povos, comunidades racializadas e marginalizadas, porque é olhar no espelho retrovisor os impactos dos novos projetos de 'transição energética' promovidos pelo Banco Mundial, BID, FMI e grandes capitais.”

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A carta denuncia o agravamento das desigualdades, a intensificação das agressões militares e o avanço de políticas neoliberais, ao mesmo tempo em que aponta a necessidade de unidade entre movimentos sociais, organizações populares e redes internacionais. 

Entre as propostas de ações concretas: a construção de uma mesa de articulação internacional, a realização de conferências regionais (com destaque para uma na Argentina e outra na América do Norte), o apoio à Flotilha da Liberdade para Gaza, a solidariedade a Cuba e à Venezuela, e o apoio ao Fórum Social Mundial no Benin, em agosto de 2026.

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