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Conferência Antifascista se solidariza com o Haiti e destaca revolução

  • 6 de abril de 2026

Concluída recentemente, em Porto Alegre (RS), a I Conferência Antifascista pela Soberania dos Povos denunciou a ingerência estrangeira no Haiti e se solidarizou com seu povo. Expressou sua defesa da independência, autodeterminação e soberania de todos os territórios sob ocupação colonial e imperialista.

A importância de reverter a invisibilização e o hostilamento que continua sofrendo sua histórica revolução, contra a escravidão e a dominação colonial e imperialista, foi eixo de uma atividade autogestionada sobre o Haiti. Coordenada pela Rede Jubileu Sul/Américas e pela Cadtm-Ayna, contou com a participação de haitianos residentes em Porto Alegre e de Mireille Fanon Mendès-France, copresidenta da Fundação Frantz Fanon.

Segundo o relato, desde a morte do presidente Jovenel Moïse, em julho de 2021, a situação sociopolítica do Haiti permanece extremamente crítica, marcada por uma crise de segurança, política, humanitária e econômica. A violência alcançou níveis sem precedentes e estima-se que bandos armados controlam uma grande parte da capital, Porto Príncipe, e expandem sua influência em outras regiões do país. A participação na atividade de Camille Chalmers, diretor executivo da Plataforma haitiana por um desenvolvimento alternativo, integrante das redes JS/A e Cadtm, foi impossibilitada por essa mesma violência.

Organizações e movimentos populares na 1ª Conferência Internacional Antifascista. Fotos: Rubén Penayo

O Haiti teve uma das revoluções mais exitosas da historiografia mundial, segundo foi explicado. Aniquilou uma das maiores tropas do mundo, a de Napoleão Bonaparte, tornando-se independente 1º de janeiro de 1804. Criou a primeira República Negra do mundo e uma nova forma de humanidade livre da escravidão. Aí reside a relevância profunda da Revolução Haitiana antiescravista, anticolonial e anticapitalista, a única revolução conduzida, e nação criada, por pessoas escravizadas.

Por isso, ainda que nas páginas da história haitiana se encontrem os primeiros significados pragmáticos de Democracia, Liberdade e Direitos Humanos, esses avanços foram empurrados para o colapso desde o primeiro momento. O isolamento político e econômico internacional imposto ao país, incluindo a imposição pela antiga potência colonizadora francesa de uma enorme dívida odiosa para "compensar" os escravistas e levantar o bloqueio, foi uma estratégia para sua destruição, dado que isso serviria para o debilitamento do país e para que outros não seguissem seu exemplo.

Manifestantes em marcha urbana segurando cartazes exigindo justiça e reparações contra o FMI e Banco Mundial, com destaque para o banner do Jubileo Sur Americas e do Tribunal dos Povos e da Natureza contra as políticas de dívidas ilegítimas.

Redes Jubileu Sul/Américas e Jubileu Sul Brasil levaram a causa haitiana para a Marcha Antifascista, realizada como parte da conferência em Porto Alegre.

Há mais de dois séculos, esta história continua sendo silenciada e execrada pelos neocolonizadores. Existe uma incapacidade de elevar a História do Haiti, notavelmente a Revolução Haitiana, ao seu devido estatuto como uma das mais importantes revoluções do mundo contra o racismo, o colonialismo e o imperialismo. A luta contra o fascismo deve compreender a radicalidade da Revolução Haitiana e o posicionamento radical contra o necroliberalismo de hoje.

A tragédia social, política e econômica que vive o Haiti hoje é, em parte, consequência das relações neocoloniais e imperialistas que a comunidade internacional, liderada pelas potências europeias e estadunidense, forjou com o pequeno país do Caribe. Desde então, o país enfrenta intervenções e conflitos que causam instabilidades políticas e econômicas, assim como as duras repressões e recessões por parte do imperialismo euro-norte-americano. Não podem ser esquecidas a ocupação direta dos EUA entre 1915 e 1934, seu apoio à ditadura dos Duvalier, a ingerência permanente da chamada "comunidade internacional" e do "Grupo Central" com reiteradas missões internacionais que proclamam a paz, a estabilidade, a justiça e os direitos humanos, mas que, na prática, resultam exatamente o contrário. É assim que o Haiti agora se enfrenta com a realidade de uma nova intervenção internacional.

As armas que inundam o país nas mãos das gangues chegam dos EUA, e após a presença de seus navios de guerra diante da cidade capital em fevereiro, foi o governo Trump que nomeou o atual primeiro-ministro, oficializando sua tutela e impondo a assinatura quase imediata de um custoso contrato de "segurança de fronteira" com uma empresa transnacional.

Grupo diverso de pessoas em evento indoor segurando a bandeira haitiana e levantando o punho em gesto de solidaridade.

Participantes da atividade autogestionada em solidariedade ao Haiti

Para sair deste ciclo de destruição e de violência, o povo haitiano mantém sua resistência e luta diária. Ao concluir a atividade no marco da I Conferência Antifascista, propôs-se aos povos do mundo, sobretudo da Nossa América, assumir nossa dívida com o Haiti e decidir levar nossos compromissos, nossas resistências, nossas rebeliões contra o imperialismo e o capitalismo, o patriarcado, o racismo e o tecnofascismo, em apoio a seu povo.

Foi proposto que, mobilizados em unidade, sejamos o eco da voz do povo haitiano que exige o fim da ingerência estrangeira, o tráfico de armas e o apoio às gangues.

Exigimos a solidariedade concreta dos países da Nossa América e do mundo e vamos impulsionar um movimento internacional para obrigar o estado colonial francês a restituir e reparar a dívida ilegal do resgate que impôs à independência do Haiti. Vamos exigir aos governos de nossos países a denúncia internacional dos atos violentos e de ocupação indireta a que o povo haitiano está submetido e a não participação nos mesmos.

Para que a democracia e a liberdade voltem a reinar no país, ajudemos a correr o véu que invisibiliza sua resistência atual e a centralidade de sua histórica revolução. Lutemos juntos pela plena vigência de sua soberania e direitos.

 

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A importância de reverter a invisibilização e o hostilamento que continua sofrendo sua histórica revolução, contra a escravidão e a dominação colonial e imperialista, foi eixo de uma atividade autogestionada sobre o Haiti. Coordenada pela Rede Jubileu Sul/Américas e pela Cadtm-Ayna, contou com a participação de haitianos residentes em Porto Alegre e de Mireille Fanon Mendès-France, copresidenta da Fundação Frantz Fanon.

Segundo o relato, desde a morte do presidente Jovenel Moïse, em julho de 2021, a situação sociopolítica do Haiti permanece extremamente crítica, marcada por uma crise de segurança, política, humanitária e econômica. A violência alcançou níveis sem precedentes e estima-se que bandos armados controlam uma grande parte da capital, Porto Príncipe, e expandem sua influência em outras regiões do país. A participação na atividade de Camille Chalmers, diretor executivo da Plataforma haitiana por um desenvolvimento alternativo, integrante das redes JS/A e Cadtm, foi impossibilitada por essa mesma violência.

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O Haiti teve uma das revoluções mais exitosas da historiografia mundial, segundo foi explicado. Aniquilou uma das maiores tropas do mundo, a de Napoleão Bonaparte, tornando-se independente 1º de janeiro de 1804. Criou a primeira República Negra do mundo e uma nova forma de humanidade livre da escravidão. Aí reside a relevância profunda da Revolução Haitiana antiescravista, anticolonial e anticapitalista, a única revolução conduzida, e nação criada, por pessoas escravizadas.

Por isso, ainda que nas páginas da história haitiana se encontrem os primeiros significados pragmáticos de Democracia, Liberdade e Direitos Humanos, esses avanços foram empurrados para o colapso desde o primeiro momento. O isolamento político e econômico internacional imposto ao país, incluindo a imposição pela antiga potência colonizadora francesa de uma enorme dívida odiosa para "compensar" os escravistas e levantar o bloqueio, foi uma estratégia para sua destruição, dado que isso serviria para o debilitamento do país e para que outros não seguissem seu exemplo.

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Redes Jubileu Sul/Américas e Jubileu Sul Brasil levaram a causa haitiana para a Marcha Antifascista, realizada como parte da conferência em Porto Alegre.

Há mais de dois séculos, esta história continua sendo silenciada e execrada pelos neocolonizadores. Existe uma incapacidade de elevar a História do Haiti, notavelmente a Revolução Haitiana, ao seu devido estatuto como uma das mais importantes revoluções do mundo contra o racismo, o colonialismo e o imperialismo. A luta contra o fascismo deve compreender a radicalidade da Revolução Haitiana e o posicionamento radical contra o necroliberalismo de hoje.

A tragédia social, política e econômica que vive o Haiti hoje é, em parte, consequência das relações neocoloniais e imperialistas que a comunidade internacional, liderada pelas potências europeias e estadunidense, forjou com o pequeno país do Caribe. Desde então, o país enfrenta intervenções e conflitos que causam instabilidades políticas e econômicas, assim como as duras repressões e recessões por parte do imperialismo euro-norte-americano. Não podem ser esquecidas a ocupação direta dos EUA entre 1915 e 1934, seu apoio à ditadura dos Duvalier, a ingerência permanente da chamada "comunidade internacional" e do "Grupo Central" com reiteradas missões internacionais que proclamam a paz, a estabilidade, a justiça e os direitos humanos, mas que, na prática, resultam exatamente o contrário. É assim que o Haiti agora se enfrenta com a realidade de uma nova intervenção internacional.

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