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Moradia na Vila Dique: conquista para 71 famílias, mas luta continua para que ninguém fique para trás

  • 21 de maio de 2026

O último sábado (16) foi de emoções contraditórias na Vila Dique, comunidade da zona norte de Porto Alegre (RS) duramente afetada pelas enchentes de maio de 2024. Em assembleia que reuniu dezenas de moradores no território, houve festa e alívio com a inclusão de 71 famílias no programa Minha Casa Minha Vida – Compra Assistida, mas também tristeza diante do desmonte iminente da comunidade, da divisão em zonas que determinam a ordem das demolições e da angústia de quem ainda não tem garantido o direito de recomeçar em outro lugar.

A reunião contou com a presença da Defensoria Pública do Rio Grande do Sul e de representantes do Demhab, o departamento municipal de habitação, além da deputada federal Fernanda Melchionna (Psol-RS) - que mediou, junto ao governo federal, a inclusão das 71 famílias que estavam fora do programa há dois anos, numa espera incerta que agora chegou ao fim. 

A novidade foi recebida com aplausos e lágrimas por parte das famílias beneficiadas, que viram pela primeira vez uma luz no fim do túnel.

“Foi motivo de muita celebração na assembleia, por pessoas que estavam há dois anos nessa espera incerta”, relatou uma das lideranças comunitárias presentes.

No entanto, mesmo com a conquista, a atmosfera geral era de pesar. A Vila Dique já foi dividida em zonas que vão determinar a ordem da demolição das casas, e a primeira zona já está com as residências marcadas e ordem de evacuação emitida. O sentimento coletivo, segundo os moradores, é de tristeza profunda diante da extinção de um território construído com suor, memória e luta. Várias famílias ainda permanecem sem o direito garantido, sem ter para onde ir e vendo o fim da comunidade se aproximar.

“Seguimos nessa luta para que ninguém fique para trás e que se tenha acesso a essa política pública, ainda que nada possa sanar a dor que é essa extinção da Dique”, afirmou uma das pessoas participantes. 

Assembleia comunitária em Vila Dique, grupo engajado com folhetos e celulares durante evento de mobilização popular.

Comunidade segue mobilizada por garantia de moradia para todas as famílias retiradas da Vila Dique. Foto: Marcelo Freire

A falta de transparência do poder público foi outro alvo de críticas. Segundo moradores, o Demhab nunca foi até a comunidade explicar o funcionamento do programa Compra Assistida. Todo o preparo das famílias - desde a documentação até a busca por informações sobre prazos e critérios - partiu exclusivamente da organização comunitária, assessorada pelo Emancipa Comunidades, da Rede Emancipa, entidade membro do Jubileu Sul Brasil. Na prática, foi a própria comunidade que se mobilizou para não ser deixada para trás pelo Estado.

O clima de desamparo é agravado pela aproximação do chamado Super El Niño, fenômeno climático que, segundo meteorologistas, promete trazer chuvas intensas e novas enchentes para o Rio Grande do Sul ainda em 2026. A sensação entre os moradores da Vila Dique é de alerta generalizado: as obras de contenção não foram concluídas, o sistema de diques segue fragilizado e a comunidade, que já perdeu tudo uma vez, corre o risco de reviver a tragédia sem qualquer estrutura de acolhimento.

O acompanhamento do Jubileu Sul se intensificou com as enchentes de 2024, diante da emergência habitacional e do risco iminente de novas tragédias. Por meio de mutirões de assessoria jurídica e técnica, os moradores seguem pressionando para que todas as famílias sejam incluídas no programa habitacional antes que as demolições avancem.

Por Flaviana Serafim - Comunicação Jubileu Sul Brasil

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A novidade foi recebida com aplausos e lágrimas por parte das famílias beneficiadas, que viram pela primeira vez uma luz no fim do túnel.

“Foi motivo de muita celebração na assembleia, por pessoas que estavam há dois anos nessa espera incerta”, relatou uma das lideranças comunitárias presentes.

No entanto, mesmo com a conquista, a atmosfera geral era de pesar. A Vila Dique já foi dividida em zonas que vão determinar a ordem da demolição das casas, e a primeira zona já está com as residências marcadas e ordem de evacuação emitida. O sentimento coletivo, segundo os moradores, é de tristeza profunda diante da extinção de um território construído com suor, memória e luta. Várias famílias ainda permanecem sem o direito garantido, sem ter para onde ir e vendo o fim da comunidade se aproximar.

“Seguimos nessa luta para que ninguém fique para trás e que se tenha acesso a essa política pública, ainda que nada possa sanar a dor que é essa extinção da Dique”, afirmou uma das pessoas participantes. 

Assembleia comunitária em Vila Dique, grupo engajado com folhetos e celulares durante evento de mobilização popular.

Comunidade segue mobilizada por garantia de moradia para todas as famílias retiradas da Vila Dique. Foto: Marcelo Freire

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O clima de desamparo é agravado pela aproximação do chamado Super El Niño, fenômeno climático que, segundo meteorologistas, promete trazer chuvas intensas e novas enchentes para o Rio Grande do Sul ainda em 2026. A sensação entre os moradores da Vila Dique é de alerta generalizado: as obras de contenção não foram concluídas, o sistema de diques segue fragilizado e a comunidade, que já perdeu tudo uma vez, corre o risco de reviver a tragédia sem qualquer estrutura de acolhimento.

O acompanhamento do Jubileu Sul se intensificou com as enchentes de 2024, diante da emergência habitacional e do risco iminente de novas tragédias. Por meio de mutirões de assessoria jurídica e técnica, os moradores seguem pressionando para que todas as famílias sejam incluídas no programa habitacional antes que as demolições avancem.

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