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Jubileu Sul repudia discurso mentiroso de Jair Bolsonaro na ONU

  • 23 de setembro de 2020

Durante a abertura da 75º Assembleia Geral da ONU, realizada na terça-feira (22), o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, fez seu discurso de quase 15 minutos com base em mentiras e falsas acusações, além de desrespeitar o trabalho da imprensa.

Bolsonaro, que afirma ter sido vítima de parcela da imprensa brasileira que “politizou o vírus, disseminando o pânico entre a população”, não citou em nenhum momento o número de infectados e os mais de 137 mil mortos em nosso país, até o momento, em decorrência da covid-19.

O presidente, ao afirmar que “concedeu auxílio emergencial em parcelas que somam aproximadamente 1000 dólares para 65 milhões de pessoas”, se apropria da mobilização da sociedade civil e parlamentares do campo progressista que conquistou o valor de R$600 enquanto a proposta do governo era de apenas R$200. O auxilio além de ser uma conquista da mobilização popular, o valor não alcançou os U$ 109,00 dólares mensais.

Ainda sobre medidas para conter a pandemia, Bolsonaro diz que destinou mais de 100 bilhões de dólares para ações da saúde, enquanto o Ministério da Saúde, que ficou sem representante titular da pasta por cerca de 04 meses, gastou 53,95% do dinheiro disponível para o combate à pandemia. E dos recursos para o auxilio emergencial somente 65,9% havia sido pago até o mês de agosto.

A exportação de alimentos ganhou espaço durante o discurso: "Estamos abertos para o mundo naquilo que melhor temos para oferecer, nossos produtos do campo. Nunca exportamos tanto. O mundo cada vez mais depende do Brasil para se alimentar". Mas não foi citado o desmonte da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), responsável pela manutenção de estoques reguladores de alimentos básicos, o que mostra a prioridade do governo com o modelo agroexportador de commodities em detrimento da segurança alimentar do povo brasileiro.

De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) dos anos de 2017/2018 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), publicado na última semana, o Brasil tem 10 milhões de pessoas passando fome, o que pode caracterizar a volta do país ao mapa da fome da ONU, do qual tinha saído em 2014. Ainda de acordo com o IBGE, a segurança alimentar caiu de 77,4% em 2013 para 63,3% dos domicílios em 2018. Esses dados são referentes ao período anterior à crise causada pela pandemia, o que significa que esse número pode ser muito maior atualmente.

Bolsonaro afirma que “assistiu a mais de 200 mil famílias indígenas”, mas omite seus 16 vetos ao auxílio emergencial aos povos indígenas, entre eles o que obrigava o governo a oferecer água potável e produtos de higiene.

Sobre as queimadas que o país vem sofrendo, dados atuais mostram que o Pantanal perdeu entre 15% e 23% de toda sua área para o fogo, o presidente disse que o Brasil é "referência em preservação ambiental" e que as florestas brasileiras não pegam fogo porque “são úmidas”, e culpa populações tradicionais por incêndios. O que é mais uma mentira, já que com análises dos focos de calor é possível afirmar que o fogo no pantanal teve origem em fazendas de pecuaristas. Em 2020, sob o comando de Ricardo Salles, o Ministério do Meio Ambiente gastou apenas 0,4% da verba total disponível ao fortalecimento da política ambiental.  Soma-se a isso os dados internacionais sobre a Amazonia, as queimadas e o avanço do agronegócio sobre áreas protegidas, bem como o desmonte da política de proteção aos povos indígenas.

Durante o discurso, também foi insinuada, de forma leviana, à Venezuela a responsabilidade pelo vazamento de óleo no litoral, em 2019, mas não há nenhuma evidência sobre isso e as investigações do caso ainda não foram concluídas.

Por fim, Bolsonaro ignora o princípio do estado laico e o pluralismo do país, ao afirmar que “O Brasil é um país cristão e conservador e tem na família sua base”.

A Rede Jubileu Sul Brasil repudia a postura falaciosa do chefe de estado e sua política genocida baseada nos interesses do capital, na militarização e no fundamentalismo religioso. Nos solidarizamos com os alvos dos ataques feitos por Bolsonaro em seu discurso.

Reafirmamos nosso compromisso de restabelecimento do estado democrático de direito e a garantia de plena liberdade de manifestação, de respeito às diversas crenças religiosas, culturas e formas de vida que compõe a diversidade do nosso país.

Leia aqui o discurso na íntegra.

#ForaBolsonaroeMourao

#BolsonaroGenocida

São Paulo, 23 de setembro de 2020.

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Bolsonaro, que afirma ter sido vítima de parcela da imprensa brasileira que “politizou o vírus, disseminando o pânico entre a população”, não citou em nenhum momento o número de infectados e os mais de 137 mil mortos em nosso país, até o momento, em decorrência da covid-19.

O presidente, ao afirmar que “concedeu auxílio emergencial em parcelas que somam aproximadamente 1000 dólares para 65 milhões de pessoas”, se apropria da mobilização da sociedade civil e parlamentares do campo progressista que conquistou o valor de R$600 enquanto a proposta do governo era de apenas R$200. O auxilio além de ser uma conquista da mobilização popular, o valor não alcançou os U$ 109,00 dólares mensais.

Ainda sobre medidas para conter a pandemia, Bolsonaro diz que destinou mais de 100 bilhões de dólares para ações da saúde, enquanto o Ministério da Saúde, que ficou sem representante titular da pasta por cerca de 04 meses, gastou 53,95% do dinheiro disponível para o combate à pandemia. E dos recursos para o auxilio emergencial somente 65,9% havia sido pago até o mês de agosto.

A exportação de alimentos ganhou espaço durante o discurso: "Estamos abertos para o mundo naquilo que melhor temos para oferecer, nossos produtos do campo. Nunca exportamos tanto. O mundo cada vez mais depende do Brasil para se alimentar". Mas não foi citado o desmonte da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), responsável pela manutenção de estoques reguladores de alimentos básicos, o que mostra a prioridade do governo com o modelo agroexportador de commodities em detrimento da segurança alimentar do povo brasileiro.

De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) dos anos de 2017/2018 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), publicado na última semana, o Brasil tem 10 milhões de pessoas passando fome, o que pode caracterizar a volta do país ao mapa da fome da ONU, do qual tinha saído em 2014. Ainda de acordo com o IBGE, a segurança alimentar caiu de 77,4% em 2013 para 63,3% dos domicílios em 2018. Esses dados são referentes ao período anterior à crise causada pela pandemia, o que significa que esse número pode ser muito maior atualmente.

Bolsonaro afirma que “assistiu a mais de 200 mil famílias indígenas”, mas omite seus 16 vetos ao auxílio emergencial aos povos indígenas, entre eles o que obrigava o governo a oferecer água potável e produtos de higiene.

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Durante o discurso, também foi insinuada, de forma leviana, à Venezuela a responsabilidade pelo vazamento de óleo no litoral, em 2019, mas não há nenhuma evidência sobre isso e as investigações do caso ainda não foram concluídas.

Por fim, Bolsonaro ignora o princípio do estado laico e o pluralismo do país, ao afirmar que “O Brasil é um país cristão e conservador e tem na família sua base”.

A Rede Jubileu Sul Brasil repudia a postura falaciosa do chefe de estado e sua política genocida baseada nos interesses do capital, na militarização e no fundamentalismo religioso. Nos solidarizamos com os alvos dos ataques feitos por Bolsonaro em seu discurso.

Reafirmamos nosso compromisso de restabelecimento do estado democrático de direito e a garantia de plena liberdade de manifestação, de respeito às diversas crenças religiosas, culturas e formas de vida que compõe a diversidade do nosso país.

Leia aqui o discurso na íntegra.

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