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Jubileu Sul/Américas debate avanço dos financiamentos do BID e os impactos sobre as comunidades na América Latina e no Caribe

  • 24 de novembro de 2020

Fórum virtual é no próximo dia 1º de dezembro, com apresentação de casos mostrando os impactos nefastos do banco na região. Com transmissão ao vivo, evento tem tradução simultânea espanhol-português

O Jubileu Sul/Américas promove no próximo dia 1º de dezembro, às 19h, o fórum virtual “O avanço dos financiamentos do Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID e os impactos sobre as comunidades na América Latina e no Caribe”.

Com transmissão ao vivo pelo Facebook, o evento pode ser assistido com tradução simultânea espanhol-português acessando a plataforma Zoom: https://bit.ly/SeminarioBID-Zoom. Confira a programação completa no final do texto.

Na primeira parte da programação, a apresentação de um mapeamento dos projetos de desenvolvimento financiados pelo banco nas cidades, territórios e comunidades, e uma análise geopolítica da atuação global e local do BID.

Na segunda parte, será feita exposição de alguns casos mostrando os impactos causados pelo BID em países do Caribe, Cone Sul, Mesoamérica e Região Andina. Encerrando a atividade, a definição de propostas e encaminhamentos visando fortalecer o movimento anti-BID.

O evento deste 1º de dezembro é parte das ações e debates da campanha "A Vida Acima da Dívida" e uma atividade preparatória para a Conferência Internacional sobre Soberania Financeira, prevista para agosto de 2021.

Endividamento, soberania, impacto socioambiental e cultural

Membro do Jubileu Sul Brasil, a advogada agrarista e feminista Magnólia Said participa do evento analisando a atuação do banco.

Ela explica que o BID, junto com a Corporação Andina de Fomento (CAF) e a Corporação Financeira Internacional, que é um braço do Banco Mundial, têm sido, ao longo dos anos, os principais financiadores para execução de megaprojetos públicos e privados. As implicações desse modelo vão desde o aumento do endividamento dos países aos impactos socioambientais e também culturais para as populações, além do impacto invisibilizado sobre a soberania das nações.

“Os impactos na soberania não são considerados, não são vistos de fato quando da tomada desses empréstimos porque, de um modo geral, os governos já se submetem às políticas de ajuste, às condicionalidades definidas pelo banco nos contratos para obtenção dos recursos. As políticas de ajuste já ferem a soberania desde o Consenso de Washington, e as condicionalidades também, mas o que eles querem é que o dinheiro entre”, afirma a advogada.

Quanto ao discurso de “economia verde”, Magnólia alerta que a promessa de desenvolvimento com sustentabilidade é uma marca do BID e de outras instituições multilaterais de financiamento. “Com o BID não seria diferente, vide a história dos megaprojetos financiados pelo banco no Brasil, onde populações tradicionais, periféricas, ribeirinhas e indígenas sempre foram vistas como entraves ao desenvolvimento, embora o BID tenha um mecanismo independente de responsabilização socioambiental”, afirma.

Esse mecanismo, diz Magnólia, tem a função de indicar os posicionamentos que devem ser assumidos pelo banco após a escuta de críticas e demandas das comunidades afetadas.

Nesse discurso de desenvolvimento e sustentabilidade, a advogada explica ainda que o BID sempre contou com apoio da mídia “promovendo os interesses do capital nesses grandes projetos e encobrindo a realidade por trás de cada propaganda, a exemplo dos empreendimentos para a Copa do Mundo e a Copa das Confederações no Brasil, onde comunidades inteiras foram desalojadas de suas casas e de trabalho, mas nada disso saiu na Rede Globo.

Segundo, afirma Magnólia, o que esse mecanismo tem feito é conter os conflitos provocados pelos grandes empreendimentos, “preservando os interesses das empresas envolvidas, nada mais que isso”.

Independentemente das posições políticas dos governos da América Latina e Caribe, Magnólia afirma que o papel primordial do banco é o mesmo.

“A agenda do BID independe disso. Os empréstimos do banco sempre tiveram voltados à promoção do investimento privado nos países em desenvolvimento ou empobrecidos. Para eles não interessa se o governo é progressista ou não, o que interessa é a estratégia de fortalecer o setor privado nos territórios”, conclui.

SERVIÇO
Evento: Fórum virtual “O avanço dos financiamentos do Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID e os impactos sobre as comunidades na América Latina e no Caribe”
Data: 1º de dezembro de 2020 (terça-feira)
Horário: 19h
Transmissão ao vivo pelo Jubileu Sul/Américas, com tradução simultânea espanhol-português pela plataforma Zoom clicando aqui

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O Jubileu Sul/Américas promove no próximo dia 1º de dezembro, às 19h, o fórum virtual “O avanço dos financiamentos do Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID e os impactos sobre as comunidades na América Latina e no Caribe”.

Com transmissão ao vivo pelo Facebook, o evento pode ser assistido com tradução simultânea espanhol-português acessando a plataforma Zoom: https://bit.ly/SeminarioBID-Zoom. Confira a programação completa no final do texto.

Na primeira parte da programação, a apresentação de um mapeamento dos projetos de desenvolvimento financiados pelo banco nas cidades, territórios e comunidades, e uma análise geopolítica da atuação global e local do BID.

Na segunda parte, será feita exposição de alguns casos mostrando os impactos causados pelo BID em países do Caribe, Cone Sul, Mesoamérica e Região Andina. Encerrando a atividade, a definição de propostas e encaminhamentos visando fortalecer o movimento anti-BID.

O evento deste 1º de dezembro é parte das ações e debates da campanha "A Vida Acima da Dívida" e uma atividade preparatória para a Conferência Internacional sobre Soberania Financeira, prevista para agosto de 2021.

Endividamento, soberania, impacto socioambiental e cultural

Membro do Jubileu Sul Brasil, a advogada agrarista e feminista Magnólia Said participa do evento analisando a atuação do banco.

Ela explica que o BID, junto com a Corporação Andina de Fomento (CAF) e a Corporação Financeira Internacional, que é um braço do Banco Mundial, têm sido, ao longo dos anos, os principais financiadores para execução de megaprojetos públicos e privados. As implicações desse modelo vão desde o aumento do endividamento dos países aos impactos socioambientais e também culturais para as populações, além do impacto invisibilizado sobre a soberania das nações.

“Os impactos na soberania não são considerados, não são vistos de fato quando da tomada desses empréstimos porque, de um modo geral, os governos já se submetem às políticas de ajuste, às condicionalidades definidas pelo banco nos contratos para obtenção dos recursos. As políticas de ajuste já ferem a soberania desde o Consenso de Washington, e as condicionalidades também, mas o que eles querem é que o dinheiro entre”, afirma a advogada.

Quanto ao discurso de “economia verde”, Magnólia alerta que a promessa de desenvolvimento com sustentabilidade é uma marca do BID e de outras instituições multilaterais de financiamento. “Com o BID não seria diferente, vide a história dos megaprojetos financiados pelo banco no Brasil, onde populações tradicionais, periféricas, ribeirinhas e indígenas sempre foram vistas como entraves ao desenvolvimento, embora o BID tenha um mecanismo independente de responsabilização socioambiental”, afirma.

Esse mecanismo, diz Magnólia, tem a função de indicar os posicionamentos que devem ser assumidos pelo banco após a escuta de críticas e demandas das comunidades afetadas.

Nesse discurso de desenvolvimento e sustentabilidade, a advogada explica ainda que o BID sempre contou com apoio da mídia “promovendo os interesses do capital nesses grandes projetos e encobrindo a realidade por trás de cada propaganda, a exemplo dos empreendimentos para a Copa do Mundo e a Copa das Confederações no Brasil, onde comunidades inteiras foram desalojadas de suas casas e de trabalho, mas nada disso saiu na Rede Globo.

Segundo, afirma Magnólia, o que esse mecanismo tem feito é conter os conflitos provocados pelos grandes empreendimentos, “preservando os interesses das empresas envolvidas, nada mais que isso”.

Independentemente das posições políticas dos governos da América Latina e Caribe, Magnólia afirma que o papel primordial do banco é o mesmo.

“A agenda do BID independe disso. Os empréstimos do banco sempre tiveram voltados à promoção do investimento privado nos países em desenvolvimento ou empobrecidos. Para eles não interessa se o governo é progressista ou não, o que interessa é a estratégia de fortalecer o setor privado nos territórios”, conclui.

SERVIÇO
Evento: Fórum virtual “O avanço dos financiamentos do Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID e os impactos sobre as comunidades na América Latina e no Caribe”
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