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Mulheres ocupam as ruas de Manaus contra o feminicídio e a negligência do Estado

  • 9 de março de 2026

Na manhã da sexta-feira (6), mulheres de movimentos sociais e organizações populares realizaram um ato público em frente à sede do governo do Amazonas, em Manaus, para denunciar o feminicídio e as violências que seguem sendo ignoradas pelo Estado. A mobilização reuniu dezenas de participantes em um chamado à sociedade: ocupar as ruas, exigir respostas e afirmar que nenhuma violência contra mulheres será naturalizada.

O ato percorreu as ruas da cidade com faixas, palavras de ordem e denúncias, em uma caminhada que seguiu até a Prefeitura de Manaus, onde foi encerrado. A concentração em frente ao Executivo estadual e o encerramento na sede do Executivo municipal reforçaram a cobrança por respostas e políticas públicas efetivas em todas as esferas de governo.

Luta por moradia e direito à cidade

A luta das mulheres indígenas por moradia digna e pelo direito à cidade também marcou o ato. A pauta foi levada por Hellen Greicy Kokama, articuladora local do Jubileu Sul Brasil, que destacou a resistência indígena nos territórios urbanos da capital amazonense.

“Nossas mulheres estão na linha de frente da luta por moradia, por saneamento, por transporte público. A violência que enfrentamos não é só física — é também a violência da ausência do Estado. Estamos aqui para dizer que não vamos aceitar mais negligência”, afirmou Hellen durante a mobilização.

Essa negligência também tem nome e número: orçamento. O principal programa federal de combate à violência contra a mulher opera hoje com menos da metade dos recursos que tinha há uma década, e políticas para mulheres representam apenas 0,006% do Orçamento da União. Enquanto isso, o pagamento de juros e amortizações da dívida pública consumiu R$ 2,135 trilhões em 2025 - o equivalente a 42% de todo o orçamento executado. Na visão da Rede Jubileu Sul Brasil, a escolha por priorizar o lucro de especuladores (bancos e fundos públicos) em detrimento da vida das mulheres é uma decisão política que aprofunda desigualdades.

Comunidade Nova Vida presente
Participaram junto com Hellen Kokama outras mulheres da comunidade Nova Vida, localizada na Zona Norte de Manaus, território onde o Jubileu Sul Brasil desenvolve o projeto “Resistência e defesa de direitos frente ao sobre-endividamento público”. A iniciativa fortalece a organização comunitária e a luta por direitos, com foco no protagonismo de mulheres negras e jovens em situação de vulnerabilidade.

A comunidade Nova Vida tem uma trajetória marcada pela luta pela regularização fundiária e por moradia digna, enfrentando ao longo dos anos entraves jurídicos e institucionais. A participação das mulheres do território no ato contra o feminicídio reafirma a conexão entre as diferentes dimensões da luta por direitos: a violência de gênero, a ausência do Estado e a necessidade de políticas públicas que garantam cidadania e dignidade.

Agenda de lutas
O ato integrou uma agenda mais ampla de mobilizações em defesa da vida das mulheres, que incluiu também atividades realizadas no dia 8 de março, com ato público e feira da economia popular solidária na Praça da Polícia, em Manaus.

As organizações participantes reforçaram a necessidade de políticas públicas efetivas de enfrentamento ao feminicídio, ampliação da rede de acolhimento a mulheres em situação de violência e investimentos em moradia digna, saúde e educação como instrumentos fundamentais para a garantia de direitos.

As atividades foram realizadas pelo Jubileu Sul Brasil no âmbito do Termo de Fomento nº 984635/2025, firmado com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, decorrente da Emenda Parlamentar nº 36110013, de autoria da deputada federal Luiza Erundina (PSOL-SP), e da Emenda Parlamentar nº 44830012, do deputado federal Tarcísio Motta (PSOL-RJ).

Escrito por Flaviana Serafim - Comunicação Jubileu Sul Brasil

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O ato percorreu as ruas da cidade com faixas, palavras de ordem e denúncias, em uma caminhada que seguiu até a Prefeitura de Manaus, onde foi encerrado. A concentração em frente ao Executivo estadual e o encerramento na sede do Executivo municipal reforçaram a cobrança por respostas e políticas públicas efetivas em todas as esferas de governo.

Luta por moradia e direito à cidade

A luta das mulheres indígenas por moradia digna e pelo direito à cidade também marcou o ato. A pauta foi levada por Hellen Greicy Kokama, articuladora local do Jubileu Sul Brasil, que destacou a resistência indígena nos territórios urbanos da capital amazonense.

“Nossas mulheres estão na linha de frente da luta por moradia, por saneamento, por transporte público. A violência que enfrentamos não é só física — é também a violência da ausência do Estado. Estamos aqui para dizer que não vamos aceitar mais negligência”, afirmou Hellen durante a mobilização.

Essa negligência também tem nome e número: orçamento. O principal programa federal de combate à violência contra a mulher opera hoje com menos da metade dos recursos que tinha há uma década, e políticas para mulheres representam apenas 0,006% do Orçamento da União. Enquanto isso, o pagamento de juros e amortizações da dívida pública consumiu R$ 2,135 trilhões em 2025 - o equivalente a 42% de todo o orçamento executado. Na visão da Rede Jubileu Sul Brasil, a escolha por priorizar o lucro de especuladores (bancos e fundos públicos) em detrimento da vida das mulheres é uma decisão política que aprofunda desigualdades.

Comunidade Nova Vida presente
Participaram junto com Hellen Kokama outras mulheres da comunidade Nova Vida, localizada na Zona Norte de Manaus, território onde o Jubileu Sul Brasil desenvolve o projeto “Resistência e defesa de direitos frente ao sobre-endividamento público”. A iniciativa fortalece a organização comunitária e a luta por direitos, com foco no protagonismo de mulheres negras e jovens em situação de vulnerabilidade.

A comunidade Nova Vida tem uma trajetória marcada pela luta pela regularização fundiária e por moradia digna, enfrentando ao longo dos anos entraves jurídicos e institucionais. A participação das mulheres do território no ato contra o feminicídio reafirma a conexão entre as diferentes dimensões da luta por direitos: a violência de gênero, a ausência do Estado e a necessidade de políticas públicas que garantam cidadania e dignidade.

Agenda de lutas
O ato integrou uma agenda mais ampla de mobilizações em defesa da vida das mulheres, que incluiu também atividades realizadas no dia 8 de março, com ato público e feira da economia popular solidária na Praça da Polícia, em Manaus.

As organizações participantes reforçaram a necessidade de políticas públicas efetivas de enfrentamento ao feminicídio, ampliação da rede de acolhimento a mulheres em situação de violência e investimentos em moradia digna, saúde e educação como instrumentos fundamentais para a garantia de direitos.

As atividades foram realizadas pelo Jubileu Sul Brasil no âmbito do Termo de Fomento nº 984635/2025, firmado com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, decorrente da Emenda Parlamentar nº 36110013, de autoria da deputada federal Luiza Erundina (PSOL-SP), e da Emenda Parlamentar nº 44830012, do deputado federal Tarcísio Motta (PSOL-RJ).

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