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Militarização: Delegações da Maré e Alemão participam do Seminário Nacional sobre o Haiti

  • 19 de maio de 2015

O que o Haiti e os Complexos da Maré e Alemão, no Rio de Janeiro, têm em comum? O Seminário Nacional sobre o Haiti: Construindo Solidariedade, que acontecerá em São Paulo nos próximos dias 22 e 23 explica. Tanto o país caribenho quanto as comunidades cariocas sofrem cotidianamente com o patrulhamento de homens da Força Militar e as consequências disto são severas. A militarização nos complexos vem, cada vez mais, violando direitos básicos dos/as moradores dos locais.

Para isso, o seminário contará com a participação de delegações do Alemão e da Maré que vão contribuir dando relatos e depoimentos do que realmente acontece nas favelas. São essas pessoas que vivem seu dia a dia com tiros, mortes, toque de recolher, direito de ir e vir violado, entre outros. Gisele Martins, comunicadora e moradora do Complexo de Favelas da Maré, conta como a militarização, hoje, determina a vida dos moradores.

“As pessoas passam por revistas constantes só por serem suspeitoso de algo. Ouvimos tiros todos os dias. É um ambiente tenso. Eles [polícia] atiram em espaços públicos, com pessoas passando nas ruas, perto de escolas onde tem crianças. A vida na favela se tornou tensa”, falou Gisele.

Pesa ainda, de acordo com Gisele, o questionamento sobre a eficácia das Unidades de Polícia Pacificadora. Desde a presença dos militares na região, foram informadas oficialmente 20 mortes. No entanto, a moradora acredita que este número possa ser maior.

A favela, explica a comunicadora, tem uma dinâmica própria. “Com os tiros constantes e tanques passando toda hora nossa cultura de favela fica totalmente comprometida. A rua é o nosso espaço de lazer, de criação, de vínculo com vizinhos. O que vemos é que querem acabar com essa cultura nos forçando a ter outra”, enfatizou.

E o Haiti?

Há 10 anos, sob o argumento de “colocar ordem” no Haiti, tropas militares da Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti, a Minustah, ocupam o país caribenho. Os homens de capacetes azuis estão por todo lado, mesmo com rechaço da população haitiana, motivo de campanhas e protestos que pedem a retirada imediata das tropas da Missão, que está sob comando brasileiro.

Desde de sua instalação, o Haiti vem servindo de campo de treinamento para polícia e exército brasileiros que aplicam as práticas nas favelas, nas comunidades empobrecidas. As Unidades de Polícia Pacificadora nascem, justamente, num período de expansão das tropas brasileiras que estão no Haiti. É um processo claro de militarização que só se acirra, cujos resultados são questionáveis.

Gisele Martins complementa que os custos para manter os militares são exorbitantes. No início eram gastos 1,7 milhão por dia para garantir a presença de homens do Exército e da Polícia Militar, segundo dados do Diário Oficial da União.

Seminário

A proposta deste seminário é ampliar a luta e fortalecer o posicionamento de que o Haiti não precisa de tropas para que sua população tenha sua soberania garantida. Para dar um contexto verídico e atual, o seminário contará com presença de haitianos vindos dos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Acre e Amazonas, que darão seu depoimentos sobre aspectos políticos, sociais e econômicos do país.

A ideia de fazer o seminário surgiu da necessidade de incorporar mais setores e organizações à Campanha para que as ações sejam mais incisivas, uma vez que desde que a Minustah ocupou o Haiti as denúncias de violações aos direitos humanos só aumentam, sem que as autoridades tomem as devidas providências pela retirada das tropas, que estão sob comando brasileiro.

A presença de delegações de moradores dos complexos do Alemão e Maré, do Rio de Janeiro, será de extrema importância para a contribuição deste momento da Campanha e para entender o processo de militarização tanto no Haiti quanto o que vem se instalando nas favelas.

Para saber mais sobre o Seminário e a Programação: https://jubileusul.org.br/nota/2872

Por Rogéria Araujo, Rede Jubileu Sul Brasil.

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Para isso, o seminário contará com a participação de delegações do Alemão e da Maré que vão contribuir dando relatos e depoimentos do que realmente acontece nas favelas. São essas pessoas que vivem seu dia a dia com tiros, mortes, toque de recolher, direito de ir e vir violado, entre outros. Gisele Martins, comunicadora e moradora do Complexo de Favelas da Maré, conta como a militarização, hoje, determina a vida dos moradores.

“As pessoas passam por revistas constantes só por serem suspeitoso de algo. Ouvimos tiros todos os dias. É um ambiente tenso. Eles [polícia] atiram em espaços públicos, com pessoas passando nas ruas, perto de escolas onde tem crianças. A vida na favela se tornou tensa”, falou Gisele.

Pesa ainda, de acordo com Gisele, o questionamento sobre a eficácia das Unidades de Polícia Pacificadora. Desde a presença dos militares na região, foram informadas oficialmente 20 mortes. No entanto, a moradora acredita que este número possa ser maior.

A favela, explica a comunicadora, tem uma dinâmica própria. “Com os tiros constantes e tanques passando toda hora nossa cultura de favela fica totalmente comprometida. A rua é o nosso espaço de lazer, de criação, de vínculo com vizinhos. O que vemos é que querem acabar com essa cultura nos forçando a ter outra”, enfatizou.

E o Haiti?

Há 10 anos, sob o argumento de “colocar ordem” no Haiti, tropas militares da Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti, a Minustah, ocupam o país caribenho. Os homens de capacetes azuis estão por todo lado, mesmo com rechaço da população haitiana, motivo de campanhas e protestos que pedem a retirada imediata das tropas da Missão, que está sob comando brasileiro.

Desde de sua instalação, o Haiti vem servindo de campo de treinamento para polícia e exército brasileiros que aplicam as práticas nas favelas, nas comunidades empobrecidas. As Unidades de Polícia Pacificadora nascem, justamente, num período de expansão das tropas brasileiras que estão no Haiti. É um processo claro de militarização que só se acirra, cujos resultados são questionáveis.

Gisele Martins complementa que os custos para manter os militares são exorbitantes. No início eram gastos 1,7 milhão por dia para garantir a presença de homens do Exército e da Polícia Militar, segundo dados do Diário Oficial da União.

Seminário

A proposta deste seminário é ampliar a luta e fortalecer o posicionamento de que o Haiti não precisa de tropas para que sua população tenha sua soberania garantida. Para dar um contexto verídico e atual, o seminário contará com presença de haitianos vindos dos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Acre e Amazonas, que darão seu depoimentos sobre aspectos políticos, sociais e econômicos do país.

A ideia de fazer o seminário surgiu da necessidade de incorporar mais setores e organizações à Campanha para que as ações sejam mais incisivas, uma vez que desde que a Minustah ocupou o Haiti as denúncias de violações aos direitos humanos só aumentam, sem que as autoridades tomem as devidas providências pela retirada das tropas, que estão sob comando brasileiro.

A presença de delegações de moradores dos complexos do Alemão e Maré, do Rio de Janeiro, será de extrema importância para a contribuição deste momento da Campanha e para entender o processo de militarização tanto no Haiti quanto o que vem se instalando nas favelas.

Para saber mais sobre o Seminário e a Programação: https://jubileusul.org.br/nota/2872

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