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Imperialistas do século 21, por Carlos Tautz

  • 4 de março de 2013

Carlos TautzO que eu vou dizer agora não está escrito em canto algum, não consta de qualquer documento, nem é vontade admitidade por qualquer autoridade. É, apenas, fruto da observação de quem acompanha a economia brasileira pela via da economia política, com olhos que tentam ver além do factual.

É, portanto, passível de erros. Mas, nem por toda essa incerteza, pode deixar de ser dito: o Brasil já começou a se expandir economicamente de forma vigorosa na África e precisa estar alerta para os altíssimos custos sociais e ambientais que a presença de corporações verde-amarelas, quase sempre financiada pelo BNDES e viabilizada politicamente pelo Itamaraty, causa naquele continente.

Por exemplo, a presença da Vale, em Moçambique, e da Embrapa, em outros países africanos, não tem qualquer sentido humanitário de criar empregos nem de ajudar a produzir mais e melhores alimentos. Muito menos a Odebrecht se interessa pelo bem estar dos angolanos.

Em todos esses casos, trata-se de uma exploração econômica convencional, uma atuação que consome recursos intensivamente e os carreia para suas matrizes. Embora não pareça, é uma relação exatamente igual à que as multinacionais da Europa e dos Estados Unidos mantêm conosco em nosso território e que sempre chamamos de imperialismo. Não temos o direito de repetir esse erro histórico na África.

Essa reflexão precisa ser feita por nós, brasileiros, imediatamente. Estamos a pouco mais de um mês da 5a reunião dos governos dos BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul -, quando poderá ser fundado um banco de “desenvolvimento” do bloco, destinado a financiar a implantação de infraestrutura – rodovias, portos, ferrovias etc –e ações de “desenvolvimento sustentável” - leia-se, financiamento a soluções de mercado para a crise climática.

E a prioridade dessa nova instituição financeira multilateral (IFM), que vai ser debatida em Durban, África do Sul, será, provavelmente, a atuação na África.

O nosso BNDES – um banco que deveria ser público mas que se orienta por interesses privados – serve de modelo para o banco dos BRICS. Em verdade, essa nova IFM integra a estratégia de expansão internacional do BNDES, que planeja se tornar um jogador de peso no capitalismo esverdeado internacional, ainda que viabilizando os piores tipos de megaprojetos econômicos.

Ocorre que nada disso está sendo esclarecido à sociedade brasileira. Esse é, portanto, o momento de o Brasil fazer um debate público sobre o nosso papel no mundo e de como não repetir, como no caso das corporações brasileiras na África, os erros históricos de que fomos vítimas. Não podemos ser os imperialistas do século 21.

Carlos Tautz é jornalista e coordenador do Instituto Mais democracia – Transparência e controle cidadão de governos e empresas.

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É, portanto, passível de erros. Mas, nem por toda essa incerteza, pode deixar de ser dito: o Brasil já começou a se expandir economicamente de forma vigorosa na África e precisa estar alerta para os altíssimos custos sociais e ambientais que a presença de corporações verde-amarelas, quase sempre financiada pelo BNDES e viabilizada politicamente pelo Itamaraty, causa naquele continente.

Por exemplo, a presença da Vale, em Moçambique, e da Embrapa, em outros países africanos, não tem qualquer sentido humanitário de criar empregos nem de ajudar a produzir mais e melhores alimentos. Muito menos a Odebrecht se interessa pelo bem estar dos angolanos.

Em todos esses casos, trata-se de uma exploração econômica convencional, uma atuação que consome recursos intensivamente e os carreia para suas matrizes. Embora não pareça, é uma relação exatamente igual à que as multinacionais da Europa e dos Estados Unidos mantêm conosco em nosso território e que sempre chamamos de imperialismo. Não temos o direito de repetir esse erro histórico na África.

Essa reflexão precisa ser feita por nós, brasileiros, imediatamente. Estamos a pouco mais de um mês da 5a reunião dos governos dos BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul -, quando poderá ser fundado um banco de “desenvolvimento” do bloco, destinado a financiar a implantação de infraestrutura – rodovias, portos, ferrovias etc –e ações de “desenvolvimento sustentável” - leia-se, financiamento a soluções de mercado para a crise climática.

E a prioridade dessa nova instituição financeira multilateral (IFM), que vai ser debatida em Durban, África do Sul, será, provavelmente, a atuação na África.

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Ocorre que nada disso está sendo esclarecido à sociedade brasileira. Esse é, portanto, o momento de o Brasil fazer um debate público sobre o nosso papel no mundo e de como não repetir, como no caso das corporações brasileiras na África, os erros históricos de que fomos vítimas. Não podemos ser os imperialistas do século 21.

Carlos Tautz é jornalista e coordenador do Instituto Mais democracia – Transparência e controle cidadão de governos e empresas.

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