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Entre retrocessos e a luta por soberania popular, nossa aposta é coletiva: vida acima do lucro

  • 14 de maio de 2025

Enquanto cresce o projeto da direita, cresce também a resistência popular. Plebiscito Popular 2025 é uma resposta concreta aos retrocessos.

Arte: Hugo Léo Lourenço

O Brasil atravessa um momento crítico em sua história recente, marcado pelo fortalecimento de um projeto autoritário, elitista e financeirizado de poder. A ascensão da extrema direita não é apenas retórica ou eleitoral: ela se expressa concretamente nas decisões do Legislativo, nas prioridades econômicas do governo e nas ameaças crescentes aos direitos sociais conquistados.

Nos últimos dias, vimos a Câmara dos Deputados protagonizar mais um episódio de ataque à democracia. A decisão de suspender a ação penal contra o deputado Delegado Ramagem (PL-RJ), investigado por envolvimento na tentativa de golpe de Estado no 8 de janeiro de 2023, evidencia a blindagem política que setores conservadores oferecem aos seus aliados, mesmo diante de graves acusações e provas conclusivas oferecidas. Enquanto isso, o mesmo parlamento articula a cassação do mandato do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), sob alegação de quebra de decoro. Quantos parlamentares vimos quebrar o decoro e não foram cassados? O verdadeiro motivo é outro. Ter denunciado,  escancarado para todo o país a manipulação e mau uso do dinheiro público em emendas parlamentares sem identificação de autor e do destino dos recursos públicos.

A criminalização de parlamentares comprometidos com a fiscalização dos gastos públicos e a conivência com figuras ligadas a atos antidemocráticos são expressões de uma lógica perversa: a proteção dos interesses privados e corporativos, em detrimento do interesse do povo brasileiro.

No campo econômico, a recente decisão de manter a taxa básica de juros (Selic) em 14,75% ao ano aprofunda essa lógica. É uma medida que beneficia diretamente o setor financeiro, que segue lucrando com a rolagem da dívida pública. Enquanto o país convive com desigualdades, fome e falta de investimento em áreas essenciais, os bancos celebram rendimentos bilionários. O impacto direto desse aumento de juros na dívida pública é alarmante: a estimativa para  2025 é que o Brasil pagará - nós, o povo todo pagaremos - mais de R$ 800 bilhões em juros — recursos que deixam de ir para saúde, educação, transporte, moradia, seguridade social e medidas ante à crise climática.

Esse cenário se agrava com a sinalização do governo federal sobre a possível criação de um “plano de saúde popular”, com mensalidades de até R$ 100. Embora a proposta seja apresentada como resposta às longas filas no SUS, ela representa, na prática, a abertura de mais uma porta para a privatização da saúde pública. Em vez de ampliar o financiamento do Sistema Único de Saúde — pilar fundamental de proteção da população, sobretudo dos mais pobres — a medida destina verbas públicas à iniciativa privada, enfraquecendo a lógica de universalidade, integralidade e gratuidade do SUS.

Diante desses ataques, reafirmamos a importância da mobilização popular. Nesse sentido, temos a Campanha Transformar a Dívida em Esperança, traz um apelo aos tomadores de decisão para que priorizem as pessoas e o planeta acima do lucro, atendendo o chamado do Papa Francisco para o Jubileu da Esperança. O abaixo-assinado é iniciativa motivada pela Cáritas Internacional junto com organizações religiosas e da sociedade civil no mundo todo, entre as quais a Rede Jubileu Sul Brasil.

Outra mobilização fundamental neste 2025 é o Plebiscito Popular, uma ferramenta legítima e democrática para que o povo brasileiro possa expressar sua vontade frente aos principais temas que impactam sua vida.

Em tempos de superexploração tecnológica e precarização do trabalho, além da histórica injustiça tributária no Brasil, é crucial participar do plebiscito, pois vai consultar a população sobre temas que estão entre os mais relevantes na atualidade: a redução da jornada de trabalho sem redução de salário; o fim da escala 6×1; isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil mensal e taxação para que ganha acima de R$ 50 mil por mês.

A realização do Plebiscito Popular 2025 é uma resposta concreta aos retrocessos institucionais e ao avanço do autoritarismo. É um chamado à sociedade civil, aos movimentos sociais, às periferias, às trabalhadoras e aos trabalhadores, para que se somem e façam parte da luta por justiça, democracia e soberania popular.

Enquanto cresce o projeto da direita, cresce também a resistência popular. Nossa resposta será organizada, coletiva e comprometida com a vida acima do lucro, com a vida acima das dívidas. 

Coordenação da Rede Jubileu Sul Brasil 

São Paulo, 13 de maio de 2025. 

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O Brasil atravessa um momento crítico em sua história recente, marcado pelo fortalecimento de um projeto autoritário, elitista e financeirizado de poder. A ascensão da extrema direita não é apenas retórica ou eleitoral: ela se expressa concretamente nas decisões do Legislativo, nas prioridades econômicas do governo e nas ameaças crescentes aos direitos sociais conquistados.

Nos últimos dias, vimos a Câmara dos Deputados protagonizar mais um episódio de ataque à democracia. A decisão de suspender a ação penal contra o deputado Delegado Ramagem (PL-RJ), investigado por envolvimento na tentativa de golpe de Estado no 8 de janeiro de 2023, evidencia a blindagem política que setores conservadores oferecem aos seus aliados, mesmo diante de graves acusações e provas conclusivas oferecidas. Enquanto isso, o mesmo parlamento articula a cassação do mandato do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), sob alegação de quebra de decoro. Quantos parlamentares vimos quebrar o decoro e não foram cassados? O verdadeiro motivo é outro. Ter denunciado,  escancarado para todo o país a manipulação e mau uso do dinheiro público em emendas parlamentares sem identificação de autor e do destino dos recursos públicos.

A criminalização de parlamentares comprometidos com a fiscalização dos gastos públicos e a conivência com figuras ligadas a atos antidemocráticos são expressões de uma lógica perversa: a proteção dos interesses privados e corporativos, em detrimento do interesse do povo brasileiro.

No campo econômico, a recente decisão de manter a taxa básica de juros (Selic) em 14,75% ao ano aprofunda essa lógica. É uma medida que beneficia diretamente o setor financeiro, que segue lucrando com a rolagem da dívida pública. Enquanto o país convive com desigualdades, fome e falta de investimento em áreas essenciais, os bancos celebram rendimentos bilionários. O impacto direto desse aumento de juros na dívida pública é alarmante: a estimativa para  2025 é que o Brasil pagará - nós, o povo todo pagaremos - mais de R$ 800 bilhões em juros — recursos que deixam de ir para saúde, educação, transporte, moradia, seguridade social e medidas ante à crise climática.

Esse cenário se agrava com a sinalização do governo federal sobre a possível criação de um “plano de saúde popular”, com mensalidades de até R$ 100. Embora a proposta seja apresentada como resposta às longas filas no SUS, ela representa, na prática, a abertura de mais uma porta para a privatização da saúde pública. Em vez de ampliar o financiamento do Sistema Único de Saúde — pilar fundamental de proteção da população, sobretudo dos mais pobres — a medida destina verbas públicas à iniciativa privada, enfraquecendo a lógica de universalidade, integralidade e gratuidade do SUS.

Diante desses ataques, reafirmamos a importância da mobilização popular. Nesse sentido, temos a Campanha Transformar a Dívida em Esperança, traz um apelo aos tomadores de decisão para que priorizem as pessoas e o planeta acima do lucro, atendendo o chamado do Papa Francisco para o Jubileu da Esperança. O abaixo-assinado é iniciativa motivada pela Cáritas Internacional junto com organizações religiosas e da sociedade civil no mundo todo, entre as quais a Rede Jubileu Sul Brasil.

Outra mobilização fundamental neste 2025 é o Plebiscito Popular, uma ferramenta legítima e democrática para que o povo brasileiro possa expressar sua vontade frente aos principais temas que impactam sua vida.

Em tempos de superexploração tecnológica e precarização do trabalho, além da histórica injustiça tributária no Brasil, é crucial participar do plebiscito, pois vai consultar a população sobre temas que estão entre os mais relevantes na atualidade: a redução da jornada de trabalho sem redução de salário; o fim da escala 6×1; isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil mensal e taxação para que ganha acima de R$ 50 mil por mês.

A realização do Plebiscito Popular 2025 é uma resposta concreta aos retrocessos institucionais e ao avanço do autoritarismo. É um chamado à sociedade civil, aos movimentos sociais, às periferias, às trabalhadoras e aos trabalhadores, para que se somem e façam parte da luta por justiça, democracia e soberania popular.

Enquanto cresce o projeto da direita, cresce também a resistência popular. Nossa resposta será organizada, coletiva e comprometida com a vida acima do lucro, com a vida acima das dívidas. 

Coordenação da Rede Jubileu Sul Brasil 

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