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Em um mundo em crise e em guerra: exigimos justiça, paz e reparações já!

  • 30 de abril de 2026

Reunidas(os) entre os dias 11 a 14 de março de 2026, na cidade de São Paulo, a Coordenação Nacional da Rede Jubileu Sul Brasil, com a presença de suas entidades membro, refletiu sobre a realidade brasileira e mundial considerando os desafios políticos, econômicos, ambientais e sociais que estão colocados. Uma contribuição coletiva para seguirmos construindo ações que fortaleçam as lutas neste ano.

Mundo multipolar, poder militar e a nova cara do trabalho

No cenário internacional assistimos as consequências de uma crise estrutural do capitalismo em sua "fase senil". A humanidade vive uma "mudança de tempo histórico", com a transição de um mundo unipolar para um cenário multipolar.  Guerras e militarismo como solução.

A crise estrutural do capitalismo e, em particular, da perspectiva unipolar e imperialista dos Estados Unidos. Isso fica visível quando, no recrudescimento das disputas geopolíticas, especialmente a corrida pelo controle da transição energética que é, na verdade, uma grande transação financeira, visto pelas empresas - e, inclusive, governos - como um leque de oportunidade de negócios, em que os interesses do lucro prevalece na tentativa por controlar o que restam das reservas fósseis de energia, como o petróleo e o gás. Bem como, aponta para as disputas em torno das chamadas “terras raras” (que contém 17 minerais essenciais para as tecnologias de ponta). O Brasil é um agente estratégico, com a segunda maior reserva de terras raras do mundo, reforçando ainda mais sua importância geopolítica no contexto da América Latina.

O período também é marcado pelo perverso experimento sionista de Israel contra a população da Palestina, da Líbia e do Irã especialmente, sinais desses termpos em que as novas tecnologias militares, associadas às big techs, entraram de vez no campo de guerra, com o mapeamento de populações inteiras e com a decisão algorítmica dos alvos a serem eliminados, com o auxílio do georeferenciamento.

Isso quer dizer que os alvos foram identificados a partir de padrões de comportamento nas redes sociais considerado suspeito. Além disso, a escalada da guerra força a presença da uma nova ameaça atômica, tendo em vista que a entidade sionista de Israel detém um reconhecido e amplo arsenal atômico.

Logo no início do ano, em 3 janeiro de 2026, após a derrota na sua cruzada comercial neo-mercantilista e imperialista, o governo de Donald Trump iniciou uma nova fase da sua ofensiva comercial-militar, com o sequestro do presidente eleito da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua esposa, a deputada Cida Flores, em pleno território venezuelano. Esse e outros fatos fizeram acender o sinal de alerta sobre a possibilidade da guerra se expandir, atingindo outros países da região, a exemplo da já ameaçada Colômbia, que foi por muito tempo fiel escudeiro dos Estados Unidos na região e hoje está na linha de frente do enfrentamento à ofensiva estadunidense, com o governo do presidente Gustavo Petro, e o México com sua presidenta, Claudia Sheinbaum.

A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, o qual tem dado uma resposta militar rápida e eficaz, que surpreendeu o mundo com o ataque às bases estadunidenses na região bem como com o bloqueio da passagem de mercadoria pelo Estreito de Ormus, por onde passa 20-30% do petróleo mundial e boa parte do gás. Podemos afirmar que os EUA não suportarão o seu prolongamento, deixando a entender que o império estadunidense calculou errado ao considerar que poderia derrubar a revolução islâmica em uma guerra de curta duração.

A ofensiva imperialista atinge também Cuba, de onde vêm relatos  de uma situação de grande sofrimento por parte da população, tendo em vista o recrudescimento do bloqueio econômico-energético que os EUA impõem à ilha. A solidariedade internacionalista não tardou e diversos países se mobilizaram para driblar o embargo, como o governo do México, da Rússia e China, que enviaram navios com petróleo, suprimentos e remédios.

Defendemos o fim do bloqueio e o embargo econômico à Cuba e que o governo brasileiro envie suprimentos e placas solares para suprir essa situação imposta pelo império estadunidense. Assim como tem feito com o Haiti, como o isolamento desse grande povo lutador e exemplo de resistência.

Do Brasil que temos ao que queremos

Este ano de 2026 é crucial para o futuro do Brasil e certamente as eleições de outubro serão acompanhadas em todo mundo. Nesse sentido, o debate com a população e a disputa de projetos na sociedade deve ficar ainda mais visível. Desde já, se faz necessário se fazer presente nas lutas e nas ruas debatendo e construindo um projeto e levantando as nossas bandeiras históricas.

Os pilares do controle imperialista seguem aprofundando a violência como instrumento de poder. E é com muita cautela e preocupação que olhamos o processo eleitoral com as interferências dos Estados Unidos, assim como segue fazendo em outras partes do mundo. Inclusive se utilizando chamada “guerra híbrida”, da comunicação e das redes de desinformação para favorecer a extrema direita. Desafio que assumimos de combater.

Os desafios e possibilidades da organização popular e da sua ação conjunta frente a um ano decisivo deve nos mobilizar.

A disputa pela consciência do povo está colocada: enquanto a extrema direita se apresenta como uma opção radical, a tarefa dos movimentos sociais e populares é disputar esse espaço e demonstrar à população que existem alternativas.

A  luta dos povos indígenas, como na ocupação da Cargil pela defesa do Rio Tapajós deve ser nossa inspiração - na radicalidade, há mais chances de avançar. Combater a desesperança é tarefa diária. A perda de direitos é uma constante. Mudanças nas condições de vida é um imperativo, combatendo as profundas desigualdades.

Destacamos ainda que surgem novos desafios para a organização da classe trabalhadora, por exemplo, pensar formas de mobilização em um contexto em que muitas pessoas trabalham em regimes flexíveis e de home office ou ainda que não têm tempo para a organização como classe, estão numa escala de 6x1 ou, no caso das mulheres, que além do trabalho fora de casa acumlam o sobrecarga do trabalho do cuidado, da casa.

Somado a tudo isso, o papel dos fundamentalismos religiosos no fortalecimento da extrema direita têm sido uma realidade nas comunidades, desconstruindo as perspectivas de organização, de convivência e de construção comunitária. Esses fundamentalismos aprofundam e fortalecem pautas moralistas, como no caso de temas relacionados a gênero, contribuindo para o aumento de casos de violência contra as mulheres e do feminicido. Dados de pesquisas recentes, como as do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e Datafolha (2025), indicam que mulheres evangélicas relatam com maior frequência terem sofrido violência doméstica, com taxas que superam 40%.

No Brasil, ante às dificuldades de solução para as crises que se acumulam, as forças da conservação buscam nos convencer de que não podemos barrar o progresso. Sob a batuta do grande capital transnacional, as autoridades procuram difundir que devemos compreender como natural a retomada da acumulação violenta, baseada na grilagem empresarial de terras urbanas e rurais, nas ligações de grandes empresas com o tráfico, com a trapaça, com o despejo das famílias por moradias, com a destruição das culturas dos povos e com a depredação do patrimônio natural em atividade que vão da mineração e a produção de energia às instalações de grandes data centers.

Por isso, reafirmamos: não há neutralidade diante da barbárie. É tempo de ocupar as ruas, disputar consciência, fortalecer a organização popular e construir alternativas concretas ao projeto de morte do grande capital.

Vamos nos somar às lutas por justiça, paz, reparação, soberania dos povos e anulação das dívidas. Em unidade, podemos barrar o avanço da extrema direita, defender nossos territórios e construir um futuro baseado no Bem Viver.

Coordenação da Rede Jubileu Sul Brasil

2 de abril de 2026

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A crise estrutural do capitalismo e, em particular, da perspectiva unipolar e imperialista dos Estados Unidos. Isso fica visível quando, no recrudescimento das disputas geopolíticas, especialmente a corrida pelo controle da transição energética que é, na verdade, uma grande transação financeira, visto pelas empresas - e, inclusive, governos - como um leque de oportunidade de negócios, em que os interesses do lucro prevalece na tentativa por controlar o que restam das reservas fósseis de energia, como o petróleo e o gás. Bem como, aponta para as disputas em torno das chamadas “terras raras” (que contém 17 minerais essenciais para as tecnologias de ponta). O Brasil é um agente estratégico, com a segunda maior reserva de terras raras do mundo, reforçando ainda mais sua importância geopolítica no contexto da América Latina.

O período também é marcado pelo perverso experimento sionista de Israel contra a população da Palestina, da Líbia e do Irã especialmente, sinais desses termpos em que as novas tecnologias militares, associadas às big techs, entraram de vez no campo de guerra, com o mapeamento de populações inteiras e com a decisão algorítmica dos alvos a serem eliminados, com o auxílio do georeferenciamento.

Isso quer dizer que os alvos foram identificados a partir de padrões de comportamento nas redes sociais considerado suspeito. Além disso, a escalada da guerra força a presença da uma nova ameaça atômica, tendo em vista que a entidade sionista de Israel detém um reconhecido e amplo arsenal atômico.

Logo no início do ano, em 3 janeiro de 2026, após a derrota na sua cruzada comercial neo-mercantilista e imperialista, o governo de Donald Trump iniciou uma nova fase da sua ofensiva comercial-militar, com o sequestro do presidente eleito da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua esposa, a deputada Cida Flores, em pleno território venezuelano. Esse e outros fatos fizeram acender o sinal de alerta sobre a possibilidade da guerra se expandir, atingindo outros países da região, a exemplo da já ameaçada Colômbia, que foi por muito tempo fiel escudeiro dos Estados Unidos na região e hoje está na linha de frente do enfrentamento à ofensiva estadunidense, com o governo do presidente Gustavo Petro, e o México com sua presidenta, Claudia Sheinbaum.

A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, o qual tem dado uma resposta militar rápida e eficaz, que surpreendeu o mundo com o ataque às bases estadunidenses na região bem como com o bloqueio da passagem de mercadoria pelo Estreito de Ormus, por onde passa 20-30% do petróleo mundial e boa parte do gás. Podemos afirmar que os EUA não suportarão o seu prolongamento, deixando a entender que o império estadunidense calculou errado ao considerar que poderia derrubar a revolução islâmica em uma guerra de curta duração.

A ofensiva imperialista atinge também Cuba, de onde vêm relatos  de uma situação de grande sofrimento por parte da população, tendo em vista o recrudescimento do bloqueio econômico-energético que os EUA impõem à ilha. A solidariedade internacionalista não tardou e diversos países se mobilizaram para driblar o embargo, como o governo do México, da Rússia e China, que enviaram navios com petróleo, suprimentos e remédios.

Defendemos o fim do bloqueio e o embargo econômico à Cuba e que o governo brasileiro envie suprimentos e placas solares para suprir essa situação imposta pelo império estadunidense. Assim como tem feito com o Haiti, como o isolamento desse grande povo lutador e exemplo de resistência.

Do Brasil que temos ao que queremos

Este ano de 2026 é crucial para o futuro do Brasil e certamente as eleições de outubro serão acompanhadas em todo mundo. Nesse sentido, o debate com a população e a disputa de projetos na sociedade deve ficar ainda mais visível. Desde já, se faz necessário se fazer presente nas lutas e nas ruas debatendo e construindo um projeto e levantando as nossas bandeiras históricas.

Os pilares do controle imperialista seguem aprofundando a violência como instrumento de poder. E é com muita cautela e preocupação que olhamos o processo eleitoral com as interferências dos Estados Unidos, assim como segue fazendo em outras partes do mundo. Inclusive se utilizando chamada “guerra híbrida”, da comunicação e das redes de desinformação para favorecer a extrema direita. Desafio que assumimos de combater.

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Por isso, reafirmamos: não há neutralidade diante da barbárie. É tempo de ocupar as ruas, disputar consciência, fortalecer a organização popular e construir alternativas concretas ao projeto de morte do grande capital.

Vamos nos somar às lutas por justiça, paz, reparação, soberania dos povos e anulação das dívidas. Em unidade, podemos barrar o avanço da extrema direita, defender nossos territórios e construir um futuro baseado no Bem Viver.

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