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Desigualdade, grande tema nacional

  • 10 de abril de 2019

Por Antonio Martins | Outras Palavras
Há muitas maneiras de ler o vasto relatório Percepções sobre Desigualdades no Brasilque o escritório da Oxfam no país produziu durante meses e lança hoje, com apoio técnico do Instituto Datafolha. Para entender como a população vê o tema, a pesquisa ouviu mais de 2 mil pessoas, em 130 municípios – pequenos, médios e grandes – de todas as regiões, e as inquiriu sobre um amplo leque de questões. Porém, os resultados animarão, em especial, as pessoas e grupos interessados em combater nossa enorme concentração de riquezas. A maioria dos brasileiros, mostram os dados, é extremamente sensível ao problema.
A constatação começa na primeira pergunta lançada pelos pesquisadores. Enfrentar as desigualdades é um problema central do país? – quis saber a Oxfam. Ou, conforme pensam os neoliberais, não se trata de um assunto coletivo, mas das relações privadas que cada um mantém com o mercado? A resposta foi clara. Para 86% dos entrevistados, distribuição injusta de riqueza e renda são um problema de todos, que precisa ser resolvido para viabilizar o próprio “progresso do país”. Apenas 12% discordam.
Mas como combater as desigualdades? Bastará oferecer aos desfavorecidos trabalho, ou assegurar educação a seus filhos? Os brasileiros, em maioria, respondem não à primeira (58%) e à segunda perguntas (51%). Em contrapartida, apostam numa Reforma Tributária. Para 77%, os muito ricos precisam pagar mais impostos, para financiar políticas sociais. Para 94%, estes impostos devem favorecer os mais pobres – uma posição que se choca frontalmente contra a Emenda Constitucional 95, que congelou ou gastos sociais do Estado. E os governos, longe de cuidar apenas da “eficácia” e da “boa gestão” de suas ações têm – ao menos para 84% dos entrevistados – obrigação de “enfrentar as desigualdades”.
E como o Estado deve agir, para combatê-las? “Focalizando” as políticas públicas, direcionando os serviços apenas para os mais pobres, como propõe o Banco Mundial? Uma nítida maioria discorda desta abordagem. Prefere que sejam oferecidos “a todos os brasileiros” benefícios como Creches (64% x 33%), Ensino Fundamental e Médio (75% x 22%), Faculdades e Universidade (64% x 33%), Cirurgias e tratamentos para doenças graves (70% x 29%), Exames médicos (68% x 30%), Postos de Saúde e Hospitais (73% x 25%).

A pesquisa Oxfam Brasil – Datafolha também indicou que é majoritária, e continua crescendo, a parcela dos brasileiros que compreende as dimensões de raça e gênero das desigualdades sociais. 64% dos entrevistados percebem as discriminações sofridas pelas mulheres no ambiente de trabalho. Os negros são vistos como obrigados a suportar salários mais baixos (para 52%), menores chances de ser contratados (72%), maiores riscos de abordagem policial (81%) e preconceito no Judiciário (70%).
Num tempo de crise da democracia, é improvável que as instituições levem em conta a opinião das maiorias. O governo Bolsonaro e os mercados financeiros, por exemplo, continuarão empenhados em impor o desmonte da Previdência – pouco se importando para o claro posicionamento da sociedade em favor dos direitos sociais. Mas a pesquisa da Oxfam Brasil é mais um alento para quem teima em negar os “consensos fabricados” de que fala Noam Chomsky e a acreditar que outro mundo – e outra política – são possíveis.

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A constatação começa na primeira pergunta lançada pelos pesquisadores. Enfrentar as desigualdades é um problema central do país? – quis saber a Oxfam. Ou, conforme pensam os neoliberais, não se trata de um assunto coletivo, mas das relações privadas que cada um mantém com o mercado? A resposta foi clara. Para 86% dos entrevistados, distribuição injusta de riqueza e renda são um problema de todos, que precisa ser resolvido para viabilizar o próprio “progresso do país”. Apenas 12% discordam.
Mas como combater as desigualdades? Bastará oferecer aos desfavorecidos trabalho, ou assegurar educação a seus filhos? Os brasileiros, em maioria, respondem não à primeira (58%) e à segunda perguntas (51%). Em contrapartida, apostam numa Reforma Tributária. Para 77%, os muito ricos precisam pagar mais impostos, para financiar políticas sociais. Para 94%, estes impostos devem favorecer os mais pobres – uma posição que se choca frontalmente contra a Emenda Constitucional 95, que congelou ou gastos sociais do Estado. E os governos, longe de cuidar apenas da “eficácia” e da “boa gestão” de suas ações têm – ao menos para 84% dos entrevistados – obrigação de “enfrentar as desigualdades”.
E como o Estado deve agir, para combatê-las? “Focalizando” as políticas públicas, direcionando os serviços apenas para os mais pobres, como propõe o Banco Mundial? Uma nítida maioria discorda desta abordagem. Prefere que sejam oferecidos “a todos os brasileiros” benefícios como Creches (64% x 33%), Ensino Fundamental e Médio (75% x 22%), Faculdades e Universidade (64% x 33%), Cirurgias e tratamentos para doenças graves (70% x 29%), Exames médicos (68% x 30%), Postos de Saúde e Hospitais (73% x 25%).

A pesquisa Oxfam Brasil – Datafolha também indicou que é majoritária, e continua crescendo, a parcela dos brasileiros que compreende as dimensões de raça e gênero das desigualdades sociais. 64% dos entrevistados percebem as discriminações sofridas pelas mulheres no ambiente de trabalho. Os negros são vistos como obrigados a suportar salários mais baixos (para 52%), menores chances de ser contratados (72%), maiores riscos de abordagem policial (81%) e preconceito no Judiciário (70%).
Num tempo de crise da democracia, é improvável que as instituições levem em conta a opinião das maiorias. O governo Bolsonaro e os mercados financeiros, por exemplo, continuarão empenhados em impor o desmonte da Previdência – pouco se importando para o claro posicionamento da sociedade em favor dos direitos sociais. Mas a pesquisa da Oxfam Brasil é mais um alento para quem teima em negar os “consensos fabricados” de que fala Noam Chomsky e a acreditar que outro mundo – e outra política – são possíveis.

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