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CNBB lança Campanha da Fraternidade 2026 e propõe reflexão sobre o direito à moradia digna

  • 19 de fevereiro de 2026

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou oficialmente, nesta Quarta-feira de Cinzas (18), a Campanha da Fraternidade (CF) 2026. Com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), a mobilização deste ano propõe uma reflexão profunda sobre o direito à moradia como condição indispensável para a dignidade humana.

A cerimônia de lançamento, realizada na sede da entidade, em Brasília e transmitida pelas redes sociais, destacou que atualmente o Brasil possui mais de 6 milhões de famílias sem moradia adequada e cerca de 330 mil pessoas vivendo em situação de rua. A escolha do tema acolhe uma sugestão da Pastoral da Moradia e Favelas, reforçando o compromisso histórico da Igreja com a justiça social.

Ao lançar a campanha, o secretário-geral da CNBB, Dom Ricardo Hoepers, ressaltou que a mensagem central da CF 2026 é a urgência para olhar sobre o tema da moradia digna como um direito fundamental. Ele alertou que a sociedade não pode “naturalizar” o fato de pessoas viverem sem um teto ou de crianças crescerem em áreas de risco.

“A conversão que Deus pede neste tempo de Quaresma é integral: envolve a responsabilidade social e a defesa da dignidade humana”, afirmou dom Ricardo. Ressaltou, ainda, que a moradia precisa ser prioridade nas pautas do Estado e nos orçamentos públicos. “A campanha busca mobilizar toda a sociedade, incluindo autoridades, setor privado e universidades, para garantir que essa questão não seja ignorada. Cada conquista habitacional representa a restauração da dignidade”, pontuou o secretário-geral da CNBB.
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Papa Leão XIV reforça a reflexão ao tema

Durante a abertura, foi lida a mensagem enviada pelo Papa Leão XIV especialmente para a campanha. O Pontífice exortou os fiéis a uma autêntica conversão que se traduza em ações concretas e pediu que a mobilização inspire autoridades governamentais a promoverem políticas públicas habitacionais.
“Desejo que as iniciativas nascidas a partir da Campanha da Fraternidade possam inspirar as autoridades governamentais a promover políticas públicas, a fim de que seja possível oferecer à população mais carente melhorias significativas nas condições de habitação”, diz um trecho da mensagem. Confira a íntegra aqui.

Um bispo católico, vestido de preto e usando óculos, fala ao microfone em um púlpito transparente durante um evento em auditório. Ao fundo, um grande painel com o tema “Fraternidade e Moradia” traz a frase “Ele veio morar entre nós” (João 1,14), além das logomarcas da CNBB e da Campanha da Fraternidade. Também aparece a data da Coleta Nacional da Solidariedade (29 de março) e a expressão “Terra, Teto, Trabalho”. Na plateia, várias pessoas sentadas acompanham a fala. A decoração inclui ilustrações de casas, prédios e uma igreja, remetendo ao tema da moradia, além de uma imagem de Nossa Senhora em destaque lateral.

Com o tema “Fraternidade e Moradia”, Campanha pauta o déficit habitacional que atinge 6 milhões de famílias. Foto: Fiama Tonhá

O exemplo de Salvador

Como exemplo prático de que a transformação é possível, o lançamento da CF 2026 deu destaque à ação da Comunidade Trindade, de Salvador (BA). O Irmão Henrique Peregrino compartilhou o impacto do projeto “Moradias Acompanhadas”, que desde o ano 2000 acolhe pessoas em situação de rua.

O projeto permite que os acolhidos vivam em pequenas casas com contratos formais e aluguel simbólico. Mais do que paredes, o suporte envolve saúde, geração de renda e convívio comunitário. Altair, um dos beneficiados pelo projeto, relatou sua experiência: “Tive bastante ajuda da comunidade. Hoje tenho meu cantinho com geladeira e televisão. Recebi carinho e amor”, disse ele, que reaprendeu a andar, literalmente com o apoio da instituição.

Para o Irmão Henrique, a iniciativa reflete o espírito do lema deste ano. “O direito à moradia vai além das paredes; é proporcionar um lar acolhedor e uma vida digna. Isso representa a presença de Jesus na vida dos empobrecidos”, ressaltou. “Não é apenas oferecer muros e tetos, mas o aconchego de um lar. É proporcionar saúde, renda e o reencontro da pessoa consigo mesma”, explicou. Altair, que vivia em situação de rua e enfrentava dificuldades de locomoção, celebrou sua nova realidade: “Hoje eu ando e tenho meu cantinho”.

A força da solidariedade

O secretário executivo de Campanhas da CNBB, Padre Jean Poul Hansen, reforçou que a primeira ação prática é assumir a campanha e compreender a importância do tema da CF 2026 em favor da unidade. Ele destacou também o papel da Coleta Nacional da Solidariedade, marcada para o Domingo de Ramos, dia 29 de março.

“Promover a Campanha da Fraternidade em diversas expressões é fundamental para a unidade da Igreja no Brasil, priorizando a realidade comunitária e o julgamento à luz da Palavra de Deus”, afirmou o padre Jean Poul. “O gesto concreto da campanha resulta na Coleta Nacional da Solidariedade, que ocorre no Domingo de Ramos”, disse ele.

A coleta é o gesto concreto que financia projetos de combate à pobreza em todo o país. Os recursos são divididos em dois fundos: 60% para o Fundo Diocesano de Solidariedade (FDS), aplicados em projetos sociais nas dioceses, e 40% são geridos pela CNBB para apoiar iniciativas em âmbito nacional (Fundo Nacional de Solidariedade).

A expectativa para 2026 é baseada no sucesso da campanha anterior. Em 2025, o FNS recebeu 779 propostas, aprovando 234 projetos que somaram R$ 7.236.241,90 em investimentos. Ao todo, mais de 918 mil pessoas foram beneficiadas em ações como a Brigada de Prevenção a Incêndios Florestais no Centro-Oeste.

Alessandra Miranda, assessora da Comissão Sociotransformadora da CNBB, concluiu destacando que a CF 2026 é fruto de um intenso processo de articulação com os movimentos populares por moradia. “Sentimos uma campanha viva e com energia, que reconhece o caminho feito pelas lideranças de base”, finalizou.

Escrito por Cláudia Pereira - Cepast-CNBB

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A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou oficialmente, nesta Quarta-feira de Cinzas (18), a Campanha da Fraternidade (CF) 2026. Com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), a mobilização deste ano propõe uma reflexão profunda sobre o direito à moradia como condição indispensável para a dignidade humana.

A cerimônia de lançamento, realizada na sede da entidade, em Brasília e transmitida pelas redes sociais, destacou que atualmente o Brasil possui mais de 6 milhões de famílias sem moradia adequada e cerca de 330 mil pessoas vivendo em situação de rua. A escolha do tema acolhe uma sugestão da Pastoral da Moradia e Favelas, reforçando o compromisso histórico da Igreja com a justiça social.

Ao lançar a campanha, o secretário-geral da CNBB, Dom Ricardo Hoepers, ressaltou que a mensagem central da CF 2026 é a urgência para olhar sobre o tema da moradia digna como um direito fundamental. Ele alertou que a sociedade não pode “naturalizar” o fato de pessoas viverem sem um teto ou de crianças crescerem em áreas de risco.

“A conversão que Deus pede neste tempo de Quaresma é integral: envolve a responsabilidade social e a defesa da dignidade humana”, afirmou dom Ricardo. Ressaltou, ainda, que a moradia precisa ser prioridade nas pautas do Estado e nos orçamentos públicos. “A campanha busca mobilizar toda a sociedade, incluindo autoridades, setor privado e universidades, para garantir que essa questão não seja ignorada. Cada conquista habitacional representa a restauração da dignidade”, pontuou o secretário-geral da CNBB.
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Papa Leão XIV reforça a reflexão ao tema

Durante a abertura, foi lida a mensagem enviada pelo Papa Leão XIV especialmente para a campanha. O Pontífice exortou os fiéis a uma autêntica conversão que se traduza em ações concretas e pediu que a mobilização inspire autoridades governamentais a promoverem políticas públicas habitacionais.
“Desejo que as iniciativas nascidas a partir da Campanha da Fraternidade possam inspirar as autoridades governamentais a promover políticas públicas, a fim de que seja possível oferecer à população mais carente melhorias significativas nas condições de habitação”, diz um trecho da mensagem. Confira a íntegra aqui.

Um bispo católico, vestido de preto e usando óculos, fala ao microfone em um púlpito transparente durante um evento em auditório. Ao fundo, um grande painel com o tema “Fraternidade e Moradia” traz a frase “Ele veio morar entre nós” (João 1,14), além das logomarcas da CNBB e da Campanha da Fraternidade. Também aparece a data da Coleta Nacional da Solidariedade (29 de março) e a expressão “Terra, Teto, Trabalho”. Na plateia, várias pessoas sentadas acompanham a fala. A decoração inclui ilustrações de casas, prédios e uma igreja, remetendo ao tema da moradia, além de uma imagem de Nossa Senhora em destaque lateral.

Com o tema “Fraternidade e Moradia”, Campanha pauta o déficit habitacional que atinge 6 milhões de famílias. Foto: Fiama Tonhá

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Como exemplo prático de que a transformação é possível, o lançamento da CF 2026 deu destaque à ação da Comunidade Trindade, de Salvador (BA). O Irmão Henrique Peregrino compartilhou o impacto do projeto “Moradias Acompanhadas”, que desde o ano 2000 acolhe pessoas em situação de rua.

O projeto permite que os acolhidos vivam em pequenas casas com contratos formais e aluguel simbólico. Mais do que paredes, o suporte envolve saúde, geração de renda e convívio comunitário. Altair, um dos beneficiados pelo projeto, relatou sua experiência: “Tive bastante ajuda da comunidade. Hoje tenho meu cantinho com geladeira e televisão. Recebi carinho e amor”, disse ele, que reaprendeu a andar, literalmente com o apoio da instituição.

Para o Irmão Henrique, a iniciativa reflete o espírito do lema deste ano. “O direito à moradia vai além das paredes; é proporcionar um lar acolhedor e uma vida digna. Isso representa a presença de Jesus na vida dos empobrecidos”, ressaltou. “Não é apenas oferecer muros e tetos, mas o aconchego de um lar. É proporcionar saúde, renda e o reencontro da pessoa consigo mesma”, explicou. Altair, que vivia em situação de rua e enfrentava dificuldades de locomoção, celebrou sua nova realidade: “Hoje eu ando e tenho meu cantinho”.

A força da solidariedade

O secretário executivo de Campanhas da CNBB, Padre Jean Poul Hansen, reforçou que a primeira ação prática é assumir a campanha e compreender a importância do tema da CF 2026 em favor da unidade. Ele destacou também o papel da Coleta Nacional da Solidariedade, marcada para o Domingo de Ramos, dia 29 de março.

“Promover a Campanha da Fraternidade em diversas expressões é fundamental para a unidade da Igreja no Brasil, priorizando a realidade comunitária e o julgamento à luz da Palavra de Deus”, afirmou o padre Jean Poul. “O gesto concreto da campanha resulta na Coleta Nacional da Solidariedade, que ocorre no Domingo de Ramos”, disse ele.

A coleta é o gesto concreto que financia projetos de combate à pobreza em todo o país. Os recursos são divididos em dois fundos: 60% para o Fundo Diocesano de Solidariedade (FDS), aplicados em projetos sociais nas dioceses, e 40% são geridos pela CNBB para apoiar iniciativas em âmbito nacional (Fundo Nacional de Solidariedade).

A expectativa para 2026 é baseada no sucesso da campanha anterior. Em 2025, o FNS recebeu 779 propostas, aprovando 234 projetos que somaram R$ 7.236.241,90 em investimentos. Ao todo, mais de 918 mil pessoas foram beneficiadas em ações como a Brigada de Prevenção a Incêndios Florestais no Centro-Oeste.

Alessandra Miranda, assessora da Comissão Sociotransformadora da CNBB, concluiu destacando que a CF 2026 é fruto de um intenso processo de articulação com os movimentos populares por moradia. “Sentimos uma campanha viva e com energia, que reconhece o caminho feito pelas lideranças de base”, finalizou.

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