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CARTA PASTORAL DAS PASTORAIS SOCIAIS, CEBS E ORGANISMOS AO EPISCOPADO DA REGIÃO NORDESTE

  • 16 de abril de 2018

“Possa cada Igreja, cada comunidade cristã ser um lugar de
misericórdia e compaixão no meio de tanta indiferença”
Papa Francisco
Caríssimos Pastores, Paz e bem!
É com profundo amor fraterno e, ao mesmo tempo, angústia que nos dirigimos aos nossos bispos, nesse momento difícil que o Brasil atravessa. Como os senhores sabem, vivemos uma realidade social e política, marcada por um agravamento trágico das desigualdades sociais e também por uma onda de ódio, difamação e desprezo ao diálogo. A violência vem aumentando contra todos/as que se levantam a favor dos direitos humanos, a favor da tão necessária reforma agrária e urbana, a favor da ampliação e efetivação de todos os direitos sociais. Sabemos que os meios de comunicação têm contribuído muito para criar essa situação.
E nos esperançamos em pensar que nossa Igreja, representada por paróquias, capelas e comunidades em todo o país, nas cidades e no interior, pode ser um eficaz instrumento a serviço da paz e da justiça. Por isso, vemos com tristeza e preocupação que, assim como na sociedade, os grupos fundamentalistas se organizam e fazem muito barulho, gerando dor, confusão e dúvidas nas comunidades, também nos ambientes internos da Igreja, cada vez mais têm havido incidentes de conflitos e de intolerância por causa do serviço pastoral da Igreja e pelo fato de seguirmos o evangelho de Jesus.
É triste ver cristãs e cristãos, que por causa do evangelho, assumem a missão de trabalhar pela justiça social, por um mundo sem desigualdades e pela integridade da Criação serem atacados e caluniados. Tivemos ataques e acusações injustas à Campanha da Fraternidade, ao Fundo Nacional de Solidariedade, as Pastorais Sociais, Cebs, Organismos e até a própria CNBB. Grupos fundamentalistas criam, repetem inverdades e mentiras, sem nos dar o direito ao diálogo para afastar qualquer dúvida e esclarecer os fatos.
Compreendemos que nossos pastores prefiram não responder diretamente a esses ataques e acusações. No entanto, como agentes de pastoral percebemos que, nas comunidades, as pessoas se sentem confusas e esperam uma palavra clara de nosso episcopado.
Também, nós, Pastorais Sociais, Organismos de Promoção Humana, CEBs, queremos e buscamos comprometer-nos com o apelo dos nossos bispos em Aparecida por uma Conversão Pastoral. Sabemos que as nossas estruturas eclesiais e toda ação social da Igreja são chamadas a uma renovação permanente. Isso implica em conversão contínua, em mudanças de métodos, em revisão de estruturas e de linguagens, para sermos fieis ao mandato evangélico de anunciar a boa nova aos pobres e, assim, sermos fieis ao compromisso libertador e profético que a Fé em Jesus Cristo nos impele.
Por isso, pedimos a ajuda e a presença dos nossos Pastores nesta caminhada. Por favor, nos ajudem. Dialoguem com o conjunto dos bispos e presbíteros, e outros setores da Igreja, para que compreendam o lugar dessa missão na Igreja e na sociedade.
O Papa Bento XVI na Encíclica Caritas in Veritate no seu número 07 “é preciso ter em grande consideração o bem comum. Amar alguém é querer o seu bem e trabalhar eficazmente pelo mesmo. Ao lado do individual, existe um bem ligado à vida social das pessoas: o bem comum. É o bem daquele ‘nós todos’, formado por indivíduos, famílias e grupos intermediários que se unem em comunidade social”.
Neste Ano do Laicato, lembramos que a maioria dos Agentes de Pastoral, são leigas e leigos, que por causa do seu batismo, se sentem vocacionados/as a trabalharem na Igreja e na sociedade pela justiça social e Integridade da Criação, como nos pede o Papa Francisco na Evangelli Gaudium e Laudato Si.
Nesse momento acontece a 56ª Assembleia Geral da CNBB e sabemos do Encontro dos Bispos do Nordeste que logo se realizará em agosto. Momentos importantes onde em colegiado o episcopado se reúne pra pensar os caminhos da missão da Igreja no Brasil e no Nordeste. Solicitamos um momento de diálogo com os nossos bispos e possíveis encaminhamentos neste campo da dimensão social do Evangelho com um olhar para os problemas do Nordeste, região que se encontra com grandes gritos e ao mesmo tempo com enormes possibilidades.
E por fim, solicitamos a articulação dos bispos mais próximos as pastorais sociais, cebs e organismos para atuarem de forma conjunta nos espaços da CNBB e outros colegiados (inclusive os conservadores), pontuando de forma serena e fraterna a necessidade de refletir e tomar posição em relação as relações internas desleais (desrespeito a bispos, padres, religiosos/as e leigos/as que assumem a defesa da vida), o recrudescimento da violência, o escancaramento do machismo, a intolerância religiosa, o preconceito e repulsa contra os pobres e uma idéia de que a resolução do problema da violência para o Brasil está nas forças armadas. Este contexto se faz presente também no seio da Igreja e alguns grupos tem avançado nesta prática afim de intimidar a ação pastoral social em defesa dos direitos humanos, das políticas sociais e dos pobres em si, principalmente com o estímulo do Papa Francisco que nos provoca a ser uma Igreja em saída. Não podemos permitir atuações anticristãs no seio da Igreja quando somos impulsionados à prática profunda da Misericórdia e da compaixão.
Sugerimos que o Encontro de Agosto pudesse contar em algum momento com a participação das Pastorais Sociais, Cebs e Organismos que historicamente vem contribuindo em conjunto com o episcopado brasileiro na construção de uma nova sociedade e com mudança de mentalidade sobre o semiárido que antes se reduzia ao discurso de combate a seca, e hoje afirmamos que o semiárido é terra de gente feliz e que precisamos de ações que nos ajudem a conviver com o clima e não combatê-lo.
Sugerimos também que o encontro pudesse contar com uma analise de conjuntura social, política e eclesial com um olhar mais atento para o Nordeste e apontamos os nomes da Leiga, economista e professora Tania Bacelar, do irmão assessor da Semana Social Brasileira Cesar Sanson e do Padre Francisco Junior Aquino.
Outro pedido e preocupação é com a juventude. Nesse ano do Sínodo para a juventude, um dos desafios é como enfrentamos a violência sofrida pela juventude negra e pobre nas nossas periferias... E nos preocupamos sobre como podemos dialogar mais profundamente com os diversos tipos e categorias de jovens para servi-los melhor e para, junto com eles e elas, vivermos a dimensão social do evangelho e assim prepararmos a renovação de quadros para as Pastorais Sociais.
Que o Ano do Laicato, os 5O anos da Conferência de Medellín, a canonização de Dom Oscar Romero,assim como a palavra e o testemunho do Papa Francisco nos ajudem a descobrir juntos os caminhos, vivenciando uma pastoral de conjunto, missionária, profética e pascal.
“... o amor pelos pobres está no centro do Evangelho. Terra, casa e trabalho, aquilo pelo que lutais, são direitos sagrados. Exigi-lo não é estranho, é a doutrina social da Igreja” discurso do Papa Francisco no Encontro Mundial dos Movimentos Populares em Roma, 28 de outubro de 2014.
Na esperança e renovação pascal
Nordeste do Brasil, 13 de abril de 2018.
Articulação NE das Pastorais Sociais, Cebs e Organismos

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“Possa cada Igreja, cada comunidade cristã ser um lugar de
misericórdia e compaixão no meio de tanta indiferença”
Papa Francisco
Caríssimos Pastores, Paz e bem!
É com profundo amor fraterno e, ao mesmo tempo, angústia que nos dirigimos aos nossos bispos, nesse momento difícil que o Brasil atravessa. Como os senhores sabem, vivemos uma realidade social e política, marcada por um agravamento trágico das desigualdades sociais e também por uma onda de ódio, difamação e desprezo ao diálogo. A violência vem aumentando contra todos/as que se levantam a favor dos direitos humanos, a favor da tão necessária reforma agrária e urbana, a favor da ampliação e efetivação de todos os direitos sociais. Sabemos que os meios de comunicação têm contribuído muito para criar essa situação.
E nos esperançamos em pensar que nossa Igreja, representada por paróquias, capelas e comunidades em todo o país, nas cidades e no interior, pode ser um eficaz instrumento a serviço da paz e da justiça. Por isso, vemos com tristeza e preocupação que, assim como na sociedade, os grupos fundamentalistas se organizam e fazem muito barulho, gerando dor, confusão e dúvidas nas comunidades, também nos ambientes internos da Igreja, cada vez mais têm havido incidentes de conflitos e de intolerância por causa do serviço pastoral da Igreja e pelo fato de seguirmos o evangelho de Jesus.
É triste ver cristãs e cristãos, que por causa do evangelho, assumem a missão de trabalhar pela justiça social, por um mundo sem desigualdades e pela integridade da Criação serem atacados e caluniados. Tivemos ataques e acusações injustas à Campanha da Fraternidade, ao Fundo Nacional de Solidariedade, as Pastorais Sociais, Cebs, Organismos e até a própria CNBB. Grupos fundamentalistas criam, repetem inverdades e mentiras, sem nos dar o direito ao diálogo para afastar qualquer dúvida e esclarecer os fatos.
Compreendemos que nossos pastores prefiram não responder diretamente a esses ataques e acusações. No entanto, como agentes de pastoral percebemos que, nas comunidades, as pessoas se sentem confusas e esperam uma palavra clara de nosso episcopado.
Também, nós, Pastorais Sociais, Organismos de Promoção Humana, CEBs, queremos e buscamos comprometer-nos com o apelo dos nossos bispos em Aparecida por uma Conversão Pastoral. Sabemos que as nossas estruturas eclesiais e toda ação social da Igreja são chamadas a uma renovação permanente. Isso implica em conversão contínua, em mudanças de métodos, em revisão de estruturas e de linguagens, para sermos fieis ao mandato evangélico de anunciar a boa nova aos pobres e, assim, sermos fieis ao compromisso libertador e profético que a Fé em Jesus Cristo nos impele.
Por isso, pedimos a ajuda e a presença dos nossos Pastores nesta caminhada. Por favor, nos ajudem. Dialoguem com o conjunto dos bispos e presbíteros, e outros setores da Igreja, para que compreendam o lugar dessa missão na Igreja e na sociedade.
O Papa Bento XVI na Encíclica Caritas in Veritate no seu número 07 “é preciso ter em grande consideração o bem comum. Amar alguém é querer o seu bem e trabalhar eficazmente pelo mesmo. Ao lado do individual, existe um bem ligado à vida social das pessoas: o bem comum. É o bem daquele ‘nós todos’, formado por indivíduos, famílias e grupos intermediários que se unem em comunidade social”.
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“... o amor pelos pobres está no centro do Evangelho. Terra, casa e trabalho, aquilo pelo que lutais, são direitos sagrados. Exigi-lo não é estranho, é a doutrina social da Igreja” discurso do Papa Francisco no Encontro Mundial dos Movimentos Populares em Roma, 28 de outubro de 2014.
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