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BRASIL, 200 anos de (in)dependência. Para quem?

  • 9 de dezembro de 2021

Em reunião híbrida, coordenação nacional do Grito dos Excluídos e Excluídas escolhe lema para as ações em 2022.

Coordenação Nacional do Grito, articuladoras e articuladores em reunião no último dia três de dezembro de 2021

Redação | Assessoria de Comunicação Grito dos Excluídos

A partir de sugestões vindas das várias regiões do país, "BRASIL, 200 anos de (in)dependência. Para quem?”, esse é o lema do 28º Grito dos Excluídos e das Excluídas para o ano de 2022, definido por representantes das organizações que integram a Coordenação Nacional do Grito, articuladoras e articuladores reunidos, de forma presencial – em São Paulo - e virtualmente, no último dia três de dezembro. O tema permanente do Grito é “Vida em primeiro lugar! ”.

Em vídeo, dom José Valdeci Santos Mendes, bispo de Brejo (MA), e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para Ação Sociotransformadora da CNBB, saudou os/as presentes da reunião, lembrando da importância do Grito. Esse  é um  grande acontecimento na caminhada das pastorais, dos organismos do povo de Deus, dos movimentos sociais e dos movimentos populares”, destacou o bispo.

Dom José Valdeci Santos Mendes, bispo de Brejo (MA), e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para Ação Sociotransformadora da CNBB em saudação para todas as pessoas que participaram da reunião

“O Grito de 2022 tem essa grande importância. Quando se fala de 200 anos de independência, a gente se pergunta independência de quê? Para nós, em primeiro lugar está a vida. Dizer que a vida está em primeiro lugar é dizer não ao agronegócio, que desmata e mata, ao capitalismo que, cada vez mais, promove o sofrimento e o empobrecimento de muitos irmãos e irmãs. É dizer que precisamos nos comprometer com a justiça, com o direito, com a dignidade e também com a luta em defesa da casa comum e toda a criação. Que o Deus da vida e esse planejamento nos ajude a lutar por um mundo mais justo e fraterno e por um Brasil onde se prime pela vida e o bem viver dos povos”, completou.

Dependência histórica

Será que superamos a colonização, questiona Tchenna Maso, advogada, militante do Movimento dos Atingidos e das Atingidas por Barragens (MAB), que assessorou o encontro. Citando diversos historiadores, como Capistrano de Abreu, Silvio Romero, Gilberto Freire, Caio Prado Júnior, entre outros, ela lembra que, em geral, há uma justificação do processo civilizatório e da modernidade eurocentrista, que “encobre ou exclui o outro”. A miscigenação, por exemplo, que aparece como um processo pacífico é fruto de violência sexual contra mulheres indígenas e negras; ou a marginalização de indígenas do processo histórico e da organização do trabalho.

Embora se fale em independência, para Tchenna, países “subdesenvolvidos”, como o Brasil, garantem a economia dos “desenvolvidos”, porque vivem em dependência, já que “sua inserção é na economia capitalista periférica”. Ela faz uma crítica aos governos progressistas no país e na América Latina, que “criam consumidores, mas não cidadãos”.

Entre os desafios que essa situação impõe, Tchenna destaca a necessidade de repensar e romper com o passado – estrutura patriarcal, escravagista, agricultura do monocultivo. “Como sair dessa ideia de dependência? Como construir um projeto político independente e soberano? Qual é a via para a construção desse projeto? Eleitoral, revolucionário?”, questiona.

“Precisamos nos reapropriar dos conceitos de segurança nacional e soberania, cooptados pelos militares e entendidos de maneira controversa. Precisamos retomar o movimento sindical, a teologia da Libertação, o processo de conscientização popular e reinventar as ferramentas de formação”, alerta Tchenna.


Materiais de divulgação

No encontro da Coordenação também foram formadas equipes para encaminharem a elaboração dos materiais de divulgação do 28º Grito. Entre eles, o jornal, com objetivos e eixos. Para a arte do cartaz foi proposta a realização de um concurso em nível nacional. A próxima reunião da Coordenação Nacional será realizada em fevereiro de 2022.

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Dom José Valdeci Santos Mendes, bispo de Brejo (MA), e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para Ação Sociotransformadora da CNBB em saudação para todas as pessoas que participaram da reunião

“O Grito de 2022 tem essa grande importância. Quando se fala de 200 anos de independência, a gente se pergunta independência de quê? Para nós, em primeiro lugar está a vida. Dizer que a vida está em primeiro lugar é dizer não ao agronegócio, que desmata e mata, ao capitalismo que, cada vez mais, promove o sofrimento e o empobrecimento de muitos irmãos e irmãs. É dizer que precisamos nos comprometer com a justiça, com o direito, com a dignidade e também com a luta em defesa da casa comum e toda a criação. Que o Deus da vida e esse planejamento nos ajude a lutar por um mundo mais justo e fraterno e por um Brasil onde se prime pela vida e o bem viver dos povos”, completou.

Dependência histórica

Será que superamos a colonização, questiona Tchenna Maso, advogada, militante do Movimento dos Atingidos e das Atingidas por Barragens (MAB), que assessorou o encontro. Citando diversos historiadores, como Capistrano de Abreu, Silvio Romero, Gilberto Freire, Caio Prado Júnior, entre outros, ela lembra que, em geral, há uma justificação do processo civilizatório e da modernidade eurocentrista, que “encobre ou exclui o outro”. A miscigenação, por exemplo, que aparece como um processo pacífico é fruto de violência sexual contra mulheres indígenas e negras; ou a marginalização de indígenas do processo histórico e da organização do trabalho.

Embora se fale em independência, para Tchenna, países “subdesenvolvidos”, como o Brasil, garantem a economia dos “desenvolvidos”, porque vivem em dependência, já que “sua inserção é na economia capitalista periférica”. Ela faz uma crítica aos governos progressistas no país e na América Latina, que “criam consumidores, mas não cidadãos”.

Entre os desafios que essa situação impõe, Tchenna destaca a necessidade de repensar e romper com o passado – estrutura patriarcal, escravagista, agricultura do monocultivo. “Como sair dessa ideia de dependência? Como construir um projeto político independente e soberano? Qual é a via para a construção desse projeto? Eleitoral, revolucionário?”, questiona.

“Precisamos nos reapropriar dos conceitos de segurança nacional e soberania, cooptados pelos militares e entendidos de maneira controversa. Precisamos retomar o movimento sindical, a teologia da Libertação, o processo de conscientização popular e reinventar as ferramentas de formação”, alerta Tchenna.


Materiais de divulgação

No encontro da Coordenação também foram formadas equipes para encaminharem a elaboração dos materiais de divulgação do 28º Grito. Entre eles, o jornal, com objetivos e eixos. Para a arte do cartaz foi proposta a realização de um concurso em nível nacional. A próxima reunião da Coordenação Nacional será realizada em fevereiro de 2022.

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