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Armas em vez de livros e remédios

  • 8 de maio de 2019

Por Pe. Alfredo J. Gonçalves
Que podemos esperar de um projeto político-econômico que facilita o acesso às armas e, ao mesmo tempo, restringe o orçamento destinado ao ensino superior, em particular nas ciências humanas, e corta gastos com a saúde da população mais carente? A partir dessa, insinuam-se outras perguntas: quem ganha e quem perde com a produção e comércio de armas? Quem ganha e quem perde com a expansão do conhecimento, da ciência e da pesquisa? Quem ganha e quem perde com a precariedade dos serviços de saúde?
Ganha um pensamento retrógrado, obtuso e autoritário que, em lugar de um diálogo livre, aberto e plural das instâncias e instituições democráticas, insiste sobre o comando dos mais fortes ou dos que fazem mais barulho. Impõe em lugar de propor, ordena antes de ouvir. Qualquer tipo de oposição a esse “pensamento único” é vista como um atentado à moral, ao povo e a Deus. E os opositores não passam de “marxistas” infiltrados da esquerda. Retorna a retórica dos tempos da guerra fria, com sua ideologia de segurança nacional e seus fantasmas. Ruídos, impropérios, difamações e intrigas superam o que deveria ser uma relação política sadia e saudável (não sem tensões, evidentemente) entre os diferentes atores em cena.
Ganha a bancada da bala. Vazia e fraca em termos de conteúdo e argumentos, resta-lhe o apelo ao bombardeio de infâmias, ao confronto e à agressividade gratuita. Incapaz de escutar, somente é capaz de relacionar-se com pedras na mão. Para ela, curta de ideias e de paciência, o twitter e o revólver constituem os melhores instrumentos. Quem se encontra despido de razão, arma-se com o grito e a violência, procurando a todo custo desqualificar o adversário. Frente a este último, não lhe resistindo ao raciocínio argumentativo, passa ao ataque puro e simples da pessoa, surdo às motivações em jogo.
Mas ganham também os gigantescos conglomerados nacionais e/ou transnacionais, venham eles da área das telecomunicações, da produção e venda de armamentos ou da “indústria da doença” ou farmacêutica. Ganha o monopólio da fabricação de armas, da saúde privada e de um saber técnico, pragmático e utilitarista que, deliberadamente, dispensa questionamentos, dúvidas, críticas, e alternativas ao atual uso e abuso dos recursos naturais, da força de trabalho humana e do patrimônio cultural e religioso do conjunto da humanidade. O viver bem hoje, aqui e agora, luxuosa e ostensivamente, sobrepõe-se ao bem viver do outro e da comunidade, da vida em todas as suas formas e das gerações futuras.
Quanto aos perdedores, já os conhecemos bem. Em grande parte, não moram, não possuem endereço fixo. Escondem-se nos porões mais sórdidos, nas periferias mais longínquas ou nas favelas sob a vigilância e a exploração das milícias. Desqualificados em termos de estudo e capacitação, perambulam como desempregados, subempregados, sem-terra, sem trabalho e sem teto. Ou como migrantes, prófugos e refugiados, rechaçados da própria terra e forçados a buscar uma pátria. Um exército de “braços descartáveis” que se conta aos milhares e milhões. Muitos cidadãos estão condenados a passar de um hospital a outro, em intermináveis filas, suportando o fardo de suas dores e humilhações. Inúmeras mães choram os filhos cedo ceifados pelas balas da violência, anônimos uns, insepultos outros.
Vivem na espera e na esperança. Encheram-lhes os ouvidos de promessas, mas, nas reformas levadas mais urgentes e necessárias, deixam-nos à margem de qualquer tipo de participação. Prevê-se o resultado: nesta política de corte conservador, que leva à máxima potência uma espécie de darwinismo social, ganham os moradores da Casa Grande, as corporações, o poder dos lobistas, os donos e senhores de ontem, de hoje de sempre. Perdem, esperam, lutam e sonham os que habitam a Senzala. Mas é nela e a partir dela que o Reino de Deus mergulha suas raízes profundas, eternas e luminosas.

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Ganha um pensamento retrógrado, obtuso e autoritário que, em lugar de um diálogo livre, aberto e plural das instâncias e instituições democráticas, insiste sobre o comando dos mais fortes ou dos que fazem mais barulho. Impõe em lugar de propor, ordena antes de ouvir. Qualquer tipo de oposição a esse “pensamento único” é vista como um atentado à moral, ao povo e a Deus. E os opositores não passam de “marxistas” infiltrados da esquerda. Retorna a retórica dos tempos da guerra fria, com sua ideologia de segurança nacional e seus fantasmas. Ruídos, impropérios, difamações e intrigas superam o que deveria ser uma relação política sadia e saudável (não sem tensões, evidentemente) entre os diferentes atores em cena.
Ganha a bancada da bala. Vazia e fraca em termos de conteúdo e argumentos, resta-lhe o apelo ao bombardeio de infâmias, ao confronto e à agressividade gratuita. Incapaz de escutar, somente é capaz de relacionar-se com pedras na mão. Para ela, curta de ideias e de paciência, o twitter e o revólver constituem os melhores instrumentos. Quem se encontra despido de razão, arma-se com o grito e a violência, procurando a todo custo desqualificar o adversário. Frente a este último, não lhe resistindo ao raciocínio argumentativo, passa ao ataque puro e simples da pessoa, surdo às motivações em jogo.
Mas ganham também os gigantescos conglomerados nacionais e/ou transnacionais, venham eles da área das telecomunicações, da produção e venda de armamentos ou da “indústria da doença” ou farmacêutica. Ganha o monopólio da fabricação de armas, da saúde privada e de um saber técnico, pragmático e utilitarista que, deliberadamente, dispensa questionamentos, dúvidas, críticas, e alternativas ao atual uso e abuso dos recursos naturais, da força de trabalho humana e do patrimônio cultural e religioso do conjunto da humanidade. O viver bem hoje, aqui e agora, luxuosa e ostensivamente, sobrepõe-se ao bem viver do outro e da comunidade, da vida em todas as suas formas e das gerações futuras.
Quanto aos perdedores, já os conhecemos bem. Em grande parte, não moram, não possuem endereço fixo. Escondem-se nos porões mais sórdidos, nas periferias mais longínquas ou nas favelas sob a vigilância e a exploração das milícias. Desqualificados em termos de estudo e capacitação, perambulam como desempregados, subempregados, sem-terra, sem trabalho e sem teto. Ou como migrantes, prófugos e refugiados, rechaçados da própria terra e forçados a buscar uma pátria. Um exército de “braços descartáveis” que se conta aos milhares e milhões. Muitos cidadãos estão condenados a passar de um hospital a outro, em intermináveis filas, suportando o fardo de suas dores e humilhações. Inúmeras mães choram os filhos cedo ceifados pelas balas da violência, anônimos uns, insepultos outros.
Vivem na espera e na esperança. Encheram-lhes os ouvidos de promessas, mas, nas reformas levadas mais urgentes e necessárias, deixam-nos à margem de qualquer tipo de participação. Prevê-se o resultado: nesta política de corte conservador, que leva à máxima potência uma espécie de darwinismo social, ganham os moradores da Casa Grande, as corporações, o poder dos lobistas, os donos e senhores de ontem, de hoje de sempre. Perdem, esperam, lutam e sonham os que habitam a Senzala. Mas é nela e a partir dela que o Reino de Deus mergulha suas raízes profundas, eternas e luminosas.

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