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Análise de Conjuntura: Unir para somar sem esquecer o que a história ensina

  • 9 de fevereiro de 2023
Foto: Geisa Marques

Após a emocionante posse do novo governo no dia 1º de janeiro, uma semana depois, os atos terroristas revelaram imagens testemunhadas pelo mundo inteiro que atestam que a extrema direita e os golpistas seguem enfurecidos e odiosos, mas é fato: a democracia segue, resiste e vigora no país!

Nos últimos dias acompanhamos também com indignação, solidariedade e senso de responsabilidade, os horrores vividos pelo povo Yanomami. Crime que denuncia e anuncia: é urgente e inadiável a priorização de políticas públicas e ações que garantam reparação para os povos originários e tradicionais, julgamento e punição dos criminosos, além de justiça socioecológica já!

A vontade soberana do povo derrotou Bolsonaro e seu projeto de morte nas urnas, mas como garantir que essa não foi uma derrota circunstancial? Grupos fascistas continuam mobilizados. Ficou evidente, o golpe é permanente e uma questão ganha importância nesse cenário: Bolsonaro sairá ileso, será preso ou deve enfrentar o status de inelegível? Outra preocupação diz respeito a como vão se movimentar as forças econômicas do país. É importante darmos atenção para a questão do endividamento que segue ganhando fôlego. Bancos da Alemanha já prometeram empréstimos para o novo governo brasileiro. Por outro lado, temos o enraizamento da China no país. Empreendimentos como os da montadora Higer Bus, chama a atenção e acende o alerta. A Higer anunciou investimento de US$ 10 milhões (cerca de R$ 50 milhões) para a construção da fábrica de ônibus elétrico que ficará no distrito de Pecém, região metropolitana de Fortaleza (CE). O que representará a presença da montadora neste território?

Daqui para frente como a organização popular vai construir unidade e somar forças para garantir a normalidade democrática? Como aliados do novo governo vão enfrentar as tentativas de desgaste que recairão sobre o Palácio do Planalto? A guerra híbrida está em curso. Como as organizações populares e sociais vão se colocar nesse cenário? Como lidar com tudo isso? A questão econômica é central. Não podemos entrar no coro dos descontentes, temos que somar ao máximo na reconstrução do país.

Neste momento as organizações populares acumulam tarefas imprescindíveis: seguir as lutas necessárias, fortalecer processos políticos formativos e somar em iniciativas que viabilizem a organização popular, especialmente a partir das mulheres, pessoas empobrecidas, comunidades tradicionais e originárias, trabalhadores e trabalhadoras.

É fato que estamos vivendo uma transição política organizativa. Enquanto a extrema direita e neofascistas atacam, o mercado vem em seguida e oferece estabilidade. A história já revelou que o mercado ganha força quando conseguem encurralar os setores de esquerda. Como escapar dessa cilada anunciada? Como manter a luta contra o fascismo e garantir uma saudável pressão dos setores progressistas pelo acesso aos diretos negados e retirados por reformas, agora que parte importante desse conjunto começa a ocupar cargos no governo? 

As alianças feitas pelo governo garantem a defesa da democracia, sendo estas restritas no combate ao neoliberalismo. A mídia burguesa manipula a sociedade, usando os temas da defesa da democracia para não se permitir um profundo debate nacional sobre o endividamento, as privatizações, a independência do Banco Central, a perda dos direitos via reformas. Esta é a grande questão a ser levada em conta: como combinar a defesa da democracia e ao mesmo tempo fazer o combate ao neoliberalismo, considerando a frente amplíssima de apoio a este governo? Assim, precisamos ter um grande investimento na mobilização, na formação, na organização para conseguirmos priorizar os temas de interesse do povo brasileiro. 

Não há dúvidas é preciso somar forças na reconstrução do país, igualmente não há dúvidas de que é preciso manter a mobilização pela recuperação dos direitos negligenciados, dos avanças sociais, econômicos, políticos e fiscais necessários e urgentes. Não podemos perder de vista o futuro, não haverá horizonte iluminado se não fortalecermos o poder popular, fazendo valer a emblemática imagem que marcou a volta do presidente Lula ao Palácio do Planalto.

Não devemos, não pagamos!
Somos os povos, os credores!

Rede Jubileu Sul Brasil, 08 de janeiro de 2023.

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As alianças feitas pelo governo garantem a defesa da democracia, sendo estas restritas no combate ao neoliberalismo. A mídia burguesa manipula a sociedade, usando os temas da defesa da democracia para não se permitir um profundo debate nacional sobre o endividamento, as privatizações, a independência do Banco Central, a perda dos direitos via reformas. Esta é a grande questão a ser levada em conta: como combinar a defesa da democracia e ao mesmo tempo fazer o combate ao neoliberalismo, considerando a frente amplíssima de apoio a este governo? Assim, precisamos ter um grande investimento na mobilização, na formação, na organização para conseguirmos priorizar os temas de interesse do povo brasileiro. 

Não há dúvidas é preciso somar forças na reconstrução do país, igualmente não há dúvidas de que é preciso manter a mobilização pela recuperação dos direitos negligenciados, dos avanças sociais, econômicos, políticos e fiscais necessários e urgentes. Não podemos perder de vista o futuro, não haverá horizonte iluminado se não fortalecermos o poder popular, fazendo valer a emblemática imagem que marcou a volta do presidente Lula ao Palácio do Planalto.

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