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A Esperança

  • 27 de junho de 2018

Por Ivo Poletto, do Fórum MCJS
Precisamos da virtude da esperança. Não no sentido de atitude de espera, e sim da esperança ativa, da energia espiritual que nos leva a tomar decisões e a lutar para que o que esperamos se torne real. Precisamos mais dessa virtude porque as ameaças e as forças que se opõem a tudo que a humanidade precisa para viver estão cada vez mais ativas e fortes, e elas, para manter seus interesses e seu poder, usam recursos que levam muitas pessoas a desacreditarem de sua capacidade e desistirem da luta. Mas nós precisamos ter presente que, se deixarmos de lutar, as forças destrutivas se tornarão ainda mais fortes e, cegas em suas práticas de adorar o ídolo da riqueza e do poder, podem levar nossa casa comum, a Terra, a desequilíbrios que impedirão a continuidade da vida.
Recebemos, na última semana, algumas notícias desafiadoras envidas pelo instituto Climainfo. A primeira delas nos informa a quantas anda o desmatamento nos biomas do nosso país. O destaque é que o desmatamento do Cerrado, aumentou 9% de 2016 para 2017. Isso significa que este bioma perdeu mais 7.400 km² de vegetação natural. Por incrível que possa parecer, o aumento foi maior do que na Amazônia. E se olharmos para a Caatinga, o bioma semiárido que cobre grande parte do Nordeste e do Norte de Minas Gerais e do Espírito Santo, 40% de sua área está degradada, no caminho da desertificação.
Tudo isso está é obra de ações humanas, e a justificativa repetida é que a humanidade estaria precisando de mais solo livre de florestas para produzir alimentos. Será verdadeira essa afirmação? Se olharmos a partir da situação dos bilhões de pessoas que passam fome ou que se alimentam mal, ela parece verdadeira. Mas se nos perguntarmos se o que é produzido nas grandes propriedades e nas monoculturas do agronegócio é destinado a diminuir a fome das pessoas, a resposta é não. Na verdade, essa grande produção é parte da indústria, tanto a que produz sementes transgênicas e agrotóxicos, como a que recebe a produção e a transforma em produtos industrializados, cheios dos venenos que vieram da produção e de outros produtos químicos que só fazem mal à saúde. E a maior parte vai para a alimentação de animais, mas sua carne não chega à mesa dos pobres.
Alimentemos a esperança, pois só ela nos ajudará a lutar em favor de práticas que cuidem, ao mesmo tempo, da saúde das pessoas e da Terra.

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