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Coordenação da Rede Jubileu Sul Brasil discute ações estratégicas para próximos anos

  • 25 de maio de 2022

Em meio a um cenário de incertezas, a troca de saberes entre as diferentes entidades membro da Rede foi considerada como fundamental para inspirar e dar prosseguimento às lutas nos territórios.

por Marcos Vinicius dos Santos*

Fotos: Flaviana Serafim/Jubileu Sul Brasil

O encontro presencial da coordenação da Rede Jubileu Sul Brasil reuniu mais de 30 articuladoras e articuladores de todas as regiões do país. Juntas, as diferentes organizações e movimentos realizaram uma análise de conjuntura e compartilharam experiências, em três dias de atividades. Entre os principais desafios em comum estão a aceleração da dominação do capitalismo, por meio dos processos de financeirização desenfreados, especialmente no atual governo e as ações necessárias para fomentar mais consciência política nas próximas eleições.

O primeiro momento desse encontro foi de partilha. Foi feito um breve resgate histórico do Jubileu Sul Brasil apresentando a atuação da Rede desde sua constituição, chegando até o momento emblemático do Plebiscito sobre a dívida externa, realizado no ano 2000,  tema central dos embates promovidos pela organização. Em seguida, cada organização membro apresentou seus campos de atuação com foco nas agendas comuns com as bandeiras de luta da Rede.

O compartilhamento das experiências foi considerado como elemento fundamental no encontro e abriu novos horizontes de atuação e incidência, possibilitando a troca de saberes e conhecimento das organizações, que muitas vezes estão em territórios distantes, mas atuam em projetos semelhantes enfrentando os mesmos problemas e desafios.

O professor de relações internacionais na Universidade Federal de São Paulo, Fabio Luís Barbosa, conduziu a análise de conjuntura e fez um resgate dos principais governos desde a redemocratização e sua atuação no avanço e contenção em relação ao capital.

Segundo o especialista em economia, após o governo Collor há uma formação da “nova República” caracterizada pela oposição entre PT e PSDB, que disputaram eleições quase de maneira homogênea entre 1994 e 2014, num movimento de contenção e aceleração das forças do capital que resultaram em ganhos que favoreceram ainda mais a concentração de renda e terras.

A ação nos territórios foi considerada como fundamental. Entre os pontos mais importantes estava a necessidade de organizar a comunicação nos territórios, levando o debate da dívida pública e das dívidas sociais – sempre restrito a camadas da população – para ser discutido entre as comunidades que são mais afetadas por elas, a partir da consequente retirada de recursos da saúde e educação, por exemplo, para pagamento dos juros da dívida pública.

Organicidade da Rede

Organizados em cinco grupos, os membros da coordenação foram provocados com as seguintes perguntas: "Que estratégias assumiremos para rede nos próximos anos? Do que precisamos? Quais serão as prioridades da rede? Qual a estrutura que precisaremos para dar conta dessas ações?"

O enfrentamento à violência contra as mulheres e meninas foi destacado como estratégico entre as temáticas a serem trabalhadas nos territórios. Também ficou demonstrada a necessidade de mapear os coletivos de luta já existentes, e formar e estabelecer frentes de comunicação popular para trazer a juventude para o debate sobre a dívida pública e as dívidas sociais.

Outra prioridade destacada pelo grupo para o próximo período é a necessidade de atenção e envolvimento das juventudes nos processos de mobilização e formação locais. A ideia é fortalecer os espaços de participação das juventudes, assim como ocorreu nos plebiscitos da dívida, da ALCA e sobre a base militar de Alcântara.

Próximos passos

Como ação concreta de incidência na luta por direitos, a coordenação propôs a organização de um novo plebiscito, desta vez com a reivindicação de uma "revogaço". Ou seja, reivindicando a anulação de todos os decretos estabelecidos pelo presidente Jair Bolsonaro e das leis aprovadas nos últimos anos que retiram da população e da natureza direitos fundamentais.

Os últimos anos foram de muita luta, por isso o grupo também destacou que cuidar de si, e ajudar todas as pessoas que estão se sentindo afetadas pela conjuntura,  é fundamental para continuar a caminhada.

*com a supervisão de Jucelene Rocha

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por Marcos Vinicius dos Santos*

Fotos: Flaviana Serafim/Jubileu Sul Brasil

O encontro presencial da coordenação da Rede Jubileu Sul Brasil reuniu mais de 30 articuladoras e articuladores de todas as regiões do país. Juntas, as diferentes organizações e movimentos realizaram uma análise de conjuntura e compartilharam experiências, em três dias de atividades. Entre os principais desafios em comum estão a aceleração da dominação do capitalismo, por meio dos processos de financeirização desenfreados, especialmente no atual governo e as ações necessárias para fomentar mais consciência política nas próximas eleições.

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O compartilhamento das experiências foi considerado como elemento fundamental no encontro e abriu novos horizontes de atuação e incidência, possibilitando a troca de saberes e conhecimento das organizações, que muitas vezes estão em territórios distantes, mas atuam em projetos semelhantes enfrentando os mesmos problemas e desafios.

O professor de relações internacionais na Universidade Federal de São Paulo, Fabio Luís Barbosa, conduziu a análise de conjuntura e fez um resgate dos principais governos desde a redemocratização e sua atuação no avanço e contenção em relação ao capital.

Segundo o especialista em economia, após o governo Collor há uma formação da “nova República” caracterizada pela oposição entre PT e PSDB, que disputaram eleições quase de maneira homogênea entre 1994 e 2014, num movimento de contenção e aceleração das forças do capital que resultaram em ganhos que favoreceram ainda mais a concentração de renda e terras.

A ação nos territórios foi considerada como fundamental. Entre os pontos mais importantes estava a necessidade de organizar a comunicação nos territórios, levando o debate da dívida pública e das dívidas sociais – sempre restrito a camadas da população – para ser discutido entre as comunidades que são mais afetadas por elas, a partir da consequente retirada de recursos da saúde e educação, por exemplo, para pagamento dos juros da dívida pública.

Organicidade da Rede

Organizados em cinco grupos, os membros da coordenação foram provocados com as seguintes perguntas: "Que estratégias assumiremos para rede nos próximos anos? Do que precisamos? Quais serão as prioridades da rede? Qual a estrutura que precisaremos para dar conta dessas ações?"

O enfrentamento à violência contra as mulheres e meninas foi destacado como estratégico entre as temáticas a serem trabalhadas nos territórios. Também ficou demonstrada a necessidade de mapear os coletivos de luta já existentes, e formar e estabelecer frentes de comunicação popular para trazer a juventude para o debate sobre a dívida pública e as dívidas sociais.

Outra prioridade destacada pelo grupo para o próximo período é a necessidade de atenção e envolvimento das juventudes nos processos de mobilização e formação locais. A ideia é fortalecer os espaços de participação das juventudes, assim como ocorreu nos plebiscitos da dívida, da ALCA e sobre a base militar de Alcântara.

Próximos passos

Como ação concreta de incidência na luta por direitos, a coordenação propôs a organização de um novo plebiscito, desta vez com a reivindicação de uma "revogaço". Ou seja, reivindicando a anulação de todos os decretos estabelecidos pelo presidente Jair Bolsonaro e das leis aprovadas nos últimos anos que retiram da população e da natureza direitos fundamentais.

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