Já se ouve o eco do 32° Grito dos Excluídos e Excluídas. Este ano, o movimento ecoa sob o lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”, mantendo hasteada a sua bandeira permanente: “Vida em Primeiro Lugar!”. A tradicional manifestação popular de 7 de setembro reverbera, nas ruas, as dores e as denúncias contra o feminicídio — a violência extrema que ceifa vidas femininas pelo fato de serem mulheres. Mais do que um ato de indignação, a mobilização deste ano conecta as lutas comunitárias brasileiras a um cenário de forte tensionamento geopolítico global, clamando por paz, reforma agrária e pelo fim do déficit habitacional.
O movimento estrutura suas prioridades em cinco eixos fundamentais que alicerçam os protestos: terra, paz, moradia, mulheres e soberania/democracia.
É uma construção contínua. Um dos clamores da edição de 2025, por exemplo, ainda reverbera nos corredores do Congresso Nacional: a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala 6x1, recentemente aprovada na Câmara dos Deputados e que agora tramita no Senado Federal. Em 2026, o movimento nacional centraliza o debate nas populações em situação de maior vulnerabilidade, lançando um olhar contundente sobre a escalada da violência e as violações de direitos.

Em sintonia com as lutas comunitárias, a edição de 2026 conecta o combate à violência de gênero, déficit habitacional e o complexo cenário geopolítico em defesa da soberania. Foto: Luciney Martins
“Não podemos seguir com esse ódio, com essa forma de ver a vida e o corpo das mulheres como algo insignificante”A escolha do lema, por si só, denuncia esse cenário alarmante. Em 2025, o país já havia registrado mais de 1.500 feminicídios. A pauta dialoga diretamente com a conjuntura política e econômica atual, caminhando em sintonia com a Campanha da Fraternidade da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e com as demandas históricas dos movimentos sociais por direitos básicos. Essa preocupação com a dignidade e a sobrevivência das mulheres ecoa também a nível mundial. Recentemente, em sua viagem apostólica à Espanha, o Papa Leão XIV vivenciou um momento marcante de diálogo com a juventude. Após escutar o testemunho comovente de uma jovem que narrou sua trágica infância, marcada por uma tentativa de feminicídio dentro da própria família, o Pontífice foi categórico ao abordar essa ferida aberta. Quanto à chaga do feminicídio, o Papa afirmou: “Se a violência existe, se o egoísmo triunfa, se até o amor entre familiares se transforma em ódio, devemos nos questionar sobre a dinâmica da nossa sociedade, a cultura do individualismo, a tentação da violência, e não sobre Deus.” Essa preocupação com a dignidade e a sobrevivência das mulheres ecoa também a nível mundial. Recentemente, em sua viagem apostólica à Espanha, o Papa Leão XIV vivenciou um momento marcante de diálogo com a juventude. Após escutar o testemunho comovente de uma jovem que narrou sua trágica infância, marcada por uma tentativa de feminicídio dentro da própria família, o Pontífice foi categórico ao abordar essa ferida aberta. Quanto à chaga do feminicídio, o Papa afirmou: “Se a violência existe, se o egoísmo triunfa, se até o amor entre familiares se transforma em ódio, devemos nos questionar sobre a dinâmica da nossa sociedade, a cultura do individualismo, a tentação da violência, e não sobre Deus.”

257 pessoas da comunidade LGBTQIA+ foram vítimas de mortes violentas em 2025. Foto: Claudia Pereira
“Necessidade de pensar políticas públicas para as mulheres, feitas a partir delas e com elas"A socióloga destacou a centralidade socioeconômica da mulher no país. "Mais de 50% da população brasileira é feminina. Essas mulheres são chefes de família, responsáveis pelo sustento, pelo cuidado com a casa e com os filhos", pontuou. Diante disso, o movimento conecta a luta pela sobrevivência e pela segurança alimentar ao tema da Campanha da Fraternidade, que debate o direito à habitação sob o lema 'Ele veio morar entre nós'. "Que esse Deus, Pai e Mãe, nos fortaleça na defesa da vida das mulheres", expressou. Como ação externa à Igreja, o Grito visa mobilizar a opinião pública e pressionar gestores — prefeitos, governadores e parlamentares — a adotarem medidas imediatas. "Precisamos sensibilizar os tomadores de decisão sobre a necessidade de pensar políticas públicas para as mulheres, feitas a partir delas e com elas", concluiu. As prioridades passam pela segurança no trajeto para o trabalho, direito à moradia e infraestrutura de apoio familiar, como a ampliação de vagas em creches próximas de casa.
“O Brasil tem um peso imenso na geopolítica e na economia, abrigando a maior reserva de terras raras do mundo depois da China, além de abundantes recursos de água doce e petróleo"

Manifestação na cidade de São Paulo em defesa da democracia. Foto: Luciney Martins
Construção coletiva
Diferente de um ato isolado, o Grito é um processo de construção coletiva que ocorre ao longo de todo o ano. A definição das diretrizes é fruto de debates descentralizados promovidos por uma rede de articuladores em todas as regiões do país.
Para a edição de 2026, já foram realizados dois encontros nacionais em formato virtual. O cronograma oficial de preparação prevê novas reuniões para as seguintes datas:
4 de julho
1º de agosto
31 de outubro (etapa voltada para a avaliação dos resultados e planejamento da próxima edição)
A caminhada histórica do Grito dos Excluídos e Excluídas
Nascido em 1994 a partir da 2ª Semana Social Brasileira da CNBB, o Grito dos Excluídos realizou sua primeira manifestação nacional no dia 7 de setembro de 1995. A escolha do Dia da Pátria foi intencional: criar um contraponto ao Grito da Independência oficial.
O objetivo histórico do movimento é propor a superação de um patriotismo passivo em prol de uma cidadania ativa, transformando a data festiva em um espaço de consciência política, reflexão e reivindicação por justiça social e soberania nacional. Em 1996, a iniciativa foi oficialmente integrada às ações da CNBB durante sua Assembleia Geral.
Atualmente, a Coordenação Nacional do Grito é composta por um amplo espectro de organizações ecumênicas e sindicais, incluindo pastorais sociais da Igreja Católica (como a Pastoral do Povo de Rua, Pastoral da Terra e Pastoral Operária), além de movimentos populares de relevância nacional, como o Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem Terra (MST), a Central dos Movimentos Populares (CMP) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).
Serviço:
Os materiais de divulgação — como cartaz, jornal, roteiro de celebração, hino do Grito e camisetas — podem ser solicitados à Secretaria Nacional do Grito pelo e-mail: gritonacional@gmail.com ou pelo telefone/WhatsApp: (11) 94761-4232.
Site do Grito: www.gritodosexcluidos.com
Perfil do Instagram: @grito.dos.excluidos
Por Cláudia Pereira CEPAST - CNBB Últimas notícias
Já se ouve o eco do 32° Grito dos Excluídos e Excluídas. Este ano, o movimento ecoa sob o lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”, mantendo hasteada a sua bandeira permanente: “Vida em Primeiro Lugar!”. A tradicional manifestação popular de 7 de setembro reverbera, nas ruas, as dores e as denúncias contra o feminicídio — a violência extrema que ceifa vidas femininas pelo fato de serem mulheres. Mais do que um ato de indignação, a mobilização deste ano conecta as lutas comunitárias brasileiras a um cenário de forte tensionamento geopolítico global, clamando por paz, reforma agrária e pelo fim do déficit habitacional.
O movimento estrutura suas prioridades em cinco eixos fundamentais que alicerçam os protestos: terra, paz, moradia, mulheres e soberania/democracia.
É uma construção contínua. Um dos clamores da edição de 2025, por exemplo, ainda reverbera nos corredores do Congresso Nacional: a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala 6x1, recentemente aprovada na Câmara dos Deputados e que agora tramita no Senado Federal. Em 2026, o movimento nacional centraliza o debate nas populações em situação de maior vulnerabilidade, lançando um olhar contundente sobre a escalada da violência e as violações de direitos.

Em sintonia com as lutas comunitárias, a edição de 2026 conecta o combate à violência de gênero, déficit habitacional e o complexo cenário geopolítico em defesa da soberania. Foto: Luciney Martins
“Não podemos seguir com esse ódio, com essa forma de ver a vida e o corpo das mulheres como algo insignificante”A escolha do lema, por si só, denuncia esse cenário alarmante. Em 2025, o país já havia registrado mais de 1.500 feminicídios. A pauta dialoga diretamente com a conjuntura política e econômica atual, caminhando em sintonia com a Campanha da Fraternidade da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e com as demandas históricas dos movimentos sociais por direitos básicos. Essa preocupação com a dignidade e a sobrevivência das mulheres ecoa também a nível mundial. Recentemente, em sua viagem apostólica à Espanha, o Papa Leão XIV vivenciou um momento marcante de diálogo com a juventude. Após escutar o testemunho comovente de uma jovem que narrou sua trágica infância, marcada por uma tentativa de feminicídio dentro da própria família, o Pontífice foi categórico ao abordar essa ferida aberta. Quanto à chaga do feminicídio, o Papa afirmou: “Se a violência existe, se o egoísmo triunfa, se até o amor entre familiares se transforma em ódio, devemos nos questionar sobre a dinâmica da nossa sociedade, a cultura do individualismo, a tentação da violência, e não sobre Deus.” Essa preocupação com a dignidade e a sobrevivência das mulheres ecoa também a nível mundial. Recentemente, em sua viagem apostólica à Espanha, o Papa Leão XIV vivenciou um momento marcante de diálogo com a juventude. Após escutar o testemunho comovente de uma jovem que narrou sua trágica infância, marcada por uma tentativa de feminicídio dentro da própria família, o Pontífice foi categórico ao abordar essa ferida aberta. Quanto à chaga do feminicídio, o Papa afirmou: “Se a violência existe, se o egoísmo triunfa, se até o amor entre familiares se transforma em ódio, devemos nos questionar sobre a dinâmica da nossa sociedade, a cultura do individualismo, a tentação da violência, e não sobre Deus.”

257 pessoas da comunidade LGBTQIA+ foram vítimas de mortes violentas em 2025. Foto: Claudia Pereira
“Necessidade de pensar políticas públicas para as mulheres, feitas a partir delas e com elas"A socióloga destacou a centralidade socioeconômica da mulher no país. "Mais de 50% da população brasileira é feminina. Essas mulheres são chefes de família, responsáveis pelo sustento, pelo cuidado com a casa e com os filhos", pontuou. Diante disso, o movimento conecta a luta pela sobrevivência e pela segurança alimentar ao tema da Campanha da Fraternidade, que debate o direito à habitação sob o lema 'Ele veio morar entre nós'. "Que esse Deus, Pai e Mãe, nos fortaleça na defesa da vida das mulheres", expressou. Como ação externa à Igreja, o Grito visa mobilizar a opinião pública e pressionar gestores — prefeitos, governadores e parlamentares — a adotarem medidas imediatas. "Precisamos sensibilizar os tomadores de decisão sobre a necessidade de pensar políticas públicas para as mulheres, feitas a partir delas e com elas", concluiu. As prioridades passam pela segurança no trajeto para o trabalho, direito à moradia e infraestrutura de apoio familiar, como a ampliação de vagas em creches próximas de casa.
“O Brasil tem um peso imenso na geopolítica e na economia, abrigando a maior reserva de terras raras do mundo depois da China, além de abundantes recursos de água doce e petróleo"

Manifestação na cidade de São Paulo em defesa da democracia. Foto: Luciney Martins
Construção coletiva
Diferente de um ato isolado, o Grito é um processo de construção coletiva que ocorre ao longo de todo o ano. A definição das diretrizes é fruto de debates descentralizados promovidos por uma rede de articuladores em todas as regiões do país.
Para a edição de 2026, já foram realizados dois encontros nacionais em formato virtual. O cronograma oficial de preparação prevê novas reuniões para as seguintes datas:
4 de julho
1º de agosto
31 de outubro (etapa voltada para a avaliação dos resultados e planejamento da próxima edição)
A caminhada histórica do Grito dos Excluídos e Excluídas
Nascido em 1994 a partir da 2ª Semana Social Brasileira da CNBB, o Grito dos Excluídos realizou sua primeira manifestação nacional no dia 7 de setembro de 1995. A escolha do Dia da Pátria foi intencional: criar um contraponto ao Grito da Independência oficial.
O objetivo histórico do movimento é propor a superação de um patriotismo passivo em prol de uma cidadania ativa, transformando a data festiva em um espaço de consciência política, reflexão e reivindicação por justiça social e soberania nacional. Em 1996, a iniciativa foi oficialmente integrada às ações da CNBB durante sua Assembleia Geral.
Atualmente, a Coordenação Nacional do Grito é composta por um amplo espectro de organizações ecumênicas e sindicais, incluindo pastorais sociais da Igreja Católica (como a Pastoral do Povo de Rua, Pastoral da Terra e Pastoral Operária), além de movimentos populares de relevância nacional, como o Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem Terra (MST), a Central dos Movimentos Populares (CMP) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).
Serviço:
Os materiais de divulgação — como cartaz, jornal, roteiro de celebração, hino do Grito e camisetas — podem ser solicitados à Secretaria Nacional do Grito pelo e-mail: gritonacional@gmail.com ou pelo telefone/WhatsApp: (11) 94761-4232.
Site do Grito: www.gritodosexcluidos.com
Perfil do Instagram: @grito.dos.excluidos
Por Cláudia Pereira CEPAST - CNBB Últimas notícias
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