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Tribunal Popular dos Agrotóxicos vira livro de denúncias sobre contaminação a partir do uso de veneno

  • 24 de junho de 2025

A publicação será lançada gratuitamente em 4 de julho, em Fortaleza e reúne relatos impactantes sobre os efeitos dos agrotóxicos na saúde humana, ambiental e social.

Ilustração com fundo marrom mostra uma figura esquelética vestida de terno e chapéu de fazendeiro, com um adesivo na aba que diz "Lucro acima da vida". A figura segura a bandeira do Brasil, porém no centro da bandeira estão cinco pessoas negras, indígenas e camponesas, com trajes e alimentos típicos, representando a diversidade e a luta dos povos. Atrás da figura esquelética, há aviões e drones pulverizando agrotóxicos.

Por Redação Esplar

O Esplar – Centro de Pesquisa e Assessoria lança, no dia 4 de julho de 2025, às 19 horas, o livro “Memórias do Tribunal Popular dos Agrotóxicos”, em sua sede em Fortaleza. A publicação retrata o tribunal popular realizado em outubro de 2024, reunindo vítimas, especialistas e ativistas para denunciar os impactos do uso indiscriminado de agrotóxicos no Brasil.

Agrotóxico condenado

A publicação reúne aspectos importantes de uma denúncia coletiva contra o envenenamento das águas, das terras, do ar e de comunidades inteiras.
Na cadeira dos réus, o uso indiscriminado de agrotóxicos – por pulverização manual, aérea ou por drones – foi, finalmente, condenado pela sociedade civil, evidenciando como esse modelo de agricultura compromete a saúde pública, os ecossistemas e a soberania alimentar.
O livro está dividido em duas partes complementares: uma análise política e social da problemática do veneno e a transcrição completa das sessões do tribunal.

“A Corteva, junto com a Bayer e a Syngenta, controla mais de 80% do mercado de agrotóxicos no mundo, lucrando bilhões a cada ano. É urgente que essas denúncias cheguem aos quatro cantos do país, para romper com a ilusão de que os agrotóxicos fazem bem à economia e à competitividade do Brasil”, alerta Magnólia Said, autora da obra e diretora do Esplar.

A diretora do Esplar assume a autoria da obra, que teve transcrição e tradução de Gabriel Strautman, e edição de conteúdo de Dani Guerra. A capa traz ilustração do Ricardo Wagner, e o projeto gráfico é do Eri Filho.

Vozes que denunciam a tragédia

A obra apresenta casos emblemáticos de contaminação ambiental, adoecimento de trabalhadoras e trabalhadores rurais, crianças e animais, além da luta contra um modelo de agricultura que privilegia o lucro em detrimento da vida.

Dentre as testemunhas de acusação, peças-chave do Tribunal, houve denúncias contra a monocultura do coco, a fruticultura irrigada no Ceará e a monocultura do dendê no Pará. Além disso, foram compartilhados os dados impactantes sobre o impacto da contaminação dos agrotóxicos na saúde reprodutiva feminina e considerações sobre colonialismo químico.

Confira alguns trechos das denúncias:

Márcia Xavier | Filha do Zé Maria do Tomé. Ela é psicóloga e coordena o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador em Limoeiro do Norte.

Ela cheirou e achou um cheiro estranho e perguntou: “Zé, que cheiro é esse?” – “É o cheiro do veneno, porque agora pela manhã, o avião passou pulverizando” [...] É uma comunidade pobre, carente, e o que faziam as crianças, principalmente as crianças, quando viam o avião sobrevoando? A gente saia para a rua para ver, porque aquilo ali era algo novo, ninguém sabia o que era e nem os riscos que ia causar.

Socorro Guimarães de Oliveira | Faz parte de dois grupos de mulheres no Assentamento do Tomé, em Limoeiro do Norte.

Foi coletado o sangue, a água e a urina, a água da casa e o sangue da família, do pai, da mãe e da criança e a urina e nessa pesquisa ela descobriu que havia vários tipos de agrotóxicos no sangue dessas pessoas. Teve duas pessoas com seis tipos, sendo três desses agrotóxicos que embora tivessem a entrada proibida no Brasil, estavam lá, no sangue dessas pessoas.
Nós tivemos uma mãe que faleceu grávida de cinco meses. Tivemos crianças nascendo sem o couro cefálico e recentemente uma criança de oito meses de idade que morreu de leucemia, uma doença que antigamente nem se ouvia falar na nossa comunidade. O câncer está chegando cada vez mais rápido na nossa comunidade. Nós atribuímos tudo isso ao uso dos agrotóxicos sim.

Israelita Martins Alves Nascimento | Moradora do assentamento da Reforma Agrária Maceió em Itapipoca, comunidade Barra do Córrego. Ela é historiadora com pós-graduação em coordenação pedagógica.

Nesse estudo, a gente viu que temos mais de 20 mulheres no Assentamento, entre homens e mulheres, com cânceres diversos, em tratamento ou em cura. Ou em tratamento, que a gente sabe que a gente passa o resto da vida em tratamento. E tantos outros óbitos. Desses óbitos, comprovados, são mais de 10. Que foi de CA diversos.

Livro como ferramenta de mobilização

O livro Memórias do Tribunal Popular dos Agrotóxicos é ferramenta pedagógica e política, destinado a agricultoras e agricultores, educadoras e educadores, movimentos sociais, organizações e a todas as pessoas interessadas em compreender este debate.
“Por isso, a mim não importa que esse compêndio chegue aos governos. Importa que chegue à sociedade civil, para que ela possa dizer basta a essa morte anunciada todos os dias”, defende Magnólia.

Esta é uma realização do Esplar – Centro de Pesquisa e Assessoria, com o apoio da CESE, Fundação Heinrich Böll, Brot für die Welt (Pão para o Mundo), Jubileu Sul e os mandatos dos deputados Renato Roseno e Missias do MST.

Os exemplares serão distribuídos gratuitamente no dia do lançamento. Após o lançamento, a publicação estará disponível na versão com tradução (português e inglês) no site do Esplar e na plataforma de publicações online Calaméo.

Sobre a autora

Magnólia Said é advogada, feminista e educadora popular com mais de 35 anos de dedicação às causas socioambientais e aos direitos das mulheres. Como técnica do Esplar desde 1989, desenvolveu ampla expertise em temas como violência contra a mulher, gênero, meio ambiente, dívida pública e direitos humanos, trabalhando especialmente com agricultoras familiares e mulheres indígenas.
Ela é autora de materiais pedagógicos, artigos nacionais e internacionais, e sistematizações de experiências agroecológicas.

Serviço
Lançamento do livro “Memórias do Tribunal Popular dos Agrotóxicos”
Data: 4 de julho de 2025
Local: Sede do Esplar – Centro de Pesquisa e Assessoria
Rua Princesa Isabel, 1968 – Benfica
Horário: 19h
Distribuição gratuita | Versão digital bilíngue (português/inglês) disponível após o evento no site do Esplar e na plataforma Calaméo.

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Ilustração com fundo marrom mostra uma figura esquelética vestida de terno e chapéu de fazendeiro, com um adesivo na aba que diz "Lucro acima da vida". A figura segura a bandeira do Brasil, porém no centro da bandeira estão cinco pessoas negras, indígenas e camponesas, com trajes e alimentos típicos, representando a diversidade e a luta dos povos. Atrás da figura esquelética, há aviões e drones pulverizando agrotóxicos.

Por Redação Esplar

O Esplar – Centro de Pesquisa e Assessoria lança, no dia 4 de julho de 2025, às 19 horas, o livro “Memórias do Tribunal Popular dos Agrotóxicos”, em sua sede em Fortaleza. A publicação retrata o tribunal popular realizado em outubro de 2024, reunindo vítimas, especialistas e ativistas para denunciar os impactos do uso indiscriminado de agrotóxicos no Brasil.

Agrotóxico condenado

A publicação reúne aspectos importantes de uma denúncia coletiva contra o envenenamento das águas, das terras, do ar e de comunidades inteiras.
Na cadeira dos réus, o uso indiscriminado de agrotóxicos – por pulverização manual, aérea ou por drones – foi, finalmente, condenado pela sociedade civil, evidenciando como esse modelo de agricultura compromete a saúde pública, os ecossistemas e a soberania alimentar.
O livro está dividido em duas partes complementares: uma análise política e social da problemática do veneno e a transcrição completa das sessões do tribunal.

“A Corteva, junto com a Bayer e a Syngenta, controla mais de 80% do mercado de agrotóxicos no mundo, lucrando bilhões a cada ano. É urgente que essas denúncias cheguem aos quatro cantos do país, para romper com a ilusão de que os agrotóxicos fazem bem à economia e à competitividade do Brasil”, alerta Magnólia Said, autora da obra e diretora do Esplar.

A diretora do Esplar assume a autoria da obra, que teve transcrição e tradução de Gabriel Strautman, e edição de conteúdo de Dani Guerra. A capa traz ilustração do Ricardo Wagner, e o projeto gráfico é do Eri Filho.

Vozes que denunciam a tragédia

A obra apresenta casos emblemáticos de contaminação ambiental, adoecimento de trabalhadoras e trabalhadores rurais, crianças e animais, além da luta contra um modelo de agricultura que privilegia o lucro em detrimento da vida.

Dentre as testemunhas de acusação, peças-chave do Tribunal, houve denúncias contra a monocultura do coco, a fruticultura irrigada no Ceará e a monocultura do dendê no Pará. Além disso, foram compartilhados os dados impactantes sobre o impacto da contaminação dos agrotóxicos na saúde reprodutiva feminina e considerações sobre colonialismo químico.

Confira alguns trechos das denúncias:

Márcia Xavier | Filha do Zé Maria do Tomé. Ela é psicóloga e coordena o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador em Limoeiro do Norte.

Ela cheirou e achou um cheiro estranho e perguntou: “Zé, que cheiro é esse?” – “É o cheiro do veneno, porque agora pela manhã, o avião passou pulverizando” [...] É uma comunidade pobre, carente, e o que faziam as crianças, principalmente as crianças, quando viam o avião sobrevoando? A gente saia para a rua para ver, porque aquilo ali era algo novo, ninguém sabia o que era e nem os riscos que ia causar.

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Nós tivemos uma mãe que faleceu grávida de cinco meses. Tivemos crianças nascendo sem o couro cefálico e recentemente uma criança de oito meses de idade que morreu de leucemia, uma doença que antigamente nem se ouvia falar na nossa comunidade. O câncer está chegando cada vez mais rápido na nossa comunidade. Nós atribuímos tudo isso ao uso dos agrotóxicos sim.

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Sobre a autora

Magnólia Said é advogada, feminista e educadora popular com mais de 35 anos de dedicação às causas socioambientais e aos direitos das mulheres. Como técnica do Esplar desde 1989, desenvolveu ampla expertise em temas como violência contra a mulher, gênero, meio ambiente, dívida pública e direitos humanos, trabalhando especialmente com agricultoras familiares e mulheres indígenas.
Ela é autora de materiais pedagógicos, artigos nacionais e internacionais, e sistematizações de experiências agroecológicas.

Serviço
Lançamento do livro “Memórias do Tribunal Popular dos Agrotóxicos”
Data: 4 de julho de 2025
Local: Sede do Esplar – Centro de Pesquisa e Assessoria
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Horário: 19h
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