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Cine debate destaca "somos todos refugiados" em São Paulo

  • 14 de dezembro de 2018

Por Karla Maria | Comunicação do Balcão de Direitos
Pontualmente, às 14h, do último dia 13, eles chegavam arrastando suas sacolas até a sala de cinema improvisada para o Cine Debate, na Chapelaria da Rede Rua, no Brás, na região central de São Paulo. O filme escolhido foi “Era o Hotel Cambridge”, que revela a troca de experiências, o convívio e a luta por moradia de brasileiros e imigrantes sem teto na capital paulista, a maior cidade do país.

Cine debate na Rede Rua, no dia 13, sobre o filme "Era o Hotel Cambridge"


Dirigido por Eliane Caffé, o filme de 1h39 minutos conta com a direção de fotografia de Bruno Risas e a participação de atores consagrados como Suely Franco, José Dumont, Isam Ahmad Issa, além da participação de membros de movimentos sociais que lutam por políticas de moradia na cidade,  como Benedito Roberto Barbosa, mais conhecido como Dito, advogado e coordenador da União Nacional dos Movimentos de Moradia.
A realidade retratada no filme mexeu com o paraibano Cícero Silva, que interagia com as imagens na telona, reconhecendo os prédios antigos e ocupados, onde viveu, resistiu e enfrentou a truculência policial. Cícero tem 39 anos de idade e vive nas ruas de São Paulo a tanto tempo que nem se lembra a quantos anos. Chegou às ruas, após o término de seu casamento e com o rompimento veio a depressão e a bebida.
“Não é fácil viver na rua e me identifico muito com essas imagens. Já vivi em ocupações e não é nada fácil. A convivência com os refugiados acontece, mas eles não conversam muito”, disse o paraibano.

Lucimeire Araújo e Cícero Silva durante o Cine Debate na Rede Rua, no Brás


Marcela*, dona de uma cabeleira comprida e de sorriso fácil está nas ruas de São Paulo a pouco tempo. “Já conheci alguns haitianos que vivem na rua e eles são muito inteligentes, falam mais de dois idiomas e aprendem rápido o português. São mais inteligentes do que nós”, disse a jovem.
Para Ronaldo*, além de inteligentes os haitianos são muito trabalhadores. “Eles fogem das guerras em seus países e vem para cá tentar uma vida melhor. São como nós, buscam melhorias. E são muito trabalhadores. Já trabalhei em obras com eles em Guarulhos”, disse-me
Juliana Reimberg, voluntária do Balcão participou do Cine Debate e chamou atenção para o fato de que os refugiados saem de uma situação de guerra para viver outro tipo de conflito no Brasil. "Em diversos momentos ele (o filme) mostra os conflitos na Síria, no Oriente Médio e no momento do vídeo o refugiado diz, mas aqui a gente também está em guerra".
O ator Isam que faz o papel de um palestino na ocupação lembra e cutuca os brasileiros. "Vocês aqui são refugiados também. Refugiados dos seus direitos". Para Lucimeire Araújo, a coordenadora do Balcão de Direitos para Imigrantes, o Cine Debate aproxima as pessoas de uma realidade na qual estão inseridas. "As falas, os comportamentos e a diversidade cultural, além de proporcionar um espaço de discussão, como forma educativa", diz Lucimeire.
*os nomes são fictícios a pedido dos entrevistados.

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Dirigido por Eliane Caffé, o filme de 1h39 minutos conta com a direção de fotografia de Bruno Risas e a participação de atores consagrados como Suely Franco, José Dumont, Isam Ahmad Issa, além da participação de membros de movimentos sociais que lutam por políticas de moradia na cidade,  como Benedito Roberto Barbosa, mais conhecido como Dito, advogado e coordenador da União Nacional dos Movimentos de Moradia.
A realidade retratada no filme mexeu com o paraibano Cícero Silva, que interagia com as imagens na telona, reconhecendo os prédios antigos e ocupados, onde viveu, resistiu e enfrentou a truculência policial. Cícero tem 39 anos de idade e vive nas ruas de São Paulo a tanto tempo que nem se lembra a quantos anos. Chegou às ruas, após o término de seu casamento e com o rompimento veio a depressão e a bebida.
“Não é fácil viver na rua e me identifico muito com essas imagens. Já vivi em ocupações e não é nada fácil. A convivência com os refugiados acontece, mas eles não conversam muito”, disse o paraibano.

Lucimeire Araújo e Cícero Silva durante o Cine Debate na Rede Rua, no Brás


Marcela*, dona de uma cabeleira comprida e de sorriso fácil está nas ruas de São Paulo a pouco tempo. “Já conheci alguns haitianos que vivem na rua e eles são muito inteligentes, falam mais de dois idiomas e aprendem rápido o português. São mais inteligentes do que nós”, disse a jovem.
Para Ronaldo*, além de inteligentes os haitianos são muito trabalhadores. “Eles fogem das guerras em seus países e vem para cá tentar uma vida melhor. São como nós, buscam melhorias. E são muito trabalhadores. Já trabalhei em obras com eles em Guarulhos”, disse-me
Juliana Reimberg, voluntária do Balcão participou do Cine Debate e chamou atenção para o fato de que os refugiados saem de uma situação de guerra para viver outro tipo de conflito no Brasil. "Em diversos momentos ele (o filme) mostra os conflitos na Síria, no Oriente Médio e no momento do vídeo o refugiado diz, mas aqui a gente também está em guerra".
O ator Isam que faz o papel de um palestino na ocupação lembra e cutuca os brasileiros. "Vocês aqui são refugiados também. Refugiados dos seus direitos". Para Lucimeire Araújo, a coordenadora do Balcão de Direitos para Imigrantes, o Cine Debate aproxima as pessoas de uma realidade na qual estão inseridas. "As falas, os comportamentos e a diversidade cultural, além de proporcionar um espaço de discussão, como forma educativa", diz Lucimeire.
*os nomes são fictícios a pedido dos entrevistados.

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