Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

"Somos de um mesmo povo que ama, luta, e que sonha"

  • 24 de junho de 2015

Pablo Ruiz - SOAW

Jornalista chileno, membro do Observatório pelo Fechamento da Escola das Américas, SOA WATCH, organização com sede nos EUA e em vários países da América Latina.

Primeiro é importante dizer que lamentamos, como organização, como SOA Watch, a permanência das tropas da MINUSTAH nestes 11 anos, e que todavia essas tropas militares ou policiais estrangeiros continuem no Haiti. Há mais de uma década está comprovado que a ajuda das Nações Unidas a este povo foi insuficiente e que a solução militar não deixou nada bom para o povo haitiano. No meu caso, como chileno, lamento profundamente que meu país tenha um batalhão militar no Haiti. Solicitamos em todos estes últimos anos ao governo que retire as tropas chilenas do Haiti e que se quer ajudar efetivamente envie mais médicos, professores, ajuda material, etc.

No cenário regional, nestes 11 anos com a presença as tropas ou não, do meu ponto de vista, talvez a mudança mais extraordinária, que nem sequer aconteceu à época da suposta “guerra fria”, é a forte militarização que, principalmente, os EUA estão fazendo no nosso continente, direta ou indiretamente. Nesse contexto está a ocupação do Haiti, da Minustah, estão as mais de 70 bases dos EUA na região, o treinamento militar na atual Escola das Américas de mais de 1.500 soldados latino-americanos, todos os anos, além das operações conjuntas, etc. Na Colômbia, Peru, Panamá e Honduras é muito forte a presença do Exército dos EUA.

O que aconteceu? Não há dúvida de que o surgimento de governos progressistas em nosso continente influenciou para esta forte militarização dos EUA em nosso continente. Os golpes de estado no Haiti, Honduras, Paraguai, nos quais os EUA estão e estiveram por trás, sem dúvida, são parte de uma estratégia para assegurar seus interesses.

A partir de nossas organizações vivemos momentos complexos e hoje estamos atravessando um momento de muita debilidade como movimentos sociais. Por isso, mais do que nunca, devemos recuperar o sentido que só a unidade dos movimentos pode dar: a força para nos opor contra o que os Estados Unidos querem fazer contra nossos povos. Há toda uma política contra o Chile, Argentina, Haiti, Venezuela, etc para que os EUA sigam desfrutando das vantagens oferecidas pela sociedade capitalista às grandes corporações. Acredito que é fundamental recuperar as redes de solidariedade, as redes contra militarização. Por isso, felicito a persistência de continuar dizendo: Não às tropas da MINUSTAH no Haiti.

Aos companheiros no Haiti eu digo somente: Forças para seguir a luta. Vamos seguir em solidariedade com vocês porque somos de um mesmo povo que quer justiça, que quer dignidade, que quer respeito a sua soberania. Somos de um mesmo povo que ama, luta, e que sonha.

- Artigo enviado pelo Jubileu Sul/Américas.

Últimas notícias

Berta Cáceres: 10 anos após sua volta aos ancestrais, honramos sua vida e luta

Dez anos após Berta Cáceres se transformar em semente, honramos a vida e a luta de nossa irmã, ao lado de sua família, do Conselho…
Ler mais...

Câmara aprova acordo Mercosul–União Europeia; Jubileu Sul denuncia riscos socioambientais e cobra debate público

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, neste 25 de fevereiro, o acordo provisório de comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE). Apenas…
Ler mais...

Jubileu Sul Brasil inicia ações de projeto nacional de fortalecimento comunitário frente ao sobre-endividamento público

A Rede Jubileu Sul Brasil (JSB) deu início, neste mês de fevereiro, às atividades do projeto "Resistência e defesa de direitos frente ao sobre-endividamento público"…
Ler mais...

"Somos de um mesmo povo que ama, luta, e que sonha"

  • 24 de junho de 2015

Pablo Ruiz - SOAW

Jornalista chileno, membro do Observatório pelo Fechamento da Escola das Américas, SOA WATCH, organização com sede nos EUA e em vários países da América Latina.

Primeiro é importante dizer que lamentamos, como organização, como SOA Watch, a permanência das tropas da MINUSTAH nestes 11 anos, e que todavia essas tropas militares ou policiais estrangeiros continuem no Haiti. Há mais de uma década está comprovado que a ajuda das Nações Unidas a este povo foi insuficiente e que a solução militar não deixou nada bom para o povo haitiano. No meu caso, como chileno, lamento profundamente que meu país tenha um batalhão militar no Haiti. Solicitamos em todos estes últimos anos ao governo que retire as tropas chilenas do Haiti e que se quer ajudar efetivamente envie mais médicos, professores, ajuda material, etc.

No cenário regional, nestes 11 anos com a presença as tropas ou não, do meu ponto de vista, talvez a mudança mais extraordinária, que nem sequer aconteceu à época da suposta “guerra fria”, é a forte militarização que, principalmente, os EUA estão fazendo no nosso continente, direta ou indiretamente. Nesse contexto está a ocupação do Haiti, da Minustah, estão as mais de 70 bases dos EUA na região, o treinamento militar na atual Escola das Américas de mais de 1.500 soldados latino-americanos, todos os anos, além das operações conjuntas, etc. Na Colômbia, Peru, Panamá e Honduras é muito forte a presença do Exército dos EUA.

O que aconteceu? Não há dúvida de que o surgimento de governos progressistas em nosso continente influenciou para esta forte militarização dos EUA em nosso continente. Os golpes de estado no Haiti, Honduras, Paraguai, nos quais os EUA estão e estiveram por trás, sem dúvida, são parte de uma estratégia para assegurar seus interesses.

A partir de nossas organizações vivemos momentos complexos e hoje estamos atravessando um momento de muita debilidade como movimentos sociais. Por isso, mais do que nunca, devemos recuperar o sentido que só a unidade dos movimentos pode dar: a força para nos opor contra o que os Estados Unidos querem fazer contra nossos povos. Há toda uma política contra o Chile, Argentina, Haiti, Venezuela, etc para que os EUA sigam desfrutando das vantagens oferecidas pela sociedade capitalista às grandes corporações. Acredito que é fundamental recuperar as redes de solidariedade, as redes contra militarização. Por isso, felicito a persistência de continuar dizendo: Não às tropas da MINUSTAH no Haiti.

Aos companheiros no Haiti eu digo somente: Forças para seguir a luta. Vamos seguir em solidariedade com vocês porque somos de um mesmo povo que quer justiça, que quer dignidade, que quer respeito a sua soberania. Somos de um mesmo povo que ama, luta, e que sonha.

- Artigo enviado pelo Jubileu Sul/Américas.

Últimas notícias

Berta Cáceres: 10 anos após sua volta aos ancestrais, honramos sua vida e luta

Dez anos após Berta Cáceres se transformar em semente, honramos a vida e a luta de nossa irmã, ao lado de sua família, do Conselho…
Ler mais...

Câmara aprova acordo Mercosul–União Europeia; Jubileu Sul denuncia riscos socioambientais e cobra debate público

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, neste 25 de fevereiro, o acordo provisório de comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE). Apenas…
Ler mais...

Jubileu Sul Brasil inicia ações de projeto nacional de fortalecimento comunitário frente ao sobre-endividamento público

A Rede Jubileu Sul Brasil (JSB) deu início, neste mês de fevereiro, às atividades do projeto "Resistência e defesa de direitos frente ao sobre-endividamento público"…
Ler mais...