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Para que comer não seja um espetáculo, mas um direito

  • 20 de abril de 2021

“O maior espetáculo do pobre da atualidade é comer”.

Num país em que mais de 55% da população vive em situação de insegurança alimentar e em que mais de 20 milhões de adultos, crianças e idosos passam fome todos os dias, a frase acima, escrita por Carolina Maria de Jesus e presente em seu necessário Quarto de Despejo, publicado em 1960, soa mais atual que nunca.

“Quem inventou a fome são os que comem”.

Num país em que 11 pessoas alcançaram a condição de bilionárias no mesmo período em que mais de 373 mil vidas foram perdidas, as palavras acima, também de Carolina Maria de Jesus, não deixam dúvidas: só há fome porque há concentração de renda. E no Brasil nem mesmo a pandemia da Covid-19 oculta a brutalidade das desigualdades resultantes dessa concentração.

Imagem: Divulgação

A (des)condução do Brasil de 2021 por um governo comprometido com a morte confirma que, como ensinou Carolina, a fome não é natural, mas é um projeto político de poder. Foi como estratégia de aprofundamento desse projeto que o Governo Federal brincou com a vida de milhões de brasileiras e brasileiros e, por meses, fez chantagem com o Poder Legislativo a respeito do retorno do auxílio emergencial.

Em boa parte de 2020, conforme pesquisa do Instituto Datafolha, o auxílio emergencial foi a principal ou única renda de 68 milhões de brasileiros e brasileiras.

Não custa lembrar que, contra o desejo do Governo Federal, que apresentou a proposta de R$ 200, o auxílio emergencial começou em abril de 2020 com três parcelas de R$ 600 (ou R$ 1.200, no caso das mães que cuidam sozinhas das suas famílias), por mês, a cada beneficiário, como forma de minimizar os efeitos da pandemia sobre as populações mais vulnerabilizadas.

Também com o desejo contrário do ministro da Economia e do presidente da República, dada a gravidade da crise sanitária e econômica no país, o auxílio foi estendido por duas vezes: primeiramente com duas novas cotas do valor original de R$ 600, chegando ao total de cinco parcelas; e depois com mais quatro parcelas de R$ 300 por mês, sendo finalizado em dezembro.

Mas essa última extensão do pagamento, vale ressaltar, aconteceu com duas reduções de severos impactos: o valor foi diminuído à metade (de R$ 600 para R$ 300) e cerca de 6 milhões de pessoas que haviam recebido as parcelas anteriores não tiveram direito a acessar o benefício nas últimas quatro parcelas.

Dados da mesma pesquisa Datafolha dão a dimensão: 75% das famílias que tiveram a redução do valor do auxílio de R$ 600 para R$ 300 reduziram a compra de alimentos e 55% precisaram deixar de pagar as contas de casa. Dito de outra forma, quem conseguiu comprar feijão, arroz e macarrão em maio, precisou retirar um desses itens da cesta em outubro; quem pagou as contas de água e luz em junho, teve que atrasar um dos boletos em novembro.

Dois estudos alertam para um cenário sem precedentes: um cálculo da Fundação Getúlio Vargas aponta que a pobreza extrema deve atingir 20 milhões de brasileiros e brasileiras; e uma pesquisa da Oxfam sinaliza que, caso políticas públicas não sejam adotadas, as pessoas mais pobres levarão cerca de uma década para voltar ao nível socioeconômico que estavam antes da pandemia.

Durante uma entrevista em 1999, quando deputado federal, Bolsonaro disse que para mudar o Brasil era preciso “fazer o trabalho que o regime militar (sic) não fez: matando uns 30 mil”.

Mais de duas décadas depois, a promessa de Bolsonaro – que nos anos seguintes apenas permaneceu prometendo o recrudescimento do ódio e da violência institucionais – já foi cumprida mais de 10 vezes em termos quantitativos.

Para que o genocídio tenha fim e para que comer não seja um espetáculo, mas um direito, é preciso vacina no braço e comida no prato. São fundamentais, portanto, a imunização de cada vez mais pessoas, com vacinas gratuitas e aplicadas pelo SUS, e o auxílio emergencial de, no mínimo, R$ 600 até o fim da pandemia.

Queremos vacina no braço e comida no prato! Esse é o slogan que marca mobilizações em todo Brasil nesta terça-feira, 20 de abril, Dia Nacional de Luta e Conscientização. A iniciativa reúne centrais sindicais, movimentos sociais ligados à Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo e ainda centenas de organizações da sociedade civil engajadas na Campanha Renda Básica que Queremos e na Campanha Fora Bolsonaro.

Ações de comunicação como projeções públicas e mutirão nacional de colagem de cartazes e lambes, pretende chamar a atenção do país para a urgência do Congresso Nacional restituir o auxílio emergencial de R$ 600 e adotar medidas para acelerar o processo de vacinação através do SUS, para todas as pessoas.

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“Quem inventou a fome são os que comem”.

Num país em que 11 pessoas alcançaram a condição de bilionárias no mesmo período em que mais de 373 mil vidas foram perdidas, as palavras acima, também de Carolina Maria de Jesus, não deixam dúvidas: só há fome porque há concentração de renda. E no Brasil nem mesmo a pandemia da Covid-19 oculta a brutalidade das desigualdades resultantes dessa concentração.

Imagem: Divulgação

A (des)condução do Brasil de 2021 por um governo comprometido com a morte confirma que, como ensinou Carolina, a fome não é natural, mas é um projeto político de poder. Foi como estratégia de aprofundamento desse projeto que o Governo Federal brincou com a vida de milhões de brasileiras e brasileiros e, por meses, fez chantagem com o Poder Legislativo a respeito do retorno do auxílio emergencial.

Em boa parte de 2020, conforme pesquisa do Instituto Datafolha, o auxílio emergencial foi a principal ou única renda de 68 milhões de brasileiros e brasileiras.

Não custa lembrar que, contra o desejo do Governo Federal, que apresentou a proposta de R$ 200, o auxílio emergencial começou em abril de 2020 com três parcelas de R$ 600 (ou R$ 1.200, no caso das mães que cuidam sozinhas das suas famílias), por mês, a cada beneficiário, como forma de minimizar os efeitos da pandemia sobre as populações mais vulnerabilizadas.

Também com o desejo contrário do ministro da Economia e do presidente da República, dada a gravidade da crise sanitária e econômica no país, o auxílio foi estendido por duas vezes: primeiramente com duas novas cotas do valor original de R$ 600, chegando ao total de cinco parcelas; e depois com mais quatro parcelas de R$ 300 por mês, sendo finalizado em dezembro.

Mas essa última extensão do pagamento, vale ressaltar, aconteceu com duas reduções de severos impactos: o valor foi diminuído à metade (de R$ 600 para R$ 300) e cerca de 6 milhões de pessoas que haviam recebido as parcelas anteriores não tiveram direito a acessar o benefício nas últimas quatro parcelas.

Dados da mesma pesquisa Datafolha dão a dimensão: 75% das famílias que tiveram a redução do valor do auxílio de R$ 600 para R$ 300 reduziram a compra de alimentos e 55% precisaram deixar de pagar as contas de casa. Dito de outra forma, quem conseguiu comprar feijão, arroz e macarrão em maio, precisou retirar um desses itens da cesta em outubro; quem pagou as contas de água e luz em junho, teve que atrasar um dos boletos em novembro.

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Durante uma entrevista em 1999, quando deputado federal, Bolsonaro disse que para mudar o Brasil era preciso “fazer o trabalho que o regime militar (sic) não fez: matando uns 30 mil”.

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Para que o genocídio tenha fim e para que comer não seja um espetáculo, mas um direito, é preciso vacina no braço e comida no prato. São fundamentais, portanto, a imunização de cada vez mais pessoas, com vacinas gratuitas e aplicadas pelo SUS, e o auxílio emergencial de, no mínimo, R$ 600 até o fim da pandemia.

Queremos vacina no braço e comida no prato! Esse é o slogan que marca mobilizações em todo Brasil nesta terça-feira, 20 de abril, Dia Nacional de Luta e Conscientização. A iniciativa reúne centrais sindicais, movimentos sociais ligados à Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo e ainda centenas de organizações da sociedade civil engajadas na Campanha Renda Básica que Queremos e na Campanha Fora Bolsonaro.

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