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Observação do cotidiano é fundamental para entender cultura e feminismo

  • 9 de julho de 2021

Segunda aula do Curso de Formação de Multiplicadores abordou  a importância de uma análise multifacetada para entender as manifestações populares por direitos

Por Marcos Vinicius dos Santos* | Jubileu Sul Brasil

A conquista de novos direitos na luta contra a discriminação e pela igualdade de gênero transforma a sociedade em todos os sentidos. Embora a Declaração dos Direitos Humanos tenha completado mais de 70 anos, vivemos em um contexto político que promove uma crescente hostilidade contra os direitos humanos e seus defensores, aumentando as manifestações de ódio, intolerância e de rejeição aos direitos conquistados pelas mulheres, pelas populações negra, indígena e LGBTQI+, entre outros grupos e comunidades.

A partir de uma avaliação geral da cultura, valores e costumes na concepção de direitos humanos, os grupos de trabalho participaram da segunda aula do Curso de Formação de Multiplicadores, promovido pela Rede Jubileu Sul/Américas e Jubileu Sul Brasil.

A luta das mulheres pelo fim da discriminação e pela igualdade de gênero transformou a sociedade em muitos países. Essas transformações se deram a partir da conquista de novos direitos, pela constituição de organismos estatais voltados para a promoção da equidade de gênero e pela adoção de políticas públicas que colaboraram para a redução da discriminação e das desigualdades de gênero.

“Quando se fala em feminismo ou em cultura nós precisamos analisar em que tempo nós estamos falando, em que tempo nessa linha histórica, em que momento histórico estamos falando”, explica Neiva Cristina, mestre em Direito e doutora em desenvolvimento cultural e meio ambiente pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR).

Para a professora, são as influências desses diferentes tempos que contribuem para que exista uma modulação dos conceitos do que é feminismo e cultura. Os saberes tradicionais dos indígenas, dos povos da floresta e dos ribeirinhos, por exemplo, foram estigmatizados e postos como uma subcultura, como uma cultura não válida.

Essa é uma das mensagens que as facilitadoras tentaram passar, a de que a cultura dos povos é ampla, não é apenas uma só. Ao observar as características de uma sociedade, é preciso um olhar multicultural ou multiétnico na construção desses conceitos.  Sob essa ótica multicultural, então, o feminismo deve ser observado não só por meio de sua teoria, mas do conjunto de fatores que atuam durante determinado tempo, ou determinada sociedade.

“Os exemplos do cotidiano são muito importantes para que a gente compreenda o que é feminismo, mas, ao mesmo tempo, essa teoria é importante para que consigamos enxergar como esses conceitos vão mudando ao longo do tempo, como vão se aperfeiçoando e se amplificando. Então, falar em feminismo, falar em direitos das mulheres significa falar por uma luta que no decorrer dos anos, das décadas, foi se alterando”, afirmaram Neiva e Márcia Nunes Maciel, do povo indígena Mura, doutora em história pela Universidade de São Paulo e mestre em Sociedade e Cultura pela Universidade Federal do Amazonas.

Essa luta se modifica, mas sem que os direitos conquistados sejam perdidos ao longo do tempo, já que sua necessidade ainda não foi superada, pontuaram as facilitadoras. O Brasil possui uma Constituição considerada avançada na questão dos direitos humanos, e que prega a igualdade de gênero, porém o que se observa na história do país é uma distância grande entre o que está no papel e a realidade.

Como foi apresentado pelas facilitadoras, um dos efeitos do colonialismo é uma herança cultural que promove uma sociedade patriarcal, excluindo culturas diferentes do padrão. O conjunto das discussões sobre cultura e os mais diversos tipos de feminismo, considerando recortes de raça e de classe, tudo isso contribui para que nós tenhamos hoje discussões fundamentais para combater essas características que estão presentes desde a vinda dos portugueses para a América Latina.

Com início em 10 de junho e conclusão em 8 de julho, as cinco aulas do curso têm o objetivo de ampliar o debate sobre pautas prioritárias da Rede Jubileu Sul em toda a América Latina, tendo como tema desse módulo os direitos humanos e a comunicação estratégica.

A terceira aula trata da comunicação estratégica, com ferramentas práticas para distribuição de conhecimentos em economia política e temas de interesse das comunidades assistidas pelos projetos da Rede. O curso de formação de multiplicadores é parte do projeto de fortalecimento da Rede Jubileu Sul Brasil e Rede Jubileu Sul Américas, com cofinanciamento União Europeia.

*Com supervisão de Jucelene Rocha

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A partir de uma avaliação geral da cultura, valores e costumes na concepção de direitos humanos, os grupos de trabalho participaram da segunda aula do Curso de Formação de Multiplicadores, promovido pela Rede Jubileu Sul/Américas e Jubileu Sul Brasil.

A luta das mulheres pelo fim da discriminação e pela igualdade de gênero transformou a sociedade em muitos países. Essas transformações se deram a partir da conquista de novos direitos, pela constituição de organismos estatais voltados para a promoção da equidade de gênero e pela adoção de políticas públicas que colaboraram para a redução da discriminação e das desigualdades de gênero.

“Quando se fala em feminismo ou em cultura nós precisamos analisar em que tempo nós estamos falando, em que tempo nessa linha histórica, em que momento histórico estamos falando”, explica Neiva Cristina, mestre em Direito e doutora em desenvolvimento cultural e meio ambiente pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR).

Para a professora, são as influências desses diferentes tempos que contribuem para que exista uma modulação dos conceitos do que é feminismo e cultura. Os saberes tradicionais dos indígenas, dos povos da floresta e dos ribeirinhos, por exemplo, foram estigmatizados e postos como uma subcultura, como uma cultura não válida.

Essa é uma das mensagens que as facilitadoras tentaram passar, a de que a cultura dos povos é ampla, não é apenas uma só. Ao observar as características de uma sociedade, é preciso um olhar multicultural ou multiétnico na construção desses conceitos.  Sob essa ótica multicultural, então, o feminismo deve ser observado não só por meio de sua teoria, mas do conjunto de fatores que atuam durante determinado tempo, ou determinada sociedade.

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Essa luta se modifica, mas sem que os direitos conquistados sejam perdidos ao longo do tempo, já que sua necessidade ainda não foi superada, pontuaram as facilitadoras. O Brasil possui uma Constituição considerada avançada na questão dos direitos humanos, e que prega a igualdade de gênero, porém o que se observa na história do país é uma distância grande entre o que está no papel e a realidade.

Como foi apresentado pelas facilitadoras, um dos efeitos do colonialismo é uma herança cultural que promove uma sociedade patriarcal, excluindo culturas diferentes do padrão. O conjunto das discussões sobre cultura e os mais diversos tipos de feminismo, considerando recortes de raça e de classe, tudo isso contribui para que nós tenhamos hoje discussões fundamentais para combater essas características que estão presentes desde a vinda dos portugueses para a América Latina.

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