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Vida pelas vidas: purificar o Rio e fazer justiça às vítimas

  • 30 de janeiro de 2023

Por Cimi Regional Leste

Na IV Romaria pela Ecologia Integral, comunidades indígenas e de matriz africana ecoaram seu canto em memória às 272 vidas perdidas pelo rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Vale em Brumadinho (MG) e ofereceram vida nova ao rio Paraopeba

Durante a caminhada os representantes das comunidades indígenas e de matriz africana ecoaram seu canto. Fotos: Rory Wesley e Franklim Drumond

Na data em que se completam 4 anos desde a tragédia-crime da Vale em Brumadinho (MG), os povos indígenas que vivem no entorno do município participaram da IV Romaria pela Ecologia Integral. A IV Romaria foi marcada pela memória, tristeza e sofrimento das famílias das 272 joias mortas durante o rompimento. As comunidades indígenas se uniram com cantos e orações para curar a terra e o rio. Representantes do povo Pataxó, atingidos na aldeia Naô Xohã, e dos povos Kamakã Mongoió e Xukuru Kariri participaram das atividades da Romaria com apoio do Conselho Indigenista Missionário – Regional Leste.

Em 25 de janeiro de 2019, a barragem B1, da Mina Córrego do Feijão, de propriedade da empresa Vale, se rompeu. A lama matou 272 pessoas e afetou completamente a bacia do Rio Paraopeba. Pesquisas mostram que o índice de metais como ferro, alumínio e manganês estão presentes em águas superficiais e subterrâneas da região, em níveis elevadíssimos. Para as comunidades indígenas a Vale matou uma divindade (Txopai – o Rio). Para tal crime não há reparação possível.

No início da programação, Célia Ãngoho Pataxó, Cacique da Aldeia Katurãma, protestou contra a impunidade da mineradora que nunca paralisou suas atividades na região e, inclusive mantém as operações mesmo neste dia tão triste. A Cacique Ãngoho criticou a morosidade da justiça e conclamou todos a se manterem na luta por justiça social e ambiental. A deputada federal Célia Xakriabá esteve presente, acompanhando seus parentes na manifestação e pedindo respeito à vida e aos povos originários.

Durante a caminhada, os representantes das comunidades indígenas e de matriz africana ecoaram seu canto. Para finalizar o ritual de cura, os indígenas ofereceram vida pelas vidas, ofereceram vida nova para o Rio doente. O Cacique Merong Kamakã discursou em favor do rio e contra os projetos de destruição da natureza. Em seguida, derramou água limpa no Rio Paraopeba, convocando todos a cuidar do Rio como obra do Criador que não deve ser explorada.

A Romaria foi encerrada com as atividades promovidas pela Associação dos Familiares de Vitimas e Atingidos da Tragégia do Rompimento da Barragem Mina Córrego Feijão Brumadinho (AVABRUM), que fizeram um abraço simbólico no memorial das vítimas.

Durante a Celebração Eucarística organizada pela Região Episcopal Nossa Senhora do Rosário e presidida por Dom Vicente Ferreira houve o lançamento do Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – dados 2021. O exemplar do Relatório foi entregue ao bispo, que estava acompanhado de frei Rodrigo Perét, OFM e padre Dário Bossi, MCCJ ambos membros da Rede Igrejas e Mineração e da Comissão Especial da CNBB para a Mineração e a Ecologia Integral. O Cimi Regional Leste reafirma seu compromisso no apoio aos povos originários e aos atingidos por esse crime.

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Durante a caminhada os representantes das comunidades indígenas e de matriz africana ecoaram seu canto. Fotos: Rory Wesley e Franklim Drumond

Na data em que se completam 4 anos desde a tragédia-crime da Vale em Brumadinho (MG), os povos indígenas que vivem no entorno do município participaram da IV Romaria pela Ecologia Integral. A IV Romaria foi marcada pela memória, tristeza e sofrimento das famílias das 272 joias mortas durante o rompimento. As comunidades indígenas se uniram com cantos e orações para curar a terra e o rio. Representantes do povo Pataxó, atingidos na aldeia Naô Xohã, e dos povos Kamakã Mongoió e Xukuru Kariri participaram das atividades da Romaria com apoio do Conselho Indigenista Missionário – Regional Leste.

Em 25 de janeiro de 2019, a barragem B1, da Mina Córrego do Feijão, de propriedade da empresa Vale, se rompeu. A lama matou 272 pessoas e afetou completamente a bacia do Rio Paraopeba. Pesquisas mostram que o índice de metais como ferro, alumínio e manganês estão presentes em águas superficiais e subterrâneas da região, em níveis elevadíssimos. Para as comunidades indígenas a Vale matou uma divindade (Txopai – o Rio). Para tal crime não há reparação possível.

No início da programação, Célia Ãngoho Pataxó, Cacique da Aldeia Katurãma, protestou contra a impunidade da mineradora que nunca paralisou suas atividades na região e, inclusive mantém as operações mesmo neste dia tão triste. A Cacique Ãngoho criticou a morosidade da justiça e conclamou todos a se manterem na luta por justiça social e ambiental. A deputada federal Célia Xakriabá esteve presente, acompanhando seus parentes na manifestação e pedindo respeito à vida e aos povos originários.

Durante a caminhada, os representantes das comunidades indígenas e de matriz africana ecoaram seu canto. Para finalizar o ritual de cura, os indígenas ofereceram vida pelas vidas, ofereceram vida nova para o Rio doente. O Cacique Merong Kamakã discursou em favor do rio e contra os projetos de destruição da natureza. Em seguida, derramou água limpa no Rio Paraopeba, convocando todos a cuidar do Rio como obra do Criador que não deve ser explorada.

A Romaria foi encerrada com as atividades promovidas pela Associação dos Familiares de Vitimas e Atingidos da Tragégia do Rompimento da Barragem Mina Córrego Feijão Brumadinho (AVABRUM), que fizeram um abraço simbólico no memorial das vítimas.

Durante a Celebração Eucarística organizada pela Região Episcopal Nossa Senhora do Rosário e presidida por Dom Vicente Ferreira houve o lançamento do Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – dados 2021. O exemplar do Relatório foi entregue ao bispo, que estava acompanhado de frei Rodrigo Perét, OFM e padre Dário Bossi, MCCJ ambos membros da Rede Igrejas e Mineração e da Comissão Especial da CNBB para a Mineração e a Ecologia Integral. O Cimi Regional Leste reafirma seu compromisso no apoio aos povos originários e aos atingidos por esse crime.

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