Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Nota de Indignação sobre o atentado à comunidade Baixão dos Rochas, São Benedito do Rio Preto (MA)

  • 20 de março de 2023

A nota, assinada por mais de 50 organizações, entre as quais a Rede Jubileu Sul Brasil, exige que os órgãos de justiça do Estado apurem as investigações e atribuam resoluções das violações que as comunidades tradicionais vivenciam com frequência no estado do Maranhão e, que possam garantir a segurança dos territórios e de todas as famílias que sofrem a violência no campo.

A Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (Cepast-CNBB) e mais de 50 organizações, entre as quais a Rede Jubileu Sul Brasil, assinam Nota de Indignação sobre o atentado sofrido pela comunidade Baixão dos Rochas, no município de São Benedito do Rio Preto, no estado do Maranhão (MA).

A nota exige que os órgãos de justiça do Estado apurem as investigações e atribuam resoluções das violações que as comunidades tradicionais vivenciam com frequência no estado do Maranhão e, que possam garantir a segurança dos territórios e de todas as famílias que sofrem a violência no campo.

A Nota ressalta, “A conjuntura nacional de violência no campo é historicamente marcada pela grilagem de terras, desigualdade, injustiça e impunidade. Este ato terrorista não é uma ação isolada na região do Baixo Parnaíba, mas é uma prática violenta presente em todo o país e particularmente impune no Maranhão, agredindo de modo sistemático os povos originários e as comunidades tradicionais.

Sobre o caso

Na madrugada deste domingo (19/03), por volta das 4h da manhã, a Comunidade Tradicional Baixão dos Rochas, em São Benedito do Rio Preto (MA), município localizado a cerca de 240 quilômetros de São Luís. As famílias tiveram suas casas destruídas e incendiadas e foram obrigados a deixar suas terras durante a madrugada. As 57 famílias moram na comunidade há mais de 80 anos e vivem da agricultura familiar e do extrativismo. Os conflitos começaram em 2021, quando duas empresas ligadas ao agronegócio iniciaram o plantio de soja na região.

Homens fortemente armados chegaram num grupo de aproximadamente 15 pessoas, numa toyota hilux, uma van e dois tratores. As casas foram invadidas e incendiadas, idosos, crianças e familiares foram expulsos e saíram sob ameaças. Um grupo de idosos e uma criança foram mantidos reféns. A comunidade teve os pneus das motos furadas. Cachorros, galinhas e outros animais foram mortos. Os alimentos em estoque, da comunidade, foram saqueados. As famílias estão apavoradas. Há temor pela vida dos trabalhadores e trabalhadoras.

A comunidade Baixão dos Rochas é constituída por 57 famílias. Elas estão no local há mais de 80 anos. A atividade principal é a agricultura familiar e o extrativismo. A área tem aproximadamente 600 hectares.

A moradora mais idosa da comunidade possui 85 anos. Sua família está na quarta geração, dentro do território. Duas empresas iniciaram a invasão do território em 2021. Jagunços passaram a ameaçar os moradores. Os invasores passaram a desmatar o território, sem licença ambiental, para plantio de soja. Posteriormente ajuizaram ação de reintegração de posse para expulsar as famílias. O processo tramita hoje na Vara Agrária do Maranhão. As terras são públicas. O próprio ITERMA já identificou que as terras foram griladas, não havendo sequer origem de registro. Várias pessoas, sobretudo os idosos, têm severos problemas de saúde mental, depressão, ansiedade e insônia.

Confira a íntegra da nota:

Últimas notícias

Jubileu Sul, MLB e Escola Nacional Eliana Silva iniciam ciclo de cartografia social no Jardim Pantanal

O Jardim Pantanal, bairro da zona leste de São Paulo, será palco de um processo inédito de organização popular. A partir do próximo domingo (3…
Ler mais...

Mulheres da Pequena África se reúnem no Quilombo da Gamboa para avaliar luta por moradia e denunciar PLC 093

No último dia 13 de abril, o Quilombo da Gamboa, na região da Pequena África, no centro do Rio de Janeiro (RJ), sediou mais uma…
Ler mais...

Conflitos no campo recuam 28%, mas número de assassinatos dobra no Brasil em 2025

No último sábado (25), três vidas foram ceifadas em conflitos por terra no Brasil. Antônio Renato, de 32 anos, Josias Albuquerque de Oliveira (conhecido como…
Ler mais...

Nota de Indignação sobre o atentado à comunidade Baixão dos Rochas, São Benedito do Rio Preto (MA)

  • 20 de março de 2023

A nota, assinada por mais de 50 organizações, entre as quais a Rede Jubileu Sul Brasil, exige que os órgãos de justiça do Estado apurem as investigações e atribuam resoluções das violações que as comunidades tradicionais vivenciam com frequência no estado do Maranhão e, que possam garantir a segurança dos territórios e de todas as famílias que sofrem a violência no campo.

A Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (Cepast-CNBB) e mais de 50 organizações, entre as quais a Rede Jubileu Sul Brasil, assinam Nota de Indignação sobre o atentado sofrido pela comunidade Baixão dos Rochas, no município de São Benedito do Rio Preto, no estado do Maranhão (MA).

A nota exige que os órgãos de justiça do Estado apurem as investigações e atribuam resoluções das violações que as comunidades tradicionais vivenciam com frequência no estado do Maranhão e, que possam garantir a segurança dos territórios e de todas as famílias que sofrem a violência no campo.

A Nota ressalta, “A conjuntura nacional de violência no campo é historicamente marcada pela grilagem de terras, desigualdade, injustiça e impunidade. Este ato terrorista não é uma ação isolada na região do Baixo Parnaíba, mas é uma prática violenta presente em todo o país e particularmente impune no Maranhão, agredindo de modo sistemático os povos originários e as comunidades tradicionais.

Sobre o caso

Na madrugada deste domingo (19/03), por volta das 4h da manhã, a Comunidade Tradicional Baixão dos Rochas, em São Benedito do Rio Preto (MA), município localizado a cerca de 240 quilômetros de São Luís. As famílias tiveram suas casas destruídas e incendiadas e foram obrigados a deixar suas terras durante a madrugada. As 57 famílias moram na comunidade há mais de 80 anos e vivem da agricultura familiar e do extrativismo. Os conflitos começaram em 2021, quando duas empresas ligadas ao agronegócio iniciaram o plantio de soja na região.

Homens fortemente armados chegaram num grupo de aproximadamente 15 pessoas, numa toyota hilux, uma van e dois tratores. As casas foram invadidas e incendiadas, idosos, crianças e familiares foram expulsos e saíram sob ameaças. Um grupo de idosos e uma criança foram mantidos reféns. A comunidade teve os pneus das motos furadas. Cachorros, galinhas e outros animais foram mortos. Os alimentos em estoque, da comunidade, foram saqueados. As famílias estão apavoradas. Há temor pela vida dos trabalhadores e trabalhadoras.

A comunidade Baixão dos Rochas é constituída por 57 famílias. Elas estão no local há mais de 80 anos. A atividade principal é a agricultura familiar e o extrativismo. A área tem aproximadamente 600 hectares.

A moradora mais idosa da comunidade possui 85 anos. Sua família está na quarta geração, dentro do território. Duas empresas iniciaram a invasão do território em 2021. Jagunços passaram a ameaçar os moradores. Os invasores passaram a desmatar o território, sem licença ambiental, para plantio de soja. Posteriormente ajuizaram ação de reintegração de posse para expulsar as famílias. O processo tramita hoje na Vara Agrária do Maranhão. As terras são públicas. O próprio ITERMA já identificou que as terras foram griladas, não havendo sequer origem de registro. Várias pessoas, sobretudo os idosos, têm severos problemas de saúde mental, depressão, ansiedade e insônia.

Confira a íntegra da nota:

Últimas notícias

Jubileu Sul, MLB e Escola Nacional Eliana Silva iniciam ciclo de cartografia social no Jardim Pantanal

O Jardim Pantanal, bairro da zona leste de São Paulo, será palco de um processo inédito de organização popular. A partir do próximo domingo (3…
Ler mais...

Mulheres da Pequena África se reúnem no Quilombo da Gamboa para avaliar luta por moradia e denunciar PLC 093

No último dia 13 de abril, o Quilombo da Gamboa, na região da Pequena África, no centro do Rio de Janeiro (RJ), sediou mais uma…
Ler mais...

Conflitos no campo recuam 28%, mas número de assassinatos dobra no Brasil em 2025

No último sábado (25), três vidas foram ceifadas em conflitos por terra no Brasil. Antônio Renato, de 32 anos, Josias Albuquerque de Oliveira (conhecido como…
Ler mais...