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‘Modelo absolutamente colonial’, alerta economista sobre pressão de data centers de IA no Brasil

  • 25 de agosto de 2026

Consumo desenfreado de água e energia, lixo tecnológico, barulho e vibração constantes nos territórios. Esses são alguns impactos dos mega data centers para treinamento de inteligência artificial. A economista e membro da coordenação da Rede Jubileu Sul, Sandra Quintela, destaca a pressão sobre os recursos naturais, mas também a perda da nossa soberania para empresas estrangeiras.

“Vai vir uma onda muito grande [no Brasil] com incentivo do governo, isenção fiscal, e de fato é um modelo de desenvolvimento absolutamente colonial”, disse ao Brasil de Fato.

Na cidade do Rio, a prefeitura anunciou este ano o projeto “Rio AI City” com investimento previsto em US$ 550 milhões na infraestrutura digital da empresa Elea Data Centers. O projeto prevê a implantação de um complexo de data centers de inteligência artificial na região do Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, zona sudoeste.

“Estamos vendo uma ofensiva para consumo de água e de energia, mas também a perda de soberania. Toda tecnologia vai vir importada, produz um lixo tecnológico absurdo. E uma coisa que ninguém está falando muito é o barulho. Imagina um monte de gerador, processador funcionando 24 horas, inclusive vibrando. Nos Estados Unidos, por exemplo, está tendo uma luta enorme contra os data centers pelo barulho, e pior que o parque eólico, porque a casa vibra, treme”, completa.

Segundo informações da gestão municipal, um acordo de cooperação firmado em junho entre a empresa Elea Data Centers e a Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos (CCPar) formalizou a parceria entre as instituições para a implantação de um “complexo de inteligência artificial que pretende posicionar a capital fluminense entre os dez maiores polos globais de IA até 2032”.

Impacto energético

A Prefeitura do Rio divulgou que a cidade reúne uma combinação de “disponibilidade energética, conectividade internacional, logística e ambiente urbano competitivo” para atrair esse tipo de investimento. “Com isso, o Rio de Janeiro vai se tornar o epicentro da conectividade, energia e logística estratégica do sul-global”, afirmou o prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) na época.

O complexo tem previsão de gastar até 3 GW de energia em 2032. Sandra Quintela lembra que só o Grande Rio consome cerca de 1.8 GW. “Os data centers são consumidores vorazes de água e energia. Imagina o enclave com o consumo de energia, que é praticamente o dobro da Região Metropolitana”, pontua.

Vista aérea de um complexo industrial composto por grandes galpões brancos, possivelmente data centers, acompanhado por extensas fileiras de painéis solares fotovoltaicos instalados no solo. Ao lado da infraestrutura, observam-se trilhos ferroviários, uma estrada asfaltada e torres de transmissão elétrica cortando o campo verdejante sob luz diurna suave.

Datacenters da Google nos Estados Unidos | Crédito: Alastair P. Wiper/ Google

Ela destaca como impacto direto o aumento das contas de luz para o consumidor individual. “Como a energia é disputada por esses enclaves tecnológicos, a tarifa aumenta. Então, quem vai pagar é o consumidor. Nos Estados Unidos, por exemplo, em muitos lugares aumentou 300% a tarifa do consumidor individual. Estamos vendo isso no México, no Chile, e está chegando com muita força ao Brasil”, alertou.

Além disso, Quintela ressalta o consumo de água necessário para resfriar a infraestrutura de geradores e processadores. “Mesmo em circuito fechado, a água fica aquecida, podendo chegar a 9ºC. Essa mudança de temperatura produzida por esses mega data centers atinge um raio de até 10 km”, finaliza.

Nesta terça-feira (25), a Rede de Vigilância Popular em Saneamento e Saúde e o Grito dos Excluídos promovem um evento para aprofundar o debate sobre o impacto dos data centers de inteligência artificial sobre os recursos energéticos. Participam da roda de conversa a economista Sandra Quintela, Maria das Graças (Ecopol/Nelutas/Unirio) e Fabrina Furtado (CPDA/UFRRJ), com mediação de João Roberto Lopes.

Serviço
Debate “Impactos dos Data Centers na Segurança Hídrica do Brasil”
Data: terça-feira (25)
Horário: 18h às 20h
Local: Auditório do Centro de Ciências Jurídicas e Políticas da Unirio (Rua Voluntários da Pátria, nº 107 – Botafogo)

Por Vivian Virissimo - Brasil de Fato RJ

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“Vai vir uma onda muito grande [no Brasil] com incentivo do governo, isenção fiscal, e de fato é um modelo de desenvolvimento absolutamente colonial”, disse ao Brasil de Fato.

Na cidade do Rio, a prefeitura anunciou este ano o projeto “Rio AI City” com investimento previsto em US$ 550 milhões na infraestrutura digital da empresa Elea Data Centers. O projeto prevê a implantação de um complexo de data centers de inteligência artificial na região do Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, zona sudoeste.

“Estamos vendo uma ofensiva para consumo de água e de energia, mas também a perda de soberania. Toda tecnologia vai vir importada, produz um lixo tecnológico absurdo. E uma coisa que ninguém está falando muito é o barulho. Imagina um monte de gerador, processador funcionando 24 horas, inclusive vibrando. Nos Estados Unidos, por exemplo, está tendo uma luta enorme contra os data centers pelo barulho, e pior que o parque eólico, porque a casa vibra, treme”, completa.

Segundo informações da gestão municipal, um acordo de cooperação firmado em junho entre a empresa Elea Data Centers e a Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos (CCPar) formalizou a parceria entre as instituições para a implantação de um “complexo de inteligência artificial que pretende posicionar a capital fluminense entre os dez maiores polos globais de IA até 2032”.

Impacto energético

A Prefeitura do Rio divulgou que a cidade reúne uma combinação de “disponibilidade energética, conectividade internacional, logística e ambiente urbano competitivo” para atrair esse tipo de investimento. “Com isso, o Rio de Janeiro vai se tornar o epicentro da conectividade, energia e logística estratégica do sul-global”, afirmou o prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) na época.

O complexo tem previsão de gastar até 3 GW de energia em 2032. Sandra Quintela lembra que só o Grande Rio consome cerca de 1.8 GW. “Os data centers são consumidores vorazes de água e energia. Imagina o enclave com o consumo de energia, que é praticamente o dobro da Região Metropolitana”, pontua.

Vista aérea de um complexo industrial composto por grandes galpões brancos, possivelmente data centers, acompanhado por extensas fileiras de painéis solares fotovoltaicos instalados no solo. Ao lado da infraestrutura, observam-se trilhos ferroviários, uma estrada asfaltada e torres de transmissão elétrica cortando o campo verdejante sob luz diurna suave.

Datacenters da Google nos Estados Unidos | Crédito: Alastair P. Wiper/ Google

Ela destaca como impacto direto o aumento das contas de luz para o consumidor individual. “Como a energia é disputada por esses enclaves tecnológicos, a tarifa aumenta. Então, quem vai pagar é o consumidor. Nos Estados Unidos, por exemplo, em muitos lugares aumentou 300% a tarifa do consumidor individual. Estamos vendo isso no México, no Chile, e está chegando com muita força ao Brasil”, alertou.

Além disso, Quintela ressalta o consumo de água necessário para resfriar a infraestrutura de geradores e processadores. “Mesmo em circuito fechado, a água fica aquecida, podendo chegar a 9ºC. Essa mudança de temperatura produzida por esses mega data centers atinge um raio de até 10 km”, finaliza.

Nesta terça-feira (25), a Rede de Vigilância Popular em Saneamento e Saúde e o Grito dos Excluídos promovem um evento para aprofundar o debate sobre o impacto dos data centers de inteligência artificial sobre os recursos energéticos. Participam da roda de conversa a economista Sandra Quintela, Maria das Graças (Ecopol/Nelutas/Unirio) e Fabrina Furtado (CPDA/UFRRJ), com mediação de João Roberto Lopes.

Serviço
Debate “Impactos dos Data Centers na Segurança Hídrica do Brasil”
Data: terça-feira (25)
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