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Metodologias no trabalho com mulheres é tema de publicação do Jubileu Sul Brasil

  • 18 de novembro de 2020

Por Flaviana Serafim - Jubileu Sul Brasil

A Rede Jubileu Sul Brasil elaborou a cartilha “Metodologias no trabalho com mulheres: perspectivas feminista e antirracista”. A publicação surgiu a partir do diálogo no Coletivo de Mulheres, com a percepção sobre a necessidade de uma metodologia ao trabalho de formação que é feito não só pelas assessoras da Rede, mas também pelas mulheres que são lideranças em seus territórios nas diferentes regiões do país. 

“A cartilha oferece dinâmica e conteúdos a serem desenvolvidos. Não é uma cartilha para ensinar como fazer, é a partir do saber que já existe naquele grupo, o saber das participantes. Partindo desta realidade, a cartilha oferece ferramentas para o seguimento e a continuidade das ações do grupo, rodas de conversas, oficinas, encontros. Oferece a partilha, a troca de novos conhecimentos a partir das sugestões e dinâmicas apresentadas”, explica uma das autoras, Marli de Fátima Aguiar, escritora, educadora popular, feminista e articuladora local do Coletivo de Mulheres da Rede. 

Marli ressalta que a proposta da publicação é possibilitar uma melhor aproximação, a abordagem de temas do dia a dia das mulheres e outros como o racismo, machismo, feminismo, violência, branquitude e os impactos na vida da mulher que realiza seguimento de ações nas bases. Visa ainda contribuir para a auto-organização, à conquista de espaços de poder e emancipação femininos, e trabalha as questões de gênero e patriarcado partindo do conceito de dominação-exploração. 

Também autora da cartilha, a advogada e feminista Magnólia Said, técnica do Esplar - Centro de Assessoria de Pesquisa e Assessoria, avalia que o fundamental no trabalho com as mulheres é a comunicação do conteúdo de modo que as mulheres entendam: 

“E por que as mulheres? Porque o tempo delas é diferente do tempo dos homens, então tínhamos que pensar uma metodologia que considerasse o tempo das mulheres, a dificuldade de fala das mulheres em função da formação e da capacidade delas, muitas vezes serem invisibilizadas pelos homens”. 

Referências e os temas transversais

Magnólia completa que a elaboração da cartilha também considera “as diversas formas de se dizer alguma coisa. Não existe só uma forma, isso é a depender do público, do lugar onde se está, do que quer abordar e considerando o que aprendemos com o Paulo Freire”, afirma. 

Segundo Marli, como educador popular, Paulo Freire tem uma posição de princípio da educação pelo próprio sujeito, partindo de seus saberes e assim a educação do oprimido para superar o opressor. "Ler textos destas e destes pensadores referências nos ajudará muito a ter uma outra visão de mundo e pensar caminhos concretos de descolonização de nossos pensamentos e atitudes”, afirma.

Outro aspecto da elaboração da cartilha é que o Jubileu Sul Brasil tem trabalho com grupos de mulheres indígenas, negras, com educação popular, feminismo e lutas antirracistas, numa trajetória que trouxe também a temática da branquitude para as reuniões do Coletivo, observa Marli: 

“Discutir sobre Branquitude é primordial para entender o racismo. As práticas do racismo, o machismo, sexíssimo não estão separados da realidade em que estamos inseridas. Nesse sentido, a cartilha nos presenteia com algumas referências importantíssimas, sugerindo textos, leituras, conversas para o avançar das discussões e posturas anti racistas. Trazemos escritoras e escritores, pensadores e pensadoras referências sobre estas temáticas”. 

Entre as sugestões de leitura estão textos com tema indígena, do professor e filósofo indígena Ailton Krenak; de Lorena Cabnal, indígena e feminista comunitária da Guatemala, que discute o feminismo a partir do lugar e do tempo nos quais as feministas estão dialogando; da socióloga marxista e professora Heleieth Saffioti; da escritora, pensadora e professora Betariz Nascimento, “que faz um estudo incrível sobre a potência dos Quilombos no Brasil, e Ngozi Chimamanda, escritora e feminista negra nigeriana. Ela conjuga sua capacidade de trazer outra visão sobre construção de gênero, sexualidade e do feminismo”, conclui Marli. 

A cartilha de metodologia é uma realização do Jubileu Sul Brasil, com apoio da Cafod, da DKA e cofinanciada pela União Europeia no âmbito do projeto "Fortalecendo a Rede do Jubileu do Sul / Américas na conquista do desenvolvimento e soberania dos povos da América Latina e do Caribe".

Confira:

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“A cartilha oferece dinâmica e conteúdos a serem desenvolvidos. Não é uma cartilha para ensinar como fazer, é a partir do saber que já existe naquele grupo, o saber das participantes. Partindo desta realidade, a cartilha oferece ferramentas para o seguimento e a continuidade das ações do grupo, rodas de conversas, oficinas, encontros. Oferece a partilha, a troca de novos conhecimentos a partir das sugestões e dinâmicas apresentadas”, explica uma das autoras, Marli de Fátima Aguiar, escritora, educadora popular, feminista e articuladora local do Coletivo de Mulheres da Rede. 

Marli ressalta que a proposta da publicação é possibilitar uma melhor aproximação, a abordagem de temas do dia a dia das mulheres e outros como o racismo, machismo, feminismo, violência, branquitude e os impactos na vida da mulher que realiza seguimento de ações nas bases. Visa ainda contribuir para a auto-organização, à conquista de espaços de poder e emancipação femininos, e trabalha as questões de gênero e patriarcado partindo do conceito de dominação-exploração. 

Também autora da cartilha, a advogada e feminista Magnólia Said, técnica do Esplar - Centro de Assessoria de Pesquisa e Assessoria, avalia que o fundamental no trabalho com as mulheres é a comunicação do conteúdo de modo que as mulheres entendam: 

“E por que as mulheres? Porque o tempo delas é diferente do tempo dos homens, então tínhamos que pensar uma metodologia que considerasse o tempo das mulheres, a dificuldade de fala das mulheres em função da formação e da capacidade delas, muitas vezes serem invisibilizadas pelos homens”. 

Referências e os temas transversais

Magnólia completa que a elaboração da cartilha também considera “as diversas formas de se dizer alguma coisa. Não existe só uma forma, isso é a depender do público, do lugar onde se está, do que quer abordar e considerando o que aprendemos com o Paulo Freire”, afirma. 

Segundo Marli, como educador popular, Paulo Freire tem uma posição de princípio da educação pelo próprio sujeito, partindo de seus saberes e assim a educação do oprimido para superar o opressor. "Ler textos destas e destes pensadores referências nos ajudará muito a ter uma outra visão de mundo e pensar caminhos concretos de descolonização de nossos pensamentos e atitudes”, afirma.

Outro aspecto da elaboração da cartilha é que o Jubileu Sul Brasil tem trabalho com grupos de mulheres indígenas, negras, com educação popular, feminismo e lutas antirracistas, numa trajetória que trouxe também a temática da branquitude para as reuniões do Coletivo, observa Marli: 

“Discutir sobre Branquitude é primordial para entender o racismo. As práticas do racismo, o machismo, sexíssimo não estão separados da realidade em que estamos inseridas. Nesse sentido, a cartilha nos presenteia com algumas referências importantíssimas, sugerindo textos, leituras, conversas para o avançar das discussões e posturas anti racistas. Trazemos escritoras e escritores, pensadores e pensadoras referências sobre estas temáticas”. 

Entre as sugestões de leitura estão textos com tema indígena, do professor e filósofo indígena Ailton Krenak; de Lorena Cabnal, indígena e feminista comunitária da Guatemala, que discute o feminismo a partir do lugar e do tempo nos quais as feministas estão dialogando; da socióloga marxista e professora Heleieth Saffioti; da escritora, pensadora e professora Betariz Nascimento, “que faz um estudo incrível sobre a potência dos Quilombos no Brasil, e Ngozi Chimamanda, escritora e feminista negra nigeriana. Ela conjuga sua capacidade de trazer outra visão sobre construção de gênero, sexualidade e do feminismo”, conclui Marli. 

A cartilha de metodologia é uma realização do Jubileu Sul Brasil, com apoio da Cafod, da DKA e cofinanciada pela União Europeia no âmbito do projeto "Fortalecendo a Rede do Jubileu do Sul / Américas na conquista do desenvolvimento e soberania dos povos da América Latina e do Caribe".

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