Por Jucelene Rocha | Cáritas Brasileira
Atingidos pelo rompimento da barragem de rejeitos da Samarco, em Mariana (MG), denunciam violações de direitos e reivindicam a garantia de reparação justa e integral aos danos causados para comunidades e famílias da Bacia do Rio Doce
Apesar de ter sido criado em 2016 para atuar na identificação e indenização dos atingidos, coordenar medidas relacionadas à recuperação de terra e água, como, por exemplo, o manejo de rejeitos, e também ações gerais de reconstrução e infraestrutura, a atuação da Fundação Renova tem se mostrado ineficiente e pouco comprometida com a reparação integral dos danos causados aos atingidos. “Nossa reivindicação é pela mudança de postura da Fundação Renova. Consideramos que o modo atual da Renova de se comunicar, como se fosse uma empresa com responsabilidade social, ultrapassou, há muito, esse limite ético. Estamos em estado de sofrimento, grande parte dele causado justamente pelos erros da Fundação, pela insuficiência de seu trabalho em relação às nossas demandas e por seu compromisso com as mineradoras. Não podemos suportar essas ações de propaganda, cujo objetivo é sanear a imagem das empresas e capitalizar, simbolicamente, a partir da construção de uma reputação mentirosa à Fundação”, diz um trecho da Carta de Reivindicações.

Efigênia Bento, 92 anos, uma das matriarcas da Comunidade Paracatu de Baixo que foi devastada pela avalanche de rejeitos que vazaram da barragem. Foto: Ellen Barros
Outra importante reivindicação presente na Carta diz respeito ao compromisso e o respeito com a história das populações atingidas. “Nossa reivindicação é que essas pessoas que vão dizer o quanto vale o que perdemos conheçam o que a gente perdeu. Importante e lógico né? Pisar no território, conversar com a gente, ouvir e ver nossa memória, entender nossa gente. Em Mariana, com muita luta, estamos fazendo um registro bonito do quanto vale a vida da gente [o Cadastro, conduzido pela Assessoria Técnica da Cáritas]. Este levantamento deve ser referência para a Bacia, que, a partir das metodologias desenvolvidas nos territórios, poderá transformar um trabalho difícil (a sistematização das perdas e danos das vítimas para fins indenizatórios) em um exercício necessário de construção de memória, de valorização cultural e resgate de ancestralidade. Esse trabalho regenera o rio, regenera a gente, nos dá futuro”, dizem os atingidos na Carta.
As reivindicações partem do que está previsto, a partir de casos semelhantes ao crime ambiental de Mariana, pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pelo Sistema Interamericano de Direitos Humanos: mitigação, restituição, compensação, reabilitação, satisfação e não-repetição. O coordenador da assessoria técnica, aos atingidos pela Barragem de Fundão, Gladston Figueiredo, destaca os aspectos que vão marcar esses três anos de luta em Mariana e o caminho a ser percorrido a partir de agora.
E, finalizando o recado que vão deixar para o mundo por meio da Carta de Reivindicações, os atingidos afirmam: “Estamos aqui porque requeremos a regeneração do Rio Doce, não só como atingidos em luta pela garantia de nossos direitos, mas como cidadãos do mundo, que dizem: a partir desse desastre podemos pensar parâmetros para construção de um futuro arquitetado mundialmente, assentado nos princípios do desenvolvimento sustentável e socialmente engajado, garantidor da universalidade dos direitos humanos. Que o Rio Doce valha mais e que sua recuperação se torne uma bandeira global”.
Com informações de Lívia Bacelete e Ellen Barros – Rede de Comunicadores/as da Cáritas Brasileira
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Por Jucelene Rocha | Cáritas Brasileira
Atingidos pelo rompimento da barragem de rejeitos da Samarco, em Mariana (MG), denunciam violações de direitos e reivindicam a garantia de reparação justa e integral aos danos causados para comunidades e famílias da Bacia do Rio Doce
Apesar de ter sido criado em 2016 para atuar na identificação e indenização dos atingidos, coordenar medidas relacionadas à recuperação de terra e água, como, por exemplo, o manejo de rejeitos, e também ações gerais de reconstrução e infraestrutura, a atuação da Fundação Renova tem se mostrado ineficiente e pouco comprometida com a reparação integral dos danos causados aos atingidos. “Nossa reivindicação é pela mudança de postura da Fundação Renova. Consideramos que o modo atual da Renova de se comunicar, como se fosse uma empresa com responsabilidade social, ultrapassou, há muito, esse limite ético. Estamos em estado de sofrimento, grande parte dele causado justamente pelos erros da Fundação, pela insuficiência de seu trabalho em relação às nossas demandas e por seu compromisso com as mineradoras. Não podemos suportar essas ações de propaganda, cujo objetivo é sanear a imagem das empresas e capitalizar, simbolicamente, a partir da construção de uma reputação mentirosa à Fundação”, diz um trecho da Carta de Reivindicações.

Efigênia Bento, 92 anos, uma das matriarcas da Comunidade Paracatu de Baixo que foi devastada pela avalanche de rejeitos que vazaram da barragem. Foto: Ellen Barros
Outra importante reivindicação presente na Carta diz respeito ao compromisso e o respeito com a história das populações atingidas. “Nossa reivindicação é que essas pessoas que vão dizer o quanto vale o que perdemos conheçam o que a gente perdeu. Importante e lógico né? Pisar no território, conversar com a gente, ouvir e ver nossa memória, entender nossa gente. Em Mariana, com muita luta, estamos fazendo um registro bonito do quanto vale a vida da gente [o Cadastro, conduzido pela Assessoria Técnica da Cáritas]. Este levantamento deve ser referência para a Bacia, que, a partir das metodologias desenvolvidas nos territórios, poderá transformar um trabalho difícil (a sistematização das perdas e danos das vítimas para fins indenizatórios) em um exercício necessário de construção de memória, de valorização cultural e resgate de ancestralidade. Esse trabalho regenera o rio, regenera a gente, nos dá futuro”, dizem os atingidos na Carta.
As reivindicações partem do que está previsto, a partir de casos semelhantes ao crime ambiental de Mariana, pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pelo Sistema Interamericano de Direitos Humanos: mitigação, restituição, compensação, reabilitação, satisfação e não-repetição. O coordenador da assessoria técnica, aos atingidos pela Barragem de Fundão, Gladston Figueiredo, destaca os aspectos que vão marcar esses três anos de luta em Mariana e o caminho a ser percorrido a partir de agora.
E, finalizando o recado que vão deixar para o mundo por meio da Carta de Reivindicações, os atingidos afirmam: “Estamos aqui porque requeremos a regeneração do Rio Doce, não só como atingidos em luta pela garantia de nossos direitos, mas como cidadãos do mundo, que dizem: a partir desse desastre podemos pensar parâmetros para construção de um futuro arquitetado mundialmente, assentado nos princípios do desenvolvimento sustentável e socialmente engajado, garantidor da universalidade dos direitos humanos. Que o Rio Doce valha mais e que sua recuperação se torne uma bandeira global”.
Com informações de Lívia Bacelete e Ellen Barros – Rede de Comunicadores/as da Cáritas Brasileira
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