Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Luta de classes: Ofensiva sobre classe trabalhadora e soberania terão sérias consequências

  • 8 de março de 2017

Por Rogéria Araújo | Comunicação Jubileu Sul Brasil

Revolução, resistência, ruas, o papel das mulheres, a força dos povos mais atingidos historicamente pelo capital, como os indígenas e a população negra, foram a base para a análise de conjuntura em período de golpe pelo qual passa o Brasil. A discussão foi provocada pelo economista Plínio de Arruda Sampaio Jr.; Luciana Araujo, jornalista, feminista e militante do movimento negro; o indígena David Guarani; e a militante Cinthia Abreu, do núcleo da Marcha das Mulheres Negras e Marcha Mundial das Mulheres. O momento foi promovido pela rede Jubileu Sul Brasil, em reunião geral de coordenação da rede no último dia 3 de março, em São Paulo.

A reunião contou com diversos/as representantes de entidades, organizações, movimentos e militantes que compõem a rede e teve como objetivo aprofundar o contexto político e apontar caminhos para a grave crise democrática instalada com o governo ilegítimo de Michel Temer, fruto de um golpe institucional. Temas como o ajuste fiscal, reformas trabalhistas, reforma da previdência, bem como o debate sobre o nosso papel neste contexto foram uma constante nestes dois dias reunião.

Reação feminista

Cinthia Abreu destacou a importância da participação das mulheres organizadas e em luta por seus direitos. De acordo com ela, as mobilizações internacionais são resultado de muitos anos de organização e de opressão a que as mulheres foram submetidas historicamente. Nesse ponto, afirmou, a Marcha Mundial das Mulheres foi um marco. Da mesma forma, nas mobilizações que pedem a saída do presidente Michel Temer, as mulheres têm tido participação e direcionamento essenciais para a esquerda brasileira.

“Sabemos que quando estamos falando ‘Fora Temer’ estamos também falando contra todas as formas de violência contra as mulheres, contra o feminicídio. Estamos lembrando de como estas reformas vão interferir na vida e no trabalho das mulheres, no mercado de trabalho. Mas também sabemos que quando gritamos ‘não à violência’, a violência vem pra cima da gente. Mas estamos na resistência. E vamos continuar”, disse.

Cinthia ilustrou bem a realidade que enfrentam as mulheres, ainda vítimas de um sistema patriarcal, sobre tudo quando são negras e pobres – e agora num governo que claramente exclui minorias. “São as que mais são assassinadas. Não podemos nos calar”, falou. Também trouxe as injustiças e a violência pratica contra as mulheres transgêneros.

De acordo com ela, o chamado internacional para a paralisação do 8 de Março deve ser forte e contundente e, no Brasil, levantar todas as demandas e problemas que afetam diretamente as mulheres.

Combate aos ruralistas

David Guarani, que representou o povo indígena da Terra Indígena Jaraguá Tekoa Ytu, São Paulo, trouxe para o debate o problema dos povos indígenas com relação ao direito à terra, focando na Proposta de Emenda Constitucional, a PEC 215 que coloca sérias dificuldades para demarcação de terras indígenas. “Chegamos num ponto muito crítico. Não tivemos apoio no governo anterior (PT) e também será muito mais difícil ter política indigenista com o golpe, pois este governo vem atuando de forma muito rápida contra os direitos. Por isso estamos nos organizando e nos mobilizando para combater conservadores e ruralistas”, afirmou.

O representante da terra indígena guarani também trouxe o tema da repressão a que vem sendo submetido o povo indígena quando se manifesta em Brasília. Em dezembro de 2014, contou, quando estava sendo debatida a aprovação da PEC 215, 80 pessoas de diversas etnias foram cercadas por cerca de 1000 seguranças, e neste sentido clama por solidariedade mais efetiva.

Destacou ainda a luta e a resistência que está sendo travado no estado de São Paulo contra a privatização dos parques, promovida pelo governo tucano de Geraldo Alckmin, a qual atinge diretamente diversas terras e comunidades indígenas.

Revolução e Resistência

Sobre o governo Temer, Plínio de Arruda Sampaio Jr. acredita que há muitas contradições no modelo de governo e que é difícil segurar a paz social incentivando desigualdades. Indagado quando seria o momento de o povo reagir contra o pacote de reformas, ele falou que, de fato, há um certo desconhecimento das populações mais vulneráveis, já que o trabalho da burguesia é alienar, apostar na ignorância do povo. “É importante manter todo o povo sem saber o que está acontecendo porque quando o povo sentir e saber o que é a conta da previdência vai ter uma revolução em 10 dias”, afirmou.

Segundo ele, essas contradições de Michel Temer vão dar as soluções. “Nós vamos ter que acertar as contas. O ponto é a gente entender o que aconteceu. Não há mais caminho sem guerra. A guerra de classe está instalada. Esta é minha opinião. A burguesia está atenta a isso. Nós precisamos nos organizar para reagir”.

Para o economista a revolução contra o governo golpista vai ter a cara das outras revoluções que ocorreram ao longo da história. Canudos, Quilombos, Jornadas de Junho de 2013 – rapidamente manipulada pela burguesia. “E o grau de violência vai depender do grau de violência do outro lado, que está preparado. A gente precisa estar preparado pra fazer a mudança da melhor forma possível”, disse, acrescentando que para resistir é preciso entender o que está acontecendo. “O fato é que o capitalismo não consegue mais resolver nenhum dos problemas do povo e nem mesmo os seus próprios problemas”, disse.

Esta ofensiva avassaladora sobre a classe trabalhadora, sobre a soberania dos povos, que atende pelo nome de “ajuste” vai ter séries consequências. É a luta de classes.

A jornalista e militante feminista Luciana Araújo trouxe provocações de base mais estruturantes, já que para se fazer mudanças é preciso mudar o que está ruim na base. Levantou a questão do racismo, da legalização das drogas, das mortes de jovens negros e da periferia. Pequenas grandes revoluções seriam necessárias para uma mudança radical que hoje se faz urgente.

Últimas notícias

Mulheres ocupam audiência pública no Rio para denunciar risco de gentrificação na Praça XI

No dia 6 de maio, a Lona Crescer e Viver, na Praça XI, região central do Rio de Janeiro, sediou uma audiência pública convocada pela…
Ler mais...

Indicação de novo ministro da fazenda acende sinal de alerta

A nomeação do ministro da Fazenda Dario Durigan, ocorrida no último mês, fez acender o sinal de alerta de quem defende a soberania nacional.  Até…
Ler mais...

Em um mundo em crise e em guerra: exigimos justiça, paz e reparações já!

Reunidas(os) entre os dias 11 a 14 de março de 2026, na cidade de São Paulo, a Coordenação Nacional da Rede Jubileu Sul Brasil, com…
Ler mais...

Luta de classes: Ofensiva sobre classe trabalhadora e soberania terão sérias consequências

  • 8 de março de 2017

Por Rogéria Araújo | Comunicação Jubileu Sul Brasil

Revolução, resistência, ruas, o papel das mulheres, a força dos povos mais atingidos historicamente pelo capital, como os indígenas e a população negra, foram a base para a análise de conjuntura em período de golpe pelo qual passa o Brasil. A discussão foi provocada pelo economista Plínio de Arruda Sampaio Jr.; Luciana Araujo, jornalista, feminista e militante do movimento negro; o indígena David Guarani; e a militante Cinthia Abreu, do núcleo da Marcha das Mulheres Negras e Marcha Mundial das Mulheres. O momento foi promovido pela rede Jubileu Sul Brasil, em reunião geral de coordenação da rede no último dia 3 de março, em São Paulo.

A reunião contou com diversos/as representantes de entidades, organizações, movimentos e militantes que compõem a rede e teve como objetivo aprofundar o contexto político e apontar caminhos para a grave crise democrática instalada com o governo ilegítimo de Michel Temer, fruto de um golpe institucional. Temas como o ajuste fiscal, reformas trabalhistas, reforma da previdência, bem como o debate sobre o nosso papel neste contexto foram uma constante nestes dois dias reunião.

Reação feminista

Cinthia Abreu destacou a importância da participação das mulheres organizadas e em luta por seus direitos. De acordo com ela, as mobilizações internacionais são resultado de muitos anos de organização e de opressão a que as mulheres foram submetidas historicamente. Nesse ponto, afirmou, a Marcha Mundial das Mulheres foi um marco. Da mesma forma, nas mobilizações que pedem a saída do presidente Michel Temer, as mulheres têm tido participação e direcionamento essenciais para a esquerda brasileira.

“Sabemos que quando estamos falando ‘Fora Temer’ estamos também falando contra todas as formas de violência contra as mulheres, contra o feminicídio. Estamos lembrando de como estas reformas vão interferir na vida e no trabalho das mulheres, no mercado de trabalho. Mas também sabemos que quando gritamos ‘não à violência’, a violência vem pra cima da gente. Mas estamos na resistência. E vamos continuar”, disse.

Cinthia ilustrou bem a realidade que enfrentam as mulheres, ainda vítimas de um sistema patriarcal, sobre tudo quando são negras e pobres – e agora num governo que claramente exclui minorias. “São as que mais são assassinadas. Não podemos nos calar”, falou. Também trouxe as injustiças e a violência pratica contra as mulheres transgêneros.

De acordo com ela, o chamado internacional para a paralisação do 8 de Março deve ser forte e contundente e, no Brasil, levantar todas as demandas e problemas que afetam diretamente as mulheres.

Combate aos ruralistas

David Guarani, que representou o povo indígena da Terra Indígena Jaraguá Tekoa Ytu, São Paulo, trouxe para o debate o problema dos povos indígenas com relação ao direito à terra, focando na Proposta de Emenda Constitucional, a PEC 215 que coloca sérias dificuldades para demarcação de terras indígenas. “Chegamos num ponto muito crítico. Não tivemos apoio no governo anterior (PT) e também será muito mais difícil ter política indigenista com o golpe, pois este governo vem atuando de forma muito rápida contra os direitos. Por isso estamos nos organizando e nos mobilizando para combater conservadores e ruralistas”, afirmou.

O representante da terra indígena guarani também trouxe o tema da repressão a que vem sendo submetido o povo indígena quando se manifesta em Brasília. Em dezembro de 2014, contou, quando estava sendo debatida a aprovação da PEC 215, 80 pessoas de diversas etnias foram cercadas por cerca de 1000 seguranças, e neste sentido clama por solidariedade mais efetiva.

Destacou ainda a luta e a resistência que está sendo travado no estado de São Paulo contra a privatização dos parques, promovida pelo governo tucano de Geraldo Alckmin, a qual atinge diretamente diversas terras e comunidades indígenas.

Revolução e Resistência

Sobre o governo Temer, Plínio de Arruda Sampaio Jr. acredita que há muitas contradições no modelo de governo e que é difícil segurar a paz social incentivando desigualdades. Indagado quando seria o momento de o povo reagir contra o pacote de reformas, ele falou que, de fato, há um certo desconhecimento das populações mais vulneráveis, já que o trabalho da burguesia é alienar, apostar na ignorância do povo. “É importante manter todo o povo sem saber o que está acontecendo porque quando o povo sentir e saber o que é a conta da previdência vai ter uma revolução em 10 dias”, afirmou.

Segundo ele, essas contradições de Michel Temer vão dar as soluções. “Nós vamos ter que acertar as contas. O ponto é a gente entender o que aconteceu. Não há mais caminho sem guerra. A guerra de classe está instalada. Esta é minha opinião. A burguesia está atenta a isso. Nós precisamos nos organizar para reagir”.

Para o economista a revolução contra o governo golpista vai ter a cara das outras revoluções que ocorreram ao longo da história. Canudos, Quilombos, Jornadas de Junho de 2013 – rapidamente manipulada pela burguesia. “E o grau de violência vai depender do grau de violência do outro lado, que está preparado. A gente precisa estar preparado pra fazer a mudança da melhor forma possível”, disse, acrescentando que para resistir é preciso entender o que está acontecendo. “O fato é que o capitalismo não consegue mais resolver nenhum dos problemas do povo e nem mesmo os seus próprios problemas”, disse.

Esta ofensiva avassaladora sobre a classe trabalhadora, sobre a soberania dos povos, que atende pelo nome de “ajuste” vai ter séries consequências. É a luta de classes.

A jornalista e militante feminista Luciana Araújo trouxe provocações de base mais estruturantes, já que para se fazer mudanças é preciso mudar o que está ruim na base. Levantou a questão do racismo, da legalização das drogas, das mortes de jovens negros e da periferia. Pequenas grandes revoluções seriam necessárias para uma mudança radical que hoje se faz urgente.

Últimas notícias

Mulheres ocupam audiência pública no Rio para denunciar risco de gentrificação na Praça XI

No dia 6 de maio, a Lona Crescer e Viver, na Praça XI, região central do Rio de Janeiro, sediou uma audiência pública convocada pela…
Ler mais...

Indicação de novo ministro da fazenda acende sinal de alerta

A nomeação do ministro da Fazenda Dario Durigan, ocorrida no último mês, fez acender o sinal de alerta de quem defende a soberania nacional.  Até…
Ler mais...

Em um mundo em crise e em guerra: exigimos justiça, paz e reparações já!

Reunidas(os) entre os dias 11 a 14 de março de 2026, na cidade de São Paulo, a Coordenação Nacional da Rede Jubileu Sul Brasil, com…
Ler mais...