O Encontro Nacional de Articulação da Rede Grito dos Excluídos e Excluídas reuniu lideranças de diversas regiões do país para traçar as diretrizes e o calendário de mobilizações para o ano de 2026. O evento foi realizado de forma virtual, no último sábado (4), durante o período da manhã, e contou com a participação de mais de 50 representantes de movimentos sociais, pastorais e organismos. O evento foi realizado de forma virtual no último dia (4). O encontro destacou dois eixos centrais: o direito à moradia popular e a comunicação como ferramenta estratégica. O encontro serviu também para definir articulações nos territórios para enfrentar os desafios e cenário político e eleitoral.
Neste ano, o lema que já ecoa em todos os cantos do país é: “Em defesa da terra, da paz, da moradia. Erguemos a voz, mulheres vivas, soberania já”, sob a tradicional bandeira de que a “Vida em primeiro lugar”.
Após um momento de mística o painel principal do encontro conectou duas pautas consideradas fundamentais pela rede: o direito à cidade e a comunicação como estratégia.
A jornalista Cláudia Pereira alertou para a grave vulnerabilidade da comunicação no cenário atual, o que ameaça o sistema democrático, e ressaltou a importância de uma prática comprometida com a dignidade humana, citando a encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV. Ela exemplificou a crise da democracia na América do Sul, intensificada pela desinformação e pela manipulação algorítmica de extrema-direita, que resulta em representações fora da curva. A comunicadora defendeu a comunicação Sociotransformadora, o protagonismo popular por meio da capacitação de bases e a necessidade de uma educação midiática acessível, com linguagens simples, didáticas e formatos voltados a populações não letradas e públicos especiais. Outro ponto apontado por ela foi a disputa e a defesa de narrativas legítimas, exemplificando fatos recentes em que as pautas das mulheres foram utilizadas como estratégia política, jogando com elementos da semiótica na disputa eleitoral.
“Vivemos um período em que a comunicação enfrenta uma vulnerabilidade democrática, onde defender a verdade diante do avanço da inteligência artificial e dos conglomerados tecnológicos exige coragem. A comunicação contemporânea, na lógica tecnocrática e redes sociais, tem favorecido discursos extremistas, especialmente na América do Sul. Precisamos encarar esse cenário com senso crítico e defender as nossas narrativas”, pontuou.
A jornalista também reforçou a importância de uma comunicação responsável, especialmente em ano eleitoral, diante dos riscos da desinformação digital. Destacou que a qualidade do voto depende da qualidade da informação recebida e ressaltou a necessidade de escolher bem os representantes políticos, principalmente para o Senado.
“Apesar das dificuldades, acredito no poder da comunicação para defender direitos humanos, dignidade e esperança”, enfatizou Cláudia.
Na sequência, Evanisa Rodrigues, da União Nacional por Moradia Popular (UNMP), trouxe o panorama da habitação diretamente de um mutirão autogestionário na Zona Leste de São Paulo (SP). Com um cenário que reflete o sonho da casa própria em construção, ela reforçou que a habitação popular não é apenas um teto, mas a “porta de entrada” para todos os outros direitos sociais.
“Sem uma moradia digna e segura, o acesso à saúde, à educação e à segurança pública fica fundamentalmente comprometido para as populações vulneráveis. É a partir da nossa casa que a gente olha o mundo, que você pensa todo dia que vai sair para algum lugar e vai voltar. Esse é o lugar por onde você mede o mundo”, disse Evanisa.
Em sua fala, Evanisa denunciou os impactos da gentrificação e da financeirização urbana. Ela alertou que a produção habitacional nas cidades brasileiras virou um ativo financeiro, beneficiando investidores em vez de atender quem realmente precisa de moradia, o que resulta na exclusão dos mais pobres e no uso de imóveis para lucro e locações temporárias.
Como resposta à crise habitacional, ela apontou a urgência do fortalecimento dos movimentos para exigir o financiamento público de modelos que retirem a moradia da lógica de mercado. Destacou três alternativas principais: os mutirões para a construção coletiva e solidária; os processos de autogestão (onde as próprias comunidades gerenciam os recursos e as obras, sem a intermediação de grandes empreiteiras); e o Termo Territorial Coletivo (TTC), modelo que garante a propriedade coletiva do terreno pela comunidade.
Os movimentos e a Igreja debateram durante a Campanha da Fraternidade de ano, estratégias para garantir que famílias vulneráveis acessem direitos de moradia e uma das ideias foi criar um “sistema único de moradia” que integre as diversas esferas de governo.

Momento de partilha dos eixos de Moradia e Comunicação com Evanisa Rodrigues e Cláudia Pereira.
Outro momento importante do encontro foi apresentação do mapeamento do Grito. A articuladora secretária-executiva da Rede Jubileu Sul, Rosilene Wansetto, apresentou a sistematização de consultas realizadas em quase todas as regiões do Brasil. O levantamento revelou que o principal objetivo da rede é consolidar o Grito como um trabalho de base permanente, e não apenas como um evento pontual no dia 7 de Setembro.
Os articuladores apontaram a necessidade de ampliar as alianças com movimentos quilombolas, indígenas, antirracistas e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), além de expandir o diálogo ecumênico para além da Igreja Católica, resguardando a autonomia do movimento frente a palanques eleitorais partidários. Outro ponto de destaque foi a inclusão real da juventude e das crianças, esta última representada pela iniciativa do “Gritinho dos Excluídos”.
O diagnóstico revelou, contudo, uma barreira interna a ser superada: a falta de protagonismo real e de espaços efetivos de fala para os jovens. Rosilene pontuou que, sem essa abertura genuína nas instâncias de decisão, o movimento enfrenta dificuldades para atrair e reter a juventude nas bases.
O mapeamento também apontou a necessidade de fortalecer as estratégias de comunicação e a defesa de identidade, colocando a comunicação popular, tanto digital quanto tradicional, como estratégia política para ampliar o alcance das mensagens.
“A avaliação do Grito mostra avanços, mas destaca o desafio de fortalecer a identidade e a continuidade. É necessário ampliar diálogos, integrar outras lutas e movimentos, envolver diferentes atores e planejar melhor a mobilização permanente, alinhada ao objetivo do movimento em busca da justiça social e da participação popular”, finalizou Rosilene.

Mais de 50 participantes representando todas as regiões do país.
O encontro encerrou com o alinhamento das ações de todos os regionais, cada um trazendo suas demandas de acordo com as realidades locais. As projeções indicam que o Grito dos Excluídos e Excluídas no Brasil terá forte participação popular, com recortes de pautas que convergem com o lema nacional.
Estão previstos gritos pela defesa socioambiental e da população de rua, plenárias organizativas e mobilizações de resistência com feiras de economia solidária. Também haverá o “Gritinho dos Excluídos” com foco nas crianças, além de atos para denunciar a especulação imobiliária, momentos de mística ecumênica e afro-religiosa, e processos de escuta com parceiros locais para definir as pautas prioritárias de cada região.
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O Encontro Nacional de Articulação da Rede Grito dos Excluídos e Excluídas reuniu lideranças de diversas regiões do país para traçar as diretrizes e o calendário de mobilizações para o ano de 2026. O evento foi realizado de forma virtual, no último sábado (4), durante o período da manhã, e contou com a participação de mais de 50 representantes de movimentos sociais, pastorais e organismos. O evento foi realizado de forma virtual no último dia (4). O encontro destacou dois eixos centrais: o direito à moradia popular e a comunicação como ferramenta estratégica. O encontro serviu também para definir articulações nos territórios para enfrentar os desafios e cenário político e eleitoral.
Neste ano, o lema que já ecoa em todos os cantos do país é: “Em defesa da terra, da paz, da moradia. Erguemos a voz, mulheres vivas, soberania já”, sob a tradicional bandeira de que a “Vida em primeiro lugar”.
Após um momento de mística o painel principal do encontro conectou duas pautas consideradas fundamentais pela rede: o direito à cidade e a comunicação como estratégia.
A jornalista Cláudia Pereira alertou para a grave vulnerabilidade da comunicação no cenário atual, o que ameaça o sistema democrático, e ressaltou a importância de uma prática comprometida com a dignidade humana, citando a encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV. Ela exemplificou a crise da democracia na América do Sul, intensificada pela desinformação e pela manipulação algorítmica de extrema-direita, que resulta em representações fora da curva. A comunicadora defendeu a comunicação Sociotransformadora, o protagonismo popular por meio da capacitação de bases e a necessidade de uma educação midiática acessível, com linguagens simples, didáticas e formatos voltados a populações não letradas e públicos especiais. Outro ponto apontado por ela foi a disputa e a defesa de narrativas legítimas, exemplificando fatos recentes em que as pautas das mulheres foram utilizadas como estratégia política, jogando com elementos da semiótica na disputa eleitoral.
“Vivemos um período em que a comunicação enfrenta uma vulnerabilidade democrática, onde defender a verdade diante do avanço da inteligência artificial e dos conglomerados tecnológicos exige coragem. A comunicação contemporânea, na lógica tecnocrática e redes sociais, tem favorecido discursos extremistas, especialmente na América do Sul. Precisamos encarar esse cenário com senso crítico e defender as nossas narrativas”, pontuou.
A jornalista também reforçou a importância de uma comunicação responsável, especialmente em ano eleitoral, diante dos riscos da desinformação digital. Destacou que a qualidade do voto depende da qualidade da informação recebida e ressaltou a necessidade de escolher bem os representantes políticos, principalmente para o Senado.
“Apesar das dificuldades, acredito no poder da comunicação para defender direitos humanos, dignidade e esperança”, enfatizou Cláudia.
Na sequência, Evanisa Rodrigues, da União Nacional por Moradia Popular (UNMP), trouxe o panorama da habitação diretamente de um mutirão autogestionário na Zona Leste de São Paulo (SP). Com um cenário que reflete o sonho da casa própria em construção, ela reforçou que a habitação popular não é apenas um teto, mas a “porta de entrada” para todos os outros direitos sociais.
“Sem uma moradia digna e segura, o acesso à saúde, à educação e à segurança pública fica fundamentalmente comprometido para as populações vulneráveis. É a partir da nossa casa que a gente olha o mundo, que você pensa todo dia que vai sair para algum lugar e vai voltar. Esse é o lugar por onde você mede o mundo”, disse Evanisa.
Em sua fala, Evanisa denunciou os impactos da gentrificação e da financeirização urbana. Ela alertou que a produção habitacional nas cidades brasileiras virou um ativo financeiro, beneficiando investidores em vez de atender quem realmente precisa de moradia, o que resulta na exclusão dos mais pobres e no uso de imóveis para lucro e locações temporárias.
Como resposta à crise habitacional, ela apontou a urgência do fortalecimento dos movimentos para exigir o financiamento público de modelos que retirem a moradia da lógica de mercado. Destacou três alternativas principais: os mutirões para a construção coletiva e solidária; os processos de autogestão (onde as próprias comunidades gerenciam os recursos e as obras, sem a intermediação de grandes empreiteiras); e o Termo Territorial Coletivo (TTC), modelo que garante a propriedade coletiva do terreno pela comunidade.
Os movimentos e a Igreja debateram durante a Campanha da Fraternidade de ano, estratégias para garantir que famílias vulneráveis acessem direitos de moradia e uma das ideias foi criar um “sistema único de moradia” que integre as diversas esferas de governo.

Momento de partilha dos eixos de Moradia e Comunicação com Evanisa Rodrigues e Cláudia Pereira.
Outro momento importante do encontro foi apresentação do mapeamento do Grito. A articuladora secretária-executiva da Rede Jubileu Sul, Rosilene Wansetto, apresentou a sistematização de consultas realizadas em quase todas as regiões do Brasil. O levantamento revelou que o principal objetivo da rede é consolidar o Grito como um trabalho de base permanente, e não apenas como um evento pontual no dia 7 de Setembro.
Os articuladores apontaram a necessidade de ampliar as alianças com movimentos quilombolas, indígenas, antirracistas e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), além de expandir o diálogo ecumênico para além da Igreja Católica, resguardando a autonomia do movimento frente a palanques eleitorais partidários. Outro ponto de destaque foi a inclusão real da juventude e das crianças, esta última representada pela iniciativa do “Gritinho dos Excluídos”.
O diagnóstico revelou, contudo, uma barreira interna a ser superada: a falta de protagonismo real e de espaços efetivos de fala para os jovens. Rosilene pontuou que, sem essa abertura genuína nas instâncias de decisão, o movimento enfrenta dificuldades para atrair e reter a juventude nas bases.
O mapeamento também apontou a necessidade de fortalecer as estratégias de comunicação e a defesa de identidade, colocando a comunicação popular, tanto digital quanto tradicional, como estratégia política para ampliar o alcance das mensagens.
“A avaliação do Grito mostra avanços, mas destaca o desafio de fortalecer a identidade e a continuidade. É necessário ampliar diálogos, integrar outras lutas e movimentos, envolver diferentes atores e planejar melhor a mobilização permanente, alinhada ao objetivo do movimento em busca da justiça social e da participação popular”, finalizou Rosilene.

Mais de 50 participantes representando todas as regiões do país.
O encontro encerrou com o alinhamento das ações de todos os regionais, cada um trazendo suas demandas de acordo com as realidades locais. As projeções indicam que o Grito dos Excluídos e Excluídas no Brasil terá forte participação popular, com recortes de pautas que convergem com o lema nacional.
Estão previstos gritos pela defesa socioambiental e da população de rua, plenárias organizativas e mobilizações de resistência com feiras de economia solidária. Também haverá o “Gritinho dos Excluídos” com foco nas crianças, além de atos para denunciar a especulação imobiliária, momentos de mística ecumênica e afro-religiosa, e processos de escuta com parceiros locais para definir as pautas prioritárias de cada região.
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