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Geraizeiros resistem à reintegração de posse no Vale das Cancelas (MG)

  • 22 de agosto de 2018

Em luta por seu território há quase um ano, 46 famílias geraizeiras estão sob ameaça de reintegração de posse no Vale das Cancelas, norte de Minas

Texto e foto: MAB
As famílias organizadas no Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) ocuparam a Fazenda São Francisco no dia 3 de outubro do ano passado, em retomada de seu território tradicional. Atualmente explorada pela empresa Floresta Minas Empreendimento, para o monocultivo de eucalipto, as terras pertencem historicamente às famílias de diversas comunidades tradicionais geraizeiras das proximidades, que tem o território como local coletivo para seu sustento, no uso para pastagem de criações e atividade extrativista.
A reintegração de posse, pedida pela empresa, foi emitida pela justiça desde o dia 21 do mesmo mês de ocupação, mas a luta em campo e judicial dos atingidos impediu que fosse executada. Somente em 02 de agosto deste ano o juiz responsável proferiu despacho determinando a reintegração à Polícia Militar de Minas Gerais.Na semana seguinte, em Reunião Final de Articulação de Reintegração de Posse, não houve acordo entre as partes, uma vez que os geraizeiros seguem resistentes na retomada de seu território tradicional e reafirmaram que não sairão do local. Um novo prazo foi dado até o dia 23 deste mês, e desde então a PMMG tem ido ao local com frequência para pressionar as famílias.
Vitória temporária
Uma nova decisão judicial, desta vez por intervenção da Defensoria Pública de Minas Gerais, garante mais tempo às famílias em ocupação. Emitido ontem, 20 de agosto de 2018, um agravo suspende a decisão de reintegração de posse por entender que a ação “poderá acarretar em dano irreparável” aos geraizeiras, e a questão deve ser decidida pela Vara Agrária por se tratar de disputa por área de terra rural que envolve mais de trinta famílias. Os moradores da ocupação estão em barracos de madeira, forrados com lona ou palha desde o ano passado, e já fazem o uso produtivo da terra com o plantio de café, mandioca, manga, e outros, além de pastagem para o gado e criações. As famílias são de oito comunidades geraizeiras da região, formalmente reconhecidas pela Comissão Estadual para o Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais.
“Desde a década de 70 as empresas de monocultura de eucalipto vêm tomando os locais e expulsando as famílias de seus territórios, hoje vemos claros indícios de grilagem em várias áreas. Os ‘gerais’ são necessários não só para a sobrevivência dos geraizeiros como também para a manutenção de seu modo de vida cultural e socioeconômico. Vamos resistir até reconquistar o que é nosso”, afirma Felipe Soares, militante no MAB na região.Geraizeiros resistem à reintegração de posse no Vale das CancelasEm luta por seu território há quase um ano, 46 famílias geraizeiras estão sob ameaça dereintegração de posse no Vale das Cancelas, norte de Minas. As famílias organizadas noMovimento dos Atingidos por Barragens-MAB ocuparam a Fazenda São Francisco no dia 3 deoutubro do ano passado, em retomada de seu território tradicional.Atualmente explorada pela empresa Floresta Minas Empreendimento, para o monocultivo deeucalipto, as terras pertencem historicamente às famílias de diversas comunidadestradicionais geraizeiras das proximidades, que tem o território como local coletivo para seusustento, no uso para pastagem de criações e atividade extrativista.A reintegração de posse, pedida pela empresa, foi emitida pela justiça desde o dia 21 domesmo mês de ocupação, mas a luta em campo e judicial dos atingidos impediu que fosseexecutada. Somente em 02 de agosto deste ano o juiz responsável proferiu despachodeterminando a reintegração à Polícia Militar de Minas Gerais.
Na semana seguinte, em Reunião Final de Articulação de Reintegração de Posse, não houveacordo entre as partes, uma vez que os geraizeiros seguem resistentes na retomada de seuterritório tradicional e reafirmaram que não sairão do local. Um novo prazo foi dado até o dia23 deste mês, e desde então a PMMG tem ido ao local com frequência para pressionar asfamílias.Vitória temporáriaUma nova decisão judicial, desta vez por intervenção da Defensoria Pública de Minas Gerais,garante mais tempo às famílias em ocupação. Emitido ontem, 20 de agosto de 2018, umagravo suspende a decisão de reintegração de posse por entender que a ação “poderáacarretar em dano irreparável” aos geraizeiras, e a questão deve ser decidida pela Vara Agráriapor se tratar de disputa por área de terra rural que envolve mais de trinta famílias.
Os moradores da ocupação estão em barracos de madeira, forrados com lona ou palha desdeo ano passado, e já fazem o uso produtivo da terra com o plantio de café, mandioca, manga, eoutros, além de pastagem para o gado e criações. As famílias são de oito comunidadesgeraizeiras da região, formalmente reconhecidas pela Comissão Estadual para oDesenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais.“Desde a década de 70 as empresas de monocultura de eucalipto vêm tomando os locais eexpulsando as famílias de seus territórios, hoje vemos claros indícios de grilagem em váriasáreas. Os ‘gerais’ são necessários não só para a sobrevivência dos geraizeiros como tambémpara a manutenção de seu modo de vida cultural e socioeconômico. Vamos resistir atéreconquistar o que é nosso”, afirma Felipe Soares, militante no MAB na região.

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  • 22 de agosto de 2018

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Texto e foto: MAB
As famílias organizadas no Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) ocuparam a Fazenda São Francisco no dia 3 de outubro do ano passado, em retomada de seu território tradicional. Atualmente explorada pela empresa Floresta Minas Empreendimento, para o monocultivo de eucalipto, as terras pertencem historicamente às famílias de diversas comunidades tradicionais geraizeiras das proximidades, que tem o território como local coletivo para seu sustento, no uso para pastagem de criações e atividade extrativista.
A reintegração de posse, pedida pela empresa, foi emitida pela justiça desde o dia 21 do mesmo mês de ocupação, mas a luta em campo e judicial dos atingidos impediu que fosse executada. Somente em 02 de agosto deste ano o juiz responsável proferiu despacho determinando a reintegração à Polícia Militar de Minas Gerais.Na semana seguinte, em Reunião Final de Articulação de Reintegração de Posse, não houve acordo entre as partes, uma vez que os geraizeiros seguem resistentes na retomada de seu território tradicional e reafirmaram que não sairão do local. Um novo prazo foi dado até o dia 23 deste mês, e desde então a PMMG tem ido ao local com frequência para pressionar as famílias.
Vitória temporária
Uma nova decisão judicial, desta vez por intervenção da Defensoria Pública de Minas Gerais, garante mais tempo às famílias em ocupação. Emitido ontem, 20 de agosto de 2018, um agravo suspende a decisão de reintegração de posse por entender que a ação “poderá acarretar em dano irreparável” aos geraizeiras, e a questão deve ser decidida pela Vara Agrária por se tratar de disputa por área de terra rural que envolve mais de trinta famílias. Os moradores da ocupação estão em barracos de madeira, forrados com lona ou palha desde o ano passado, e já fazem o uso produtivo da terra com o plantio de café, mandioca, manga, e outros, além de pastagem para o gado e criações. As famílias são de oito comunidades geraizeiras da região, formalmente reconhecidas pela Comissão Estadual para o Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais.
“Desde a década de 70 as empresas de monocultura de eucalipto vêm tomando os locais e expulsando as famílias de seus territórios, hoje vemos claros indícios de grilagem em várias áreas. Os ‘gerais’ são necessários não só para a sobrevivência dos geraizeiros como também para a manutenção de seu modo de vida cultural e socioeconômico. Vamos resistir até reconquistar o que é nosso”, afirma Felipe Soares, militante no MAB na região.Geraizeiros resistem à reintegração de posse no Vale das CancelasEm luta por seu território há quase um ano, 46 famílias geraizeiras estão sob ameaça dereintegração de posse no Vale das Cancelas, norte de Minas. As famílias organizadas noMovimento dos Atingidos por Barragens-MAB ocuparam a Fazenda São Francisco no dia 3 deoutubro do ano passado, em retomada de seu território tradicional.Atualmente explorada pela empresa Floresta Minas Empreendimento, para o monocultivo deeucalipto, as terras pertencem historicamente às famílias de diversas comunidadestradicionais geraizeiras das proximidades, que tem o território como local coletivo para seusustento, no uso para pastagem de criações e atividade extrativista.A reintegração de posse, pedida pela empresa, foi emitida pela justiça desde o dia 21 domesmo mês de ocupação, mas a luta em campo e judicial dos atingidos impediu que fosseexecutada. Somente em 02 de agosto deste ano o juiz responsável proferiu despachodeterminando a reintegração à Polícia Militar de Minas Gerais.
Na semana seguinte, em Reunião Final de Articulação de Reintegração de Posse, não houveacordo entre as partes, uma vez que os geraizeiros seguem resistentes na retomada de seuterritório tradicional e reafirmaram que não sairão do local. Um novo prazo foi dado até o dia23 deste mês, e desde então a PMMG tem ido ao local com frequência para pressionar asfamílias.Vitória temporáriaUma nova decisão judicial, desta vez por intervenção da Defensoria Pública de Minas Gerais,garante mais tempo às famílias em ocupação. Emitido ontem, 20 de agosto de 2018, umagravo suspende a decisão de reintegração de posse por entender que a ação “poderáacarretar em dano irreparável” aos geraizeiras, e a questão deve ser decidida pela Vara Agráriapor se tratar de disputa por área de terra rural que envolve mais de trinta famílias.
Os moradores da ocupação estão em barracos de madeira, forrados com lona ou palha desdeo ano passado, e já fazem o uso produtivo da terra com o plantio de café, mandioca, manga, eoutros, além de pastagem para o gado e criações. As famílias são de oito comunidadesgeraizeiras da região, formalmente reconhecidas pela Comissão Estadual para oDesenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais.“Desde a década de 70 as empresas de monocultura de eucalipto vêm tomando os locais eexpulsando as famílias de seus territórios, hoje vemos claros indícios de grilagem em váriasáreas. Os ‘gerais’ são necessários não só para a sobrevivência dos geraizeiros como tambémpara a manutenção de seu modo de vida cultural e socioeconômico. Vamos resistir atéreconquistar o que é nosso”, afirma Felipe Soares, militante no MAB na região.

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