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Entrando no jogo: xenofobia é crime! Copa pra quem?

  • 15 de junho de 2026

No atual contexto internacional assistimos às consequências de uma crise estrutural do capitalismo e o avanço das violências imperialistas por meio das guerras e militarismo como solução. Ao mesmo tempo vemos atos de xenofobia, racismo praticados contra países e nações por conta da realização da Copa do Mundo da FIFA.

A Copa do Mundo de 2026, sediada por Estados Unidos, México e Canadá, acontece em meio a tensões relacionadas às políticas migratórias, especialmente nos Estados Unidos. O endurecimento do controle de fronteiras tem gerado denúncias de restrições à entrada de torcedores e profissionais, além de práticas consideradas discriminatórias. 

Embora megaeventos esportivos costumem atrair trabalhadores migrantes para setores como infraestrutura e serviços, esses processos frequentemente estão associados à precarização do trabalho, violações de direitos e maior controle migratório. Além disso, a Copa está inserida em uma ampla lógica de mercado, de patrocínios, negociações de atletas e apostas esportivas. 

Arte de rua em spray no chão, mostrando um capacete de policial sobre uma bola de futebol com o texto "FIFA COP", criticando a repressão policial durante a Copa do Mundo FIFA.

Foto: Thierry Ehrmann/Flickr-CC

Guerras, ocupações e deslocamentos forçados: a face violenta do sistema

Essas tensões e as restrições de ingresso nos Estados Unidos escancaram a seletividade e a violência do imperialismo nos dias atuais. Enquanto os interesses das grandes corporações circulam livremente pelo mundo, povos inteiros são submetidos a fronteiras militarizadas, perseguições, discriminação e exclusão. Não se trata de casos isolados, mas da expressão de uma ordem internacional marcada pela dominação política, econômica e militar das grandes potências sobre os povos do Sul Global.

A violência imperialista segue produzindo destruição, mortes e deslocamentos forçados. Da Palestina ao Líbano, da Cisjordânia ao Irã, povos inteiros enfrentam guerras, ocupações, bloqueios, sanções e permanentes ameaças à sua soberania. Ao mesmo tempo em que promove megaeventos globais em nome da integração entre os povos, o sistema imperialista alimenta conflitos, aprofunda desigualdades e criminaliza aquelas pessoas que são obrigadas a migrar em busca de sobrevivência.

Reafirmamos o direito dos povos à autodeterminação, à soberania nacional e à construção de um mundo baseado na justiça social, na solidariedade internacional e na paz entre as nações. Em um mundo onde o capital circula livremente, os povos seguem enfrentando muros, deportações e fronteiras militarizadas. Denunciamos os muros e as fronteiras erguidos.

Copa do Mundo, exploração sexual e tráfico de pessoas: o risco aumenta para mulheres e meninas

A realização da Copa do Mundo amplia os riscos de exploração sexual e tráfico de pessoas, especialmente de mulheres e meninas. Trata-se de uma realidade denunciada em diversas edições anteriores do mundial, inclusive durante a Copa de 2014, no Brasil. O grande fluxo de turistas e recursos movimentados pelo evento favorece a atuação de redes criminosas, que aliciam vítimas com falsas promessas de trabalho, sobretudo mulheres migrantes em situação de vulnerabilidade. Muitas acabam submetidas à exploração sexual, alimentando circuitos internacionais ligados ao turismo e às redes de exploração sexual comercial. 

Durante a Copa da FIFA no Brasil, a Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (ANCOP) denunciou a relação entre tráfico de pessoas, exploração sexual, mercado da bola, racismo, migrações e remoções forçadas em benefício da especulação imobiliária, evidenciando como o modelo de organização dos megaeventos esportivos pode aprofundar violações de direitos e desigualdades sociais. 

Este modelo de negócios adotado pelas grandes competições esportivas, como a Copa da FIFA, transforma o esporte em uma poderosa engrenagem de acumulação. Enquanto corporações, patrocinadores, grupos de mídia, investidores e plataformas de apostas ampliam seus lucros, comunidades inteiras enfrentam remoções, precarização das condições de vida, racismo e violações de direitos. A lógica que orienta esses megaeventos prioriza os interesses do mercado em detrimento das necessidades dos povos e dos territórios.

STF julga o marco temporal:  terras indígenas em jogo

Enquanto isso no Planalto Central, seguimos de olho no Supremo Tribunal Federal (STF) que deve iniciar o julgamento da inconstitucionalidade da lei do “marco temporal”, que foi aprovada por um Congresso inimigo dos povos indígenas.

Confiamos que neste julgamento o STF revise diversas partes da Lei que ferem o direito dos povos indígenas às terras, que não criminalize as retomadas, garanta o direito ao território e não permita o pagamento de indenização pela terra nua a grileiros. A revisão pode contribuir para colocar fim às violências cometidas por fazendeiros contra comunidades indígenas, aos assassinatos no campo, bem como para impedir o enriquecimento ilícito de invasores de terras indígenas.

Em meio aos retrocessos, à violência contra os povos originários, contra as mulheres e meninas, e às permanentes ameaças imperialistas à soberania dos povos, seguimos semeando resistência. Apostamos na educação popular, na organização coletiva, na mobilização e na solidariedade internacionalista entre os povos como forças capazes de transformar o presente. Mesmo diante de tantos retrocessos e da perda de direitos, seguimos esperançando e construindo, nos territórios e nas lutas, um projeto de sociedade fundado na justiça social, na democracia, na soberania e no bem viver.

Coordenação da Rede Jubileu Sul Brasil

11 de junho de 2026.

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Embora megaeventos esportivos costumem atrair trabalhadores migrantes para setores como infraestrutura e serviços, esses processos frequentemente estão associados à precarização do trabalho, violações de direitos e maior controle migratório. Além disso, a Copa está inserida em uma ampla lógica de mercado, de patrocínios, negociações de atletas e apostas esportivas. 

Arte de rua em spray no chão, mostrando um capacete de policial sobre uma bola de futebol com o texto "FIFA COP", criticando a repressão policial durante a Copa do Mundo FIFA.

Foto: Thierry Ehrmann/Flickr-CC

Guerras, ocupações e deslocamentos forçados: a face violenta do sistema

Essas tensões e as restrições de ingresso nos Estados Unidos escancaram a seletividade e a violência do imperialismo nos dias atuais. Enquanto os interesses das grandes corporações circulam livremente pelo mundo, povos inteiros são submetidos a fronteiras militarizadas, perseguições, discriminação e exclusão. Não se trata de casos isolados, mas da expressão de uma ordem internacional marcada pela dominação política, econômica e militar das grandes potências sobre os povos do Sul Global.

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Durante a Copa da FIFA no Brasil, a Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (ANCOP) denunciou a relação entre tráfico de pessoas, exploração sexual, mercado da bola, racismo, migrações e remoções forçadas em benefício da especulação imobiliária, evidenciando como o modelo de organização dos megaeventos esportivos pode aprofundar violações de direitos e desigualdades sociais. 

Este modelo de negócios adotado pelas grandes competições esportivas, como a Copa da FIFA, transforma o esporte em uma poderosa engrenagem de acumulação. Enquanto corporações, patrocinadores, grupos de mídia, investidores e plataformas de apostas ampliam seus lucros, comunidades inteiras enfrentam remoções, precarização das condições de vida, racismo e violações de direitos. A lógica que orienta esses megaeventos prioriza os interesses do mercado em detrimento das necessidades dos povos e dos territórios.

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Em meio aos retrocessos, à violência contra os povos originários, contra as mulheres e meninas, e às permanentes ameaças imperialistas à soberania dos povos, seguimos semeando resistência. Apostamos na educação popular, na organização coletiva, na mobilização e na solidariedade internacionalista entre os povos como forças capazes de transformar o presente. Mesmo diante de tantos retrocessos e da perda de direitos, seguimos esperançando e construindo, nos territórios e nas lutas, um projeto de sociedade fundado na justiça social, na democracia, na soberania e no bem viver.

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