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Enfrentar para resolver: como a dívida global aprofunda a desigualdade e a pobreza

  • 20 de maio de 2025

Solução para crise deve priorizar as pessoas e o planeta, afirma a educadora popular Sandra Quintela, do Jubileu Brasil, em artigo no Brasil de Fato

Foto de um homem negro na via pública. Ele está na calçada com corpo reclinado e mexendo com as mãos num saco de lixo. Veste bermuda preta, sapato marrom e está sem camisa.
Brasil gasta mais com pagamento da dívida pública do que saúde e educação - Tânia Rêgo/Agência Brasil

Por Sandra Quintela - Brasil de Fato RJ

A crise da dívida global é um tema que afeta profundamente a economia e a sociedade em todo o mundo. Mais de 100 países enfrentam uma crise da dívida, com 60% desse débito pertencente a credores privados, como fundos de investimentos, fundos de pensões, etc., fruto do circuito da especulação financeira global. 

O endividamento ameaça o desenvolvimento. A situação é ainda mais grave quando consideramos que mais de 3,3 bilhões de pessoas vivem em países onde os governos gastam mais com o pagamento da dívida do que com serviços essenciais, como saúde e educação, como é o caso do Brasil.  Isso aprofunda a desigualdade e a pobreza, tornando-se um ciclo vicioso difícil de romper. 

Os países ricos têm um papel importante nessa crise, pois mais de 80% da nova dívida global em 2023 foi contraída por nações ricas, como Estados Unidos, Japão, Reino Unido e França. Enquanto isso, os países em desenvolvimento lutam para administrar o peso de suas dívidas, enfrentando taxas de juros de empréstimos entre 2 e 12 vezes mais altas do que as nações ricas. 

A dívida impede a ação climática e os países do Sul global gastam mais nesse pagamento do que em ações para enfrentar as mudanças climáticas. Isso torna-os mais vulneráveis aos impactos devastadores das catástrofes da crise do clima. Além disso, a África possui apenas 2% da dívida pública global, mas enfrenta encargos desproporcionalmente altos de pagamento, agravados pelas desigualdades sistêmicas no acesso a recursos financeiros internacionais. 

O Papa Francisco falou sobre a necessidade de mudar a economia atual e dar alma à economia de amanhã. Ele destacou a importância de evitar as armadilhas da utopia e da resignação, e de trabalhar juntos para encontrar soluções. O Jubileu bíblico nos lembra da importância de cancelar dívidas injustas e impagáveis, e de trabalhar para criar um sistema financeiro mais justo e equitativo. 

Recém lançada pela Cáritas Internacional em conjunto com diversas organizações religiosas e da sociedade civil globalmente, a campanha “Transformar a Dívida em Esperança” responde ao apelo do Papa Francisco. A iniciativa promove um abaixo-assinado e clama para que líderes priorizem as pessoas e o planeta em detrimento do lucro (saiba mais neste link). 

Para resolver essa crise, é necessário estabelecer um marco permanente para a dívida, que seja transparente, vinculante e de alcance global. Além disso, é fundamental evitar novas crises de endividamento e abordar as causas estruturais da crise da dívida. Isso inclui reformar o sistema financeiro global para priorizar as pessoas e o planeta, e não apenas o lucro e o crescimento econômico. 

Em resumo, a crise da dívida global é um tema complexo e multifacetado que requer uma abordagem holística e cooperativa. É necessário trabalhar juntos para encontrar soluções que priorizem as pessoas e o planeta, e que criem um sistema financeiro mais justo e equitativo para todos. 

Soluções propostas: 

1. Interromper imediatamente a crise da dívida, cancelando e corrigindo as dívidas injustas e insustentáveis, sem impor condições de políticas econômicas. 

2. Evitar novas crises de endividamento, abordando suas causas estruturais e reformando o sistema financeiro global para priorizar as pessoas e o planeta.

Portanto, a crise da dívida global é um desafio que requer ação imediata e cooperação internacional. É fundamental trabalhar juntos para encontrar soluções que priorizem as pessoas e o planeta, e que criem um sistema financeiro mais justo e equitativo para todas as pessoas.

* Sandra Quintela é economista, educadora popular e integrante da Coordenação América Latina e Caribe da Rede Jubileu Sul

** Este é um artigo de opinião e não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

Editado por: Clívia Mesquita

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A dívida impede a ação climática e os países do Sul global gastam mais nesse pagamento do que em ações para enfrentar as mudanças climáticas. Isso torna-os mais vulneráveis aos impactos devastadores das catástrofes da crise do clima. Além disso, a África possui apenas 2% da dívida pública global, mas enfrenta encargos desproporcionalmente altos de pagamento, agravados pelas desigualdades sistêmicas no acesso a recursos financeiros internacionais. 

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Para resolver essa crise, é necessário estabelecer um marco permanente para a dívida, que seja transparente, vinculante e de alcance global. Além disso, é fundamental evitar novas crises de endividamento e abordar as causas estruturais da crise da dívida. Isso inclui reformar o sistema financeiro global para priorizar as pessoas e o planeta, e não apenas o lucro e o crescimento econômico. 

Em resumo, a crise da dívida global é um tema complexo e multifacetado que requer uma abordagem holística e cooperativa. É necessário trabalhar juntos para encontrar soluções que priorizem as pessoas e o planeta, e que criem um sistema financeiro mais justo e equitativo para todos. 

Soluções propostas: 

1. Interromper imediatamente a crise da dívida, cancelando e corrigindo as dívidas injustas e insustentáveis, sem impor condições de políticas econômicas. 

2. Evitar novas crises de endividamento, abordando suas causas estruturais e reformando o sistema financeiro global para priorizar as pessoas e o planeta.

Portanto, a crise da dívida global é um desafio que requer ação imediata e cooperação internacional. É fundamental trabalhar juntos para encontrar soluções que priorizem as pessoas e o planeta, e que criem um sistema financeiro mais justo e equitativo para todas as pessoas.

* Sandra Quintela é economista, educadora popular e integrante da Coordenação América Latina e Caribe da Rede Jubileu Sul

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