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Encontro de Comunicação define estratégias para fortalecer ação sociotransformadora

  • 17 de dezembro de 2025

A atividade resultou na construção de diretrizes comuns, no planejamento de encontros para 2026 e em iniciativas de visibilidade das pastorais sociais.

Nos dias 11 e 12 de dezembro, ocorreu o 2º Encontro Presencial “Comunicação Sociotransformadora”, realizado pela Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (Cepast-CNBB), no Centro Estigmatino de Pastoral, em Brasília (DF).

Com o tema central “Animação vocacional para a ação sociotransformadora”, o evento reuniu comunicadoras e comunicadores de pastorais sociais, redes e organismos de todo o Brasil para refletir, partilhar realidades e fortalecer a missão de uma comunicação comprometida com a transformação social, à luz da Doutrina Social da Igreja.

Grupo diverso de cerca de 25 pessoas posa ao ar livre, em um gramado, durante o Encontro de Comunicação Sócio-Transformadora da Cepast/CNBB. As participantes seguram faixas e bandeiras de diferentes pastorais e organizações sociais, como Cáritas Brasileira, Pastoral Carcerária, Pastoral do Menor, Pastoral da Criança, Pastoral da Pessoa Idosa, Pastoral da Sobriedade, Pastoral do Povo da Rua, CPP e Jubileu Sul. Ao fundo, há árvores e um prédio claro. A imagem transmite articulação em rede, diversidade e compromisso coletivo com justiça social e direitos humanos.

2º Encontro Presencial “Comunicação Sociotransformadora realizado em Brasília nos dias 11 e 12 de dezembro de 2025. - Foto: Cláudia Pereira

Na manhã do primeiro dia (11/12), o momento foi de acolhida, integração e vivência com a facilitação da dança cigana, conduzido por Luciana Vitor, da Associação Cultural Namastê. A atividade prosseguiu com grupos de escuta e partilha, onde os participantes compartilharam os atravessamentos vividos em 2025, os desafios pessoais, profissionais e pastorais que marcaram suas jornadas. A mediação foi da jornalista Cláudia Pereira, da assessoria de comunicação da Cepast.  

À tarde, o debate se aprofundou com um painel sobre animação vocacional para a ação sociotransformadora, facilitado pelo padre Edinho Thomassim, que em breve ocupará a função de  assessor da Cepast-CNBB. O momento foi marcado por relatos emocionantes e reflexões críticas sobre a prática comunicativa no contexto das lutas sociais, da disputa de narrativas e da busca por uma comunicação popular e profética.

Momento de conexão com a dança cigana – foto: Darcy Lima

Momento de conexão com a dança cigana – foto: Darcy Lima

Participantes do Encontro de Comunicação Sócio-Transformadora estão reunidos em círculo em uma sala ampla e iluminada, sentados em cadeiras. No centro do espaço, há faixas, cartazes e materiais de diversas pastorais e organizações sociais dispostos no chão, como Pastoral da Criança, Pastoral Carcerária, Cáritas e Jubileu Sul. Uma mulher está em pé, conduzindo a fala, enquanto outras pessoas escutam, anotam e refletem coletivamente. A cena expressa diálogo, planejamento conjunto e construção coletiva de estratégias de comunicação popular.Desafios da comunicação no cenário atual

O 2º dia do encontro foi marcado por debates estratégicos, partilhas e encaminhamentos concretos para fortalecer a comunicação pastoral como ferramenta de transformação social. 

Na retomada dos trabalhos, houve a  plenária para dar continuidade à reflexão do dia anterior, sobre animação vocacional para a ação Sociotransformadora. A mediação foi da jornalista da assessoria de comunicação da Cepast, Jucelene Rocha.  

A manhã também foi marcada por partilhas sobre os desafios enfrentados pelas pastorais no atual contexto político e social, como a concentração dos meios de comunicação nas mãos da iniciativa privada, a desinformação e a criminalização das lutas populares. Nesse cenário, as pessoas participantes destacaram a urgência de articular narrativas próprias, capazes de disputar sentidos, fortalecer identidades e dar visibilidade às experiências de solidariedade, justiça e cuidado com a Casa Comum. 

A discussão evidenciou ainda questões comuns, como a necessidade de formação de base em comunicação, a criação de uma linha editorial comum para as pastorais da Cepast e a urgência de uma campanha vocacional que atraia as juventudes para a ação sociotransformadora. 

Padre Dário Bossi, assessor da Comissão da Cepast-CNBB, reforçou a importância de uma estratégia dupla: atuação nacional articulada para dar visibilidade à pauta, e ação local enraizada nos territórios. Ele também lançou a proposta de um “pacto comunicativo sociotransformador nacional”, visando unificar esforços e amplificar a narrativa da justiça social.

Momento de reflexão sobre a animação vocacional para a ação sociotransformadora com o padre Edinho Thomassim. Foto: Cláudia Pereira

Momento de reflexão sobre a animação vocacional para a ação sociotransformadora com o padre Edinho Thomassim. Foto: Cláudia Pereira

Articulação e agendas

O período da tarde foi de definição de encaminhamentos concretos para fortalecer a comunicação das pastorais sociais e organismos, visando fomentar a rede articulada entre comunicadoras e comunicadores. 

Um dos principais encaminhamentos foi a decisão de constituir um grupo de trabalho para sistematizar um documento de diretrizes de comunicação sociotransformadora. O grupo, composto por representantes de várias pastorais, tem a missão de reunir as políticas de comunicação já existentes, elaborar uma base conceitual e desenhar o “ecossistema” da comunicação dentro da ação sociotransformadora. A iniciativa visa criar um marco comum que oriente e fortaleça as práticas comunicacionais das diversas organizações.

Também foi definido o calendário de encontros para 2026, com a realização de dois encontros virtuais: um primeiro previsto para março e o segundo em agosto. Além disso, ficou agendado um encontro presencial ampliado, sugerido para os dias 10 e 11 de dezembro de 2026. A proposta é que um dos encontros on-line possa ser aberto a uma participação mais ampla, envolvendo referências de comunicação dos regionais e territórios.

Outro encaminhamento proposto é o fortalecimento para a  campanha vocacional sociotransformadora. Foi ressaltada  a importância de dar visibilidade às histórias de vida que constroem as pastorais sociais, seja por meio de depoimentos, séries de vídeos, podcasts ou materiais para rádio. A ideia é mostrar que as pastorais sociais “estão vivas, têm uma história para contar e um caminho para caminhar”, fortalecendo uma narrativa comunitária em contraposição a discursos individualizantes.

Comunicadoras e comunicadores destacaram a urgência de articular as narrativas das pastorais sociais. Foto: Cláudia Pereira

Comunicadoras e comunicadores destacaram a urgência de articular as narrativas das pastorais sociais. Foto: Cláudia Pereira

Caminhando e cantando, renovando a esperança

Durante a avaliação final, os participantes expressaram o sentimento de renovação e esperança. “A gente chegou aqui cansado, mas saímos com o compromisso renovado de fazer uma comunicação a serviço dos povos”, afirmou um dos comunicadores. 

Outros destacaram a riqueza de conhecer realidades diferentes, como o Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras (CPP) e a Pastoral Rodoviária, e a importância de se sentirem “em casa” em um ambiente acolhedor como o Centro Estigmatino.

A atividade foi encerrada com uma celebração eucarística, conduzida pelo padre Edinho, reforçando o espírito de rede e o compromisso com uma comunicação que não apenas informa, mas transforma. 

A despedida ao padre Dário Bossi, que retorna à Itália depois de duas décadas no Brasil, também marcou e emocionou a todas e todos no encerramento, com as vozes em uníssono “Caminhando e cantando e seguindo a canção". Somos todos iguais, braços dados ou não (...)… Vem, vamos embora, que esperar não é saber. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. 

Na conclusão embalada pela emblemática música “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré, o encontro reafirmou que a comunicação é parte estratégica da luta por direitos, reparações e justiça social, sendo instrumento fundamental para fortalecer os povos, dar voz aos territórios e sustentar processos de transformação enraizados na fé, na solidariedade e na ação coletiva.

Por Flaviana Serafim (Jubileu Sul Brasil) e Henrique Cavalheiro (Conselho Pastoral de Pescadores e Pescadoras - CPP) 

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Com o tema central “Animação vocacional para a ação sociotransformadora”, o evento reuniu comunicadoras e comunicadores de pastorais sociais, redes e organismos de todo o Brasil para refletir, partilhar realidades e fortalecer a missão de uma comunicação comprometida com a transformação social, à luz da Doutrina Social da Igreja.

Grupo diverso de cerca de 25 pessoas posa ao ar livre, em um gramado, durante o Encontro de Comunicação Sócio-Transformadora da Cepast/CNBB. As participantes seguram faixas e bandeiras de diferentes pastorais e organizações sociais, como Cáritas Brasileira, Pastoral Carcerária, Pastoral do Menor, Pastoral da Criança, Pastoral da Pessoa Idosa, Pastoral da Sobriedade, Pastoral do Povo da Rua, CPP e Jubileu Sul. Ao fundo, há árvores e um prédio claro. A imagem transmite articulação em rede, diversidade e compromisso coletivo com justiça social e direitos humanos.

2º Encontro Presencial “Comunicação Sociotransformadora realizado em Brasília nos dias 11 e 12 de dezembro de 2025. - Foto: Cláudia Pereira

Na manhã do primeiro dia (11/12), o momento foi de acolhida, integração e vivência com a facilitação da dança cigana, conduzido por Luciana Vitor, da Associação Cultural Namastê. A atividade prosseguiu com grupos de escuta e partilha, onde os participantes compartilharam os atravessamentos vividos em 2025, os desafios pessoais, profissionais e pastorais que marcaram suas jornadas. A mediação foi da jornalista Cláudia Pereira, da assessoria de comunicação da Cepast.  

À tarde, o debate se aprofundou com um painel sobre animação vocacional para a ação sociotransformadora, facilitado pelo padre Edinho Thomassim, que em breve ocupará a função de  assessor da Cepast-CNBB. O momento foi marcado por relatos emocionantes e reflexões críticas sobre a prática comunicativa no contexto das lutas sociais, da disputa de narrativas e da busca por uma comunicação popular e profética.

Momento de conexão com a dança cigana – foto: Darcy Lima

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Participantes do Encontro de Comunicação Sócio-Transformadora estão reunidos em círculo em uma sala ampla e iluminada, sentados em cadeiras. No centro do espaço, há faixas, cartazes e materiais de diversas pastorais e organizações sociais dispostos no chão, como Pastoral da Criança, Pastoral Carcerária, Cáritas e Jubileu Sul. Uma mulher está em pé, conduzindo a fala, enquanto outras pessoas escutam, anotam e refletem coletivamente. A cena expressa diálogo, planejamento conjunto e construção coletiva de estratégias de comunicação popular.Desafios da comunicação no cenário atual

O 2º dia do encontro foi marcado por debates estratégicos, partilhas e encaminhamentos concretos para fortalecer a comunicação pastoral como ferramenta de transformação social. 

Na retomada dos trabalhos, houve a  plenária para dar continuidade à reflexão do dia anterior, sobre animação vocacional para a ação Sociotransformadora. A mediação foi da jornalista da assessoria de comunicação da Cepast, Jucelene Rocha.  

A manhã também foi marcada por partilhas sobre os desafios enfrentados pelas pastorais no atual contexto político e social, como a concentração dos meios de comunicação nas mãos da iniciativa privada, a desinformação e a criminalização das lutas populares. Nesse cenário, as pessoas participantes destacaram a urgência de articular narrativas próprias, capazes de disputar sentidos, fortalecer identidades e dar visibilidade às experiências de solidariedade, justiça e cuidado com a Casa Comum. 

A discussão evidenciou ainda questões comuns, como a necessidade de formação de base em comunicação, a criação de uma linha editorial comum para as pastorais da Cepast e a urgência de uma campanha vocacional que atraia as juventudes para a ação sociotransformadora. 

Padre Dário Bossi, assessor da Comissão da Cepast-CNBB, reforçou a importância de uma estratégia dupla: atuação nacional articulada para dar visibilidade à pauta, e ação local enraizada nos territórios. Ele também lançou a proposta de um “pacto comunicativo sociotransformador nacional”, visando unificar esforços e amplificar a narrativa da justiça social.

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Na conclusão embalada pela emblemática música “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré, o encontro reafirmou que a comunicação é parte estratégica da luta por direitos, reparações e justiça social, sendo instrumento fundamental para fortalecer os povos, dar voz aos territórios e sustentar processos de transformação enraizados na fé, na solidariedade e na ação coletiva.

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