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Em São José dos Campos (SP), moradores questionam obras em terrenos que estão em litígio e de onde famílias foram despejadas

  • 18 de abril de 2018

Por Cosme Vitor e Rogéria Araujo - Jubileu Sul Brasil
Há mais de treze anos 450 famílias foram removidas pela prefeitura de São José dos Campos sob o argumento de estarem localizadas numa área de risco. Os anos se passaram e estabelecimentos comerciais foram se instalando na área e ampliação e construção de vias urbanas foram construídas no local. O último fato gerou manifestação nos moradores, pois uma nova construção começou a ser feita no local, a Via Cambuí no morro do Regaço, área considerada de risco. Para tratar do assunto, no próximo dia 19 de abril, haverá uma reunião com moradores, Prefeitura de São José dos Campos e representantes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), financiador da obra, às 9h, na Defensoria Pública para tratar do assunto.
A manifestação ocorreu no último dia 10, quando manifestantes, moradores que foram removido há 13 anos, denunciaram que desde a desocupação ocorrida em janeiro de 2003 o terreno continua em litígio, pois corre na Justiça um processo de usucapião em nome dos moradores movido pela Defensoria Pública do Estado.
“Quando nos tiraram de lá a Prefeitura alegou ser uma área de risco, o que, no entanto, foi desmascarado por laudo do IPT”, lembrou Cosme Vitor, líder da Associação de Favelas de São José dos Campos e membro da rede Jubileu Sul Brasil, que desenvolve o projeto “Sujeitos nos Territórios” junto aos moradores de São José dos Campos.
Cosme conta, ainda, que pouco tempo após a expulsão das famílias, o que ficou claro é que toda aquela região passou por um processo de grande especulação imobiliária, com a construção de hipermercado, condomínios de classe média, loja de departamentos e concessionárias de carros.
De acordo com a rede Jubileu Sul Brasil, a luta que se trava em favor dos moradores em São José dos Campos é pelo direito à moradia, denunciando o modelo de gentrificação e higienização em que cidades se tornaram grande oportunidade de negócios, visivelmente para a especulação imobiliária, desrespeitando o direito de morar. “Para as famílias que dali foram removidas resta a reparação por tantos danos psicológicos, financeiros e sociais que sofrem até hoje”, afirmou Rosilene Wansetto, secretária geral da rede.
Sujeitos nos Territórios
O projeto “Sujeitos nos Territórios” tem por objetivo dar visibilidade aos problemas enfrentados pela população desses territórios e auxiliar no processo de auto-organização popular. A rede também acompanha os impactos em áreas empobrecidas e afetadas por obras ligadas a bancos e grandes empreendimentos. Vem realizando ações em São José dos Campos (SP) e em Porto Velho (Rondônia),

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