Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Em carta ao Papa Francisco, movimentos sociais da América Latina e do Caribe denunciam o agravamento da crise humanitária no Haiti e a urgência da retirada das tropas da Minustah

  • 12 de janeiro de 2015

A Rede Jubileu Sul Américas e Diálogo 2000 enviaram uma carta ao Papa Francisco em que apresentam as preocupações partilhadas por centenas de redes, movimentos e organizações populares na América Latina e no Caribe com relação à crise humanitária no Haiti. O documento chegou ao Vaticano poucos dias antes da conferência convocada pelo Papa Francisco, que será realizada no próximo dia 10 (domingo) para assinalar o quinto aniversário do terremoto que matou 230 mil pessoas e afetou um total de três milhões no Haiti.

O documento é assinado pelo Prêmio Nobel da Paz Adolfo Perez Esquivel e a Mãe da Praça de Maio -Linha Fundadora -  Nora Cortiñas dentre outros. O documento expressa a esperança de que a conferência ajude a pensar novas formas de relacionamento com o Haiti e destacou a urgência da retirada de toda a presença militar estrangeira e o fim da Minustah. “Acreditamos, como grande parte da população do Haiti, que essa presença constitui uma verdadeira ocupação  do país (e) sua retirada seria um passo imprescindível para a construção de um Haiti por e para o povo haitiano”.

A carta destaca ainda que o quinto aniversário do terremoto coincide com o que pode ser mais um elemento de agravamento da crise política no país. Com o fim do período estabelecido para o mandato parlamentar, o presidente eleito poderá governar por decreto. Diante da ameaça que se anuncia, os movimentos afirmam que, lamentavelmente, o prognóstico é de consolidação das estratégias de dominação e controle estrangeiro, incluindo a ocupação militar através da Minustah.

Entre as propostas recomendadas para consideração na conferência papal, além do retiro das forças de ocupação da Minustah, incluem-se as seguintes reivindicações:

- Justiça e reparação para as famílias e comunidades das vítimas da epidemia da cólera, incluindo planos para a universalização do acesso à água potável.

- Restituição por parte dos Estados Unidos do estoque de ouro roubado em dezembro de 1914 e reparação para todos os crimes cometidos;

- Restituição por parte da França da “dívida da independência” e reparação voltada para o estabelecimento de um sistema público de ensino (do pré-escolar à pós-graduação) e um sistema de pesquisa e de produção científica para a valorização das potencialidades do país;

- Anulação das dívidas imputadas ao Haiti atualmente pelas políticas de “ajuda” do Banco Mundial com o estabelecimento de projetos de mega-mineração, turismo de luxo e expansão da agroindústria exportadora.

- Abertura de espaço para o exercício pleno da soberania popular na definição de uma visão global de um futuro livre das chantagens da dívida, das Instituições Financeiras Internacionais, do departamento de Estado dos Estados Unidos e da União Européia, da orientação macroeconômica e do controle das instituições nacionais.

- Abertura de espaço para o exercício pleno da soberania popular nas definições político-eleitorais, sem a intromissão dos Eua, Canadá e França em especial, através da ONU/Minustah e da OEA, como se viveu tão fortemente nas eleições de 2010/2011 e nas políticas de desmonte institucional que se seguiram desde então.

- Brigadas e campanhas internacionalistas para apoiar, internamente e externamente, os processos de refundação durante os próximos dez anos.

A carta foi enviada ao Papa junto com três pronunciamentos recentes de várias entidades da região: “100 años de ocupación, 100 años de resistencia”(15/12/2014), Carta abierta de rechazo a la renovación del mandato de la MINUSTAH en Haití (octubre 2014) e Llamado a movilizarnos, 10 años de ocupación, ¡Basta!(junio 2014).

O texto completo da Carta está disponível em espanhol, inglês e francês no seguinte link.

 

Últimas notícias

Jardim Pantanal dá início à construção de cartografia social em parceria com Jubileu Sul e MLB

A Rede Jubileu Sul Brasil (JSB), em parceria com o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) , realizou uma roda de conversa…
Ler mais...

Mulheres da Pequena África marcam casas contra despejo e denunciam PLC 93 em ação de rua no Rio

O grito de alerta ecoou no centro do Rio de Janeiro na última sexta-feira, 22 de maio. Mulheres da Pequena África foram às ruas para…
Ler mais...

Moradia na Vila Dique: conquista para 71 famílias, mas luta continua para que ninguém fique para trás

O último sábado (16) foi de emoções contraditórias na Vila Dique, comunidade da zona norte de Porto Alegre (RS) duramente afetada pelas enchentes de maio…
Ler mais...

Em carta ao Papa Francisco, movimentos sociais da América Latina e do Caribe denunciam o agravamento da crise humanitária no Haiti e a urgência da retirada das tropas da Minustah

  • 12 de janeiro de 2015

A Rede Jubileu Sul Américas e Diálogo 2000 enviaram uma carta ao Papa Francisco em que apresentam as preocupações partilhadas por centenas de redes, movimentos e organizações populares na América Latina e no Caribe com relação à crise humanitária no Haiti. O documento chegou ao Vaticano poucos dias antes da conferência convocada pelo Papa Francisco, que será realizada no próximo dia 10 (domingo) para assinalar o quinto aniversário do terremoto que matou 230 mil pessoas e afetou um total de três milhões no Haiti.

O documento é assinado pelo Prêmio Nobel da Paz Adolfo Perez Esquivel e a Mãe da Praça de Maio -Linha Fundadora -  Nora Cortiñas dentre outros. O documento expressa a esperança de que a conferência ajude a pensar novas formas de relacionamento com o Haiti e destacou a urgência da retirada de toda a presença militar estrangeira e o fim da Minustah. “Acreditamos, como grande parte da população do Haiti, que essa presença constitui uma verdadeira ocupação  do país (e) sua retirada seria um passo imprescindível para a construção de um Haiti por e para o povo haitiano”.

A carta destaca ainda que o quinto aniversário do terremoto coincide com o que pode ser mais um elemento de agravamento da crise política no país. Com o fim do período estabelecido para o mandato parlamentar, o presidente eleito poderá governar por decreto. Diante da ameaça que se anuncia, os movimentos afirmam que, lamentavelmente, o prognóstico é de consolidação das estratégias de dominação e controle estrangeiro, incluindo a ocupação militar através da Minustah.

Entre as propostas recomendadas para consideração na conferência papal, além do retiro das forças de ocupação da Minustah, incluem-se as seguintes reivindicações:

- Justiça e reparação para as famílias e comunidades das vítimas da epidemia da cólera, incluindo planos para a universalização do acesso à água potável.

- Restituição por parte dos Estados Unidos do estoque de ouro roubado em dezembro de 1914 e reparação para todos os crimes cometidos;

- Restituição por parte da França da “dívida da independência” e reparação voltada para o estabelecimento de um sistema público de ensino (do pré-escolar à pós-graduação) e um sistema de pesquisa e de produção científica para a valorização das potencialidades do país;

- Anulação das dívidas imputadas ao Haiti atualmente pelas políticas de “ajuda” do Banco Mundial com o estabelecimento de projetos de mega-mineração, turismo de luxo e expansão da agroindústria exportadora.

- Abertura de espaço para o exercício pleno da soberania popular na definição de uma visão global de um futuro livre das chantagens da dívida, das Instituições Financeiras Internacionais, do departamento de Estado dos Estados Unidos e da União Européia, da orientação macroeconômica e do controle das instituições nacionais.

- Abertura de espaço para o exercício pleno da soberania popular nas definições político-eleitorais, sem a intromissão dos Eua, Canadá e França em especial, através da ONU/Minustah e da OEA, como se viveu tão fortemente nas eleições de 2010/2011 e nas políticas de desmonte institucional que se seguiram desde então.

- Brigadas e campanhas internacionalistas para apoiar, internamente e externamente, os processos de refundação durante os próximos dez anos.

A carta foi enviada ao Papa junto com três pronunciamentos recentes de várias entidades da região: “100 años de ocupación, 100 años de resistencia”(15/12/2014), Carta abierta de rechazo a la renovación del mandato de la MINUSTAH en Haití (octubre 2014) e Llamado a movilizarnos, 10 años de ocupación, ¡Basta!(junio 2014).

O texto completo da Carta está disponível em espanhol, inglês e francês no seguinte link.

 

Últimas notícias

Jardim Pantanal dá início à construção de cartografia social em parceria com Jubileu Sul e MLB

A Rede Jubileu Sul Brasil (JSB), em parceria com o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) , realizou uma roda de conversa…
Ler mais...

Mulheres da Pequena África marcam casas contra despejo e denunciam PLC 93 em ação de rua no Rio

O grito de alerta ecoou no centro do Rio de Janeiro na última sexta-feira, 22 de maio. Mulheres da Pequena África foram às ruas para…
Ler mais...

Moradia na Vila Dique: conquista para 71 famílias, mas luta continua para que ninguém fique para trás

O último sábado (16) foi de emoções contraditórias na Vila Dique, comunidade da zona norte de Porto Alegre (RS) duramente afetada pelas enchentes de maio…
Ler mais...