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Ecos do Grito: vozes de norte a sul do país se manifestam em defesa da vida e da soberania democrática no 7 de setembro

  • 9 de setembro de 2026

Com atos descentralizados em diversas regiões brasileiras, o 32º Grito dos Excluídos e Excluídas reafirmou seu papel histórico como espaço de resistência, articulação e mobilização popular. Mantendo seu tema permanente, “Vida em Primeiro Lugar!”,  e sob o lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”, as manifestações unificaram movimentos sociais, entidades sindicais, pastorais e juventudes em torno de pautas urgentes, com centralidade na proteção à vida das mulheres e na justiça socioambiental.

Nas ruas do centro do Rio de Janeiro, o 32º Grito levou a luta por moradia e pelo fim da operação "Tolerância Zero" contra trabalhadoras e trabalhadores camelôs.

Longe de se limitar a uma data isolada, povos da cidades, do campo, das florestas e das águas de diferentes estados ressaltam que o Grito funciona como um processo contínuo de escuta e base popular. No Rio de Janeiro, a articuladora Gorete Gama pontuou que as ações são tecidas no decorrer de todo o ano. “O Grito no Rio de Janeiro é um processo contínuo de mobilização, construído ao longo do ano por assembleias, plenárias e rodas, com participação popular e culminância em 7 de setembro”, afirmou.

A dinâmica de articulação permanente também foi enfatizada por Sandra Gomes, de Recife (PE), onde a iniciativa já faz parte do calendário local e tem expressiva liderança feminina e diversidade ecumênica. “O grito deste ano foi bem mais forte no sentido de construção coletiva e permanente, organização, diálogo e atos de rua. Reuniu diversos segmentos, com forte participação feminina, diversidade religiosa, irreverência, alegria e bandeiras sociais, como o combate ao feminicídio”, destacou a representante pernambucana.

Movimentos populares, organizações e sindicatos reunidos no Grito na Praça da Sé, centro de São Paulo. Foto: Lucia de Fátima.

Resistência nos territórios e visibilidade local

No Norte, a mobilização em Belém (PA) optou por transferir o ato tradicional do centro da capital para o bairro da Terra Firme, na periferia, realizando a caminhada no dia 5 de setembro para coincidir com o Dia da Amazônia. A marcha, que reuniu mais de 20 entidades, deu visibilidade a questões socioambientais locais, como as reivindicações de preservação do Canal do Rio Tucunduba o plantio de mudas, além de denunciar dados sobre conflitos no campo, divulgado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a violência de gênero. 

“O Grito da Amazônia foi levado à periferia no Dia da Amazônia, ampliando a visibilidade das lutas pela preservação do Rio Tucunduba, contra os conflitos no campo e a violência contra as mulheres, com participação de cerca de 22 organizações”, explicou Sandra Rocha, articuladora em Belém. 

Representantes do Jubileu Sul Brasil e do Movimento de Conselhos Populares (MCP), entidade membro da Rede JSB, no 32º Grito em Fortaleza (CE)

No Centro-Oeste, a integração das pastorais sociais e dioceses deu o tom das atividades. Em Mato Grosso do Sul, atos em Campo Grande e Dourados foram precedidos por encontros de formação desde agosto. “A formação fortaleceu a preparação para o 7 de setembro, com o lema em defesa da terra, da paz e da moradia. A principal pauta foi o combate ao feminicídio, amplamente divulgada pela imprensa”, pontuou Edivaldo Bispo Cardoso.

No Mato Grosso, Juvenal Paiva Silva relatou que os trabalhos começaram com formações em Cuiabá e se estenderam para outras cidades: “Iniciamos o Grito no Regional com ações em diversos municípios; algumas atividades ainda serão realizadas, incluindo audiência pública em Rondonópolis e evento em Barra”, adiantou. 

Romaria do 32º Grito dos Excluídos e Excluídas em Aparecida (SP). Foto: Alderon Costa

Solidariedade e desafios de mobilização

Nas regiões Sul e Sudeste, a mobilização reforçou o papel de acolhimento e convergência de forças populares. No litoral do Paraná, a coordenação estadual registrou que, mesmo sob frio e chuva, o quarto ato consecutivo promoveu diálogo e comunhão. 

Já no interior paulista, Maria de Lourdes, a “Lurdinha” de Campinas, que articula mais de dez municípios vizinhos, ressaltou a importância do reencontro solidário, mas ponderou sobre a necessidade de aprofundar o trabalho de base. “Organizamos o Grito como espaço de encontro, solidariedade e resistência, mas enfrentamos dificuldades para mobilizar as pessoas. Precisamos investir mais no diálogo territorial e no engajamento popular”, defendeu. 

Com abordagens que vão do enfrentamento a obras predatórias nas capitais até o debate sobre direitos humanos e violência estrutural, as vozes do Grito dos Excluídos e Excluídas  mantêm viva a premissa de que a transformação social depende da articulação territorial diária e da vida em primeiro lugar.

Por Cláudia Pereira - Comunicação Grito dos Excluídos e Excluídas 

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  • 9 de setembro de 2026

Com atos descentralizados em diversas regiões brasileiras, o 32º Grito dos Excluídos e Excluídas reafirmou seu papel histórico como espaço de resistência, articulação e mobilização popular. Mantendo seu tema permanente, “Vida em Primeiro Lugar!”,  e sob o lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”, as manifestações unificaram movimentos sociais, entidades sindicais, pastorais e juventudes em torno de pautas urgentes, com centralidade na proteção à vida das mulheres e na justiça socioambiental.

Nas ruas do centro do Rio de Janeiro, o 32º Grito levou a luta por moradia e pelo fim da operação "Tolerância Zero" contra trabalhadoras e trabalhadores camelôs.

Longe de se limitar a uma data isolada, povos da cidades, do campo, das florestas e das águas de diferentes estados ressaltam que o Grito funciona como um processo contínuo de escuta e base popular. No Rio de Janeiro, a articuladora Gorete Gama pontuou que as ações são tecidas no decorrer de todo o ano. “O Grito no Rio de Janeiro é um processo contínuo de mobilização, construído ao longo do ano por assembleias, plenárias e rodas, com participação popular e culminância em 7 de setembro”, afirmou.

A dinâmica de articulação permanente também foi enfatizada por Sandra Gomes, de Recife (PE), onde a iniciativa já faz parte do calendário local e tem expressiva liderança feminina e diversidade ecumênica. “O grito deste ano foi bem mais forte no sentido de construção coletiva e permanente, organização, diálogo e atos de rua. Reuniu diversos segmentos, com forte participação feminina, diversidade religiosa, irreverência, alegria e bandeiras sociais, como o combate ao feminicídio”, destacou a representante pernambucana.

Movimentos populares, organizações e sindicatos reunidos no Grito na Praça da Sé, centro de São Paulo. Foto: Lucia de Fátima.

Resistência nos territórios e visibilidade local

No Norte, a mobilização em Belém (PA) optou por transferir o ato tradicional do centro da capital para o bairro da Terra Firme, na periferia, realizando a caminhada no dia 5 de setembro para coincidir com o Dia da Amazônia. A marcha, que reuniu mais de 20 entidades, deu visibilidade a questões socioambientais locais, como as reivindicações de preservação do Canal do Rio Tucunduba o plantio de mudas, além de denunciar dados sobre conflitos no campo, divulgado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a violência de gênero. 

“O Grito da Amazônia foi levado à periferia no Dia da Amazônia, ampliando a visibilidade das lutas pela preservação do Rio Tucunduba, contra os conflitos no campo e a violência contra as mulheres, com participação de cerca de 22 organizações”, explicou Sandra Rocha, articuladora em Belém. 

Representantes do Jubileu Sul Brasil e do Movimento de Conselhos Populares (MCP), entidade membro da Rede JSB, no 32º Grito em Fortaleza (CE)

No Centro-Oeste, a integração das pastorais sociais e dioceses deu o tom das atividades. Em Mato Grosso do Sul, atos em Campo Grande e Dourados foram precedidos por encontros de formação desde agosto. “A formação fortaleceu a preparação para o 7 de setembro, com o lema em defesa da terra, da paz e da moradia. A principal pauta foi o combate ao feminicídio, amplamente divulgada pela imprensa”, pontuou Edivaldo Bispo Cardoso.

No Mato Grosso, Juvenal Paiva Silva relatou que os trabalhos começaram com formações em Cuiabá e se estenderam para outras cidades: “Iniciamos o Grito no Regional com ações em diversos municípios; algumas atividades ainda serão realizadas, incluindo audiência pública em Rondonópolis e evento em Barra”, adiantou. 

Romaria do 32º Grito dos Excluídos e Excluídas em Aparecida (SP). Foto: Alderon Costa

Solidariedade e desafios de mobilização

Nas regiões Sul e Sudeste, a mobilização reforçou o papel de acolhimento e convergência de forças populares. No litoral do Paraná, a coordenação estadual registrou que, mesmo sob frio e chuva, o quarto ato consecutivo promoveu diálogo e comunhão. 

Já no interior paulista, Maria de Lourdes, a “Lurdinha” de Campinas, que articula mais de dez municípios vizinhos, ressaltou a importância do reencontro solidário, mas ponderou sobre a necessidade de aprofundar o trabalho de base. “Organizamos o Grito como espaço de encontro, solidariedade e resistência, mas enfrentamos dificuldades para mobilizar as pessoas. Precisamos investir mais no diálogo territorial e no engajamento popular”, defendeu. 

Com abordagens que vão do enfrentamento a obras predatórias nas capitais até o debate sobre direitos humanos e violência estrutural, as vozes do Grito dos Excluídos e Excluídas  mantêm viva a premissa de que a transformação social depende da articulação territorial diária e da vida em primeiro lugar.

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