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Documentário Cheiro de Diesel mostra impacto da violência de Estado nas favelas

  • 3 de outubro de 2025

Dirigido pelas jornalistas Gizele Martins e Natasha Neri, o documentário Cheiro de Diesel trata do impacto na vida cotidiana dos moradores das favelas da Maré e da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, e do Morro do Salgueiro, em São Gonçalo, pelas Forças Armadas. A atuação militar foi prevista pelo decreto federal de Garantia de Lei e Ordem (GLO), medida extrema para os casos em que tenham sido esgotadas as tentativas de gestão da segurança pública pelas polícias estaduais.

A estreia do filme será no próximo domingo (5) no Festival do Rio de cinema, em uma sessão fechada para convidados e segue com mais duas exibições nos dias 6 e 7. Ao lado de outros cinco documentários, o longa é um dos concorrentes na mostra Premiére Brasil nesta 27° edição, que reúne também filmes de ficção. O Festival começa nesta quinta-feira (2) e conta ainda com outras oito mostras em salas de cinema espalhadas por toda a cidade.

No elenco, além de Gizele na condução da narrativa, Vitor Santiago, Edrilene Neves e Jefferson Marconi relatam as violações de direitos que sofreram durante o período de vigência da GLO. A primeira ocupação foi entre 2014 e 2015, no contexto dos preparativos para Copa do Mundo, o filme trata ainda a presença das forças armadas entre 2017 e 2018.

Forças Armadas fazem operação conjunta em comunidades do Rio de Janeiro.

Forças Armadas fazem operação conjunta em comunidades do Rio. - Tânia Rêgo/Agência Brasil

Nesses períodos, soldados em tanques de guerra armados de fuzis passaram a patrulhar ruas e vielas e a agravar a violência do Estado como rotina. Em um dos depoimentos mais marcantes, há a denúncia de tortura cometida contra moradores da Penha por militares, numa “sala vermelha”, no quartel da 1ª Divisão do Exército, na Vila Militar de Deodoro, na zona oeste.

“O cotidiano foi de invasão às escolas aos postos de saúde, às casas, revistas constantes, assassinatos e a censura dos comunicadores comunitários. Sofremos muitas violações em 2014 e, infelizmente, a Maré foi laboratório para o que ocorreu no Rio de Janeiro em diversas favelas durante o governo de Michel Temer“, relata Martins ao Brasil de Fato. Ela acompanhou o processo como moradora, jornalista e membro da comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

A diretora acrescenta que os impactos da invasão permanecem nos moradores e pede reparação coletiva. “Então a pergunta que a gente deixa é quem vai nos reparar? Quando vão nos reparar? E a outra pergunta é se a gente vive mesmo numa democracia”, finaliza.

Serviço:
Cheiro de Diesel (84 min / 2025)
Direção: Gizele Martins e Natasha Neri
Produção: Baracoa Filmes e Amana Cine
Coprodução: RioFilme e Canal Brasil
Distribuição: Descoloniza Filmes

Sessões no Festival do Rio:
5/10 às 19h15: Sessão para convidados, no Estação Gávea
6/10 às 13h30: Sessão aberta ao público, seguida de debate, no Cine Odeon.
7/10 às 16h15: Sessão aberta ao público no Cinesystem Belas Artes 5.

Ingressos: No local e online pelo site do Festival de Cinema do Rio ou ingresso.com.

Por Redação - Brasil de Fato

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A estreia do filme será no próximo domingo (5) no Festival do Rio de cinema, em uma sessão fechada para convidados e segue com mais duas exibições nos dias 6 e 7. Ao lado de outros cinco documentários, o longa é um dos concorrentes na mostra Premiére Brasil nesta 27° edição, que reúne também filmes de ficção. O Festival começa nesta quinta-feira (2) e conta ainda com outras oito mostras em salas de cinema espalhadas por toda a cidade.

No elenco, além de Gizele na condução da narrativa, Vitor Santiago, Edrilene Neves e Jefferson Marconi relatam as violações de direitos que sofreram durante o período de vigência da GLO. A primeira ocupação foi entre 2014 e 2015, no contexto dos preparativos para Copa do Mundo, o filme trata ainda a presença das forças armadas entre 2017 e 2018.

Forças Armadas fazem operação conjunta em comunidades do Rio de Janeiro.

Forças Armadas fazem operação conjunta em comunidades do Rio. - Tânia Rêgo/Agência Brasil

Nesses períodos, soldados em tanques de guerra armados de fuzis passaram a patrulhar ruas e vielas e a agravar a violência do Estado como rotina. Em um dos depoimentos mais marcantes, há a denúncia de tortura cometida contra moradores da Penha por militares, numa “sala vermelha”, no quartel da 1ª Divisão do Exército, na Vila Militar de Deodoro, na zona oeste.

“O cotidiano foi de invasão às escolas aos postos de saúde, às casas, revistas constantes, assassinatos e a censura dos comunicadores comunitários. Sofremos muitas violações em 2014 e, infelizmente, a Maré foi laboratório para o que ocorreu no Rio de Janeiro em diversas favelas durante o governo de Michel Temer“, relata Martins ao Brasil de Fato. Ela acompanhou o processo como moradora, jornalista e membro da comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

A diretora acrescenta que os impactos da invasão permanecem nos moradores e pede reparação coletiva. “Então a pergunta que a gente deixa é quem vai nos reparar? Quando vão nos reparar? E a outra pergunta é se a gente vive mesmo numa democracia”, finaliza.

Serviço:
Cheiro de Diesel (84 min / 2025)
Direção: Gizele Martins e Natasha Neri
Produção: Baracoa Filmes e Amana Cine
Coprodução: RioFilme e Canal Brasil
Distribuição: Descoloniza Filmes

Sessões no Festival do Rio:
5/10 às 19h15: Sessão para convidados, no Estação Gávea
6/10 às 13h30: Sessão aberta ao público, seguida de debate, no Cine Odeon.
7/10 às 16h15: Sessão aberta ao público no Cinesystem Belas Artes 5.

Ingressos: No local e online pelo site do Festival de Cinema do Rio ou ingresso.com.

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