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Democracia ameaçada, ruas esvaziadas e direita avançando: até quando?

  • 20 de março de 2024

"É preciso fortalecer, ampliar e dar condições para que as mobilizações respondam, nas ruas, às questões do país. É preciso criar consciência, agir e reagir", destaca a análise de conjuntura da coordenação do Jubileu Sul Brasil

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Neste 1º de abril, se completam seis décadas do golpe civil-militar de 1964. Ditadura que deixou o país nas trevas por 21 anos, com sequelas que seguem até os dias atuais. O espectro da ultradireita continua rondando no mundo e no nosso país. Lamentamos que o governo federal tenha vetado atos públicos oficiais que relembrariam os 60 anos do regime. Os crimes cometidos não podem ser perdoados. Seguiremos exigindo reparações, verdade, memória e justiça às vítimas.

A memória viva precisa ser mantida considerando o contexto recente de tentativa de golpe por setores das Forças Armadas. Vivemos uma situação ameaçadora, com riscos concretos à democracia na atualidade. Ditadura não é coisa do passado, basta ver as demonstrações de força e violência militar que persistem, a exemplo da “Operação Verão” do governador Tarcísio de Freitas na Baixada Santista (SP), com quase 50 mortes em pouco mais de 40 dias.

Por essas e outras, observamos a chance de candidaturas de direita ganharem um campo considerável nas eleições municipais - uma direita que não só quer retirar direitos, mas que é militarizada, associada ao crime organizado, a genocídios, assassinatos.  Há um fundamentalismo religioso com suas promessas de “sucesso”. Apesar desse cenário assustador, persiste a letargia dos movimentos e organizações, que deixaram as ruas como se estivessem à deriva. 

A direita avança e radicaliza porque se fortalece na política econômica baseada na austeridade. Tudo para o capital, migalhas para o social. Continuamos atentos e atentas ao processo de poucas mobilizações nas ruas. Vemos os exemplos em relação à defesa do povo palestino, no esvaziamento das comemorações do Dia Internacional das Mulheres, na pequena capacidade de resposta e de resistência diante do aumento da violência no país e no mundo, da piora das condições de vida. As mobilizações acontecem, mas de maneira pontual e localizada, e isso reflete na desarticulação local e regional.

Em resumo: os movimentos populares precisamos ser mais ousados e estarmos atentos e fortes nas ruas.

Brasil tem responsabilidade histórica com o Haiti

O presidente Lula acertadamente se posicionou sobre o genocídio praticado por Israel contra a Palestina. Temos a esperança que essa mesma contundência venha a ser externada em relação à situação do Haiti. Neste país irmão, as múltiplas crises (fome, crise humanitária, intervenção militar, instabilidade político-econômica e institucional) se aprofundaram ainda mais desde o início de março, com a fuga de detentos após ataque a uma penitenciária e a renúncia do primeiro-ministro Ariel Henry.

A situação já era grave quando ocorreu o assassinato do então presidente Jovenel Moïse, em julho de 2021, e piorou com o crescimento dos grupos armados e a ameaça constante de outra invasão militar internacional. Por isso nos preocupa a pouca iniciativa do governo brasileiro, que tem uma responsabilidade histórica com o povo haitiano pelas consequências nefastas da ação do Exército do país na Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti, a Minustah: epidemia de cólera, abusos sexuais, abandono de crianças e outras violações à população. Seguimos exigindo reparação.

A solução não é o envio de tropas e mais ocupação imperialista. O caminho é apoiar a soberania do povo do Haiti, com o respeito ao “Acordo de Montana”, proposta construída pelos próprios haitianos para uma transição de ruptura e autodeterminação. Indicamos que o governo brasileiro deixe de participar Core Group - também integrado pela Alemanha, Canadá, Espanha, França, Organização dos Estados Americanos e União Europeia, sob liderança dos Estados Unidos - que é a expressão dessa política de domínio.

Seja quanto aos problemas internos ou relativos ao contexto internacional, a Rede Jubileu Sul Brasil destaca que é preciso fortalecer, ampliar e dar condições para que as mobilizações respondam, nas ruas, às questões do país. É preciso criar consciência, agir e reagir.

Seguir a luta, ocupar as ruas e territórios já!

Fora a ocupação da ONU, nenhuma invasão armada!
Pela soberania do povo haitiano e palestino, basta de genocídio!

Rede Jubileu Sul Brasil, 18 de março de 2024.

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Neste 1º de abril, se completam seis décadas do golpe civil-militar de 1964. Ditadura que deixou o país nas trevas por 21 anos, com sequelas que seguem até os dias atuais. O espectro da ultradireita continua rondando no mundo e no nosso país. Lamentamos que o governo federal tenha vetado atos públicos oficiais que relembrariam os 60 anos do regime. Os crimes cometidos não podem ser perdoados. Seguiremos exigindo reparações, verdade, memória e justiça às vítimas.

A memória viva precisa ser mantida considerando o contexto recente de tentativa de golpe por setores das Forças Armadas. Vivemos uma situação ameaçadora, com riscos concretos à democracia na atualidade. Ditadura não é coisa do passado, basta ver as demonstrações de força e violência militar que persistem, a exemplo da “Operação Verão” do governador Tarcísio de Freitas na Baixada Santista (SP), com quase 50 mortes em pouco mais de 40 dias.

Por essas e outras, observamos a chance de candidaturas de direita ganharem um campo considerável nas eleições municipais - uma direita que não só quer retirar direitos, mas que é militarizada, associada ao crime organizado, a genocídios, assassinatos.  Há um fundamentalismo religioso com suas promessas de “sucesso”. Apesar desse cenário assustador, persiste a letargia dos movimentos e organizações, que deixaram as ruas como se estivessem à deriva. 

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Em resumo: os movimentos populares precisamos ser mais ousados e estarmos atentos e fortes nas ruas.

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A situação já era grave quando ocorreu o assassinato do então presidente Jovenel Moïse, em julho de 2021, e piorou com o crescimento dos grupos armados e a ameaça constante de outra invasão militar internacional. Por isso nos preocupa a pouca iniciativa do governo brasileiro, que tem uma responsabilidade histórica com o povo haitiano pelas consequências nefastas da ação do Exército do país na Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti, a Minustah: epidemia de cólera, abusos sexuais, abandono de crianças e outras violações à população. Seguimos exigindo reparação.

A solução não é o envio de tropas e mais ocupação imperialista. O caminho é apoiar a soberania do povo do Haiti, com o respeito ao “Acordo de Montana”, proposta construída pelos próprios haitianos para uma transição de ruptura e autodeterminação. Indicamos que o governo brasileiro deixe de participar Core Group - também integrado pela Alemanha, Canadá, Espanha, França, Organização dos Estados Americanos e União Europeia, sob liderança dos Estados Unidos - que é a expressão dessa política de domínio.

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