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Comunidade Nova Vida e a luta contra a dívida social: Jubileu Sul visita territórios em Manaus

  • 19 de junho de 2026

Nos dias 11 e 12 de junho de 2026, a economista e educadora popular Sandra Quintela, articuladora nacional e membro da coordenação da Rede Jubileu Sul Brasil, esteve em Manaus (AM) para uma série de atividades que conectaram o debate sobre a crise global do capitalismo às lutas concretas por direitos nos territórios da Amazônia. Acompanhada pela articuladora local Hellen Kokama, a visita reforçou a atuação da Rede na comunidade Nova Vida, na Zona Norte de Manaus, e a articulação com movimentos populares e instituições parceiras.

Na manhã do dia 11 de junho, Sandra Quintela e Hellen Kokama realizaram uma visita ao Museu da Amazônia (MUSA), instituição responsável pela retirada e guarda de urnas funerárias indígenas e outros artefatos arqueológicos encontrados no território ocupado pela Comunidade Nova Vida, ação que integra o acordo que garantiu a suspensão da reintegração de posse movida contra centenas de família.

“Essas urnas funerárias estão esperando desde 2023 até agora um tratamento técnico porque o Musa está sem verba. Nós discutimos no próprio Musa, por que que está sem verba? Para onde está indo o dinheiro? Deveria estar sendo investido no patrimônio histórico brasileiro, nas comunidades rurais e urbanas, nas comunidades indígenas, mas está indo para a dívida pública. Foi muito interessante porque a gente fez esse debate em pleno arquivo técnico do museu”, explica Sandra.

No período da tarde, foi realizada uma reunião com parceiros e organizações locais. O encontro permitiu fortalecer vínculos com movimentos sociais, entidades e lideranças que atuam na defesa de direitos na região e contou com a participação do Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (Sares), Central de Movimentos Populares (CMP) e a Casa Amazônica de Francisco e Clara, entre outras entidades.

Grupo de pessoas segurando bandeiras da Associação Wainakana Ayukawara, Rede Jubileu Sul Brasil e SARES/RJSA, sentadas em volta de uma grande tela com desenhos e mensagens sobre direitos populares.

Reunião com parceiros na capital amazonense. Foto: Solange Fontinele.

Ainda no dia 11, à noite, o Auditório Ana Paula da Cúria Metropolitana de Manaus foi palco do debate “Crise global, resposta local: onde o Brasil se encaixa?”, tendo Sandra Quintela como painelista convidada, além de Ivânia Vieira, jornalista e professora da Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

O debate partiu da análise da crise estrutural do capitalismo para refletir sobre os impactos desses processos no Brasil e, especialmente, na região amazônica. As expositoras dialogaram com o público sobre como as respostas locais, construídas a partir da organização popular, da defesa dos territórios e da soberania, podem enfrentar as imposições do capital financeiro e da dívida pública.

Comunidade Nova Vida: história de luta por terra e moradia

No dia 12 de junho, Sandra Quintela visitou a Comunidade Nova Vida, com roda de conversa com as mulheres participantes da ação local do Jubileu Sul em Manaus, por meio do projeto “Resistência e defesa de direitos frente ao sobre-endividamento público”. Além do diálogo e troca de experiências, o momento também foi formativo,  com oficina sobre a cartilha “Dívida pública e crise climática: entenda os impactos na nossa vida” (disponível para baixar gratuitamente clicando aqui).

“Estudando a cartilha, constatamos que as mudanças climáticas existem e que elas afetam diferentemente ricos e pobres. Casa de rico não cai, não alaga. Quem sofre são as populações empobrecidas que não tem infraestrutura, que estão nos bairros mais abastados. Foi uma reflexão relevante e o trabalho todo bastante produtivo”, afirma a educadora popular.

A Comunidade Nova Vida é um símbolo da luta por regularização fundiária e moradia digna na capital amazonense. Cerca de 3.500 famílias vivem na área -  a maioria composta por indígenas de quase 20 etnias, além de migrantes do Haiti, Peru e Venezuela. A comunidade enfrentou por anos uma ação civil pública de reintegração de posse movida em 2018 pelo Ministério Público Federal (MPF), que alegava que a ocupação se formou sobre um sítio arqueológico pertencente ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

A luta da comunidade contou com o apoio da Rede Jubileu Sul Brasil, por meio da Ação “Mulheres por reparação das dívidas sociais”, em parceria com a Cáritas Arquidiocesana, além do Fórum Amazonense de Reforma Urbana e da Campanha Despejo Zero. Em março de 2026, com mediação da Defensoria Pública da União e estadual, foi consensuado que o Musa faria a retirada e a guarda das urnas funerárias, abrindo caminho para a regularização da terra. Em maio, um acordo extrajudicial foi assinado com a presença do MPU, MPE, DPU, DPE, IPHAN e MUSA para anular a ação de retirada dos moradores.

A liderança indígena Hellen Kokama, presidenta da Associação Wainakana Ayukawarana, destacou a importância da visita:

“Para mim, a visita da Sandra foi de suma importância, pois ela presenciou nossa realidade nas rodas de conversa com as mulheres da Nova Vida. Viu também a articulação para trazer a comunidade mais presente ao museu e conheceu o projeto de montar um memorial sobre nossa história e as urnas funerárias retiradas do território, que deram fim a um processo judicial. Também debatemos a crise global com Sandra e Ivânia Vieira. Em dois dias, ela compartilhou conosco o conhecimento sobre dívidas públicas e como elas impactam nossa vida. Essa visita foi muito importante para mim e para a comunidade. Deixo a palavra gratidão.”

Grupo de mulheres sentadas em círculo ao ar livre, conversando e compartilhando lanche.

Partilha do alimento, diálogo e troca de experiências na visita às mulheres da Comunidade Nova Vida. Foto: Hellen Kokama.

Conexão com a luta contra a dívida social

A visita da articuladora nacional à Manaus está diretamente conectada à agenda do Jubileu Sul Brasil de enfrentamento ao sobre-endividamento público e suas consequências sociais. A dívida pública, ao drenar recursos que deveriam ser investidos em políticas de saúde, educação, moradia e saneamento, aprofunda as desigualdades e penaliza justamente as populações mais vulneráveis, como as famílias da Comunidade Nova Vida.

A luta por moradia digna e regularização fundiária é, portanto, uma luta contra a dívida social: a dívida que o Estado e o sistema financeiro impõem ao tirar da população o direito à terra, ao território e à vida com dignidade. Ao articular o debate global com a realidade local, a visita de Sandra Quintela reafirmou o compromisso da Rede Jubileu Sul Brasil com a construção de alternativas concretas nos territórios.

A articulação segue fortalecida com a visita, que ampliou o diálogo com parceiros locais e com as lideranças comunitárias.

As atividades em Manaus fazem parte do projeto "Resistência e defesa de direitos frente ao sobre-endividamento público", realizado pelo JSB por meio do Termo de Fomento nº 984635/2025, firmado com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, decorrente da Emenda Parlamentar nº 36110013, de autoria da deputada federal Luiza Erundina (PSOL-SP), e da Emenda Parlamentar nº 44830012, do deputado federal Tarcísio Motta (PSOL-RJ).

Por Flaviana Serafim - Comunicação Jubileu Sul Brasil

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“Essas urnas funerárias estão esperando desde 2023 até agora um tratamento técnico porque o Musa está sem verba. Nós discutimos no próprio Musa, por que que está sem verba? Para onde está indo o dinheiro? Deveria estar sendo investido no patrimônio histórico brasileiro, nas comunidades rurais e urbanas, nas comunidades indígenas, mas está indo para a dívida pública. Foi muito interessante porque a gente fez esse debate em pleno arquivo técnico do museu”, explica Sandra.

No período da tarde, foi realizada uma reunião com parceiros e organizações locais. O encontro permitiu fortalecer vínculos com movimentos sociais, entidades e lideranças que atuam na defesa de direitos na região e contou com a participação do Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (Sares), Central de Movimentos Populares (CMP) e a Casa Amazônica de Francisco e Clara, entre outras entidades.

Grupo de pessoas segurando bandeiras da Associação Wainakana Ayukawara, Rede Jubileu Sul Brasil e SARES/RJSA, sentadas em volta de uma grande tela com desenhos e mensagens sobre direitos populares.

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Ainda no dia 11, à noite, o Auditório Ana Paula da Cúria Metropolitana de Manaus foi palco do debate “Crise global, resposta local: onde o Brasil se encaixa?”, tendo Sandra Quintela como painelista convidada, além de Ivânia Vieira, jornalista e professora da Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

O debate partiu da análise da crise estrutural do capitalismo para refletir sobre os impactos desses processos no Brasil e, especialmente, na região amazônica. As expositoras dialogaram com o público sobre como as respostas locais, construídas a partir da organização popular, da defesa dos territórios e da soberania, podem enfrentar as imposições do capital financeiro e da dívida pública.

Comunidade Nova Vida: história de luta por terra e moradia

No dia 12 de junho, Sandra Quintela visitou a Comunidade Nova Vida, com roda de conversa com as mulheres participantes da ação local do Jubileu Sul em Manaus, por meio do projeto “Resistência e defesa de direitos frente ao sobre-endividamento público”. Além do diálogo e troca de experiências, o momento também foi formativo,  com oficina sobre a cartilha “Dívida pública e crise climática: entenda os impactos na nossa vida” (disponível para baixar gratuitamente clicando aqui).

“Estudando a cartilha, constatamos que as mudanças climáticas existem e que elas afetam diferentemente ricos e pobres. Casa de rico não cai, não alaga. Quem sofre são as populações empobrecidas que não tem infraestrutura, que estão nos bairros mais abastados. Foi uma reflexão relevante e o trabalho todo bastante produtivo”, afirma a educadora popular.

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A articulação segue fortalecida com a visita, que ampliou o diálogo com parceiros locais e com as lideranças comunitárias.

As atividades em Manaus fazem parte do projeto "Resistência e defesa de direitos frente ao sobre-endividamento público", realizado pelo JSB por meio do Termo de Fomento nº 984635/2025, firmado com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, decorrente da Emenda Parlamentar nº 36110013, de autoria da deputada federal Luiza Erundina (PSOL-SP), e da Emenda Parlamentar nº 44830012, do deputado federal Tarcísio Motta (PSOL-RJ).

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