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Conferências Episcopais do Sul Global pedem voz unificada da Igreja e ações concretas diante da COP30

  • 23 de setembro de 2025

Em um gesto histórico de articulação intercontinental, as Conferências Episcopais do Sul Global – representando África, Ásia, América Latina e Caribe – enviaram uma carta dirigida às Conferências Episcopais de Estados Unidos, Canadá e Europa, bem como à Assembleia Geral da ONU, clamando por uma atuação unificada da Igreja diante da crise climática global.

O documento, assinado pelos cardeais Jaime Spengler (CELAM), Filipe Neri Ferrao (FABC) e Fridolin Ambongo Besungu (SECAM), destaca que a Igreja está chamada a ser “uma voz clara, firme e unida frente aos sinais dos tempos” e sublinha que a 30ª Conferência das Partes sobre o Clima (COP30), marcada para novembro em Belém do Pará, representa “uma oportunidade histórica e um kairós profético” para reafirmar o compromisso da Igreja com a proteção da criação e a defesa dos povos mais vulneráveis.

A carta enfatiza que a sede da COP30, localizada no coração da Amazônia, simboliza a urgência de cuidar de territórios ameaçados por degradação ambiental e da vida das comunidades que dependem desses ecossistemas. Para os cardeais, a situação atual exige uma postura pastoral e missioneira que combine fé, discernimento e compromisso com a justiça climática.

Cardeal Jaime, ao centro, junto aos cardeais do Sul Global: Felipe Neri (FABC) e Fridolin Besungu (SECAM).

Preparação e propostas de ação
Como preparação para a COP30, as Conferências do Sul Global apresentaram o documento intitulado “Um chamado por justiça climática e cuidado da Casa Comum: conversão ecológica, transformação e resistência às falsas soluções”. O texto reflete “o clamor das comunidades em condições de exclusão e vulnerabilidade ambiental” e surge de uma escuta profunda da realidade, dos povos e da natureza, buscando fortalecer a ação pastoral da Igreja em defesa da criação.

A carta apresenta três eixos principais de colaboração com as Igrejas do Norte Global:

  1. Difusão do chamado global: amplificar a mensagem das Conferências do Sul por meio de canais pastorais, formativos e comunicacionais.
  2. Diálogo intercontinental: criar um grupo de trabalho para discernimento e ações conjuntas entre Conferências do Norte e Sul.
  3. Posicionamento público comum: expressar a unidade e a diversidade da Igreja em seu compromisso com a justiça climática, demonstrando que cuidar da Casa Comum é “um ato de fé, justiça e amor cristão”.

Além disso, a carta sugere formalmente que o Papa León XIV participe da COP30, gesto que, segundo os purpurados, evidenciaria globalmente o compromisso da Igreja com a proteção da criação e a promoção de políticas climáticas justas, em linha com as encíclicas Laudato Si’ e Laudate Deum.

Mensagem à ONU e à comunidade internacional
Em paralelo, os bispos do Sul Global enviaram uma comunicação à ONU, destacando a necessidade de que a COP30 produza resultados compatíveis com a dimensão da crise climática. Eles alertam para o aquecimento global, que já atingiu 1,55°C em 2024, e enfatizam que a crise climática é uma questão de justiça, dignidade e cuidado com a Casa Comum.

O documento alerta contra soluções que perpetuam desigualdade e exploração, como o “capitalismo verde”, o extractivismo predatório e a mercantilização da natureza, e defende políticas que assegurem financiamento climático adequado, proteção de ecossistemas e transições socioambientais justas, priorizando o bem comum e a solidariedade.

Os líderes eclesiais concluem destacando que a união entre Conferências Episcopais do Norte e do Sul pode oferecer ao mundo um testemunho sólido de compromisso frente à emergência climática. O chamado é claro: agir de forma coordenada, ética e solidária, promovendo políticas e práticas baseadas em direitos humanos e respeito à biodiversidade, garantindo um futuro digno para as próximas gerações.

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O documento, assinado pelos cardeais Jaime Spengler (CELAM), Filipe Neri Ferrao (FABC) e Fridolin Ambongo Besungu (SECAM), destaca que a Igreja está chamada a ser “uma voz clara, firme e unida frente aos sinais dos tempos” e sublinha que a 30ª Conferência das Partes sobre o Clima (COP30), marcada para novembro em Belém do Pará, representa “uma oportunidade histórica e um kairós profético” para reafirmar o compromisso da Igreja com a proteção da criação e a defesa dos povos mais vulneráveis.

A carta enfatiza que a sede da COP30, localizada no coração da Amazônia, simboliza a urgência de cuidar de territórios ameaçados por degradação ambiental e da vida das comunidades que dependem desses ecossistemas. Para os cardeais, a situação atual exige uma postura pastoral e missioneira que combine fé, discernimento e compromisso com a justiça climática.

Cardeal Jaime, ao centro, junto aos cardeais do Sul Global: Felipe Neri (FABC) e Fridolin Besungu (SECAM).

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A carta apresenta três eixos principais de colaboração com as Igrejas do Norte Global:

  1. Difusão do chamado global: amplificar a mensagem das Conferências do Sul por meio de canais pastorais, formativos e comunicacionais.
  2. Diálogo intercontinental: criar um grupo de trabalho para discernimento e ações conjuntas entre Conferências do Norte e Sul.
  3. Posicionamento público comum: expressar a unidade e a diversidade da Igreja em seu compromisso com a justiça climática, demonstrando que cuidar da Casa Comum é “um ato de fé, justiça e amor cristão”.

Além disso, a carta sugere formalmente que o Papa León XIV participe da COP30, gesto que, segundo os purpurados, evidenciaria globalmente o compromisso da Igreja com a proteção da criação e a promoção de políticas climáticas justas, em linha com as encíclicas Laudato Si’ e Laudate Deum.

Mensagem à ONU e à comunidade internacional
Em paralelo, os bispos do Sul Global enviaram uma comunicação à ONU, destacando a necessidade de que a COP30 produza resultados compatíveis com a dimensão da crise climática. Eles alertam para o aquecimento global, que já atingiu 1,55°C em 2024, e enfatizam que a crise climática é uma questão de justiça, dignidade e cuidado com a Casa Comum.

O documento alerta contra soluções que perpetuam desigualdade e exploração, como o “capitalismo verde”, o extractivismo predatório e a mercantilização da natureza, e defende políticas que assegurem financiamento climático adequado, proteção de ecossistemas e transições socioambientais justas, priorizando o bem comum e a solidariedade.

Os líderes eclesiais concluem destacando que a união entre Conferências Episcopais do Norte e do Sul pode oferecer ao mundo um testemunho sólido de compromisso frente à emergência climática. O chamado é claro: agir de forma coordenada, ética e solidária, promovendo políticas e práticas baseadas em direitos humanos e respeito à biodiversidade, garantindo um futuro digno para as próximas gerações.

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