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Cartografia Social no Jardim Pantanal sistematiza demandas e debate dívida pública

  • 14 de setembro de 2026

A Rede Jubileu Sul Brasil realizou, no Jardim Pantanal, na Zona Leste de São Paulo, mais uma etapa do ciclo de formação com cartografia social, em parceria com o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB-SP). A roda de conversa "Cartografia Social como ferramenta de mobilização social" reuniu moradoras, moradores e lideranças comunitárias, no último 30 de agosto, para sistematizar as experiências da visita de campo realizada em junho e aprofundar o debate sobre direitos, políticas públicas e território. 

As pessoas participantes refletiram sobre como as escolhas relacionadas ao orçamento público influenciam diretamente a capacidade do Estado de ampliar serviços e equipamentos públicos. Nesse contexto, foi debatido o impacto do serviço da dívida pública e da elevada despesa com pagamento de juros desse endividamento, pois comprometem a disponibilidade de recursos para políticas sociais.

A discussão permitiu compreender que a garantia dos direitos sociais envolve também uma dimensão econômica e política: é necessário que existam recursos públicos e decisões de planejamento capazes de sustentar políticas universais e territorializadas.

Saiba mais sobre a metodologia na cartilha “Cartografia Social: ferramenta de transformação social".

Três pessoas, duas mulheres e um homem, seguram uma grande cartografia social artesanal feita em papel kraft. O mapa tridimensional usa fios coloridos para delimitar ruas e blocos de casas, com pequenas figuras de feltro representando moradores ou elementos da comunidade. Na mesa à frente deles, está estendida uma lona branca com o logo da "Rede Jubileu Sul Brasil" e o lema "A vida acima da dívida". Foto: Regina Lima

Atividade faz parte de uma série de encontros realizados em parceria com o MLB-SP no Jd. Pantanal. Fotos: Regina Lima

As mulheres são as mais impactadas pela ausência do Estado

Na roda de conversa, foi destacado que os impactos da insuficiência ou da precariedade das políticas públicas não atingem todas as pessoas da mesma maneira. No território, as mulheres vivenciam de forma mais intensa os efeitos da ausência de serviços públicos, considerando a sobrecarga relacionada ao cuidado com filhos, idosos e outros familiares, além das responsabilidades domésticas e da inserção no mercado de trabalho.

“Quando serviços de saúde, educação, assistência social, creches, equipamentos de cultura e lazer são insuficientes, parte significativa do trabalho de cuidado permanece concentrada nas famílias e, frequentemente, sobrecarrega as mulheres”, pontua a articuladora local Regina Lima.  

Dessa forma, a atividade relacionou garantia de direitos, orçamento público, políticas sociais e desigualdade de gênero, demonstrando que as condições de vida das mulheres estão diretamente ligadas à existência e à qualidade dos serviços públicos disponíveis no território.

Nesse sentido, a participação das mulheres na construção da cartografia social é fundamental para que suas experiências, necessidades e demandas sejam reconhecidas no planejamento das ações públicas. 

Esta imagem é uma composição de duas fotos lado a lado documentando o processo de criação de uma cartografia social. Na foto da esquerda, três pessoas estão inclinadas sobre uma mesa, trabalhando ativamente na construção do mapa com fios coloridos sobre papel kraft. A foto da direita mostra o resultado final: um mapa detalhado onde os fios delimitam ruas e áreas específicas, como "Cultura" e "Esporte", decorado com pequenas figuras feitas de lã colorida. Foto: Regina Lima

O mapa como ferramenta de expressão e reivindicação

Ainda segundo Regina, o mapa produzido durante a visita de campo “foi compreendido como uma ferramenta de expressão coletiva e participação social. Ao representar os serviços públicos que desejam para o território, os participantes não apenas identificaram carências, mas apresentaram uma visão de futuro para o Jardim Pantanal”. 

Por isso, a cartografia social é utilizada não apenas para representar o espaço físico, mas para revelar relações sociais, necessidades, desigualdades, expectativas e possibilidades de transformação. A atividade possibilitou transformar necessidades percebidas no cotidiano em propostas concretas, contribuindo para fortalecer o protagonismo comunitário e a capacidade de reivindicação de direitos.

A roda de conversa do dia 30 de agosto é parte de uma série de encontros já iniciados no território, em parceria com o MLB-SP, que incluem rodas de conversa, visitas de campo e oficinas de cartografia social. A experiência reafirmou a importância da cartografia social como instrumento de participação, mobilização e reivindicação de direitos, fortalecendo a perspectiva de que os moradores devem ser sujeitos ativos na construção do presente e do futuro do território. 

A atividade integra o projeto “Resistência e defesa de direitos frente ao sobre-endividamento público”, executado pelo Jubileu Sul em parceria com o Ministério de Direitos Humanos e Cidadania, por meio do Termo de Fomento nº 984635/2025.

Por Flaviana Serafim - Jubileu Sul Brasil

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As pessoas participantes refletiram sobre como as escolhas relacionadas ao orçamento público influenciam diretamente a capacidade do Estado de ampliar serviços e equipamentos públicos. Nesse contexto, foi debatido o impacto do serviço da dívida pública e da elevada despesa com pagamento de juros desse endividamento, pois comprometem a disponibilidade de recursos para políticas sociais.

A discussão permitiu compreender que a garantia dos direitos sociais envolve também uma dimensão econômica e política: é necessário que existam recursos públicos e decisões de planejamento capazes de sustentar políticas universais e territorializadas.

Saiba mais sobre a metodologia na cartilha “Cartografia Social: ferramenta de transformação social".

Três pessoas, duas mulheres e um homem, seguram uma grande cartografia social artesanal feita em papel kraft. O mapa tridimensional usa fios coloridos para delimitar ruas e blocos de casas, com pequenas figuras de feltro representando moradores ou elementos da comunidade. Na mesa à frente deles, está estendida uma lona branca com o logo da "Rede Jubileu Sul Brasil" e o lema "A vida acima da dívida". Foto: Regina Lima

Atividade faz parte de uma série de encontros realizados em parceria com o MLB-SP no Jd. Pantanal. Fotos: Regina Lima

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Na roda de conversa, foi destacado que os impactos da insuficiência ou da precariedade das políticas públicas não atingem todas as pessoas da mesma maneira. No território, as mulheres vivenciam de forma mais intensa os efeitos da ausência de serviços públicos, considerando a sobrecarga relacionada ao cuidado com filhos, idosos e outros familiares, além das responsabilidades domésticas e da inserção no mercado de trabalho.

“Quando serviços de saúde, educação, assistência social, creches, equipamentos de cultura e lazer são insuficientes, parte significativa do trabalho de cuidado permanece concentrada nas famílias e, frequentemente, sobrecarrega as mulheres”, pontua a articuladora local Regina Lima.  

Dessa forma, a atividade relacionou garantia de direitos, orçamento público, políticas sociais e desigualdade de gênero, demonstrando que as condições de vida das mulheres estão diretamente ligadas à existência e à qualidade dos serviços públicos disponíveis no território.

Nesse sentido, a participação das mulheres na construção da cartografia social é fundamental para que suas experiências, necessidades e demandas sejam reconhecidas no planejamento das ações públicas. 

Esta imagem é uma composição de duas fotos lado a lado documentando o processo de criação de uma cartografia social. Na foto da esquerda, três pessoas estão inclinadas sobre uma mesa, trabalhando ativamente na construção do mapa com fios coloridos sobre papel kraft. A foto da direita mostra o resultado final: um mapa detalhado onde os fios delimitam ruas e áreas específicas, como "Cultura" e "Esporte", decorado com pequenas figuras feitas de lã colorida. Foto: Regina Lima

O mapa como ferramenta de expressão e reivindicação

Ainda segundo Regina, o mapa produzido durante a visita de campo “foi compreendido como uma ferramenta de expressão coletiva e participação social. Ao representar os serviços públicos que desejam para o território, os participantes não apenas identificaram carências, mas apresentaram uma visão de futuro para o Jardim Pantanal”. 

Por isso, a cartografia social é utilizada não apenas para representar o espaço físico, mas para revelar relações sociais, necessidades, desigualdades, expectativas e possibilidades de transformação. A atividade possibilitou transformar necessidades percebidas no cotidiano em propostas concretas, contribuindo para fortalecer o protagonismo comunitário e a capacidade de reivindicação de direitos.

A roda de conversa do dia 30 de agosto é parte de uma série de encontros já iniciados no território, em parceria com o MLB-SP, que incluem rodas de conversa, visitas de campo e oficinas de cartografia social. A experiência reafirmou a importância da cartografia social como instrumento de participação, mobilização e reivindicação de direitos, fortalecendo a perspectiva de que os moradores devem ser sujeitos ativos na construção do presente e do futuro do território. 

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