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Caravana percorre estados brasileiros para visibilizar violações cometidas pela Vale

  • 12 de agosto de 2015

Desde o dia 8 de agosto, cerca de 200 pessoas percorrem em caravana três estados brasileiros. São quilombolas, ribeirinhos, agricultores, indígenas, sem-terra, que têm em comum a violação aos seus territórios por conta das atividades da Vale S.A. A caravana acontece dentro da programação do V Encontro Internacional dos/as Atingidos/as pela Vale e pretende denunciar e visibilizar as sérias consequências deixadas pela maior mineradora do país, sobretudo, nas populações mais pobres e excluídas. O encontro segue até esta quinta-feira (13), em Belo Horizonte (MG).
De antemão, conforme adianta a organização do encontro, por motivos de segurança, os locais e datas por onde a caravana irá passar não serão divulgados antecipadamente, e sim pelas redes sociais com a hastag #AtingidospelaVale e no blog atingidospelavale.wordpress.com, onde será possível acompanhar. Mas haverá cobertura de todas as atividades.
No último dia 10, a caravana esteve na Serra do Gandarela em Minas Gerais. Onde, explicam, já acontece manobras, com aval do governo, que favorecem a mineradora. O parque criado para a preservação da Serra não incluiu propositadamente as montanhas que serão exploradas por projetos da Vale. Esse é apenas um exemplo de vários fatos conhecidos em todos os estados onde a empresa está presente, hoje em 13 estados brasileiros.
O padre Dário Bossi, integrante da rede Justiça nos Trilhos, em entrevista à Rede Jubileu Sul Brasil, explica que o objetivo da caravana é dar visibilidade a conflitos que não são publicizados como deveriam. Só para se ter ideia, a rede tem pesquisado e sistematizado entre 2012 e 2014, pelo menos, 26 conflitos abertos entre comunidades e a empresa ao longo do corredor Carajás (Pará). As comunidades reagem. Fazem manifestações, bloqueiam estradas que dão acesso aos canteiros de obra da duplicação, fazem atos em frente a instituições públicas.
“Esta situação é gritante, mas abafada, pouco visibilizada, seja pelas estratégias de comunicação e sedução da empresa, seja ainda pelo pouco interesse da mídia. Por isso a caravana é composta por jornalistas e está conectada com jornalistas dentro e fora do País. É preciso manifestar solidariedade aos atingidos pela Vale. A proximidade de outros atingidos, de coordenadores de entidades de defesa dos direitos humanos, de pesquisadores e jornalistas é muito importante para essas comunidades que precisam de maior articulação”, falou Bossi.
Os projetos da Vale são considerado pelas revistas especializadas como “a revolução mundial em mineração”, o projeto Vale S112 que pretende duplicar um sistema inteiro envolvendo mina-ferrovia-porto em Carajás, já para as comunidades não é símbolo de revolução, mas motivo de rechaço.
Dário explica que na medida em que aumentam as operações para a duplicação também aumentam os conflitos. As cerca de 100 comunidade que são afetadas pela estrada de ferro Carajás estão cada vez mais conscientes dessas violações e procuram meios para protestar. O resultado disso é que nos últimos anos, continua o padre, as violações cresceram visivelmente e, com isso, os protestos populares tem aumentado.  Mas há todo um aparato para conter essas manifestações, seja por parte do Estado que intensifica a violência policial criminalizando os protestos e suas lideranças, ou por parte da empresa que vem processando lideranças.
“Mesmo assim, as lideranças não estão recuando. Ao contrário, estão aumentando o número de protestos e consolidando algumas ocupações de terra em defesa da região onde a Vale pretende expandir seus empreendimentos e as famílias pretendem se valorizar pela agricultura”, complementa o padre.
A Vale
A Vale foi privatizada em 1997, vendida a 3,3 bilhões de reais, um preço calculado três vezes mais baixo do que valia de fato. Em 2007, a Campanha “A Vale é Nossa”, da qual o Jubileu Sul Brasil, fez parte, esteve à frente de um plebiscito popular, no qual uma das perguntas feitas à população era se a Vale deveria continuar sob comando do capital privado. 94,5% dos votantes responderam que não.
Desde então, várias organizações se mobilizam para mostrar que a venda da Vale em nada melhorou as finanças estatais – principal argumento utilizado para a venda da estatal. Todos os anos a Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale lançam um informe sombra se opondo ao relatório oficial de sustentabilidade que a empresa é obrigada a divulgar anualmente.
Para ler o relatório de Insustentabilidade da Vale: Leia o relatório online
A rede Jubileu Sul Brasil publicou várias entrevistas e notícias sobre este assunto. Confira:
Dário Bossi: “Relatórios da Vale apresentam meias verdades e relativizam problemas reais das comunidades” - https://jubileusul.org.br/nota/2794
Dirlene Marques: “Plebiscito da Vale abriu debate importante sobre modelo econômico e social no país” - https://jubileusul.org.br/nota/2837
Insustentabilidade: Relatório denuncia violações cometidas pela Vale - https://jubileusul.org.br/nota/2788
Privatização da Vale: A resistência de um cidadão brasileiro em busca de justiça - https://jubileusul.org.br/nota/2769

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De antemão, conforme adianta a organização do encontro, por motivos de segurança, os locais e datas por onde a caravana irá passar não serão divulgados antecipadamente, e sim pelas redes sociais com a hastag #AtingidospelaVale e no blog atingidospelavale.wordpress.com, onde será possível acompanhar. Mas haverá cobertura de todas as atividades.
No último dia 10, a caravana esteve na Serra do Gandarela em Minas Gerais. Onde, explicam, já acontece manobras, com aval do governo, que favorecem a mineradora. O parque criado para a preservação da Serra não incluiu propositadamente as montanhas que serão exploradas por projetos da Vale. Esse é apenas um exemplo de vários fatos conhecidos em todos os estados onde a empresa está presente, hoje em 13 estados brasileiros.
O padre Dário Bossi, integrante da rede Justiça nos Trilhos, em entrevista à Rede Jubileu Sul Brasil, explica que o objetivo da caravana é dar visibilidade a conflitos que não são publicizados como deveriam. Só para se ter ideia, a rede tem pesquisado e sistematizado entre 2012 e 2014, pelo menos, 26 conflitos abertos entre comunidades e a empresa ao longo do corredor Carajás (Pará). As comunidades reagem. Fazem manifestações, bloqueiam estradas que dão acesso aos canteiros de obra da duplicação, fazem atos em frente a instituições públicas.
“Esta situação é gritante, mas abafada, pouco visibilizada, seja pelas estratégias de comunicação e sedução da empresa, seja ainda pelo pouco interesse da mídia. Por isso a caravana é composta por jornalistas e está conectada com jornalistas dentro e fora do País. É preciso manifestar solidariedade aos atingidos pela Vale. A proximidade de outros atingidos, de coordenadores de entidades de defesa dos direitos humanos, de pesquisadores e jornalistas é muito importante para essas comunidades que precisam de maior articulação”, falou Bossi.
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“Mesmo assim, as lideranças não estão recuando. Ao contrário, estão aumentando o número de protestos e consolidando algumas ocupações de terra em defesa da região onde a Vale pretende expandir seus empreendimentos e as famílias pretendem se valorizar pela agricultura”, complementa o padre.
A Vale
A Vale foi privatizada em 1997, vendida a 3,3 bilhões de reais, um preço calculado três vezes mais baixo do que valia de fato. Em 2007, a Campanha “A Vale é Nossa”, da qual o Jubileu Sul Brasil, fez parte, esteve à frente de um plebiscito popular, no qual uma das perguntas feitas à população era se a Vale deveria continuar sob comando do capital privado. 94,5% dos votantes responderam que não.
Desde então, várias organizações se mobilizam para mostrar que a venda da Vale em nada melhorou as finanças estatais – principal argumento utilizado para a venda da estatal. Todos os anos a Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale lançam um informe sombra se opondo ao relatório oficial de sustentabilidade que a empresa é obrigada a divulgar anualmente.
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