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Caravana do Nordeste rumo à Cúpula dos Povos em Belém (PA): 110 vozes por justiça climática e social

  • 6 de novembro de 2025

Uma delegação composta por 110 representantes de mais de 30 organizações e movimentos sociais do Nordeste brasileiro inicia na noite de 10 de novembro uma jornada de mobilização rumo à Cúpula dos Povos em Belém (PA). A iniciativa visa incidir na agenda da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorrerá no Brasil a partir da próxima semana.

O ônibus da caravana sairá de Fortaleza (CE) e vai passar pelos estados do Piauí e do Maranhão, levando a diversidade de vozes dos povos do campo, da cidade, das águas e das florestas, comunidades tradicionais, indígenas, quilombolas, ativistas, juventude, mulheres e LGBTQIAPN+, unidas pela preocupação com a crise climática e social que atinge a região.

A Cúpula dos Povos é uma grande articulação de movimentos sociais, organizações da sociedade civil e povos tradicionais e que organiza eventos autônomos realizado de forma paralela às conferências da Organização das Nações Unidas. O objetivo é dar voz a grupos costumeiramente silenciados e marginalizados nas iniciativas oficiais de discussão da crise climática e fortalecer a agenda de justiça socioambiental.

Propósito da caravana: denúncia e proposta de alternativas

A delegação é o resultado de um processo de articulação e debates que incluiu um seminário de três dias realizado em Fortaleza no último mês de agosto. A ideia é fortalecer a participação social e dar visibilidade às múltiplas demandas da região. Representantes de mais de 30 coletivos como A Rua É Nóis, Sindicato dos Docentes das Universidades Federais do Estado do Ceará (ADUFC), Rede Jubilel Sul, Central de Movimentos Populares (CMP), Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE), Marcha Mundial das Mulheres (MMM), Movimento Negro Unificado (MNU), Terramar e outros, compõem a delegação que irá a Belém.

As organizações da sociedade civil que compõem a delegação se reconhecem como guardiãs e guardiões de saberes e práticas que oferecem alternativas concretas e defendem a participação nas decisões que envolvam seus territórios. Durante o seminário “Transição ou transação energética: conflitos, violação de direitos, clima e o poder digital”, realizado na capital cearense, foi elaborado um manifesto com propostas para enfrentar a crise ambiental com respeito aos territórios, às pessoas, à natureza e ao bem viver.

"Nós, povos do Nordeste, reafirmamos que, de um lado, iremos permanecer lutando pela manutenção da vida na região e no mundo; de outro lado, continuaremos denunciando que empresas e estados estão longe de apontar transição energética justa e inclusiva", denuncia a “Carta Política da Cúpula dos Povos Nordeste”, documento* elaborado nos encontros de preparação em Fortaleza (acesse a íntegra da carta no final do texto).

Críticas ao modelo atual e a luta por uma transição justa

O movimento denuncia veementemente a narrativa atual de "transição energética" pois entende que se trata de um processo de mercantilização da ecologia, que ganha novas roupagens sob o manto de "falsas soluções" para o enfrentamento da crise climática.

  • Zonas de sacrifício: O texto político repudia o uso do Nordeste brasileiro, seus corpos e territorialidades como "zonas de sacrifício" para projetos de energia renovável (eólicas offshore, solar) integrados a dinâmicas de destruição de ecossistemas e implantação sem a escuta das comunidades.
  • Colonialismo renovado: As organizações apontam que o colonialismo não acabou, mas se manifesta no padrão de captura corporativa sobre o Estado, que promove medidas de austeridade e liberalização de mercados.
  • Racismo ambiental e violência de gênero: A Caravana alerta que a conexão do Estado com o capital, em nome da transição climática, aprofunda o racismo ambiental e a violência de gênero, penalizando as pessoas pobres e negras de forma desproporcional.

Demandas e propostas para um futuro soberano

A pauta da caravana defende uma transição energética justa, popular e descentralizada, que respeite os direitos dos povos, incluindo a Consulta Prévia, Livre e Informada (Convenção 169 da OIT).

As verdadeiras soluções passam por uma reforma sistêmica nas estruturas sociais:

  • Reforma agrária e urbana: Implementação de políticas históricas dos movimentos sociais.
  • Direitos territoriais: Demarcação, titulação e regularização de territórios, e reconhecimento dos saberes ancestrais.
  • Financiamento climático justo: Fortalecimento de iniciativas comunitárias, contrário ao racismo ambiental.
  • Responsabilização: Identificação e responsabilização dos agentes causadores de violações e violências.

A delegação segue com o compromisso de construir, em Belém, uma rede de proteção e questionamento aos governos e ao capital, defendendo que a COP 30 seja um espaço justo, popular e descentralizado.

Saiba mais: confira aqui a íntegra da “Carta Política da Cúpula dos Povos Nordeste”:

Português: carta politica cupula dos povos COP 30_PTBR_V 05 nov 25

Espanhol: Carta _politica cupula dos povos COP 30_ESP_V_06 NOV 2025

Inglês: carta_politica cupula dos povos COP 30_ENG_V 05 nov 2025

*Entre as organizações que assinam a carta estão: 
ABONG
Cáritas Brasileira
Centelhas
Central Sindical E Popular Conlutas
Centro De Defesa Da Vida Herbert De Sousa
Centro Dom Helder Câmara De Estudo E Ação Social
Coletivo Antônia Flor
Coletivo Entre Margens
Coletivo Mulher Vida
Comissão Ilha Ativa
Comissão Pastoral Da Terra
Comissão Pastoral Dos Pescadores
Comitê Cearense Da Cúpula Dos Povos
Esplar
Etnologia Tradição Ambiente E Pesca Artesanal
FASE
Filha Do Sol
Frente De Luta Por Moradia Digna
Grupo De Pesquisa Em Jornalismo Gênero E Edu Comunicação Do Semiárido
Instituto Polis
Instituto Terramar
Mandato Adriana Gerônimo
Mandato Gabriel Aguiar
Mandato Renato Roseno
Marcha Mundial Das Mulheres
Movimento 21 De Abril
Movimento Atingidos Por Renováveis
Movimento Dos Conselhos Populares
Movimento Dos Pequenos Agricultores
Movimento Dos Trabalhadores Sem Terra
Movimento Negro Unificado
Movimento Renovando A Terra
Pajeú
Pastoral Do Povo Da Rua
Povo Anacé Da Terra Tradicional
Programa De Pós Graduação Em Antropologia Social da UFRN
Rede Jubileu Sul Brasil
Rede Reaver
Sindicato Dos Trabalhadores Da Fiocruz
Sindicato Dos Trabalhadores Da UFC
SOS Corpo Instituto Feminista para a Democracia
Instituto Terre Des Hommes

Por Comunicação - Cúpula dos Povos do Nordeste na COP 30

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O ônibus da caravana sairá de Fortaleza (CE) e vai passar pelos estados do Piauí e do Maranhão, levando a diversidade de vozes dos povos do campo, da cidade, das águas e das florestas, comunidades tradicionais, indígenas, quilombolas, ativistas, juventude, mulheres e LGBTQIAPN+, unidas pela preocupação com a crise climática e social que atinge a região.

A Cúpula dos Povos é uma grande articulação de movimentos sociais, organizações da sociedade civil e povos tradicionais e que organiza eventos autônomos realizado de forma paralela às conferências da Organização das Nações Unidas. O objetivo é dar voz a grupos costumeiramente silenciados e marginalizados nas iniciativas oficiais de discussão da crise climática e fortalecer a agenda de justiça socioambiental.

Propósito da caravana: denúncia e proposta de alternativas

A delegação é o resultado de um processo de articulação e debates que incluiu um seminário de três dias realizado em Fortaleza no último mês de agosto. A ideia é fortalecer a participação social e dar visibilidade às múltiplas demandas da região. Representantes de mais de 30 coletivos como A Rua É Nóis, Sindicato dos Docentes das Universidades Federais do Estado do Ceará (ADUFC), Rede Jubilel Sul, Central de Movimentos Populares (CMP), Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE), Marcha Mundial das Mulheres (MMM), Movimento Negro Unificado (MNU), Terramar e outros, compõem a delegação que irá a Belém.

As organizações da sociedade civil que compõem a delegação se reconhecem como guardiãs e guardiões de saberes e práticas que oferecem alternativas concretas e defendem a participação nas decisões que envolvam seus territórios. Durante o seminário “Transição ou transação energética: conflitos, violação de direitos, clima e o poder digital”, realizado na capital cearense, foi elaborado um manifesto com propostas para enfrentar a crise ambiental com respeito aos territórios, às pessoas, à natureza e ao bem viver.

"Nós, povos do Nordeste, reafirmamos que, de um lado, iremos permanecer lutando pela manutenção da vida na região e no mundo; de outro lado, continuaremos denunciando que empresas e estados estão longe de apontar transição energética justa e inclusiva", denuncia a “Carta Política da Cúpula dos Povos Nordeste”, documento* elaborado nos encontros de preparação em Fortaleza (acesse a íntegra da carta no final do texto).

Críticas ao modelo atual e a luta por uma transição justa

O movimento denuncia veementemente a narrativa atual de "transição energética" pois entende que se trata de um processo de mercantilização da ecologia, que ganha novas roupagens sob o manto de "falsas soluções" para o enfrentamento da crise climática.

  • Zonas de sacrifício: O texto político repudia o uso do Nordeste brasileiro, seus corpos e territorialidades como "zonas de sacrifício" para projetos de energia renovável (eólicas offshore, solar) integrados a dinâmicas de destruição de ecossistemas e implantação sem a escuta das comunidades.
  • Colonialismo renovado: As organizações apontam que o colonialismo não acabou, mas se manifesta no padrão de captura corporativa sobre o Estado, que promove medidas de austeridade e liberalização de mercados.
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