A campanha “10% pela Vida” - uma articulação internacional que propõe a redução do gasto militar, a redefinição dos conceitos de segurança e o direcionamento de recursos para políticas que garantam vida digna, justiça social e sustentabilidade - ganha força na América Latina em um momento de escalada da militarização na região. As redes Jubileu Sul Brasil e Jubileu Sul/Américas integram esse esforço coletivo, que denuncia o aumento expressivo dos orçamentos de defesa enquanto crescem as desigualdades, a crise climática e as necessidades urgentes de investimento social.
Como parte das ações da campanha, representantes das duas redes estarão presentes no debate “Tecendo uma agenda latinoamericana pela paz”, que acontece no dia 30 de junho, das 18h às 20h, na Biblioteca Municipal Augusto Roa Bastos, no Centro Cultural Manzana de la Rivera, em Assunção, Paraguai.
O evento reunirá organizações de toda a América Latina e do Caribe para dialogar sobre alternativas que coloquem a vida, a justiça e a paz no centro das políticas regionais. A atividade faz parte do processo de fortalecimento da campanha e antecede a realização de um encontro regional.
Na programação está prevista uma missão de observação sobre a militarização do território, com atenção especial ao departamento de Canindeyú, no nordeste do Paraguai, zona fronteiriça com o Brasil. A região reflete dinâmicas complexas onde a expansão da militarização se entrelaça com a presença do narcotráfico e do crime organizado. A missão vai permitir um contato direto com essas realidades, contribuindo para enriquecer a análise e as propostas do encontro.
Representantes do Jubileu Sul Brasil e do Jubileu Sul/Américas participam das atividades, fortalecendo a articulação regional e contribuindo com as experiências e propostas construídas nos territórios brasileiros. A participação das redes reafirma o compromisso com a construção de uma agenda comum pela paz, pela desmilitarização e pela reorientação dos gastos públicos para políticas que priorizem a vida.

Protesto contra a operação policial que deixou mais de 119 pessoas mortas no Complexo da Penha, em frente ao Palácio Guanabara, sede do governo do Rio de Janeiro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Acesse o site oficial da campanha (em espanhol) clicando aqui.
Gasto militar na América Latina atinge US$ 56,3 bilhões
O mais recente relatório do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI na sigla em inglês) confirma uma tendência preocupante: em 2025, a América do Sul destinou US$ 56,3 bilhões ao gasto militar, com um aumento real de 3,4% em relação a 2024 e de 5,7% na última década.
Alguns países exemplificam essa escalada:
- Brasil: alcançou US$ 23,9 bilhões, com aumento de 13%;
- Colômbia: destinou US$ 14,5 bilhões, valor 36% superior ao de 2016 e equivalente a cerca de 3,2% do PIB;
- Guyana: embora com gasto menor (US$ 248 milhões), registrou alta de 16% em meio às tensões com a Venezuela pela região de Essequibo.
“Esses dados mostram que a militarização orçamentária não é um assunto exclusivo das grandes potências. Ela atravessa a América Latina, uma região marcada pela precarização das condições de vida, conflitos territoriais, crise climática e necessidades urgentes de ações voltadas à paz”, destaca o documento da campanha.
Militarização e direita política: uma combinação perigosa
Em paralelo ao aumento do gasto militar, a América Latina atravessa um preocupante processo de direitização política, que tem fortalecido discursos de “tolerância zero”, securitização e controle territorial como respostas priorizadas frente às crises sociais, econômicas e ambientais.
Em diversos países, governos e setores conservadores promovem o fortalecimento das forças armadas e policiais, ampliando sua presença em tarefas de segurança interna, controle migratório, proteção de projetos extrativistas e repressão de protestos populares.
Esse giro político se articula com dinâmicas político-econômicas globais, pressões dos Estados Unidos e novas doutrinas de segurança que reativam lógicas de “inimigo interno” e de militarização da vida cotidiana.
“A expansão do militarismo deve ser entendida como uma decisão orçamentária e parte de um projeto político que aprofunda o autoritarismo, o extrativismo e as desigualdades estruturais, debilitando a democracia e desviando recursos urgentes para garantir direitos sociais, justiça climática e construção de paz”, alerta o manifesto da campanha.
Agendas feministas, antimilitaristas e ambientalistas em disputa
A campanha “10% pela Vida” reconhece o papel fundamental das agendas feministas, antimilitaristas, ambientalistas e de direitos humanos na disputa dos imaginários de segurança, no questionamento das economias de guerra e na defesa de alternativas centradas no cuidado da vida e dos territórios.
Diversas organizações, movimentos sociais e redes regionais já impulsionam agendas de desmilitarização, construção de paz e redistribuição do gasto militar para políticas que priorizem a vida, a justiça social e a sustentabilidade.
“A campanha ‘10% pela Vida’ busca articular esforços e fortalecer uma agenda comum na região”, afirma a coordenação da iniciativa.
Como parte da preparação do encontro, será realizado um mapeamento de iniciativas e processos na América Latina vinculados ao militarismo e à desmilitarização, com o objetivo de identificar atores-chave, aprendizados e oportunidades de articulação.
Por Redação - Jubileu Sul Brasil
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A campanha “10% pela Vida” - uma articulação internacional que propõe a redução do gasto militar, a redefinição dos conceitos de segurança e o direcionamento de recursos para políticas que garantam vida digna, justiça social e sustentabilidade - ganha força na América Latina em um momento de escalada da militarização na região. As redes Jubileu Sul Brasil e Jubileu Sul/Américas integram esse esforço coletivo, que denuncia o aumento expressivo dos orçamentos de defesa enquanto crescem as desigualdades, a crise climática e as necessidades urgentes de investimento social.
Como parte das ações da campanha, representantes das duas redes estarão presentes no debate “Tecendo uma agenda latinoamericana pela paz”, que acontece no dia 30 de junho, das 18h às 20h, na Biblioteca Municipal Augusto Roa Bastos, no Centro Cultural Manzana de la Rivera, em Assunção, Paraguai.
O evento reunirá organizações de toda a América Latina e do Caribe para dialogar sobre alternativas que coloquem a vida, a justiça e a paz no centro das políticas regionais. A atividade faz parte do processo de fortalecimento da campanha e antecede a realização de um encontro regional.
Na programação está prevista uma missão de observação sobre a militarização do território, com atenção especial ao departamento de Canindeyú, no nordeste do Paraguai, zona fronteiriça com o Brasil. A região reflete dinâmicas complexas onde a expansão da militarização se entrelaça com a presença do narcotráfico e do crime organizado. A missão vai permitir um contato direto com essas realidades, contribuindo para enriquecer a análise e as propostas do encontro.
Representantes do Jubileu Sul Brasil e do Jubileu Sul/Américas participam das atividades, fortalecendo a articulação regional e contribuindo com as experiências e propostas construídas nos territórios brasileiros. A participação das redes reafirma o compromisso com a construção de uma agenda comum pela paz, pela desmilitarização e pela reorientação dos gastos públicos para políticas que priorizem a vida.

Protesto contra a operação policial que deixou mais de 119 pessoas mortas no Complexo da Penha, em frente ao Palácio Guanabara, sede do governo do Rio de Janeiro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Acesse o site oficial da campanha (em espanhol) clicando aqui.
Gasto militar na América Latina atinge US$ 56,3 bilhões
O mais recente relatório do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI na sigla em inglês) confirma uma tendência preocupante: em 2025, a América do Sul destinou US$ 56,3 bilhões ao gasto militar, com um aumento real de 3,4% em relação a 2024 e de 5,7% na última década.
Alguns países exemplificam essa escalada:
- Brasil: alcançou US$ 23,9 bilhões, com aumento de 13%;
- Colômbia: destinou US$ 14,5 bilhões, valor 36% superior ao de 2016 e equivalente a cerca de 3,2% do PIB;
- Guyana: embora com gasto menor (US$ 248 milhões), registrou alta de 16% em meio às tensões com a Venezuela pela região de Essequibo.
“Esses dados mostram que a militarização orçamentária não é um assunto exclusivo das grandes potências. Ela atravessa a América Latina, uma região marcada pela precarização das condições de vida, conflitos territoriais, crise climática e necessidades urgentes de ações voltadas à paz”, destaca o documento da campanha.
Militarização e direita política: uma combinação perigosa
Em paralelo ao aumento do gasto militar, a América Latina atravessa um preocupante processo de direitização política, que tem fortalecido discursos de “tolerância zero”, securitização e controle territorial como respostas priorizadas frente às crises sociais, econômicas e ambientais.
Em diversos países, governos e setores conservadores promovem o fortalecimento das forças armadas e policiais, ampliando sua presença em tarefas de segurança interna, controle migratório, proteção de projetos extrativistas e repressão de protestos populares.
Esse giro político se articula com dinâmicas político-econômicas globais, pressões dos Estados Unidos e novas doutrinas de segurança que reativam lógicas de “inimigo interno” e de militarização da vida cotidiana.
“A expansão do militarismo deve ser entendida como uma decisão orçamentária e parte de um projeto político que aprofunda o autoritarismo, o extrativismo e as desigualdades estruturais, debilitando a democracia e desviando recursos urgentes para garantir direitos sociais, justiça climática e construção de paz”, alerta o manifesto da campanha.
Agendas feministas, antimilitaristas e ambientalistas em disputa
A campanha “10% pela Vida” reconhece o papel fundamental das agendas feministas, antimilitaristas, ambientalistas e de direitos humanos na disputa dos imaginários de segurança, no questionamento das economias de guerra e na defesa de alternativas centradas no cuidado da vida e dos territórios.
Diversas organizações, movimentos sociais e redes regionais já impulsionam agendas de desmilitarização, construção de paz e redistribuição do gasto militar para políticas que priorizem a vida, a justiça social e a sustentabilidade.
“A campanha ‘10% pela Vida’ busca articular esforços e fortalecer uma agenda comum na região”, afirma a coordenação da iniciativa.
Como parte da preparação do encontro, será realizado um mapeamento de iniciativas e processos na América Latina vinculados ao militarismo e à desmilitarização, com o objetivo de identificar atores-chave, aprendizados e oportunidades de articulação.
Por Redação - Jubileu Sul Brasil
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