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Brasil sob ataque neocolonial e os desafios da soberania nacional

  • 21 de agosto de 2025

A soberania latino-americana e brasileira estão sob forte ataque, num cenário marcado pela tentativa dos Estados Unidos de aprofundar a subordinação da nossa região. Os três porta-aviões navegando em águas do Caribe em direção à Venezuela e as recentes sanções pelo governo trumpista ao Brasil — incluindo tarifas de até 50% sobre exportações brasileiras — são usadas como instrumentos de coerção política e econômica. 

Trump repete fórmulas que já conhecemos de outros tempos, como na ditadura no Brasil e em outros países, e que perpetua um modelo de colonialismo político-econômico: criam crises na tentativa de abalar o aparato do Estado, de desestabilizar política e juridicamente o Supremo Tribunal Federal (STF). Apoiam forças reacionárias, fazem alianças com a extrema direita no Congresso brasileiro. Pressionam tanto por anistia a golpistas quanto por políticas alinhadas ao Banco Mundial - privatizações, aumento da dívida pública, cortes em direitos sociais, redução de investimentos em pesquisa. 

As políticas econômicas submissas aos interesses externos, a exemplo do Plano de Transformação Ecológica, financiado por capital estrangeiro através do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) - que destaca o país como um mercado privilegiado, aberto a concessões e PPPs (Parcerias Público-Privadas) - têm sido o caminho seguido pelo governo brasileiro.  Outro exemplo é o “Agora tem especialistas”, do Ministério da Saúde, no qual vemos uma clara tentativa de privatização da saúde através da amortização de dívidas de hospitais privados, um modelo que aprofunda a mercantilização do setor sob a fachada de redução das filas no atendimento. 

Manifestação com diversos manifestantes segurando bandeiras e uma faixa que diz 'Sem anistia para golpistas'. O protesto ocorre ao ar livre em um dia ensolarado, com participações de diferentes grupos políticos.

Protesto contra o tarifaço dos EUA. Foto: José Cruz/Agência Brasil

E o que dizer sobre a entrega de recursos estratégicos? Controle e exploração de água para data centers instalados em regiões afetadas por seca, energia e terras raras às multinacionais para uma transição energética “verde” (na verdade uma transação). Tudo sem transferência de tecnologia para o Brasil, como se não bastassem os impactos dessa espoliação na população, nos territórios, na natureza. 

O país segue preso a um modelo onde os juros elevados e a dívida pública consomem os recursos que poderiam ser destinados à produção e ao desenvolvimento. Esse ciclo de endividamento favorece a financeirização da vida e da natureza, inclina o Estado à austeridade e o fragiliza diante da tentativa de intervenção estrangeira. 

Considerando todo esse contexto, é preciso alertar que a situação brasileira é semelhante à  desestabilização do Haiti. Isso nos chama a atenção para uma estratégia, na qual os Estados Unidos são os responsáveis pela destruição da capacidade produtiva, privatizações forçadas, apoio a grupos extremistas, domínio de elites locais alinhadas a interesses externos, desmonte de instituições públicas, como universidades e espaços culturais. Essa comparação nos alerta para os riscos de um aprofundamento da dependência brasileira.

Resistência popular e os caminhos possíveis

O Brasil está numa encruzilhada: ou avançamos na construção de um projeto nacional soberano, capaz de enfrentar o colonialismo moderno, ou o país seguirá aprofundando sua submissão. A esquerda e os movimentos populares têm o desafio de superar a fragmentação e apresentar uma alternativa concreta, unindo luta institucional e mobilização de rua.

O desafio é grande, com essa direita institucionalizada e os setores entreguistas que diariamente testam a democracia. Mas apesar do cenário adverso, há espaço para ação, para esperançar e para rearticulação popular.  

Entre os caminhos, o da produção interna, com a retomada de políticas como a de substituição de importações, como eram chamadas nos anos 1950–60, com estratégia governamental de reindustrialização para gerar emprego e tecnologia nacional. Também é fundamental fortalecer as alianças internacionais, buscando parcerias com países do Sul global para reduzir a dependência dos EUA.

E o principal, sempre: a mobilização de base. Reconstruir a organização popular nos territórios, olhar para outros protagonismos e insurgências. Há mobilização a partir da liderança das juventudes, do movimento negro, de mulheres, de indígenas, dos que não são grandes movimentos tradicionais, conhecidos historicamente, mas com coletividades que trazem criatividade, aprendizados e esperança. 

Nesse esperançar, junto com a pauta da soberania, temos a votação no Plebiscito Popular, que mobiliza todo o país pelo fim da escala 6x1 e por justiça tributária, somada ao Grito dos Excluídos e Excluídas que neste 2025 traz à reflexão o lema “Cuidar da Casa Comum e da democracia é luta todo dia”. 

Há um chamado profundo aos movimentos sociais e organizações progressistas para retomar sua força nas bases. Ainda que o ciclo atual seja sombrio, há resistência. A luta concreta nos territórios, a articulação horizontal e o protagonismo popular permanecem como os únicos freios possíveis frente ao avanço econômico e político das forças da direita, do neoliberalismo e do imperialismo. 

A história nos mostra que, com articulação popular, estratégia e solidariedade baseadas na democracia “de baixo”, da planície, é possível resistir ao autoritarismo e restaurar a soberania popular. 

A esperança está nas periferias, nas ocupações, nas ruas. A esperança está na resistência que pulsa e segue viva na luta do povo brasileiro. 

Coordenação da Rede Jubileu Sul Brasil

19 de agosto de 2025. 

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