Por Ivone Gebara
“Enquanto alguns protestam a caravana passa…”
A imagem usada pelo ‘presidente’ Temer para celebrar a aprovação pelo Senado da Reforma Trabalhista ontem foi de uma fina crueldade. Qual é a caravana que passa? E passa onde? E passa sobre quem?
Passa sobre corpos estendidos, sobre corpos famintos e sofridos que reclamam por casa, terra, trabalho e pão. A caravana passa, massacra e mata porque os cavaleiros e os cavalos estão gordos de tanto comerem a comida do povo. Os cavaleiros armados e com armaduras são mantidos por outros de corpos sutis que de seus escritórios em qualquer lugar do mundo jubilam de alegria diante da vitória expressiva de Mamon. É Mamon sua divindade suprema. Por ele sacrificam vidas que nada significam para seu culto e sua glória. É Mamon que governa seu mundo. Os políticos do governo são títeres de Mamon. São seus servos que apenas o ajudam a engordar seus cofres, suas Bolsas e dominar a terra em troca de benefícios que o fogo e as traças um dia comerão.
Não gozarão individualmente de seus roubos. A bendita morte os alcançará. Um AVC, um infarto fulminante, um tumor maligno, um desastre inesperado, uma diarreia incontrolável os eliminarão. Mas enquanto isso não acontece imaginam-se imortais. Creem em seu poder. Corrompem-se mutuamente para gozar num instante breve das deliciosas iguarias recebidas pela glorificação de Mamon. Recebem seus prêmios agora, enquanto o povo lazarento come migalhas caídas de suas mesas. Falam de humanidade e de respeito na medida em que estas palavras lhes servem. Banalizam-nas para aparecerem como cidadãos justos e dignos. Enganam os incautos e os que já não têm mais forças para entender o que está acontecendo no país e no mundo.
As bravas senadoras da oposição mantiveram a fibra das mulheres fortes defensoras do povo até o fim. Sentadas à mesa da presidência do Senado durante seis horas, além das que gritavam e apoiavam-nas de seus lugares, tudo fizeram para impedir a ‘caravana’ de passar. Último recurso, talvez, mas um recurso digno que ficará na história política do país como o grito daquelas e daqueles que não podem dobrar-se e negociar o inegociável. O inegociável é a piora das condições de vida do povo brasileiro, ou melhor, da maior parte do povo.

Brasília- DF 11-07- 2017 Plenário do senado. Senadoras assumem a presidência da mesa e não deixam o presidente assumir o a sessão da reforma trabalhista. Eunicio mandou apagar as luzes do plenário. Foto Lula Marques/AGPT
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“Enquanto alguns protestam a caravana passa…”
A imagem usada pelo ‘presidente’ Temer para celebrar a aprovação pelo Senado da Reforma Trabalhista ontem foi de uma fina crueldade. Qual é a caravana que passa? E passa onde? E passa sobre quem?
Passa sobre corpos estendidos, sobre corpos famintos e sofridos que reclamam por casa, terra, trabalho e pão. A caravana passa, massacra e mata porque os cavaleiros e os cavalos estão gordos de tanto comerem a comida do povo. Os cavaleiros armados e com armaduras são mantidos por outros de corpos sutis que de seus escritórios em qualquer lugar do mundo jubilam de alegria diante da vitória expressiva de Mamon. É Mamon sua divindade suprema. Por ele sacrificam vidas que nada significam para seu culto e sua glória. É Mamon que governa seu mundo. Os políticos do governo são títeres de Mamon. São seus servos que apenas o ajudam a engordar seus cofres, suas Bolsas e dominar a terra em troca de benefícios que o fogo e as traças um dia comerão.
Não gozarão individualmente de seus roubos. A bendita morte os alcançará. Um AVC, um infarto fulminante, um tumor maligno, um desastre inesperado, uma diarreia incontrolável os eliminarão. Mas enquanto isso não acontece imaginam-se imortais. Creem em seu poder. Corrompem-se mutuamente para gozar num instante breve das deliciosas iguarias recebidas pela glorificação de Mamon. Recebem seus prêmios agora, enquanto o povo lazarento come migalhas caídas de suas mesas. Falam de humanidade e de respeito na medida em que estas palavras lhes servem. Banalizam-nas para aparecerem como cidadãos justos e dignos. Enganam os incautos e os que já não têm mais forças para entender o que está acontecendo no país e no mundo.
As bravas senadoras da oposição mantiveram a fibra das mulheres fortes defensoras do povo até o fim. Sentadas à mesa da presidência do Senado durante seis horas, além das que gritavam e apoiavam-nas de seus lugares, tudo fizeram para impedir a ‘caravana’ de passar. Último recurso, talvez, mas um recurso digno que ficará na história política do país como o grito daquelas e daqueles que não podem dobrar-se e negociar o inegociável. O inegociável é a piora das condições de vida do povo brasileiro, ou melhor, da maior parte do povo.

Brasília- DF 11-07- 2017 Plenário do senado. Senadoras assumem a presidência da mesa e não deixam o presidente assumir o a sessão da reforma trabalhista. Eunicio mandou apagar as luzes do plenário. Foto Lula Marques/AGPT
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