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[ARTIGOS] Dilma, os órfãos e as viúvas

  • 4 de fevereiro de 2015

Roberto Malvezzi (Gogó)

Se há uma tradição bíblica onde o Deus judaico-cristão se manifesta claramente, é exatamente no cuidado com os órfãos, as viúvas e os estrangeiros. Para esse Deus, essas são cláusulas pétreas e inegociáveis.

Esse cuidado não era por acaso, mas porque esses eram os grupos de pessoas mais desamparados da sociedade daquele tempo.

O Deus bíblico vai sempre lembrar ao povo judeu esses cuidados, até porque tinha sido escravo no Egito.

Portanto, é chocante ver que o governo Dilma escolheu exatamente os mais indefesos da sociedade – órfãos e viúvas e desempregados – para fazer os ajustes que a economia de mercado, ainda um tanto neoliberal, exige.

Ela tinha milhões de modos para arrecadar mais, ou gastar menos, para angariar reservas com a finalidade de pagar a sede insaciável dos juros da dívida pública. Poderia retomar os impostos dos carros, fazer as grandes fortunas pagarem algo pelo seu luxo, aumentar o imposto do cigarro, dos refrigerantes, ou de qualquer outra porcaria que não afetasse a vida dos brasileiros. Mas, ela preferiu reduzir em 50% a pensão das viúvas, o que impacta diretamente o cuidado com seus filhos.

Certamente cada leitor conhece alguma família em que a mãe morreu cedo, ou o pai, ficando aquele que continua vivo responsável pelos seus filhos. Certamente sabe a situação dramática que é enfrentar a viuvez e o cuidado com os filhos. Então, exatamente quando mais precisa, é exatamente onde o governo escolheu cortar para arrecadar e saciar os deuses do mercado.

Dilma dissera que não mexeria nos direitos dos trabalhadores, nem que a vaca tossisse. Nem precisou.

Nesse país os contratos são vacas sagradas e intocáveis, mas só se forem do capital com o governo. Os contratos do governo com a população são facilmente quebrados, sempre em nome dos ajustes econômicos. Basta lembrar o fator previdenciário, o reajuste das aposentadorias, agora o seguro desemprego, agora a pensão das viúvas e viúvos.

O governo Dilma conseguiu preservar empregos mesmo com a economia aí posta patinando. Na Grécia, Espanha e outros países da Europa a crise econômica jogou nas ruas milhares de pais de famílias. Na Espanha cerca de 50% da juventude continua desempregada, mesmo sendo altamente qualificada. Mas, essa qualidade do governo não lhe dá autoridade para sacrificar aqueles que não tem como se defender.

Segue sobre essa realidade o silêncio dos sindicatos e da sociedade em geral, inclusive das igrejas.

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Esse cuidado não era por acaso, mas porque esses eram os grupos de pessoas mais desamparados da sociedade daquele tempo.

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Portanto, é chocante ver que o governo Dilma escolheu exatamente os mais indefesos da sociedade – órfãos e viúvas e desempregados – para fazer os ajustes que a economia de mercado, ainda um tanto neoliberal, exige.

Ela tinha milhões de modos para arrecadar mais, ou gastar menos, para angariar reservas com a finalidade de pagar a sede insaciável dos juros da dívida pública. Poderia retomar os impostos dos carros, fazer as grandes fortunas pagarem algo pelo seu luxo, aumentar o imposto do cigarro, dos refrigerantes, ou de qualquer outra porcaria que não afetasse a vida dos brasileiros. Mas, ela preferiu reduzir em 50% a pensão das viúvas, o que impacta diretamente o cuidado com seus filhos.

Certamente cada leitor conhece alguma família em que a mãe morreu cedo, ou o pai, ficando aquele que continua vivo responsável pelos seus filhos. Certamente sabe a situação dramática que é enfrentar a viuvez e o cuidado com os filhos. Então, exatamente quando mais precisa, é exatamente onde o governo escolheu cortar para arrecadar e saciar os deuses do mercado.

Dilma dissera que não mexeria nos direitos dos trabalhadores, nem que a vaca tossisse. Nem precisou.

Nesse país os contratos são vacas sagradas e intocáveis, mas só se forem do capital com o governo. Os contratos do governo com a população são facilmente quebrados, sempre em nome dos ajustes econômicos. Basta lembrar o fator previdenciário, o reajuste das aposentadorias, agora o seguro desemprego, agora a pensão das viúvas e viúvos.

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