Este documento analisa criticamente o “capitalismo verde” e suas falsas soluções que serão apresentadas na COP 30 em Belém. Usando a metáfora do Curupira, guardião da floresta cujos pés virados confundem invasores, demonstramos como conceitos como “transição energética”, REDD+ e mercados de carbono não combatem a crise climática, mas aprofundam a exploração. Apresentamos dados sobre a expansão dos combustíveis fósseis no Brasil, a hipocrisia dos subsídios e o abismo do financiamento climático. Concluímos que as verdadeiras soluções vêm dos territórios, das práticas agroecológicas e da organização popular dos movimentos sociais, povos indígenas e comunidades tradicionais reunidos na Cúpula dos Povos.
Por Soraya Vanini Tupinambá - Mandato do Deputado Estadual Renato Roseno (PSOL) e Rede Jubileu Sul Brasil
Companheiras e companheiros, parentes diversos, representantes de movimentos sociais diversos, e guardiãs da floresta, do mar, da terra, Trabalhadoras e trabalhadores de todos os cantos desse nordeste brasileiro.
Estamos nos preparativos para a ida em Belém. No coração da Amazônia. Na beira do rio que é veia da floresta. E aqui, neste exato momento, o mundo se divide. Lá, nos salões climatizados da COP 30 oficial, diplomatas engravatados, executivos de corporações, lobistas do petróleo e do agronegócio negociam o futuro do clima. Eles falam de "transição energética", de "mercados de carbono", de "Net Zero", de "desenvolvimento sustentável". Usam palavras bonitas, fazem promessas solenes, assinam acordos com pompa e circunstância.
Mas na Cúpula dos Povos, na universidade pública, nas margens do rio, nas ruas de Belém, e nos diversos biomas e territórios brasileiros, nós sabemos a verdade, ela nos chega pelo chão que pisamos, estamos mais perto do colapso climático do que nunca. Nós não iremos para assistir ao teatro da ilusão. Nós iremos para desmascarar a farsa e construir a alternativa.
E para nos guiar nessa jornada, invoco a figura de um guardião ancestral da floresta: o Curupira. Nós seremos desde já o tropel do Curupira. como afirma a canção “Vaitimbora”, do Trinix, na voz de Mari Froes, onde substituímos o Caipora por Curupira:
Pio de sabiá, sariguê
Caxinguelê, maracajá
Voo de Matita Perê
Saci-Pererê, Boitatá
Quando os bichos e seres saírem de dentro da mata fechada
Se ouvirão gritos na noite, estalos de açoite pela madrugada
Arrepiou? Vai-te embora
Assobiou o Curupira
Arrepiou? Vai-te embora
Assobiou a Curupira
Este documento é uma análise crítica das contradições gritantes do capitalismo verde, das falsas soluções que serão vendidas na COP 30, e do papel que a sociedade civil, reunida na Cúpula dos Povos, deve desempenhar para virar o jogo.

Marcha dos Povos pelo Clima na COP 30, em Belém do Pará. Foto: Luan Matheus Santana
O Curupira e a inversão da lógica
Vocês conhecem a figura mítica do Curupira? Ele é o protetor da mata. Tem os cabelos vermelhos como fogo, o corpo forte como o tronco da sumaúma, e uma característica única: seus pés são virados para trás.
Quando um caçador ganancioso entra na floresta para matar mais do que precisa, para destruir sem respeito, ele encontra as pegadas do Curupira. E, acreditando estar seguindo o caminho certo, ele segue as pegadas. Mas as pegadas estão invertidas. O que parece levar para fora da floresta, na verdade leva para dentro. O caçador se perde. Anda em círculos. E quando percebe, está no coração da mata, sem saída, à mercê da floresta que tentou violar.
O capitalismo verde é o caçador e representa o capital, incluindo a sua versão verde que marca a contemporaneidade. Ele persegue nossos bens naturais, ameaça os entes vivos e se envereda floresta adentro em sua obsessiva e inesgotável sanha por lucro. Seguindo suas trilhas não caminhamos para a solução, mas para o aprofundamento da catástrofe.
As pegadas têm nomes bonitos:
Mas estão invariavelmente a nos conduzir ao abismo civilizatório e de parte significativa da natureza. Elas nos levam para mais destruição, mais exploração, mais desigualdade, mais emissões.
E nós, povos da floresta, da caatinga, do cerrado, do pampa, do pantanal, da zona costeira e do oceano... Nós povos do Sul Global, povos que vivem da terra e do mar, nós somos o verdadeiro Curupira. Nosso papel não é seguir as pegadas falsas do capital. Nosso papel é confundir os caçadores gananciosos, proteger a floresta e virar o jogo e desvelar suas falsas soluções e estratégias.
E para fazer isso precisamos de clareza. Precisamos entender exatamente o que está em jogo na COP 30. Precisamos desmascarar cada uma das falsas soluções e das estratégias do capitalismo para continuar lucrando às expensas da vida de humanos e não humanos e das condições de habitabilidade do planeta. E precisamos ter uma ferramenta teórica e política que nos oriente.
Essa ferramenta é o Manifesto por uma Revolução Ecossocialista, aprovado pela IV Internacional em fevereiro de 2025 [1]. Não é um documento perfeito. Não é a palavra final. Mas é uma biruta, a nos dizer para onde sopram os ventos. E hoje vou me referenciar nesse manifesto para nos ajudar a ler, interpretar e enfrentar as contradições que serão vendidas como "soluções" na COP 30.
Antes de falar das falsas soluções, precisamos olhar para a realidade que nos cerca.
A ciência é inequívoca ao afirmar que já ultrapassamos limites planetários críticos. Dos nove indicadores de sustentabilidade ecológica, sete já foram ultrapassados. Clima, biodiversidade, ciclos de nitrogênio e fósforo, água doce, uso da terra, poluição química e mais recentemente, a acidificação dos oceanos. Ultrapassamos a capacidade de carga do planeta.
Em 2024, pela primeira vez, a temperatura média global ultrapassou temporariamente +1,5°C. A meta do Acordo de Paris já está sendo ultrapassada. A trajetória atual nos leva para +2,7°C a +3,1°C até o final do século.[2]
Ultrapassar essa fronteira climática significa conviver com consequência devastadoras. Secas extremas e enchentes cada vez mais frequentes. Furacões mais intensos, derretimento acelerado das geleiras, elevação do nível do mar. O colapso de ecossistemas inteiros, extinção em massa de espécies. E para a humanidade: fome, sede, guerras por água e alimentos, bilhões de refugiados climáticos.
O Manifesto Ecossocialista nos alerta:
"A Terra corre o risco de se tornar um deserto biológico inabitável para bilhões de pessoas pobres, que não são responsáveis por esse desastre." (Manifesto Ecossocialista, p. 4, l. 15) [1]
Estamos no ponto de não retorno planetário. Os feedbacks climáticos positivos (derretimento do permafrost liberando metano, perda de gelo refletivo, morte de florestas) estão se acelerando. A janela de oportunidade para evitar o colapso está se fechando. E o que o capitalismo oferece como perspectiva? Mais mercado. Mais crescimento. Mais ilusão.
Diante dessa casa em chamas, o que o capitalismo propõe? Ele nos oferece a "transição energética" como salvação. Mas será que essa transição é real ou apenas mais um engano, levando-nos para mais fundo no abismo?
Vamos começar desmontando a maior mentira do capitalismo verde: a "transição energética".
Nos últimos 30 anos, desde a Cúpula da Terra no Rio em 1992, houve um crescimento explosivo das energias renováveis. Solar e eólica se tornaram as fontes de energia mais baratas da história. Painéis solares cobrem telhados. Turbinas eólicas pontilham o horizonte. E os governos celebram: "Estamos em transição!"
Mas os dados contam outra história:
Segundo o ClimaInfo, as emissões globais do setor de energia bateram novo recorde em 2024, com aumento de 2% no fornecimento total de energia. Todas as fontes cresceram: petróleo, gás, carvão, nuclear, renováveis.[9]
Como isso é possível? Como as renováveis crescem e as emissões também?
Porque, no capitalismo, as renováveis não substituem os fósseis, elas se somam a eles. O crescimento econômico exige cada vez mais energia. As renováveis atendem parte dessa demanda crescente, mas os fósseis continuam sendo a base. É o que o Manifesto chama de "efeito rebote":
"Se não houver um plano implementado pela sociedade como um todo para a conversão da produção, aprimoramentos técnicos terão um efeito rebote: uma redução no preço da energia geralmente leva a um maior consumo de energia." (Manifesto Ecossocialista, p. 5, l. 15-18) [1]
Energia mais barata impulsiona maior consumo, que implica em mais crescimento, que tem como consequência a geração de mais emissões.
A hipocrisia dos subsídios: brasil privilegia combustíveis fósseis
No Brasil, a contradição é ainda mais gritante. Um estudo do INESC, divulgado revela [5]:
Em 2024:
Apesar de uma queda de 42% nos subsídios aos fósseis (primeira em 8 anos), o Brasil ainda privilegia combustíveis poluentes. E tem mais: o governo concedeu subsídio de R$ 50 bilhões à queima de carvão mineral e realizou novo leilão do pré-sal, onde 5 de 7 blocos foram arrematados.[5]
A transição energética capitalista não é transição. É expansão. E essa expansão está sendo financiada pelos mesmos bancos e fundos de investimento que continuam a financiar a exploração de petróleo, gás e carvão.
O Observatório do Clima demonstrou em estudo de 2024 que o Brasil pode reduzir 80% das emissões da energia mesmo com o PIB crescendo, sem precisar recorrer a soluções de alto risco. Mas o governo escolhe o caminho oposto: manter e expandir a dependência dos combustíveis fósseis.[6]
E se ainda havia dúvidas sobre as verdadeiras intenções dos governos, o Production Gap Report 2025, publicado em setembro, as desvelou.[3]
O relatório mostra que:
Segundo o ClimaInfo, apenas um terço das novas NDCs (Normas Nacionalmente Determinadas) apoia a eliminação dos combustíveis fósseis. Vários países, contrariando a ciência, sinalizam aumento da produção ou uso de fósseis.[9]
Ou seja, enquanto na COP assinam acordos para "descarbonizar", nos bastidores estão licenciando, financiando e expandindo petróleo, gás e carvão.
É a hipocrisia em estado puro. É o caçador enveredando floresta adentro em sua sanha por lucro, que parece perseguir a descarbonização, mas leva a uma maior exploração de fósseis. E o Brasil, anfitrião da COP 30, não é exceção. Pelo contrário, é um dos protagonistas dessa contradição.
E o Brasil, anfitrião da COP 30, que se apresenta como líder climático? O Brasil está fazendo sua parte? Não. O Brasil está perfurando petróleo na Amazônia. Em 20 de outubro de 2025, apenas semanas antes da COP 30, o IBAMA aprovou a licença para a Petrobras perfurar petróleo na foz do Rio Amazonas, a 175 km da costa do Amapá.[6]
Releiam: O governo brasileiro, que vai sediar a maior conferência climática do mundo, está, ao mesmo tempo, abrindo a Amazônia para exploração de petróleo.
A perfuração começou imediatamente e vai durar cinco meses, coincidindo exatamente com a COP 30.
Pensem na contradição: enquanto lá dentro da COP os diplomatas brasileiros falam de "proteger a Amazônia", lá fora, no mar, a Petrobras está perfurando o fundo do oceano para extrair petróleo.
E a indignação da sociedade civil foi imediata:
Juliano Bueno, diretor técnico do Instituto Arayara e conselheiro do CONAMA:
"Estamos a menos de 15 dias da COP30 em Belém, e o Ibama autorizou a perfuração de um poço de petróleo na foz do rio Amazonas — decisão que fere a coerência climática do país, aumenta a dependência do petróleo e agrava ainda mais a crise climática."
Observatório do Clima:
"Governo sabota COP30 e licencia petróleo na Foz do Amazonas" — chamando a decisão de "desastrosa do ponto de vista climático e da sociobiodiversidade".
Greenpeace Brasil:
"A abertura de novos poços de petróleo a menos de um mês da COP30 contradiz os próprios compromissos do Brasil com a transição energética" e "mancha o discurso climático do Brasil".
APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil):
"O Brasil, às vésperas de sediar uma conferência do clima da ONU na Amazônia, tripudia sobre o Acordo de Paris e sobre a COP30 ao abrir essa fronteira fóssil."
E os riscos são significativos:
Uma das lições fundamentais do Manifesto Ecossocialista é que não há capitalismo verde. O capital precisa crescer. E crescimento, no capitalismo, significa mais extração, mais produção, mais emissões.
Na COP 30, os países apresentarão suas novas NDCs — as metas climáticas para 2035.
O problema é que as NDCs atuais já são totalmente insuficientes. Mesmo que todos cumprissem 100% (e não estão cumprindo), o mundo ainda caminharia para +2,7°C a +3,1°C.[2]
Segundo a REPAM-Brasil, a NDC brasileira 2024/25 — com redução de 59% a 67% em relação a 2005 — permanece insuficiente frente ao potencial do país.
Mas a APIB mostrou o caminho: em abril de 2025, lançou a NDC Indígena, uma contribuição própria dos povos originários, demonstrando que as comunidades tradicionais têm propostas mais ambiciosas e efetivas que os governos capitalistas.[8]
E o que esperar das novas NDCs oficiais?
A história das COPs nos revela que as novas metas serão, na melhor das hipóteses, incrementalmente melhores, mas ainda insuficientes. Os países ricos continuarão a se recusar a assumir sua responsabilidade histórica pelas emissões acumuladas. Os países do Sul Global continuarão a ser pressionados a "fazer sua parte", enquanto não recebem os recursos financeiros e tecnológicos prometidos. E o pior: as NDCs são voluntárias e não vinculantes. Não há punição para quem não cumpre. É um sistema baseado na "boa vontade" dos Estados capitalistas, cuja única vontade real é a acumulação de capital.
O Manifesto é claro:
"Os governos se comprometeram a manter o aquecimento global abaixo de +1,5°C, a manter a biodiversidade, a alcançar o chamado 'desenvolvimento sustentável' e a respeitar o princípio de 'responsabilidades e capacidades comuns, porém diferenciadas' na crise ecológica, enquanto produzem cada vez mais bens e usam cada vez mais energia. Essas promessas combinadas não serão respeitadas pelo capital." (Manifesto Ecossocialista, p. 5, l. 10-14) [1]
Agora vamos falar de uma das falsas soluções mais perigosas: o REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal),
À primeira vista, parece uma boa ideia, a de pagar para manter a floresta em pé. Mas na prática, o REDD+ é a transformação da floresta em ativo financeiro e a expropriação dos povos que a protegem. E como funciona este mecanismo?
Uma empresa que polui no Norte Global compra "créditos de carbono" de um projeto REDD+ no Sul global. A floresta é medida, quantificada, precificada. Sua capacidade de sequestrar CO₂ vira mercadoria.
Os problemas advindos da financeirização da natureza
O REDD+ não funciona sem os povos indígenas, mas os exclui. Estudos mostram que os projetos só funcionam quando envolvem povos indígenas, pois são eles que historicamente protegem as florestas. Mas a maioria dos projetos falha em engajá-los. As decisões são tomadas por governos, ONGs internacionais e empresas, sem consulta prévia, livre e informada.[8]
A APIB tem denunciado essa contradição. Em outubro de 2024, os povos indígenas exigiram a co-presidência da COP30 e o fim do petróleo e gás na Amazônia, lembrando que a Amazônia é território indígena por excelência, e que os povos originários não podem ser meros figurantes.
O REDD+ permite que poluidores continuem poluindo. É um mecanismo de compensação, não de redução real. Mas a ciência é clara ao afirmar que não há como compensar emissões fósseis com florestas. O carbono fóssil, uma vez liberado, fica na atmosfera por séculos. As florestas podem queimar, secar, ser desmatadas. É uma falsa equivalência.
O REDD+ gera conflitos e expulsões. Há casos documentados de comunidades impedidas de caçar, pescar, coletar, porque isso "reduz o estoque de carbono". A conservação vira cercamento (enclosure) da floresta, expropriando os povos que a habitam.
O REDD+ não enfrenta as causas do desmatamento. Trata o desmatamento como problema técnico a ser resolvido com dinheiro. Mas o desmatamento é resultado de relações de poder: agronegócio, mineração, grilagem, expansão capitalista. Sem enfrentar essas causas, o REDD+ se torna solução cosmética, pois é superficial, inadequado e temporário, para um problema sério, complexo e estrutural.
O Manifesto denuncia:
"Conceitos como 'serviços ecossistêmicos', 'capital natural', 'créditos de biodiversidade' e 'mecanismos de mercado', baseados no entendimento da natureza como capital, pesam sobre os menos responsáveis, os pobres, em particular os povos”.
A floresta não é capital. A floresta é território de vida. E os povos indígenas não são "prestadores de serviços ambientais". São guardiões ancestrais, com direitos inalienáveis sobre seus territórios.
Outro tema da COP 30 será o financiamento climático.
Os países ricos prometeram US$ 100 bilhões por ano para os países em desenvolvimento. Essa meta, que deveria ter sido atingida em 2020, só foi alcançada em 2022, com dois anos de atraso. E mesmo assim, a maior parte do dinheiro foi destinada à mitigação (redução de emissões), não à adaptação (preparação para os impactos inevitáveis).[4]
Mas o financiamento necessário para adaptação é de US$ 187 a 359 bilhões por ano. O financiamento atual é de apenas US$ 21 bilhões. Há um abismo de US$ 166 a 338 bilhões por ano. Isso significa que milhões de pessoas nos países mais vulneráveis estão sendo abandonadas. Elas sofrerão secas, enchentes, ciclones, elevação do mar, sem recursos para se adaptar.
No Brasil, essa realidade é vivida pelas comunidades do Semiárido, acompanhadas pela ASA (Articulação Semiárido Brasileiro), que reúne mais de 3 mil organizações. A ASA denuncia que as mudanças climáticas intensificam secas, desertificação e perda de biodiversidade, e que o Programa Cisternas, apesar de importante, é insuficiente.
O MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) alerta que a crise climática aumenta os casos de rompimento de barragens, como nas enchentes do Rio Grande do Sul em 2025, onde o MAB estruturou 10 cozinhas para atender populações atingidas.
O MAR, que surge se organizando para denunciar que a transição energética brasileira com a dura crítica que a transação energética e não tem se baseado nas reais demandas das populações diretamente impactadas. Afirmando que não existe nem desenvolvimento. O que existe é o mesmo colonialismo extrativista de sempre, com um discurso falacioso.
E o pior, grande parte do "financiamento climático" não é doação, mas empréstimo. Países pobres, que não causaram a crise, estão sendo endividados para se adaptar a ela. Empréstimos esses que só geram mais dívida pública para que nos, paguemos por elas, gerando mais ainda dívidas com os povos e a natureza.
É colonialismo climático. O Manifesto exige que o financiamento seja público, não mercantilizado, e baseado em reparação histórica:
"Que os países ricos compensem financeiramente a renúncia de países dependentes à exploração de recursos fósseis." (Manifesto Ecossocialista, p. 15, l. 20-22) [1]
Enquanto as COPs focam principalmente no CO₂, outra ameaça cresce silenciosamente: o metano (CH₄). O metano é um gás de efeito estufa 80 vezes mais potente que o CO₂ em um horizonte de 20 anos.
Segundo o ClimaInfo, as emissões de metano no Brasil cresceram 6% em apenas quatro anos, mesmo após o país aderir ao Compromisso Global do Metano na COP26, que previa reduzir as emissões em 30% até 2030.[9]
As principais fontes de metano no Brasil são:
A expansão do agronegócio, especialmente da pecuária, e a abertura de novas fronteiras de petróleo e gás estão aumentando as emissões de metano, anulando os esforços de redução de CO₂.
O Manifesto Ecossocialista aponta para a necessidade de uma transformação radical do sistema alimentar, incluindo a redução drástica da pecuária industrial e a transição para sistemas agroecológicos, como os defendidos pela ASA e pelo MST.
Há algo que deve entrar no radar das COPs, mas que o Manifesto Ecossocialista identifica como nova ameaça, é a Inteligência Artificial (IA).
A expansão da IA e dos data centers que a sustentam está gerando uma explosão no consumo de energia e água:
Além dos impactos ambientais, a IA sob controle capitalista:
O Manifesto alerta:
"A promoção da inteligência artificial (IA) pelas grandes empresas de tecnologia e pelos governos capitalistas representa uma nova ameaça." (Manifesto Ecossocialista, p. 5, l. 25) [1]
E exige que a IA seja socializada e democraticamente controlada, não deixada nas mãos de corporações como Google, Microsoft e Meta.
Se as soluções para a crise climática não vêm dos mercados de carbono, dos governos cúmplices do capital ou das corporações que lucram com a destruição, de onde elas vêm? A resposta é clara e ressoa por todo o país: elas vêm dos territórios.
É esta a mensagem central que entidades, redes e articulações brasileiras da sociedade civil, em preparação para a Cúpula dos Povos e a COP 30, têm afirmado com crescente força:
"Justiça climática: as soluções vêm dos territórios"
Esta não é apenas uma frase de efeito, mas a constatação de uma realidade pulsante. As soluções já existem e florescem no chão das lutas, junto às práticas populares, nos saberes tradicionais e na resistência coletiva que se tece diariamente na cidade, no campo, na floresta e nas águas.
Agroecologia e atividades produtivas tradicionais como caminho
Não estamos partindo do zero. Ao longo das últimas décadas, os movimentos sociais acumularam vitórias importantes que demonstram a viabilidade das alternativas. A demarcação da Terra Indígena Yanomami, após anos de luta, protegeu 9,6 milhões de hectares de floresta. O Programa Cisternas da ASA já construiu mais de 1,2 milhão de cisternas no Semiárido, garantindo água para famílias em tempos de seca. Os assentamentos do MST praticam agroecologia em mais de 2 mil áreas, produzindo alimentos saudáveis sem agrotóxicos e sequestrando carbono. Essas vitórias provam que outro caminho é possível.
Iniciativas agroecológicas são impulsionadas por povos, entidades, e redes da sociedade civil e beneficiam centenas de famílias de agricultores e agroextrativistas em nosso país, da Borborema ao Mato Grosso. Esses projetos promovem a conservação ambiental e atividades econômicas sustentáveis, valorizando o conhecimento ancestral.
A agroecologia, defendida por movimentos como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e o MAM (Movimento pela Soberania Popular na Mineração), o MAR (Movimento de Atingidos por Renováveis), MAB (Movimento de Atingidos por Barragens) é muito mais que uma forma de produzir alimentos. É um modelo de sociedade que:
As alternativas concretas ao capitalismo verde: são hortas comunitárias, cisternas, sistemas agroflorestais, pesca artesanal e extrativismo sustentável. São práticas que já funcionam, que já protegem o clima e que fortalecem a resiliência das comunidades.
O papel da sociedade civil — ser o Curupira
Diante desse cenário de falsas soluções, e de estratégias a sociedade civil deve ser o Curupira, e inverter a lógica do capital. Confundir os caçadores gananciosos. Denunciar que mercados de carbono são fraude. Expor que REDD+ expropria povos. Revelar que NDCs são insuficientes. Mostrar que transição energética capitalista é expansão fóssil
É preciso proteger os biomas e os povos. Apoiar as lutas por demarcação, titulação, autonomia territorial. Barrar petróleo, agronegócio, mineração. As soluções vêm dos territórios. E diversas organizações e redes no Brasil, junto com a APIB, a ASA, o MAB, o MST, o MAM, o MAR, RBJA, as entidades que integram a cúpula dos povos nordeste e CE, e tantas outras organizações, estão construindo essas soluções todos os dias.
A crise climática está conectada ao racismo, machismo, desigualdade de classe e colonialismo. Não há justiça climática sem justiça social.
Denunciamos a apropriação dos territórios por falsos projetos de "economia verde" e a invisibilização dos povos nos debates climáticos. A pauta central é o respeito aos direitos territoriais, o que inclui:
A APIB, ao exigir a copresidência indígena da COP30, está cumprindo esse papel. A ASA, ao promover a convivência com o Semiárido e a agroecologia, está protegendo territórios e modos de vida. O MAB, ao denunciar barragens e defender um modelo energético popular, está resistindo à mercantilização da natureza.
Devemos construir a convergência das lutas do clima com o antirracismo e feminismo, e a luta dos trabalhadores. A crise climática é inseparável das outras opressões.
É preciso fomentar o poder popular. A transformação não virá de cima. Virá da auto-organização das lutas e é necessário denunciar e mobilizar.
Devemos construir as alternativas. Não basta criticar. É preciso mostrar que outro mundo é possível. E esse mundo já está sendo construído nos territórios, nas roças, nas hortas, nas cisternas, nas florestas manejadas, nas pescarias artesanais.
Neste chamado, afirmamos com veemência que não há hierarquia na proteção e cuidado aos biomas. Da Amazônia ao Pampa, do Cerrado à Caatinga, Do Oceano, zona costeira e Mata Atlântica ao Pantanal, todos os biomas são fundamentais na defesa do equilíbrio climático. E todos os povos, em sua diversidade e sabedoria, são convidados a caminhar unidos em defesa da vida e das condições planetárias que a albergam.
Conclusão: socialismo ou barbárie climática
A COP 30 será um teatro. Mas o Curupira não se deixa enganar. E nós também não. O Manifesto Ecossocialista nos dá clareza, a crise climática é a crise do capitalismo. Não há solução dentro do sistema. A escolha é a mesma que Rosa Luxemburgo fez em 1915, mas agora com urgência de um planeta em chamas: Socialismo ou Barbárie.
A barbárie é o que eles oferecem: mundo de +3°C, bilhões de refugiados, guerras, ilhas de luxo para o 1%.
O ecossocialismo é o que devemos construir: sociedade onde a vida está no centro. Produção planejada democraticamente. Povos indígenas reconhecidos como guardiões. Trabalho reduzido. Energia pública e renovável a serviço da produção e beneficiamento de alimentos, da irrigação para recuperação da Caatinga, Cerrado, Amazônia... Bancos socializados. E as soluções vindo dos territórios.
"Denunciamos a apropriação dos territórios e a invisibilização de povos nos debates sobre a crise climática e pautamos as soluções reais que nascem das práticas territoriais."
A COP 30 não nos salvará. Mas a Cúpula dos Povos pode ser o início da força organizada que, sim, pode nos salvar.
Que sejamos o Curupira.
Que confundamos os caçadores do capital.
Que protejamos os biomas, ecossistemas e os povos.
Que construamos as alternativas nos territórios.
Que viremos o jogo.
As soluções vêm dos territórios!
O futuro será ecossocialista, ou não será!
Venceremos!
Glossário
* NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada): Compromissos voluntários que cada país apresenta na ONU sobre suas metas de redução de emissões. * TWh (Terawatt-hora): Unidade de medida de energia equivalente a 1 trilhão de watts-horas. * Feedbacks climáticos positivos: Processos que, uma vez iniciados, se auto reforçam e aceleram o aquecimento (ex: derretimento do gelo reflete menos luz solar, aquecendo mais o planeta). * REDD+: Programa de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal que, na prática, pode transformar florestas em ativos financeiros através de créditos de carbono.
Referências
[1] IV Internacional. (2025). Manifesto por uma revolução ecossocialista. Aprovado no 18º Congresso Mundial, fevereiro de 2025.
[2] UNEP. (2024). Emissions Gap Report 2024.
[3] UNEP, SEI, IISD. (2025). Production Gap Report 2025. Setembro de 2025.
[4] UNEP. (2024). Adaptation Gap Report 2024.
[5] INESC/Instituto Arayara. (2025). Monitoramento dos Subsídios às Fontes de Energia no Brasil (2023-2024). 8ª edição, outubro de 2025.
[6] Observatório do Clima. (2025). "Governo sabota COP30 e licencia petróleo na Foz do Amazonas". 20 de outubro de 2025.
[7] Greenpeace International. (2025). "IBAMA approves oil drilling at Amazon Basin weeks before COP30". 21 de outubro de 2025.
[8] APIB. (2024). "Povos indígenas do Brasil exigem a co-presidência da COP30 e o fim do petróleo e gás na Amazônia". 26 de outubro de 2024.
[9] ClimaInfo. (2025). "Emissões globais do setor de energia batem novo recorde em 2024". 26 de junho de 2025.
[10] Mongabay. (2024). "REDD+ doesn't work without Indigenous peoples, but fails to engage them". Outubro de 2024.
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Este documento analisa criticamente o “capitalismo verde” e suas falsas soluções que serão apresentadas na COP 30 em Belém. Usando a metáfora do Curupira, guardião da floresta cujos pés virados confundem invasores, demonstramos como conceitos como “transição energética”, REDD+ e mercados de carbono não combatem a crise climática, mas aprofundam a exploração. Apresentamos dados sobre a expansão dos combustíveis fósseis no Brasil, a hipocrisia dos subsídios e o abismo do financiamento climático. Concluímos que as verdadeiras soluções vêm dos territórios, das práticas agroecológicas e da organização popular dos movimentos sociais, povos indígenas e comunidades tradicionais reunidos na Cúpula dos Povos.
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Assobiou a Curupira
Este documento é uma análise crítica das contradições gritantes do capitalismo verde, das falsas soluções que serão vendidas na COP 30, e do papel que a sociedade civil, reunida na Cúpula dos Povos, deve desempenhar para virar o jogo.

Marcha dos Povos pelo Clima na COP 30, em Belém do Pará. Foto: Luan Matheus Santana
O Curupira e a inversão da lógica
Vocês conhecem a figura mítica do Curupira? Ele é o protetor da mata. Tem os cabelos vermelhos como fogo, o corpo forte como o tronco da sumaúma, e uma característica única: seus pés são virados para trás.
Quando um caçador ganancioso entra na floresta para matar mais do que precisa, para destruir sem respeito, ele encontra as pegadas do Curupira. E, acreditando estar seguindo o caminho certo, ele segue as pegadas. Mas as pegadas estão invertidas. O que parece levar para fora da floresta, na verdade leva para dentro. O caçador se perde. Anda em círculos. E quando percebe, está no coração da mata, sem saída, à mercê da floresta que tentou violar.
O capitalismo verde é o caçador e representa o capital, incluindo a sua versão verde que marca a contemporaneidade. Ele persegue nossos bens naturais, ameaça os entes vivos e se envereda floresta adentro em sua obsessiva e inesgotável sanha por lucro. Seguindo suas trilhas não caminhamos para a solução, mas para o aprofundamento da catástrofe.
As pegadas têm nomes bonitos:
Mas estão invariavelmente a nos conduzir ao abismo civilizatório e de parte significativa da natureza. Elas nos levam para mais destruição, mais exploração, mais desigualdade, mais emissões.
E nós, povos da floresta, da caatinga, do cerrado, do pampa, do pantanal, da zona costeira e do oceano... Nós povos do Sul Global, povos que vivem da terra e do mar, nós somos o verdadeiro Curupira. Nosso papel não é seguir as pegadas falsas do capital. Nosso papel é confundir os caçadores gananciosos, proteger a floresta e virar o jogo e desvelar suas falsas soluções e estratégias.
E para fazer isso precisamos de clareza. Precisamos entender exatamente o que está em jogo na COP 30. Precisamos desmascarar cada uma das falsas soluções e das estratégias do capitalismo para continuar lucrando às expensas da vida de humanos e não humanos e das condições de habitabilidade do planeta. E precisamos ter uma ferramenta teórica e política que nos oriente.
Essa ferramenta é o Manifesto por uma Revolução Ecossocialista, aprovado pela IV Internacional em fevereiro de 2025 [1]. Não é um documento perfeito. Não é a palavra final. Mas é uma biruta, a nos dizer para onde sopram os ventos. E hoje vou me referenciar nesse manifesto para nos ajudar a ler, interpretar e enfrentar as contradições que serão vendidas como "soluções" na COP 30.
Antes de falar das falsas soluções, precisamos olhar para a realidade que nos cerca.
A ciência é inequívoca ao afirmar que já ultrapassamos limites planetários críticos. Dos nove indicadores de sustentabilidade ecológica, sete já foram ultrapassados. Clima, biodiversidade, ciclos de nitrogênio e fósforo, água doce, uso da terra, poluição química e mais recentemente, a acidificação dos oceanos. Ultrapassamos a capacidade de carga do planeta.
Em 2024, pela primeira vez, a temperatura média global ultrapassou temporariamente +1,5°C. A meta do Acordo de Paris já está sendo ultrapassada. A trajetória atual nos leva para +2,7°C a +3,1°C até o final do século.[2]
Ultrapassar essa fronteira climática significa conviver com consequência devastadoras. Secas extremas e enchentes cada vez mais frequentes. Furacões mais intensos, derretimento acelerado das geleiras, elevação do nível do mar. O colapso de ecossistemas inteiros, extinção em massa de espécies. E para a humanidade: fome, sede, guerras por água e alimentos, bilhões de refugiados climáticos.
O Manifesto Ecossocialista nos alerta:
"A Terra corre o risco de se tornar um deserto biológico inabitável para bilhões de pessoas pobres, que não são responsáveis por esse desastre." (Manifesto Ecossocialista, p. 4, l. 15) [1]
Estamos no ponto de não retorno planetário. Os feedbacks climáticos positivos (derretimento do permafrost liberando metano, perda de gelo refletivo, morte de florestas) estão se acelerando. A janela de oportunidade para evitar o colapso está se fechando. E o que o capitalismo oferece como perspectiva? Mais mercado. Mais crescimento. Mais ilusão.
Diante dessa casa em chamas, o que o capitalismo propõe? Ele nos oferece a "transição energética" como salvação. Mas será que essa transição é real ou apenas mais um engano, levando-nos para mais fundo no abismo?
Vamos começar desmontando a maior mentira do capitalismo verde: a "transição energética".
Nos últimos 30 anos, desde a Cúpula da Terra no Rio em 1992, houve um crescimento explosivo das energias renováveis. Solar e eólica se tornaram as fontes de energia mais baratas da história. Painéis solares cobrem telhados. Turbinas eólicas pontilham o horizonte. E os governos celebram: "Estamos em transição!"
Mas os dados contam outra história:
Segundo o ClimaInfo, as emissões globais do setor de energia bateram novo recorde em 2024, com aumento de 2% no fornecimento total de energia. Todas as fontes cresceram: petróleo, gás, carvão, nuclear, renováveis.[9]
Como isso é possível? Como as renováveis crescem e as emissões também?
Porque, no capitalismo, as renováveis não substituem os fósseis, elas se somam a eles. O crescimento econômico exige cada vez mais energia. As renováveis atendem parte dessa demanda crescente, mas os fósseis continuam sendo a base. É o que o Manifesto chama de "efeito rebote":
"Se não houver um plano implementado pela sociedade como um todo para a conversão da produção, aprimoramentos técnicos terão um efeito rebote: uma redução no preço da energia geralmente leva a um maior consumo de energia." (Manifesto Ecossocialista, p. 5, l. 15-18) [1]
Energia mais barata impulsiona maior consumo, que implica em mais crescimento, que tem como consequência a geração de mais emissões.
A hipocrisia dos subsídios: brasil privilegia combustíveis fósseis
No Brasil, a contradição é ainda mais gritante. Um estudo do INESC, divulgado revela [5]:
Em 2024:
Apesar de uma queda de 42% nos subsídios aos fósseis (primeira em 8 anos), o Brasil ainda privilegia combustíveis poluentes. E tem mais: o governo concedeu subsídio de R$ 50 bilhões à queima de carvão mineral e realizou novo leilão do pré-sal, onde 5 de 7 blocos foram arrematados.[5]
A transição energética capitalista não é transição. É expansão. E essa expansão está sendo financiada pelos mesmos bancos e fundos de investimento que continuam a financiar a exploração de petróleo, gás e carvão.
O Observatório do Clima demonstrou em estudo de 2024 que o Brasil pode reduzir 80% das emissões da energia mesmo com o PIB crescendo, sem precisar recorrer a soluções de alto risco. Mas o governo escolhe o caminho oposto: manter e expandir a dependência dos combustíveis fósseis.[6]
E se ainda havia dúvidas sobre as verdadeiras intenções dos governos, o Production Gap Report 2025, publicado em setembro, as desvelou.[3]
O relatório mostra que:
Segundo o ClimaInfo, apenas um terço das novas NDCs (Normas Nacionalmente Determinadas) apoia a eliminação dos combustíveis fósseis. Vários países, contrariando a ciência, sinalizam aumento da produção ou uso de fósseis.[9]
Ou seja, enquanto na COP assinam acordos para "descarbonizar", nos bastidores estão licenciando, financiando e expandindo petróleo, gás e carvão.
É a hipocrisia em estado puro. É o caçador enveredando floresta adentro em sua sanha por lucro, que parece perseguir a descarbonização, mas leva a uma maior exploração de fósseis. E o Brasil, anfitrião da COP 30, não é exceção. Pelo contrário, é um dos protagonistas dessa contradição.
E o Brasil, anfitrião da COP 30, que se apresenta como líder climático? O Brasil está fazendo sua parte? Não. O Brasil está perfurando petróleo na Amazônia. Em 20 de outubro de 2025, apenas semanas antes da COP 30, o IBAMA aprovou a licença para a Petrobras perfurar petróleo na foz do Rio Amazonas, a 175 km da costa do Amapá.[6]
Releiam: O governo brasileiro, que vai sediar a maior conferência climática do mundo, está, ao mesmo tempo, abrindo a Amazônia para exploração de petróleo.
A perfuração começou imediatamente e vai durar cinco meses, coincidindo exatamente com a COP 30.
Pensem na contradição: enquanto lá dentro da COP os diplomatas brasileiros falam de "proteger a Amazônia", lá fora, no mar, a Petrobras está perfurando o fundo do oceano para extrair petróleo.
E a indignação da sociedade civil foi imediata:
Juliano Bueno, diretor técnico do Instituto Arayara e conselheiro do CONAMA:
"Estamos a menos de 15 dias da COP30 em Belém, e o Ibama autorizou a perfuração de um poço de petróleo na foz do rio Amazonas — decisão que fere a coerência climática do país, aumenta a dependência do petróleo e agrava ainda mais a crise climática."
Observatório do Clima:
"Governo sabota COP30 e licencia petróleo na Foz do Amazonas" — chamando a decisão de "desastrosa do ponto de vista climático e da sociobiodiversidade".
Greenpeace Brasil:
"A abertura de novos poços de petróleo a menos de um mês da COP30 contradiz os próprios compromissos do Brasil com a transição energética" e "mancha o discurso climático do Brasil".
APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil):
"O Brasil, às vésperas de sediar uma conferência do clima da ONU na Amazônia, tripudia sobre o Acordo de Paris e sobre a COP30 ao abrir essa fronteira fóssil."
E os riscos são significativos:
Uma das lições fundamentais do Manifesto Ecossocialista é que não há capitalismo verde. O capital precisa crescer. E crescimento, no capitalismo, significa mais extração, mais produção, mais emissões.
Na COP 30, os países apresentarão suas novas NDCs — as metas climáticas para 2035.
O problema é que as NDCs atuais já são totalmente insuficientes. Mesmo que todos cumprissem 100% (e não estão cumprindo), o mundo ainda caminharia para +2,7°C a +3,1°C.[2]
Segundo a REPAM-Brasil, a NDC brasileira 2024/25 — com redução de 59% a 67% em relação a 2005 — permanece insuficiente frente ao potencial do país.
Mas a APIB mostrou o caminho: em abril de 2025, lançou a NDC Indígena, uma contribuição própria dos povos originários, demonstrando que as comunidades tradicionais têm propostas mais ambiciosas e efetivas que os governos capitalistas.[8]
E o que esperar das novas NDCs oficiais?
A história das COPs nos revela que as novas metas serão, na melhor das hipóteses, incrementalmente melhores, mas ainda insuficientes. Os países ricos continuarão a se recusar a assumir sua responsabilidade histórica pelas emissões acumuladas. Os países do Sul Global continuarão a ser pressionados a "fazer sua parte", enquanto não recebem os recursos financeiros e tecnológicos prometidos. E o pior: as NDCs são voluntárias e não vinculantes. Não há punição para quem não cumpre. É um sistema baseado na "boa vontade" dos Estados capitalistas, cuja única vontade real é a acumulação de capital.
O Manifesto é claro:
"Os governos se comprometeram a manter o aquecimento global abaixo de +1,5°C, a manter a biodiversidade, a alcançar o chamado 'desenvolvimento sustentável' e a respeitar o princípio de 'responsabilidades e capacidades comuns, porém diferenciadas' na crise ecológica, enquanto produzem cada vez mais bens e usam cada vez mais energia. Essas promessas combinadas não serão respeitadas pelo capital." (Manifesto Ecossocialista, p. 5, l. 10-14) [1]
Agora vamos falar de uma das falsas soluções mais perigosas: o REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal),
À primeira vista, parece uma boa ideia, a de pagar para manter a floresta em pé. Mas na prática, o REDD+ é a transformação da floresta em ativo financeiro e a expropriação dos povos que a protegem. E como funciona este mecanismo?
Uma empresa que polui no Norte Global compra "créditos de carbono" de um projeto REDD+ no Sul global. A floresta é medida, quantificada, precificada. Sua capacidade de sequestrar CO₂ vira mercadoria.
Os problemas advindos da financeirização da natureza
O REDD+ não funciona sem os povos indígenas, mas os exclui. Estudos mostram que os projetos só funcionam quando envolvem povos indígenas, pois são eles que historicamente protegem as florestas. Mas a maioria dos projetos falha em engajá-los. As decisões são tomadas por governos, ONGs internacionais e empresas, sem consulta prévia, livre e informada.[8]
A APIB tem denunciado essa contradição. Em outubro de 2024, os povos indígenas exigiram a co-presidência da COP30 e o fim do petróleo e gás na Amazônia, lembrando que a Amazônia é território indígena por excelência, e que os povos originários não podem ser meros figurantes.
O REDD+ permite que poluidores continuem poluindo. É um mecanismo de compensação, não de redução real. Mas a ciência é clara ao afirmar que não há como compensar emissões fósseis com florestas. O carbono fóssil, uma vez liberado, fica na atmosfera por séculos. As florestas podem queimar, secar, ser desmatadas. É uma falsa equivalência.
O REDD+ gera conflitos e expulsões. Há casos documentados de comunidades impedidas de caçar, pescar, coletar, porque isso "reduz o estoque de carbono". A conservação vira cercamento (enclosure) da floresta, expropriando os povos que a habitam.
O REDD+ não enfrenta as causas do desmatamento. Trata o desmatamento como problema técnico a ser resolvido com dinheiro. Mas o desmatamento é resultado de relações de poder: agronegócio, mineração, grilagem, expansão capitalista. Sem enfrentar essas causas, o REDD+ se torna solução cosmética, pois é superficial, inadequado e temporário, para um problema sério, complexo e estrutural.
O Manifesto denuncia:
"Conceitos como 'serviços ecossistêmicos', 'capital natural', 'créditos de biodiversidade' e 'mecanismos de mercado', baseados no entendimento da natureza como capital, pesam sobre os menos responsáveis, os pobres, em particular os povos”.
A floresta não é capital. A floresta é território de vida. E os povos indígenas não são "prestadores de serviços ambientais". São guardiões ancestrais, com direitos inalienáveis sobre seus territórios.
Outro tema da COP 30 será o financiamento climático.
Os países ricos prometeram US$ 100 bilhões por ano para os países em desenvolvimento. Essa meta, que deveria ter sido atingida em 2020, só foi alcançada em 2022, com dois anos de atraso. E mesmo assim, a maior parte do dinheiro foi destinada à mitigação (redução de emissões), não à adaptação (preparação para os impactos inevitáveis).[4]
Mas o financiamento necessário para adaptação é de US$ 187 a 359 bilhões por ano. O financiamento atual é de apenas US$ 21 bilhões. Há um abismo de US$ 166 a 338 bilhões por ano. Isso significa que milhões de pessoas nos países mais vulneráveis estão sendo abandonadas. Elas sofrerão secas, enchentes, ciclones, elevação do mar, sem recursos para se adaptar.
No Brasil, essa realidade é vivida pelas comunidades do Semiárido, acompanhadas pela ASA (Articulação Semiárido Brasileiro), que reúne mais de 3 mil organizações. A ASA denuncia que as mudanças climáticas intensificam secas, desertificação e perda de biodiversidade, e que o Programa Cisternas, apesar de importante, é insuficiente.
O MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) alerta que a crise climática aumenta os casos de rompimento de barragens, como nas enchentes do Rio Grande do Sul em 2025, onde o MAB estruturou 10 cozinhas para atender populações atingidas.
O MAR, que surge se organizando para denunciar que a transição energética brasileira com a dura crítica que a transação energética e não tem se baseado nas reais demandas das populações diretamente impactadas. Afirmando que não existe nem desenvolvimento. O que existe é o mesmo colonialismo extrativista de sempre, com um discurso falacioso.
E o pior, grande parte do "financiamento climático" não é doação, mas empréstimo. Países pobres, que não causaram a crise, estão sendo endividados para se adaptar a ela. Empréstimos esses que só geram mais dívida pública para que nos, paguemos por elas, gerando mais ainda dívidas com os povos e a natureza.
É colonialismo climático. O Manifesto exige que o financiamento seja público, não mercantilizado, e baseado em reparação histórica:
"Que os países ricos compensem financeiramente a renúncia de países dependentes à exploração de recursos fósseis." (Manifesto Ecossocialista, p. 15, l. 20-22) [1]
Enquanto as COPs focam principalmente no CO₂, outra ameaça cresce silenciosamente: o metano (CH₄). O metano é um gás de efeito estufa 80 vezes mais potente que o CO₂ em um horizonte de 20 anos.
Segundo o ClimaInfo, as emissões de metano no Brasil cresceram 6% em apenas quatro anos, mesmo após o país aderir ao Compromisso Global do Metano na COP26, que previa reduzir as emissões em 30% até 2030.[9]
As principais fontes de metano no Brasil são:
A expansão do agronegócio, especialmente da pecuária, e a abertura de novas fronteiras de petróleo e gás estão aumentando as emissões de metano, anulando os esforços de redução de CO₂.
O Manifesto Ecossocialista aponta para a necessidade de uma transformação radical do sistema alimentar, incluindo a redução drástica da pecuária industrial e a transição para sistemas agroecológicos, como os defendidos pela ASA e pelo MST.
Há algo que deve entrar no radar das COPs, mas que o Manifesto Ecossocialista identifica como nova ameaça, é a Inteligência Artificial (IA).
A expansão da IA e dos data centers que a sustentam está gerando uma explosão no consumo de energia e água:
Além dos impactos ambientais, a IA sob controle capitalista:
O Manifesto alerta:
"A promoção da inteligência artificial (IA) pelas grandes empresas de tecnologia e pelos governos capitalistas representa uma nova ameaça." (Manifesto Ecossocialista, p. 5, l. 25) [1]
E exige que a IA seja socializada e democraticamente controlada, não deixada nas mãos de corporações como Google, Microsoft e Meta.
Se as soluções para a crise climática não vêm dos mercados de carbono, dos governos cúmplices do capital ou das corporações que lucram com a destruição, de onde elas vêm? A resposta é clara e ressoa por todo o país: elas vêm dos territórios.
É esta a mensagem central que entidades, redes e articulações brasileiras da sociedade civil, em preparação para a Cúpula dos Povos e a COP 30, têm afirmado com crescente força:
"Justiça climática: as soluções vêm dos territórios"
Esta não é apenas uma frase de efeito, mas a constatação de uma realidade pulsante. As soluções já existem e florescem no chão das lutas, junto às práticas populares, nos saberes tradicionais e na resistência coletiva que se tece diariamente na cidade, no campo, na floresta e nas águas.
Agroecologia e atividades produtivas tradicionais como caminho
Não estamos partindo do zero. Ao longo das últimas décadas, os movimentos sociais acumularam vitórias importantes que demonstram a viabilidade das alternativas. A demarcação da Terra Indígena Yanomami, após anos de luta, protegeu 9,6 milhões de hectares de floresta. O Programa Cisternas da ASA já construiu mais de 1,2 milhão de cisternas no Semiárido, garantindo água para famílias em tempos de seca. Os assentamentos do MST praticam agroecologia em mais de 2 mil áreas, produzindo alimentos saudáveis sem agrotóxicos e sequestrando carbono. Essas vitórias provam que outro caminho é possível.
Iniciativas agroecológicas são impulsionadas por povos, entidades, e redes da sociedade civil e beneficiam centenas de famílias de agricultores e agroextrativistas em nosso país, da Borborema ao Mato Grosso. Esses projetos promovem a conservação ambiental e atividades econômicas sustentáveis, valorizando o conhecimento ancestral.
A agroecologia, defendida por movimentos como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e o MAM (Movimento pela Soberania Popular na Mineração), o MAR (Movimento de Atingidos por Renováveis), MAB (Movimento de Atingidos por Barragens) é muito mais que uma forma de produzir alimentos. É um modelo de sociedade que:
As alternativas concretas ao capitalismo verde: são hortas comunitárias, cisternas, sistemas agroflorestais, pesca artesanal e extrativismo sustentável. São práticas que já funcionam, que já protegem o clima e que fortalecem a resiliência das comunidades.
O papel da sociedade civil — ser o Curupira
Diante desse cenário de falsas soluções, e de estratégias a sociedade civil deve ser o Curupira, e inverter a lógica do capital. Confundir os caçadores gananciosos. Denunciar que mercados de carbono são fraude. Expor que REDD+ expropria povos. Revelar que NDCs são insuficientes. Mostrar que transição energética capitalista é expansão fóssil
É preciso proteger os biomas e os povos. Apoiar as lutas por demarcação, titulação, autonomia territorial. Barrar petróleo, agronegócio, mineração. As soluções vêm dos territórios. E diversas organizações e redes no Brasil, junto com a APIB, a ASA, o MAB, o MST, o MAM, o MAR, RBJA, as entidades que integram a cúpula dos povos nordeste e CE, e tantas outras organizações, estão construindo essas soluções todos os dias.
A crise climática está conectada ao racismo, machismo, desigualdade de classe e colonialismo. Não há justiça climática sem justiça social.
Denunciamos a apropriação dos territórios por falsos projetos de "economia verde" e a invisibilização dos povos nos debates climáticos. A pauta central é o respeito aos direitos territoriais, o que inclui:
A APIB, ao exigir a copresidência indígena da COP30, está cumprindo esse papel. A ASA, ao promover a convivência com o Semiárido e a agroecologia, está protegendo territórios e modos de vida. O MAB, ao denunciar barragens e defender um modelo energético popular, está resistindo à mercantilização da natureza.
Devemos construir a convergência das lutas do clima com o antirracismo e feminismo, e a luta dos trabalhadores. A crise climática é inseparável das outras opressões.
É preciso fomentar o poder popular. A transformação não virá de cima. Virá da auto-organização das lutas e é necessário denunciar e mobilizar.
Devemos construir as alternativas. Não basta criticar. É preciso mostrar que outro mundo é possível. E esse mundo já está sendo construído nos territórios, nas roças, nas hortas, nas cisternas, nas florestas manejadas, nas pescarias artesanais.
Neste chamado, afirmamos com veemência que não há hierarquia na proteção e cuidado aos biomas. Da Amazônia ao Pampa, do Cerrado à Caatinga, Do Oceano, zona costeira e Mata Atlântica ao Pantanal, todos os biomas são fundamentais na defesa do equilíbrio climático. E todos os povos, em sua diversidade e sabedoria, são convidados a caminhar unidos em defesa da vida e das condições planetárias que a albergam.
Conclusão: socialismo ou barbárie climática
A COP 30 será um teatro. Mas o Curupira não se deixa enganar. E nós também não. O Manifesto Ecossocialista nos dá clareza, a crise climática é a crise do capitalismo. Não há solução dentro do sistema. A escolha é a mesma que Rosa Luxemburgo fez em 1915, mas agora com urgência de um planeta em chamas: Socialismo ou Barbárie.
A barbárie é o que eles oferecem: mundo de +3°C, bilhões de refugiados, guerras, ilhas de luxo para o 1%.
O ecossocialismo é o que devemos construir: sociedade onde a vida está no centro. Produção planejada democraticamente. Povos indígenas reconhecidos como guardiões. Trabalho reduzido. Energia pública e renovável a serviço da produção e beneficiamento de alimentos, da irrigação para recuperação da Caatinga, Cerrado, Amazônia... Bancos socializados. E as soluções vindo dos territórios.
"Denunciamos a apropriação dos territórios e a invisibilização de povos nos debates sobre a crise climática e pautamos as soluções reais que nascem das práticas territoriais."
A COP 30 não nos salvará. Mas a Cúpula dos Povos pode ser o início da força organizada que, sim, pode nos salvar.
Que sejamos o Curupira.
Que confundamos os caçadores do capital.
Que protejamos os biomas, ecossistemas e os povos.
Que construamos as alternativas nos territórios.
Que viremos o jogo.
As soluções vêm dos territórios!
O futuro será ecossocialista, ou não será!
Venceremos!
Glossário
* NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada): Compromissos voluntários que cada país apresenta na ONU sobre suas metas de redução de emissões. * TWh (Terawatt-hora): Unidade de medida de energia equivalente a 1 trilhão de watts-horas. * Feedbacks climáticos positivos: Processos que, uma vez iniciados, se auto reforçam e aceleram o aquecimento (ex: derretimento do gelo reflete menos luz solar, aquecendo mais o planeta). * REDD+: Programa de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal que, na prática, pode transformar florestas em ativos financeiros através de créditos de carbono.
Referências
[1] IV Internacional. (2025). Manifesto por uma revolução ecossocialista. Aprovado no 18º Congresso Mundial, fevereiro de 2025.
[2] UNEP. (2024). Emissions Gap Report 2024.
[3] UNEP, SEI, IISD. (2025). Production Gap Report 2025. Setembro de 2025.
[4] UNEP. (2024). Adaptation Gap Report 2024.
[5] INESC/Instituto Arayara. (2025). Monitoramento dos Subsídios às Fontes de Energia no Brasil (2023-2024). 8ª edição, outubro de 2025.
[6] Observatório do Clima. (2025). "Governo sabota COP30 e licencia petróleo na Foz do Amazonas". 20 de outubro de 2025.
[7] Greenpeace International. (2025). "IBAMA approves oil drilling at Amazon Basin weeks before COP30". 21 de outubro de 2025.
[8] APIB. (2024). "Povos indígenas do Brasil exigem a co-presidência da COP30 e o fim do petróleo e gás na Amazônia". 26 de outubro de 2024.
[9] ClimaInfo. (2025). "Emissões globais do setor de energia batem novo recorde em 2024". 26 de junho de 2025.
[10] Mongabay. (2024). "REDD+ doesn't work without Indigenous peoples, but fails to engage them". Outubro de 2024.
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